Never Been Hurt.
2 Smart Life.
Notas iniciais
"I was born for the fast life,
I go for all, and yes I'm not here to fall,
But for what it's worth I'm ready to play,
For the rest of my life."
– Como assim? Onde está Marylin?
Quando Percy finalmente acabara aquela imensa lista de pessoas para entrevistar, decidiu que Marilyn seria sua secretária perfeita.
Velha, legal, doce e organizada com um ótimo estilo musical.
Nada melhor.
Mas agora, Lizzie e Silena estavam sentadas à sua frente com as pernas cruzadas, esperando que ele falasse mais alguma coisa além de reclamar pela falta de Marilyn.
– Ela era a secretária perfeita!
– Que pena. — Lizzie disse, avaliando suas unhas rosa, deu um sorriso e fez com que Silena as visse também, continuou sorrindo e engataram em uma conversa sobre a nova moda do rosa.
– É sério. Expliquem-me isso direito. – esfregou as palmas das mãos sobre os olhos, preocupado com o que acabara de pedir
Silena bufou e mexeu nos fios ruivos.
– Olha, querido, ela tinha um filho e então, o filho está doente. Ela foi cuidar do filho e se demitiu depois de um mês trabalhando, satisfeito ou não?
– É culpa sua! — apontou, levantando-se da mesa, irritado — Você quer que eu coloque aquela sua amiguinha aqui porque blábláblá...
– Ah, qual é, Percy. — a ruiva com madeixas mais claras que o normal ajeitou o blazer rosa e rolou os olhos — Para quê eu ia fazer isso?
– Aham. Eu chamei a Annie pra trabalhar como gerente na Lola. Aliás, ela é muito boa. — Lizzie piscou, pegando sua bolsa da Prada
– E você vai ter que fazer outra entrevista enorme como aquela que fez da última vez.
– Sério? — resmungou
– Sério. — confirmou Lizzie — Provavelmente, ela só vai vir se você pagar mais e olha, vou logo avisando que o salário dela é bem maior que o de Marilyn.
– E pra que eu a quero como secretária?
– Porque eu vi em suas anotações. — Silena respondeu com um sorriso já da porta — A segunda melhor, hein.
– Silena... — correu os dedos pelos cabelos, pensando se a mataria ou simplesmente fecharia os olhos tentando controlar a raiva — Por que você fez isso?
– Porque nós sempre fazemos. — Lizzie deu de ombros
– De qualquer maneira, faz outra reunião. Quem sabe você pede pra Rachel ser sua secretária?
– Ela não ia abandonar seu trabalho de professora.
– Claro, professora do maternal. – o desdém estava totalmente explicito em sua voz — Até eu abandonaria. — a morena resmungou
– Lizzie. — repreendeu e cruzou os braços — Isso tudo foi uma armação de vocês, aposto que essa tal de Annabeth nem deve tá lá.
– Vamos ver. — Silena deu de ombros, como se não se importasse
– Vou conferir. Não se preocupe, aliás — debruçou-se sobre a mesa de vidro e ergueu uma das suas sobrancelhas grossas e negras — quanto você tá pagando para ela?
Lizzie sorriu e balançou a cabeça, dando um adeus breve para Percy enquanto fechava a porta de madeira.
O moreno resmungou e abriu a caixa de e-mails. Nenhum novo. Soltou um muxoxo e procurou seu telefone com os dedos, discando o número tão conhecido de sua namorada, esperando que ela tivesse de folga hoje ou algo do tipo, o que vinha acontecendo com frequência.
– Amor? — ouviu a voz quase rouca do outro lado
– Oi. — respondeu bobo — Tá ocupada?
– Hm... — demorou um pouco pra responder — Não, não. Por quê?
– Me acompanha até a Lola?
Primeiro, pensou que merda estava fazendo em uma loja cheia de mulheres procurando uma que só vira uma vez na vida e agora estava se humilhando para que ela aceitasse a ser sua secretária. Que tipo de homem faria aquilo?
Ah, sim, um homem que perdera seu orgulho ao entrar seu carro e dirigir até a loja de suas melhores amigas. Um homem tão preguiçoso que nem queria pensar em perder uma manhã inteira fazendo entrevistas com as mesmas mulheres.
Um homem burro o suficiente que nem sabia que existia o telefone e ainda por cima, tinha o número dela.
Pensou em tudo isso ao sair do carro com o braço em volta dos ombros finos de Rachel. No entanto, algo mais forte que si, pisara dentro da loja, esperando encontrar aqueles fios louros passeando entre aquelas pessoas.
– Acho que vou ver uns lingeries. — Rachel sorriu e apontou para o lado
Percy sorriu, e acariciou sua cintura por cima da sua blusa vermelha.
– Vai lá. Vou procurar essa garota e oferecer metade de minha fortuna. — piscou, brincalhão
– Olha lá, o que vai fazer com ela, lindo. — a ruiva levantou os pés e beijou seus lábios — Não fica muito perto dela, ok? Já estou com ciúmes.
– Não precisa. Você sabe que não precisa. — acariciou os cachos, colocando-os atrás da orelha
– Eu sei. — soprou
– E daí, quando oficializarmos nosso noivado...
A ruiva riu e acariciou as bochechas dele, sentindo a barba a arranhar.
– Você será a mais bela de todas as princesas de qualquer reinado que entrar. — o moreno sussurrou com um sorriso ao ver que ela já esperava aquilo, mas ainda sorria quando ouviu as palavras
– Tão romântico. — murmurou e deu mais um beijo em seus lábios antes de se afastar sorrindo
– Certo. Onde está a loira? — sussurrou para si mesmo, desviando das mulheres que passavam apressadas por ele
Subiu as escadas rolantes, esperando que ela estivesse em uma daquelas salas que Lizzie reserva para todas as gerentes. Primeiro, não a encontrou lá, quase suspirou de alívio ao perceber que as meninas estavam brincando com a cara dele, mas quando virou-se para sair. Lá estava ela.
Uma saia rodada verde e uma blusa de seda branca com um lenço rosa enrolado no pescoço, os cabelos louros estavam presos em um coque bagunçado com uma caneta azul. No entanto, o que mais lhe chamou atenção foi o sorriso que estava estampado em seu rosto, trazia alguns papéis no antebraço enquanto conversava com uma vendedora.
Pigarreou quando elas chegaram perto o suficiente para ouvi-lo.
– Senhorita...
– Olá, senhor Jackson. — ergueu a mão para apertar a dele ainda com o sorriso
Percy forçou sua mente a trabalhar. Que sorriso lindo. Mordeu o lábio e segurou sua mão pequena e macia contra a sua, querendo que aquelas sensações estranhas que subiam pela sua mão e vagavam pelo seu estômago parassem.
– Chase. Certo. Eu queria falar com você. Em particular.
– Tudo bem. — sorriu para a vendedora e lhe entregou os papéis — Pode deixar isso na recepção. Obrigada, Claire.
– Sem problemas.
E saiu.
– Venha por aqui. — ela apontou para a porta ainda aberta que ele deixara.
As paredes eram laranja e o piso era um amadeirado da mesma cor de sua casa, mais claro que o normal enquanto a mesa era de madeira e atrás, apenas um retrato estava emoldurado entre a janela.
– Sua filha? — ele apontou
Annabeth olhou sobre o ombro e assentiu, ficando em pé enquanto ele se sentava calmamente no sofá preto.
– Qual é o nome dela?
– Sophia. — respondeu e cruzou os braços — Sobre o que veio falar comigo, Sr. Jackson? Se é sobre seu lucro mensal, bem, eu não trato sobre tais assuntos. Tem que falar pessoalmente com a Lizzie.
– Não, eu não vim falar sobre meus investimentos na Lola. — deu mais uma olhada pela sala, impedindo que seus olhos se fixassem nas pernas livres de Annabeth. — Vim falar sobre você trabalhar comigo como secretária.
Annabeth pigarreou, desconfortável e virou as costas, sabendo que desta vez deveria se sentar.
– Creio que o senhor deveria ir embora. Estou muito bem aqui. Na verdade, está ótimo, ganho muito bem e consigo sustentar minha filha do jeito que eu sempre quis...
– Eu dobro.
– Quê? — piscou, surpresa — Você ao menos sabe quanto ela me paga?
– Cinco mil dólares.
– Não. — riu, deixando o nervosismo vazar por qualquer área de seu corpo
– Mais? — perguntou surpreso, além de estar preocupado com o salário, se prendeu ao riso dela, provavelmente, fazia curso para rir — Quanto?
– Acho que o senhor não precisa saber disso, senhor Jackson. Estou ótima aqui.
– Mas, eu não quero você aqui. Eu quero você lá.
Annabeth fechou a cara e cruzou os braços, encostando as costas na poltrona, levantando as sobrancelhas.
– E qual a autoridade que você tem de querer?
– Toda. Sou dono de ambas as empresas.
– Bom saber. Mas, eu não preciso ir para sua empresa de construções. Estou ótima aqui.
– Não, você não está. Você sabe muito bem que se você não quiser ir, eu posso te transferir.
– E pra que droga você precisa de mim lá? Não tinha alguém contratada?
Percy pigarreou e levantou-se, surpreso por estar mais nervoso do que esperava.
– Bem, ela teve problemas pessoais bem graves.
– Certo. O dobro?
O moreno assentiu, relutante.
– Vocês, realmente, não sabem o que dinheiro significa. — resmungou e assentiu — Tudo bem, quando eu começo?
– Quanto ela te paga?
– Oito mil.
Percy tossiu e assentiu. Não ia voltar atrás agora.
– Amanhã mesmo. Nos vemos amanhã, por favor, chegue às seis e meia e prepare uma playlist ao seu gosto. Veremos sobre seu estilo musical.
– Ei, agora que eu sou sua secretária e parece que você precisa disso, posso te dizer uma coisa?
O moreno levantou a sobrancelha com a mão na maçaneta e virou-se, surpreso com sua coragem.
– À vontade.
– Isso é muita... Eca. Você sabe, nem mesmo a Silena que tem coisas loucas com música não precisa de playlist para trabalhar.
– Você quer dizer que eu sou gay?
– Eu não disse isso.
– Mas foi o que quis dizer. Olha sua cara! — apontou e soltou um riso
– Não, eu não disso isso. Só disse que...
– Acha que eu sou gay. Bem, deixa eu lhe responder uma coisa, gar... Srta. Chase, — avançou até sua mesa e apoiou as duas mãos em cima da madeira fria, abrindo bem os olhos, o suficiente para que ela visse os olhos verdes tão bem quanto ele queria ver cada mancha azul no céu nublado — se eu não fosse noivo, certamente lhe mostraria que eu não sou gay.
As bochechas douradas se tornaram rosadas e ela levantou-se, fazendo com que infelizmente, ele quase tivesse dado cara com o decote relativamente grande que ela vestia.
– Não se preocupe, Sr. Jackson. Suspeita encerrada. Sem provas, por favor.
– Sem provas. — levantou a mão na defensiva e sorriu — Não se atrase, por favor.
E então, saiu. Esperando que ela gritasse e dissesse "eu preciso de provas" ou que o fizesse preso com algemas em cima da mesa, qualquer tipo de coisa para que ele ficasse mais tempo ali com aquela brincadeira silenciosa que fizeram. Mudou de ideia, entretanto, e se amaldiçoou por ser tão fraco ao ver Rachel sorrindo para ele com a bolsa rosa da Lola. Ia se casar e não poderia ser tão fraco e imbecil, resmungou consigo mesmo, procurando a porta de saída o mais rápido que conseguisse.
Notas finais
Não, ok, enfim, sem momentos percabeths chocantes, sim, é a vida.
OBRIGADA POR TODO MUNDO QUE DEIXOU REVIEW!
Espero que continuem gostando mesmo depois desse capitulo bosta e broxa. Aliás, quase certeza que posto na quarta.
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