I'm pulling my weight in gold

Call me anxious, call me broke

But I can't lift this on my own

— Gallant

O ministério estava abarrotado de pessoas andando para lá e para cá sem ordem alguma, todos concentrados demais em seus afazeres para reparar que Draco Malfoy praticamente corria tentando desviar-se do fluxo de gente que, naquele dia, parecia tão atrasada quanto ele. A audiência começaria dali cinco minutos, constatou após uma consulta rápida ao relógio de pulso e ele não alcançara sequer o elevador para chegar aos tribunais do local, os quais, por algum absurdo da engenharia, foram projetados nos últimos níveis possíveis do lugar.

Espremer-se entre os funcionários assalariados do Ministério da Magia no elevador antigo, claramente não projetado para visar o conforto de seus passageiros, não era a parte favorita de seu dia, mas o faria de bom grado, caso o motivo de seu atraso fosse o mesmo todos os dias. Foi o que pensou enquanto ajeitava o terno que não reclamava nenhum cuidado especial e os cabelos, minimamente fora do lugar pelo exercício inesperado e certamente não bem vindo.

Ainda podia ouvir o ruído baixo da cama rangendo sob os movimentos que seu corpo em conjunto com o de Granger produzia. Sentia aquela gota de suor característica escorrendo pela parte de trás de sua coxa, mas sua mente era mais específica em recordar-lhe da sensação de sua pele suada contra a dela enquanto deleitava-se com os ofegos e gemidos extrapolados e ocasionais resultantes de mãos exploradoras completamente despudoradas.

Além disso, a marca que as unhas dela lhe deixaram nas costelas ardiam, mas não incomodavam. Podia imaginar que o mesmo se dava com o chupão indiscreto que agora se encontrava no pescoço dela e que, aliás, a acompanhara em seu orgasmo matinal. Suspirou, sentindo uma pontada conhecida em sua pélvis, satisfeito com o fato de poder observar e sentir sua reação tão de perto, os olhos seguindo fascinados o modo como à coluna dela se curvara quando atingida pelo arrepio conhecido e característico do gozo enquanto, em uma ação de reflexo, seus dedos entrelaçavam-se, apertando-se contra o colchão macio.

O cheiro dela, essencialmente dela, e com isso referia-se àquele constantemente e leve aroma que poderia ser sentido e provado na curva macia de seu pescoço, lhe era muito claro naquele instante, levando-o a imaginar que seu nariz ainda estava colado contra a pele de Granger e que aquele perfume que tanto o agradava encontrava-se, àquela altura, misturado ao do sexo do qual nenhum dos dois recuperou-se tão rapidamente quanto deveria.

Do contrário, não teria se atrasado e seu cliente não o estaria esperando há, pelo menos, meia hora – o lapso de tempo mínimo que ele pedia que chegassem antes da audiência a fim de evitar, justamente, os detestáveis atrasos. Revirou os olhos, finalmente desembarcando junto a uma leva de homens e mulheres, que rapidamente se espalharam pelo grande e luxuoso hall do Departamento de Execução das Leis da Magia.

Os tribunais principais não ficavam ali, mas tratava-se do julgamento de um caso sem muita expressão envolvendo um bruxo menor, um livreiro idoso e ranzinza e alguns galeões desaparecidos misteriosamente da caixa registradora da loja do homem. A audiência fora marcada justamente para aquele dia por ser o primeiro referente ao recesso de Natal de Hogwarts, que duraria apenas duas semanas.

Segundo o que entendera pela carta de Teddy, o garoto tinha boa reputação e notas satisfatórias na escola, além de não manter inimizades. Não entendera como fora se meter naquela encrenca, afinal de contas, mas os pais do mesmo fizeram questão de lhe contratar para defendê-lo, o que entendeu após verificar que se tratava de seu único filho.

Encontrou os Sr. e Sra. Campbell, ao lado do filho, parecendo temerosos diante da imponência da sala de audiência e, principalmente, da parte autora. Parvati Patil conversava e orientava o comerciante de aspecto mal humorado transparecendo muita confiança, possivelmente com a intenção de abalar o psicológico dos demais, especialmente quando seu advogado não chegara.

— Dave? – Apertou a mão do garoto de cabelos cacheados, percebendo-a gelada e, ao mesmo tempo, suada. – Desculpe pelo atraso.

— Sr. Malfoy, tem certeza...?

— Está tudo certo, Sra. Campbell. – Voltou-se para o garoto. – Faça como combinamos e eles não terão chance, temos as provas e as testemunhas favoráveis aqui.

— Espero que esteja certo. – Comentou Dave enquanto encaminhavam-se à mesa da defesa. – Se eu perder o ano em Hogwarts... Meus pais vão me matar.

— Não irá perder o ano. – Voltou-se para ele, lembrando-se de Teddy instantaneamente e considerando o que diria a ele, caso estivesse no lugar do menino, mas, ao mesmo tempo, evitando pensar que poderia realmente acontecer, caso o Ministério decidisse por seu indiciamento no caso Weasley. – Ouça, aquela mulher que está representando a acusação... Nós temos certas desavenças, você deve estar acompanhando pelos jornais. Ela não se importa, minimamente, com um caso de furto que lhe dará visibilidade alguma. Vamos acabar com ela.

Draco defendeu Dave Campbell como se aquele não fosse o último dia do inquérito de Granger. Como se sua mente não insistisse em pensar nela sempre que se deixava divagar por alguns momentos, perguntando-se o que estaria fazendo, como estava, se continuava estável, ainda que a sensação de viver aquele dia pela segunda fosse recorrente.

Por fim, venceu. Porém, o sabor conhecido e apreciado da vitória não veio, nem mesmo enquanto observava os Campbell abraçarem o filho, cientes de que, então, poderiam desfrutar do recesso de Hogwarts e do Natal com mais tranquilidade... Ao contrário de Granger. Revirou os olhos para si mesmo, considerando que a castanha se encontrava mentalmente bem, pois estava confiante de que o plano deles funcionaria.

Assim, Draco voltou-se para ajeitar os documentos relativos ao processo após o Sr. Campbell lhe entregar uma nota do Banco Gringotes contendo o valor de seus honorários, previamente combinados, e uma pequena gratificação pela vitória. Não era muito, não faria diferença na fortuna que ocupava um enorme cofre em Gringotes, mas bastava para satisfazer seu ego, sempre necessitado de afirmações, subjetivas e objetivas, de que era competente; de que, após tudo de ruim que cometera em sua vida, poderia fazer algo de bom, ainda que a finalidade fosse uma compensação pessoal.

Entretanto, seus pensamentos foram interrompidos quando ouviu os saltos ecoando contra o piso de mármore escuro de forma lenta, como se Parvati Patil o estivesse analisando antes de aproximar-se e fazê-lo perceber sua presença. Evitou um sorriso convencido, por saber exatamente como ela jogava, e observou o modo como ela sentou-se à mesa de madeira a sua frente, cruzando as pernas e o olhando de forma prepotente.

— Você parece preocupado.

— Se me conhecesse, saberia que não estou minimamente perto disso. – Respondeu calmamente, fechando o zíper da pasta de couro de dragão que carregava constantemente.

— O ofício está em meu escritório, Malfoy. – Ela decidira, realmente, comprar a briga. Draco a admirava por isso, assim como ele, Patil gostava do modo como as coisas funcionavam; era corajosa, como seu passado grifinório alardeava; assumia o risco, sem medo das consequências; a valorizava por isso, tinha de admitir, era uma pena que estivesse do lado adversário. – Pronto para ser ajuizado e imediatamente enviado a todos os veículos de informação que importam.

— Sua decisão não é muito inteligente, a meu ver. – Passou a pasta ao redor dos ombros, inclinando-se em direção a ela com as duas mãos apoiadas no tampo da mesa. – Você vai perder, Patil. Granger é inocente, além de adorada pela comunidade bruxa. A manipulação midiática promovida por alguns ramos do Ministério? Momentânea. Quando esse processo começar, verá as pessoas que estiveram ao seu lado, abandonando-a em razão da popularidade da minha cliente.

— Você confia demais na simpatia que as pessoas têm por Granger. – Ela levantou-se, alisando a saia que não apresentava vinco algum. – A questão é que já perceberam que ela não é a heroína boazinha que todos idealizaram.

— Tudo bem, sejamos justos: vamos imaginar um cenário em que a sociedade esteja dividida a respeito do caráter de Granger. – Ele quase revirou os olhos. – Suas provas são frágeis, podem ser derrubadas por qualquer sopro mais forte...

— Vocês não têm um sopro mais forte! – Patil o cortou, jogando os compridos cabelos negros para trás. – Eu tenho Ginny Potter.

— Eu avisaria que o depoimento da Potter é inconsistente e repleto de parcialidade, mas estamos em lados opostos, não é mesmo? – Draco deu de ombros, vendo-a lhe sorrir falsamente, dando às costas a Promotora. – Nos vemos no tribunal, Patil.

— Então, posso contar que Granger não cometerá perjúrio quanto à sua dependência alcoólica, a qual, aliás, faz parte do depoimento supostamente inconsistente de Ginny?

Nesse instante, entretanto, Draco estancou. Seu cérebro trabalhou rapidamente, pensando em todas as possibilidades sobre como a Weasley soubera do problema de Granger, mas não conseguiu chegar à conclusão alguma tão de pronto e voltou-se à mulher, que sustentava um sorriso satisfeito por pegá-lo de surpresa, pela primeira vez.

— Quando perder e se sentir constrangida demais pelo seu fracasso perante seus colegas de profissão, poderei considerar lhe tirar do limbo que será a sua carreira.

— Não. – Ela aproximou-se, sustentando seu olhar. – Quando eu ganhar, você terá que pensar em uma oferta suficientemente boa para me ter ao seu lado.

Dessa forma, ela se foi, deixando apenas o suave perfume de sândalo no ar, enquanto Draco analisava o que dissera soltando, por fim, um riso debochado: “você gostaria, Patil”. Porém, a mulher não era o perfil de pessoa apta a trabalhar com Draco. Promotores Ministeriais eram os bonzinhos, eles queriam justiça e seu objetivo maior era colaborar para um mundo melhor. Granger adorava exalar isso em seu ofício enquanto o exercia. Draco, por outro lado, queria a vitória e os louros de uma boa ação, fosse ela justa ou não.

Todavia, voltando à questão relativa à sua cliente, concluiu que o fato de Patil e Potter terem conhecimento da situação precária que era a saúde de Granger não era favorável. Gostaria muito de saber como a última conseguira descobrir sobre o alcoolismo quando as duas sequer estavam mantendo contato nos últimos meses, à época que Granger passara a frequentar médicos especializados em busca de ajuda.

Por isso, não demorou a encontrar uma lareira em que pudesse aparatar diretamente a seu escritório. Falar com Blásio para que resolvessem essa história de Patil tornara-se a prioridade de seu dia, mas, surpreendeu-se assim que colocou os pés dentro do local, fechando a porta de vidro atrás de si de forma lentamente calculada enquanto analisava a cena à frente.

Sentado a uma poltrona, com os pés batendo ritmicamente contra o chão e os dedos inquietos encontrando a madeira da peça em um ruído irritante, Harry Potter tinha uma expressão entediada enquanto observava os demais habitantes da sala de espera. Por sua vez, a Sra. Smith parecia concentrada demais em seu semanário de bruxos, enquanto Blásio acomodara-se na cadeira à sua frente, tendo as pernas cruzadas e os olhos presos em um jornal, como se estivesse alimentando uma postura relaxada que, Draco sabia, não era costumeira.

— Bom dia. – Cumprimentou desconfiado, no que todos se levantaram, mas estava mais interessado no visitante. – O que faz aqui, Potter?

— Quero conversar sobre Hermione. – Draco desfez-se de seu casaco e do cachecol e encarou Blásio, que examinava Harry com um olhar crítico e desdenhoso que, então, lhe era muito característico.

— Zabine, precisamos discutir algumas coisas. Portanto, não desapareça até que terminemos. – A Sra. Smith, por sua vez, já estava a postos, de pé e postura ereta, esperando qualquer ordem. – Traga-nos algo quente, por favor.

Se fosse qualquer outro cliente, Draco teria sido mais educado. Porém, simplesmente adentrou sua sala e deixou a porta aberta para que Potter entende-se o recado e o seguisse. Ele não era bem vindo e ambos não precisavam entrar nessa óbvia seara. Porém, qualquer coisa que ele pudesse dizer “sobre Hermione” talvez fosse útil, caso estivesse em um dia de muita sorte. Assim, acomodou-se em sua cadeira após se desfazer da pasta executiva cheia de documentos, observando o outro fechar a porta furtivamente e encará-lo.

Draco considerou que o auror parecia muito menos perturbado do que na ocasião em que apareceu ali pela primeira vez com a notícia de que Granger era a suspeita pelo assassinato de Ronald Weasley. Entretanto, da mesma forma, aparentava se encontrar mais retraído, mais formal do que o habitual e, pelo que sabia, o mesmo não o era nem minimamente.

— Fui visitar Hermione hoje. – Manifestou-se após se ajeitar desconfortavelmente na cadeira. – Para fazê-la perceber que ainda estou ao lado dela, como sempre estive desde que o contratei para defendê-la. Sei que estivesse ausente nos últimos tempos, mas ela, com certeza, entenderia que também tenho meus próprios problemas e...

— Eu não seu terapeuta, Potter.

Cortou o outro antes que pudesse continuar, pois não estava minimamente interessado nos motivos para Potter procurar Granger justamente naquele momento. O fato de ter, realmente, se ausentado por qualquer razão que fosse já lhe dizia muito e era o suficiente.

Além disso, uma indignação quase palpável lhe ultrapassou devido à inutilidade de Harry Potter naquela equação. A castanha, finalmente, estava se estabilizando e não graças a ele. Por mais que sentisse falta do amigo, era necessário levar em consideração que sua relação se encontrava deturpada ao extremo e dava razão a Ginny Potter quanto a isso. Granger sentia falta do antigo elo que mantinha com os demais e não da crescente tensão desencadeada sempre que um deles estava por perto.

Assim, querendo ou não, a presença dele poderia atingi-la de forma negativa. Potter desaparecera, não literalmente, quando Granger mais precisara, em um momento em que deveriam colocar sua história de suposta amizade acima de uma noite de sexo – supostamente – impensado. O fato de ter procurado Draco para defendê-la não o eximia de sua responsabilidade maior, a qual se resumia basicamente em cuidar dela durante todo o rebuliço que foram os primeiros meses após a morte de Weasley. A única coisa, entretanto, que Potter não se dispusera a fazer.

— Ela não estava lá. Não estava na Mansão Black, como era de se supor. – O homem à sua frente, entretanto, tinha o semblante cansado e parecia tentar esconder um tom de raiva incontido. – A única função que tinha, Malfoy, era mantê-la segura: longe dos holofotes, longe das especulações e, principalmente, longe de processos. Parece ser, entretanto, a única coisa que não fez.

— Eu já lhe disse uma vez e não hesito em dizer novamente: não me diga como fazer o meu trabalho...

— Você a colocou na mira do QG e da Promotoria! – Potter aumentou o tom de voz e levantou-se, mas Draco conseguiu conter o instinto de fazer o mesmo, continuando apenas a acompanhá-lo com os olhos. – E ainda concordou em conceder aquela maldita entrevista em que ela assume a depressão e o casamento em crise. Parece que tudo que fez nos últimos tempos foi com a intenção de foder com o resto de sanidade e vida que Hermione ainda tem.

— A população bruxa tem de gostar de Granger, precisam simpatizar com sua situação para que, quando os processos chegarem, ela disponha de uma base de pessoas que a idolatrem tanto quanto o fizeram no passado. Isso é básico, Potter. – Explicou calmamente, vendo-o andar de um lado a outro e bagunçar os cabelos, que pareciam ter voltado à época da adolescência, espetados e sem controle algum. – Ao mesmo tempo, estávamos tirando o foco de Teddy. Queria mesmo que seu afilhado fosse acusado, junto com sua melhor amiga, como coautor do assassinato de Weasley?

— Teddy não seria acusado, eles estavam blefando. – Potter desdenhou.

— Quem poderia garantir? Você? – Riu debochado, recostando-se confortavelmente em sua cadeira. – Não moveu um dedo para ajudar nenhum deles. Foi afastado devido a sua inutilidade dentro QG, ao fato de não conseguir monopolizar o poder que tinha em mãos e tentar, devido a isso, ajudar minimamente Teddy e Granger.

— Eu fiz o melhor que pude dentro das regras.

Potter decretou, como se estivesse dando fim ao assunto, mas agora era Draco quem estava com raiva. Potter havia ido ao seu escritório com a intenção de lhe chamar a atenção por, supostamente, não ser competente o bastante para segurar Granger dentro de uma casa e mantê-la presa esperando que a tempestade magicamente passasse. E não o era, realmente, pois jamais se satisfaria com tal inércia. Granger estava em casa por que não se sentia bem, por que os holofotes — justamente eles – não lhe trouxeram nada de bom durante toda sua vida e a tentativa de adaptação aos mesmos fora sabidamente fracassada, e não por que estava esperando o burburinho cessar.

— Você nunca foi de seguir regras. – Finalmente, então, levantou-se, abotoando cerimoniosamente o terno. – O fato é: não queria defender Granger para que isso não colocasse seu casamento em xeque após ter contado a sua esposa que a traiu. A questão é que não foi Granger quem o colocou em xeque, foi você. Você estava em dúvida, Potter, você queria uma desculpa e usou Granger, consciente de sua fragilidade...

— Não foi algo premeditado. – Ele ainda tentou interrompê-lo, mas estava decidido a dizer tudo aquilo que estava atravessado em sua garganta desde o instante em que viu a memória de Granger a respeito da noite que eles passaram juntos.

— Então, pare de bancar o bom moço e seja homem, assumindo para sua mulher desequilibrada que a culpa foi sua, que foi você quem seduziu Granger em seu momento de fraqueza. Pare de transferir a culpa a ela e faça Weasley parar por que, pelo caminho que estamos seguindo aqui, não irá acabar bem para aquela que diz ser sua melhor amiga.

— Você não tem o direito de me dar sermões, Malfoy. – Potter estava incrédulo – Eu estou aqui para discutir sobre Hermione, a única coisa que temos em comum, meu casamento com Ginny não é da sua conta.

— Realmente não é. Lembre-a disso, então, pois da próxima vez eu sequer abrirei a porta para recebê-la. – Draco evitou revirar os olhos quando o outro pareceu perdido por sua afirmação e respirou fundo. – De qualquer forma, retire-se da minha sala.

— Contratá-lo foi um erro, agora posso perceber. – O encarou ceticamente. – Hermione será indiciada, ela responderá pelo assassinato do nosso melhor amigo e você não parece nem mesmo se importar.

— Eu disse para retirar-se da minha sala, Potter. De agora em diante, tratarei assuntos de Granger com Granger.

— Quem o contratou fui eu...

— Informalmente. – Assim, Draco dirigiu-se à porta e a abriu para que Potter saísse. – Granger assinou a procuração para representá-la e é ela quem pagará meus honorários. Você não tem o direito de estar aqui fazendo acusações e, mesmo que o tivesse, eu não tenho a mínima disposição e paciência em ouvi-lo.

Sentiu o olhar de Potter, como se este estivesse imaginando diversas formas dolorosas de matá-lo ou simplesmente contestá-lo. Mas a presença do outro já havia se feito demais por um só dia e ainda não havia sequer almoçado. Portanto, saiu antes dele, percebendo Blásio com os olhos levantados por cima do jornal, acompanhando curiosamente todo o ocorrido, enquanto a Sra. Smith tinha uma bandeja de chá em mãos e parecia indecisa quanto a adentrar sua sala.

— Se Hermione for presa, irá se arrepender de não ter se esforçado o suficiente.

Todos acompanharam Harry Potter encaminhar-se à saída, batendo a porta de vidro atrás de si e encolhendo-se devido ao frio quase inesperado do lado de fora. Blásio e a Sra. Smith, dessa forma, pareceram soltar a respiração, que vinham contendo inconscientemente, enquanto a segunda depositava a bandeja de chás e biscoitos em sua própria mesa.

— Achei melhor não bater. Vocês pareciam... Exaltados. – Ela encontrou uma palavra leve para descrever o que acontecera.

— Qual era o objetivo dele, afinal de contas? – Questionou Draco antes de encher a boca de bolinhos.

— Informação privilegiada. – Blásio levantou-se, dobrando meticulosamente o jornal. – Ele tem informantes no Ministério, está tudo certo para divulgarem o indiciamento de Granger até o fim da tarde.

— Sr. Zabine terá um encontro. – Informou a Sra. Smith como quem não queria nada, sentando-se novamente atrás de sua mesa, fazendo o negro fechar os olhos, lamentando sob o escrutínio divertido de Draco. – É bom que alguém neste escritório esteja tomando um rumo.

— Em minha defesa, ela insistiu.

— Vai nos dizer quem é? – Viu a secretária sorrir espertamente para o outro.

— Não é um encontro, tecnicamente falando, pois já nos conhecemos. – Blásio revirou os olhos. – O que queria comigo?

Draco não se importou com quem quer que fosse o encontro de Blásio, pois tinha assuntos mais urgentes para resolver, como o fato de Patil e Ginny Potter terem descoberto coisas que deveriam ser segredo. Por isso, tratou de eliminar os vestígios de comida em sua roupa e limpar a boca cuidadosamente, antes de continuar.

— Ainda mantém contato com Dawlish?

— Oh, vão fazer novamente. – Draco meneou a cabeça, tentando ignorar o tom de reprimenda da Sra. Smith.

— Não desde que se aposentou, mas garanto que nosso relacionamento ainda é muito bom. – Blásio sorriu maliciosamente, provavelmente pensando nas vantagens em ter um auror experiente aproveitando-se de sua posição para atuar como detetive particular. – Qual é o trabalho?

— Parvati Patil. – Uma coruja pousou no parapeito da janela estreita e comprida quase ao lado da mesa da Sra. Smith trazendo uma carta amarrada aos pés e parecendo extremamente incomodada com o fato. Franziu o cenho, tendo a impressão de que conhecia o animal marrom com listras pretas irregulares e olhos verdes, mas voltou sua atenção ao outro. – O trabalho completo. Vida pessoal, profissional, amorosa, quero tudo revirado de cabeça para baixo, a mulher deve ter cometido alguma falha.

— Uau, quer mesmo derrubá-la.

— Desestabilizá-la será o bastante. – Ignorou satisfatoriamente o suspiro de sua íntegra secretária. Estava com raiva, queria resoluções, preferivelmente rápidas. – Pegue alguns galeões em Gringotes, como um incentivo inicial. Ele terá até a audiência preliminar de Granger com a Promotoria, então é bom...

— Sr. Malfoy. – A Sra. Smith arfou e lhe estendeu a carta. – Melhor ver isso.

Era um bilhete de Teddy. Isso explicava por que quase reconhecera a coruja, apesar de não dedicar seu tempo a identificá-las com frequência. Claramente escrito às pressas, pois a caligrafia lhe parecera um tanto ininteligível, informava que Granger estava na casa de sua tia e não se encontrava nada bem. Prestou atenção no grifo sob a parte que falava a respeito do estado da mesma, considerando que Teddy fora inteligente ao não revelar nada comprometedor por carta, visto que a coruja poderia ser interceptada, mas compreendeu a mensagem. Realmente compreendeu.

— Eu tenho que ir. – Descartou o pedaço de pergaminho displicentemente e vestiu novamente o casaco, enrolando o cachecol rapidamente em volta do pescoço enquanto dava instruções a Blásio. – Fale com Dawlish o mais rápido possível, qualquer informação fora do normal que ele conseguir pode ser valiosíssima.

Então, não demorou a que estivesse pisando sobre a grama seca e congelada do jardim dos fundos de Andrômeda. Encaminhou-se rapidamente a varanda, constatando que a porta estava trancada, como há tempos não encontrava. Com um suspiro impaciente, bateu com os nós dos dedos na madeira clara, esperando com o ouvido quase colado a porta.

Percebeu o silêncio do outro lado e, por um momento, considerou que a castanha poderia não estar bêbada, que ela não teria se rendido tão facilmente, mas não haveria motivo para que o chamassem com tanta urgência se não o tivesse, embora internamente torcesse por isso.

Daí, não demorou a ouvir passos apressados do outro lado, assim como o ruído característico da chave girando na fechadura. Andrômeda surgiu do outro lado com os cabelos cacheados e compridos levemente bagunçados e a expressão inicialmente preocupada tornou-se mais suave ao encará-lo. Ela o puxou para um abraço, agradecendo por ter aparecido tão rápido.

— O que aconteceu? – Draco sentiu a mudança brusca de temperatura ao adentrar o ambiente aquecido magicamente e logo se desfez das roupas de inverno, assim como o terno. – Teddy parecia um pouco aflito na bilhete.

— Hermione. Ela apareceu aqui... Completamente bêbada. – Ela disse e continuou em tom baixo, no que Draco soltou um suspiro contido. – Não dizia nada que fizesse sentido, queria apenas que eu... A consolasse por ser alguém em quem ela confiava.

— Ela está aqui ainda?

— Esse é o problema. – Andrômeda afastou impacientemente a franja que lhe caía constantemente no rosto. – Quando se sentiu melhor, ela quis ir embora, aparatar de volta a Mansão Black. A questão é que estava claramente impossibilitada de fazer isso sem que estrunchasse e então... Trancamos as portas. Ela ficou furiosa, Draco, eu nunca a vi daquela maneira!

— São os efeitos da bebida. Mas... Achei que estava sob controle. – Disse quase para si mesmo antes de Andrômeda informar que Granger agora se encontrava no quarto hóspedes e não queria ver ninguém. – Verei o que posso fazer.

Quando alcançou o corredor, entretanto, deparou-se com Teddy sentado no chão, as costas apoiadas contra a parede em frente ao aposento onde a castanha estava, e os olhos presos no teto parecendo distraído enquanto tiquetaqueava os pés irritantemente no piso de madeira. Seus cabelos apresentavam uma cor roxa muito próxima ao negro, expressando de forma eficaz sua preocupação a respeito da castanha com a qual mantinha uma ligação peculiar.

— Draco, que bom que chegou! – Ele levantou-se rapidamente, também abraçando-o. – Eu estava aqui apenas para... Garantir que ela não tentasse sair novamente.

— Você fez bem.

Anuiu, apesar de não acreditar piamente que Teddy conseguisse impedi-la, caso Granger desejasse impetrar uma quase fuga, considerando o modo como poderia ficar agressiva e o fato de que o garoto não iria querer machucá-la. Assim, voltou-se para a porta do quarto de hóspedes, abrindo-a lentamente, mas tudo que encontrou, surpreendentemente, foi a mulher andando cautelosamente de um lado a outro, com as mãos juntas atrás das costas e a cabeça baixa.

Fechou a porta com um suspiro e encostou-se a ela, observando que, daquele ângulo, não parecia tão alcoolizada quanto Andrômeda e Teddy haviam descrito anteriormente. Granger tinha os cabelos soltos e cacheados ao redor dos ombros, usava uma blusa verde de mangas que realçava seu busto e calça jeans, mas não sapatos. Não era a primeira vez que reparava na mania: já fazia algum tempo que notara que ela gostava do contato de seus pés com o chão frio e não era incomum vê-la andando descalça pela Mansão Black, independentemente da temperatura que fizesse lá fora.

Finalmente, porém, ela reparou em sua presença e quando o rosto feminino esteve ao alcance de seus olhos pôde reparar nos efeitos inevitáveis da bebida. Os olhos cor de amêndoas se encontravam moles e injetados, assim como as bochechas coradas e inchadas. Além disso, reparando melhor, era possível perceber que Granger não conseguia manter certo equilíbrio enquanto o olhava, claramente demorando demais para formar uma frase coerente, o que jamais seria de seu feitio.

— Eu... Reconheço. – Levantou uma mão, como se o estivesse impedindo de avançar. – Fiz uma besteira... Sem tamanho, sem chances de reverter, por que... Joguei todo o trabalho com meus terapeutas no lixo.Agora o inquérito está terminando e... Eu precisaria estar mais sóbria do que nunca, mas...

Ela encaminhou-se para a cama de madeira com dosséis que havia ali, quase se jogando no colchão invés de sentar-se, com os ombros caídos e os olhos no chão enquanto usava uma das mãos para gesticular, como se estivesse argumento em um caso... Era o que ela costumava fazer quando se empolgava durante uma audiência. Assim, o pensamento surtiu algum efeito contra Draco, que se aproximou com as mãos no bolso, examinando as reações da mesma.

— É tão difícil. – Ela soluçou e percebeu as lágrimas em seu rosto de forma surpresa, pois ela não era de chorar com facilidade. – E todos parecem querer jogar sobre mim a culpa das coisas ruins que acontecem... Eu estou... Estou cansada de ser aquela que é responsável por tudo! Cansada, Draco!

— Não estava assim quando saí da Mansão Black hoje de manhã, Granger. – Ela negou com a cabeça e enxugou as lágrimas que já inundavam seu rosto.

— Eu... Não queria que percebesse. O tratamento fez efeito, comecei a me sentir no controle de minha própria vida. Eu queria que... Tudo desse certo, juro que queria, Draco, mas... – Ela suspirou alto e levantou-se de um salto, mas o gesto brusco pareceu tê-la deixado tonta, pois precisou apoiar-se nele e efetivamente ajudá-la a partir de então. Entretanto, em momento algum o encarou, preferindo apoiar a cabeça em seu peito, como se isso colaborasse com o fim de sua tontura alcoólica. – Harry foi me visitar hoje e, quando não o recebi... Tudo desabou.

A proximidade fazia com que percebesse o odor de uísque a cada suspiro que ela soltava, indicando que não havia bebido em pouca quantidade. Em contrapartida, já a conhecia o suficiente para saber que deveria ter se sentido culpada durante cada gole, como apresentava no momento, por quebrar o tratamento e, consequentemente, o jejum alcoólico.

Ela estava em abstinência há muito tempo e, ainda que não falasse sobre isso devido ao fato de detestar demonstrar suas fraquezas perante qualquer um, deveria ser um sacrifício e tanto manter-se assim. Por isso, Draco não a julgava. Não por que fosse errado ou algo do tipo, mas por que não estava em seu lugar para quantificar como era difícil estar naquela condição.

Todavia, não podia negar estar decepcionado. Acima de tudo, por que acreditava que a castanha vinha conduzindo a situação relativamente bem, na medida do possível, até então e uma recaída àquela altura era como um baque que não podia ser revertido facilmente. Granger demoraria a se restaurar, voltar a ter autoconfiança para continuar seguramente com o tratamento e Draco, que já começava a esperar uma recuperação mais rápida que o previsto, teria de tratá-la com mais cautela.

— Eu estava lá o tempo todo, na janela, observando Harry tocar a campainha... E não o atendi! – O soluço alto lhe chamou a atenção e Draco a afastou para encará-la e tentar ler de alguma forma sua expressão facial, mas Granger aparentava tanta culpa por não ter aberto a porta para o amigo de longa data que era quase compreensível sua reação ante aquilo, levando, ainda, em consideração a visita de Ginny Weasley na noite anterior. – Não o atendi por que não queria... Não queria ser acusada de mais alguma coisa que não cometi. Não queria que Harry me jogasse na cara que fui eu quem destruí seu casamento, por que... Não fui eu, Draco! Eu juro que não fui, eles estavam... Estavam em crise, assim como Ron e eu, eles... Simplesmente não queriam acreditar nisso...

— Eu sei que não é culpada por isso, assim como Potter e Weasley também sabem. Eles só são covardes demais para admitir, é apenas mais fácil pisotear quem já está no chão. – Ela o olhou como se estivesse processando o que disse e Draco afastou-se um pouco. – Vamos, vou te ajudar a tomar banho.

Assim, em silêncio, Granger se deixou ser conduzida ao banheiro, pequeno e apertado, o qual ficava atrás de uma das duas únicas portas existentes no ambiente. Seu semblante ainda demonstrava estar pensativa em relação ao que lhe dissera, mas não se manifestou por algum tempo até estar sentada sobre a privada enquanto o loiro lhe retirava a calça, visto não conseguir manter-se de pé.

— Draco. – Ela chamou em um quase sussurro e o mesmo lhe encarou após jogar a calça em um canto qualquer. – Não deixe que eles me prendam.

— Não é a minha intenção, você sabe. – A viu suspirar, deixando os ombros caírem, os olhos moles tentando a qualquer custo fixarem-se nos orbes do loiro, mas expressando o temor que a ideia lhe causava.

— Andrômeda me prendeu aqui hoje. – Os dedos dela se apertaram contra a privada abaixo de si até tornar os nós brancos e Draco evitou encarar a pele arrepiada com sua nudez coberta apenas pelo lingerie negro. – Trancou todas as portas, recusando-se a me deixar sair...

— Ela pensava no que lhe era melhor, Granger.

— O melhor era que estivesse em casa... Na Mansão Black. – Ela pendeu a cabeça para o lado, como se estivesse sonolenta. – O melhor era que você cuidasse de mim... Apenas você.

O fato de que ela considerava a casa de Draco como sua o assustou, assim como a nítida confiança empreendida nele. Principalmente, considerou, por que não costumava ser alguém confiável, mas Granger conseguia ver isso em sua figura, e não sabia lidar com essa nova característica, lhe atribuída espontânea e inconscientemente pela mesma.

Não pôde, entretanto, realizar muito sobre o assunto, pois via o rosto dela tornar-se cada vez mais próximo, assim como sentia suas respirações misturando-se com facilidade. Seus olhos ainda se encontravam conectados e Draco pôde reparar que os castanhos encontravam-se escuros de desejo e aquilo, exatamente aquilo, não podia ser dissimulação da parte dela – como acreditava que muitas de suas ações eram. Não havia como Granger fingir tantas reações, ela não tinha tudo sob controle e duvidava que tivesse algum sobre seu corpo. Não naquele momento, não enquanto Draco a ouvia gemer em seu ouvido e pedir por mais, observando cada mínimo efeito que produzia sobre a mulher com os pensamentos a mil.

Assim, enquanto ainda examinava cada tom mais claro de castanho que existia nas orbes femininas, ela quebrou o contato visual, encarando seus lábios, aproximando-se lentamente, no mesmo ritmo em que fechava os olhos, colando seus lábios com uma calma e paciência que não combinava com eles. O beijo iniciou-se vagarosamente, mas a língua dela entremeou-se preguiçosamente aos seus lábios, acariciando-os de forma lasciva antes de entrelaçá-la a língua de Draco, que deixou que ela comandasse o ato da forma como gostaria.

Era quase como fazer sexo, notou Draco. Porém, eles não se tocavam. As mãos dele estavam estacadas sobre os joelhos dela, e não havia uma tentativa sequer de explorar outras partes do corpo. A sensação de suas línguas massageando uma à outra tão profundamente, em um compasso ainda inexplorado por eles, lhe trazia novas reações. A cada vez que a língua dela misturava-se e confundia-se à sua daquela forma molhada e torturante, sentia a pélvis reclamar atenção; sentia os pelos de sua nuca arrepiar-se, ainda que as unhas dela estivessem bem longe deste local dessa vez; sentia as pontas de seus dedos comicharem clamando por movimento, exploração, contato.

Contudo, negou-se a ceder. Negou-se por que apenas aquele beijo o estava claramente levando a perder o controle, como vinha acontecendo com facilidade. Por que significava a confiança cega de Granger, até mesmo em relação ao sexo, e sua derrocada quanto ao poder que a mulher mantinha sobre ele. Provara isso – talvez inconscientemente – com apenas um beijo e uma língua que lhe remetia às cenas mais inapropriadas que gostaria de fazer com ela, e não apenas ali naquele banheiro.

Por fim, afastaram-se, ofegantes e relutantes, seus lábios ainda se tocando minimamente. Ninguém se moveu. A respiração de Granger batia contra seu rosto e, inesperadamente, a boca dela percorreu um caminho de quase desbravamento começando pelo canto esquerdo de seus lábios, beijando lentamente o queixo, onde já se encontrava um resquício de barba por fazer, seguindo pela linha do maxilar, arrastando-se vagarosamente em um processo que consistia basicamente em explorar a textura de sua pele e a sensação que o contato proporcionava.

— Granger? – Chamou em tom baixo, no que ela apenas esperou após um suspiro, ainda insistindo na proximidade, provavelmente de olhos tão fechados quanto ele. – Vou lhe ajudar a tomar banho. Então, iremos para casa.

O sorriso que a castanha lhe abriu foi enorme e agradecido, mas Draco não o acompanhou e ela não pareceu se importar – por que Granger, realmente, não se importava com a situação alheia, desde que tudo estivesse bem para ela. A constatação de que o único lugar em que se sentia segura era a Mansão Black era nova, assim como o fato de confiar nele para cuidar dela a ponto de dispensar a ajuda de Andrômeda.

Tratava-se de uma novidade que não era obrigado a aceitar, mas via-se anuindo como um em jogo de dominó a cada nova partida que perdia para Granger. Isso por que vê-la frágil da forma como se mostrava ali, à sua frente, apenas de lingerie e com o rosto inchado de chorar, o desapontava. Não era algo que admitisse, não era como se pudesse aceitar com facilidade, pois Hermione Granger era mais do que aquilo e, conscientemente, queria o mais.

Enquanto levantava-se do chão, porém, onde estivera de joelhos em frente à mulher que impetrava apenas movimentos brandos para evitar tontura, algumas batidas foram ouvidas na porta, chamando a atenção de ambos. Granger não parecia remotamente interessada em quem estava batendo, olhando para o lugar de onde vinham os ruídos como um mero reflexo. Andrômeda revelou-se assim que Draco abriu a porta, examinando a cena como que para verificar se estava tudo bem e parecendo temerosa ao entregar-lhe um envelope com selo do Ministério já violado.

— Acabou de chegar. – O tom dela não foi nada animador e seu olhar em direção a figura descabelada de Granger foi choroso. – Achei que gostaria de saber o mais rápido possível.

Draco abriu e leu rapidamente o conteúdo da carta, vinda diretamente do Departamento de Execução das Leis da Magia, repleta de pormenores e formalidades desnecessárias – as quais Granger bem conhecia –, visto que o processo de acusação em si iria diretamente ao seu escritório para que a defesa se manifestasse. Diante disso, encarou Granger sem cerimônias, ela sabia muito bem o que aquela notificação significava, ainda que sua racionalidade estivesse tomada pela bebida.

— O inquérito terminou. – Descartou o papel em qualquer lugar. – Você está sendo oficialmente acusada de homicídio duplamente qualificado pela morte de Weasley.

Viu a cor sumir vagarosamente do rosto da mulher à sua frente. Por um momento, ela pareceu extasiada pela informação que receberia com uma expressão friamente calculada em outro momento. O ar fugiu de seus pulmões e Granger teve dificuldade em respirar, parecendo desesperada em retomar o fôlego, os olhos se locomoveram perdidamente por alguns segundos, como se ainda estivesse processando o que dissera. Então, a castanha o encarou decidida, mas encarecidamente, engolindo em seco:

— Por favor, não deixe que me prendam.

Então, colocou-se de pé rapidamente e abriu a tampa da privada em uma velocidade que não atribuiria a ela naquele estado, depositando tudo que havia ingerido até então, por que, apesar de estarem se preparando há meses e inclusive terem arquitetado um plano para tanto, Granger não estava mentalmente pronta para sua concretização.

Notas finais
I'M BACK!!! E aí, gostaram do capítulo?!! Gent, foram três dias pra escrever e ficar do jeito que eu tinha imaginado desde o começo, então espero muito mesmo que tenham gostado e venham me dizer por que os comentários do capítulo anterior foram lindos! Muito obrigada por estarem sempre aqui me incentivando, galera do core! *_* Sobre o capítulo em si, várias tretas né? Teve séqsu implícito, teve Parvati Patil, teve Harry Potter, teve Hermione e sua recaída (inesperada para todos, acredito eu), teve fim de inquérito... Ufa né?! Qual foi a parte preferida de vocês? Mais especificamente, onde Draco arrasou mais? :D Podem dizer, sem vergonha! Bem, não é preciso nem dizer que AMEI escrever esse capítulo né? Enfim, só vou lembrar de leve que o capítulo final de Vínculo JÁ foi postado!! Então quem acompanha, corre pra lá depois daqui! E não esqueçam ler e deixar seus comentários mais que bem vindos em minha coletania de Songs da Sia: Black and Blue e Fair Game, afinal de contas a propaganda é a alma do negócio! ;) Beijão, até o próximo, galeris ♥