Never Goes Out
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dedico essa one à Midichan, uma beta maravilinda que teve muita paciência e me ensinou coisas que são muito uteis e eu vou guardar para sempre. Muito obrigada e desculpe pela demora!
Bom, creio que é isso, espero (realmente) que gostem, eu achei um amorzinho *0* E eu não sou muito de ficar super feliz com os meus trabalhos.
Depois desse meu momento suuuper humilde, creio que é isso. Fanfic baseada no filme perfeito de Capitão América e na música There Is a Light That Never Goes Out do The Smiths.
Beeeeeeeijos s2
A comemoração devido à volta dos soldados havia sido duradoura, alongada até que se fosse impossível para muitos se manterem de pé, tanto pelo sono quando pelo excesso de bebida, ou os dois.
Ulterior a todos já terem saído, Steve e Bucky ainda não sentiam a ínfima vontade de dizerem boa noite e irem dormir em seus devidos alojamentos. Pelo contrário, o desejo, no íntimo deles, era permanecer ali, um ao lado do outro, o mais perto que se fosse permitido.
Fora os dois, apenas o barman ainda se mantinha no lugar, mas agora escondido dentro de sua cozinha, aproveitando para tirar um cochilo.
Bucky estava com seus sentidos afetados pelo álcool, mas mesmo assim permanecia mais lúcido do que em boa parte de sua vida. Steve não tinha que se preocupar com a bebida. Se quisesse, poderia consumir tudo que existia naquele bar e ainda permanecer mais são do que muitas pessoas por ai. Entretanto, não era de seu feitio exagerar, mesmo que pudesse.
Os dois soldados mantiveram-se em silêncio por alguns minutos, deixando que o barulho dos líquidos sendo absorvidos e dos copos batendo no balcão se misturasse com a música que tocava baixa de um pequeno rádio.
— Essa música tem uma melodia bem agradável – comentou Bucky quebrando o silêncio entre eles e apertando os lábios depois, se perguntando o porquê de ter dito algo tão idiota assim. Mas no fundo, ele sabia o porquê sim, ele queria apenas conversar com Steve, nem que fosse sobre como cerveja tem um gosto bom.
— Tem sim – Steve respondeu dando um meio sorriso.
Bucky respirou fundo. Ele, com certeza, iria se arrepender depois. Todavia, naquele instante ele sentia, além de uma grande vontade, uma enorme tenacidade. Talvez fruto do álcool, mas não importava. Puxando mais um pouco de ar, Bucky perguntou a Steve, sem olhá-lo:
— Quer dançar?
Essas palavras pegaram Steve de surpresa. O loiro olhou para Bucky, que se concentrava em admirar uma pilha de garrafas atrás do balcão.
— Como é?
— Dançar, Steve, você quer? – dessa vez Bucky fitou Steve nos olhos e quase se arrependeu. Bastou uma simples olhada para ter todo o seu ser capturado por aqueles simples olhos azuis.
Não era de hoje ou agora, e muito menos por culpa do álcool. Na verdade, Bucky não sabia quando havia começado, ele só sabia que nutria uma grande paixão por seu melhor amigo. Ele queria abraça-lo, aninha-lo em seus braços, olhá-lo nos olhos por horas, queria beijá-lo... Mas nunca o fez, por medo.
Bucky sentia-se estranho e confuso por ter esses sentimentos por Steve, ele era um homem e ainda por cima seu melhor amigo, nunca ouvira falar de algo desse tipo. Mas, para Bucky, mesmo com essa luta interna, seu sentimento era puro e bom. Ao mesmo tempo em que parecia errado, parecia certo.
— N-não sei... – Steve gaguejou e se amaldiçoou por dentro, mesmo após o soro e ter se tornado o Capitão América, ele ainda agia como se fosse aquele garotinho do Brooklyn.
Bucky revirou os olhos e soltou uma risada, seu amigo continuava o mesmo garoto tímido e inocente de sempre. Ao mesmo tempo em que isso era bom, pelo fato de ele nunca ter notado as intenções de Bucky, era também irritante.
— Vem. – Bucky levantou-se e puxou Steve pelo braço. Enquanto iam para o longe das mesas e cadeiras, Bucky deixou que sua mão deslizasse pelo braço de Steve, sentindo sua pele lisa e macia. Quando encontrou a mão do loiro, permitiu que a sua se fechasse ao entorno dela, enquanto virava-se de frente para ele.
Steve sentia-se intricado. O pedido de Bucky havia sido repentino e inesperado, e agora sentir o toque de sua mão por seu braço só deixava as coisas mais desordenadas em sua cabeça. Ele não sabia se era certo sentir seu coração batendo mais rápido e seu corpo estar inquieto.
Talvez o fato de seu coração parar por uma fração de segundo no instante em que Bucky virou-se para ele, deixando a distância entre eles sucinta, fosse mais do que uma confirmação para algumas dúvidas que rodeavam a cabeça de Steve. Agora poderia confirmar que sentia mais do que uma simples empatia por seu melhor amigo.
Bucky poderia dizer que se sentia da mesma forma, acreditado agora que seus sentimentos eram cheios de desejos. Steve estava perto, com seu corpo quase colado ao seu, fazendo o coração do soldado moreno golpear dentro do peito.
Barnes puxou a mão de Steve para cima, afastando-a um pouco deles, enquanto sua outra mão ia de encontro à cintura do mesmo. Bucky poderia ter se tornado um pouco mais baixo que Steve agora, mas isso não era algo que os preocupava, não no momento.
Tímidos, confusos, receosos e nervosos, os dois deixaram que seus corpos se guiassem pela música. Eles não sabiam bem o que estava acontecendo ali, entretanto, era bom.
Era bom ter os corpos pertos, as mãos dadas. Era algo que os dois queriam mais do que admitiam para si mesmo, era algo que estavam mais necessitados do que tinham consciência, era algo que conseguiriam unicamente um com o outro. Apenas juntos.
Steve não sabia dançar, mas Bucky tornava as coisas tão simples e confortáveis.
Passaram-se horas, ou talvez meros segundos, mas Bucky sentia que não conseguiria mais aguentar. Ele sentia a vontade de beijar Steve percorrer todo o seu corpo, deixando-o em completa agonia e protesto.
O moreno levantou um pouco a sua cabeça, dando de encontro com aquele doce azul dos olhos de Steve, tão calmos e tão serenos que sentia que poderia ficar horas os fitando, sem cansar ou pestanejar. Após alguns segundos do contato visual, que não fora cortado por nenhuma das partes envolvidas, Bucky viu o rosto de Steve corar levemente, e isso foi o estopim.
Com cuidado, Bucky aproximou seu rosto do loiro, devagar e calmo. Quanto mais se aproximava, mais ansioso ficava e, quando viu que Steve permaneceria onde estava, sentiu uma quentura em seu coração que nunca havia sentido antes.
Steve estava mais corado e confuso agora, mas ele sabia que queria. Então apenas deixou-se levar, impulsionando seu rosto alguns centímetros para frente, o que bastava para acabar com quaisquer distâncias existentes entre eles.
O beijo foi tímido, como a dança, começou com apenas um selinho demorado. Mas, após um tempo, com a iniciativa partindo dos dois, se tornou um beijo de verdade, ainda manso, mas agora com o direito de poderem explorar por completo a boca um do outro.
Steve, tirando proveito da situação, pegou o braço de Bucky e colocou em seu ombro, posicionando, logo depois, sua mão em torno da cintura do menor. Bucky deu um sorriso mínimo durante o beijo, e aproximou-se mais, colando seu corpo ao do loiro, sentindo-o por completo perto de si.
Aquela ação cometida pelos dois era imprudente, uma afronta com a sociedade. Era uma asserção, os dois tinham completo conhecimento disso. Não só era algo ultrajante aos olhos alheios, como era algo completamente inaceitável.
A veracidade era que, se os pegassem ali, vissem os dois cometendo aquele ato, no mínimo acabariam sendo acusados de obscenidade. Também sabiam que agora que Steve era uma figura pública, essa acusação sairia em todos os meios de comunicação possível, divulgando, não só para os Estados Unidos, e sim para o mundo, que o grande patriota Capitão América era, na verdade, um homossexual depravado.
Corriam o risco de serem linchados socialmente por todos, ouvirem até o fim da vida palavras horríveis sendo dirigidas a eles, ou até, na pior das hipóteses, acabarem sendo mortos.
Se isso tudo importava para os dois? Era óbvio que não, pelo menos não agora. Talvez eles pensassem sobre isso depois que não estivessem mais ali, mas, no momento, o gosto dos lábios um do outro era tudo o que lhes interessava.
Eles ainda eram melhores amigos, o sentimento a mais já ocorria há tempos entre os dois e isso nunca havia prejudicado em nada, então não seria agora que isso iria importar. Provavelmente tornava a relação deles melhor, distância sempre fora algo ruim para os dois.
Depois de um tempo que pareceu longo e ao mesmo tempo curto demais, os lábios se separam, dando lugar a dois pequenos e tímidos sorrisos. Bucky olhou mais uma vez nos olhos de Steve, e então ele teve certeza.
Para Steve, a certeza veio quando Bucky deitou a cabeça em seu peito e voltou a movimentar-se lentamente no mesmo ritmo de antes.
Certeza que se amavam, certeza de que o que ocorria entre eles era o sentimento mais puro e simples, certeza de que estariam sempre juntos, e que, se morressem agora (ou depois), desde que estivessem um ao lado do outro, seria um jeito divino de morrer.
. . .
Steve estava deitado com a cabeça no seu travesseiro exageradamente macio, enquanto lembrava-se dessa noite. Ele recordava tudo com a máxima precisão, tudo ainda estava vívido em sua cabeça e seu coração. Faziam algumas semanas desde todo o ocorrido em Washington, desde que havia visto Bucky pela última vez.
Não era o Bucky de anos atrás, era um Bucky mudado pela HYDRA. Steve sabia disso, mas nos últimos momentos, enquanto sentia seu rosto arder pelos machucados, ele olhou fundo nos olhos do moreno e viu, mesmo que fosse um resquício quase inexistente, do Bucky verdadeiro.
E o fato de estar vivo agora, só lhe dava mais certeza de que ainda havia uma esperança, e era essa esperança que aquecia o coração do soldado. Mas foi impossível para Steve não deixar escapar uma lágrima, seguida, posteriormente, de algumas outras.
Mesmo que a memória daquela noite agora fosse dolorida, ela lhe dava a afirmação necessária para seguir em frente, e o sentimento que sentia lhe dizia que tudo havia sido real. E o mais importante, tudo aquilo indicava a ele que valia a pena ir atrás de Bucky, valia apena ter esperança, valia a pena lutar até o último vestígio de vida em seu corpo para ter Bucky ao seu lado novamente.
Porque Steve amava Bucky, e Bucky amava Steve, e entre eles sempre haveria uma luz que nunca se apagaria.
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