Neve no Olhar
1 Capítulo 1 - O Frio na Escuridão
Notas iniciais
Seres humanos vivem às cegas num mundo tão cheio de magia, enquanto a mágica vive forte neles, mais do que em outros.
Ela sentia apenas o frio. O frio que lentamente atravessava as roupas grossas e atingia a pele, causando um pequeno calafrio em sua espinha.
Suas pernas lentamente caminhavam na rua úmida da cidade, enquanto sua mente se distraia com os flocos gelados que caiam do céu, cinzento e poluído, e seus lábios deixavam escapar murmúrios da música que ecoava em seus ouvidos.
Uma mão em seu ombro, trouxe-a de volta a realidade. A respiração familiar da pessoa que acabara de assustá-la, fez com que ela parasse e sorrisse para o garoto atrás dela. como poderia esquecer quem seria ele, se era a mesma pessoa que fazia seu coração acelerar e quase sair pela boca?
— Cate... porque... não... me... esperou? — O garoto falou dando pausas ainda cansado demais para falar normalmente.
— Porque é mais fácil de te vencer numa corrida, quando você está cansado — Ela respondeu brincando e dando pequenas risadinhas.
— Ah, então é assim? — Ele deixou escapar um sorriso malicioso e saiu correndo novamente, apesar de ainda cansado, agora em direção a o portão da escola em que estudavam.
Cate em resposta ao que ele fizera, saiu em disparada, deixando seu cachecol cair e seus fones escorregarem dos ouvidos. Pouco tempo de corrida e Cate já estava do lado dele, sempre fora muito rápida, não é atoa que sempre recebia convites para entrar no clube de corrida. Só um pouco mais e ela ganharia dele, apesar de faltar ainda dois quarteirões para chegarem a escola.
Eles começaram a entram em uma parte que era um pouco mais esburacada, por conta das obras feitas pelos moradores. Ela começou a se desviar dos buracos até que se distraiu e caiu em um dos buracos. Seu tornozelo machucava como uma agulha gigante sendo enfiada no seu pé.
— Cate você está bem? — O menino parou e se agachou ao lado dela — Dá para andar?
— Estou bem, Miles. Vamos indo. — Ela respondeu sem querer preocupá-lo.
Ela foi se levantar, mas assim que pôs o pé no chão, a dor se tornou insuportável e ela desmoronou novamente na rua fria e molhada.
— Bom, eu acho que você não está bem. — Miles falou calmamente enquanto colocava Cate nos braços e carregava-a até a escola.
Cate sempre foi um pouco baixinha e magrinha, seus cabelos longos e negros, faziam cócegas no joelho de Miles, enquanto seus olhos semiabertos penetravam na sua alma, com seu tom quase roxo. Ele a observou enquanto ficava cada vez mais pálida, como os flocos gelados que escorriam pelos céus daquela pequena cidade simples, que a menina considerava tão bonito, e parecia cada vez mais perder a consciência. Ela parecia estar lutando para não ter que sonhar involuntariamente. Ela lutou e lutou, até suas forças acabarem de vez e seu mundo ficar totalmente escuro com pontos vermelhos dançantes.
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