Neurótica
25 Capítulo 25
Draco virou a segunda dose de conhaque e sinalizou para o barman que poderia lhe servir outra. Podia sentir os músculos relaxando à medida que o álcool lhe fazia efeito. Passeou uma das mãos pela nuca e pescoço até encontrar a gravata, a qual afrouxou minimamente, visto que ainda estava em um local público. O dia estava sendo longo, muito longo, embora nem perto de acabar para ele. Podia sentir os olhares de alguns presentes, principalmente mulheres, mas sua cabeça doía de forma irritante e, provavelmente, não estava com a melhor das feições.
Levou uma das mãos à têmpora, fechando os olhos ao realizar que precisava voltar ao escritório, onde havia marcado de encontrar-se com Andrômeda, Blásio e Granger... Especialmente Granger. No momento, daria boa parte de sua fortuna por um dia onde não precisasse lidar com todos os problemas seu trabalho acarretava, concluiu. Na verdade, naquele dia, tinha a impressão de que concordaria facilmente em deixar o escritório nas mãos de Blásio para que pudesse se aposentar mais cedo, pois quase podia ouvir suas juntas gemerem em protesto ao remexer-se sobre a banqueta almofadada do movimentado pub bruxo de Londres.
Há quase uma semana estava dormindo com Granger, ou na cama de Granger, para ser mais específico. Draco não se sentia pronto para admitir o fato de que estava confortável demais com toda a situação, acomodado demais para dar um basta, mostrá-la que o rumo que tudo isso estava tomando era perigoso para ambos por que ia além do sexo e nunca, nem mesmo quando apenas a desejava de longe, planejara algo além disso em relação a ela. E, como Granger, não gostava de perder o controle.
O ruído de conversas pareceu ter aumentado em alguns tons à medida que as pessoas iam chegando animadas para relaxar após um exaustivo dia de trabalho de uma longa sexta-feira, constatou após verificar que estava quase à hora de ir. Bebericou um gole de seu uísque e olhou ao redor, cumprimentando com apenas um aceno de cabeça alguns rostos conhecidos. Para sua surpresa, entretanto, seu olhar capturou o de certa morena que tinha o cenho franzido em confusão enquanto encaminhava-se até o balcão onde se encontrava.
— Draco! – Ela o beijou no rosto, como era de seu costume, embora seu tom estivesse surpreso. – Faz algum tempo que não o vejo aqui.
— Acho que você é uma frequentadora assídua demais. – Retrucou sinalizando o copo de conhaque que a mulher de cabelos castanhos tinha em mãos.
— Ou é você quem não está vindo aqui com tanta frequência como costumava.
Draco indicou a banqueta para que ela se sentasse e a mesma deu de ombros, aceitando sem mais delongas e cruzando as pernas delineadas por uma meia-calça negra. Astoria tinha razão, pois mesmo que não estivesse com Granger na Mansão Black, visto que aquilo havia começado há poucos dias, tinha tanto trabalho a fazer que no final do dia queria apenas uma dose de uísque, um bom banho, o silêncio de sua casa e uma longa noite de sono. Não era como se estivesse pedindo muito.
— Tem razão. – Ela deu de ombros, observando o líquido âmbar em seu próprio copo.
— Erin gosta daqui. – Olhou ao redor procurando a figura da companheira de Astoria e a encontrando em uma animada roda de conversa: alta, corpo curvilíneo, cabelos cacheados e loiros, olhos castanhos muito claros. Ela pareceu sentir-se observada, entretanto, pois logo o encarou diretamente cumprimentando-o com um aceno de cabeça, mas logo desviando a atenção para cumprimentar um amigo que chegara. Erin Monks era tudo que Astoria precisava, as duas se divertiam juntas e a palavra ciúmes não parecia fazer parte do vocabulário delas. – Você está pensativo. Seu trabalho com Granger ainda não terminou, não é?
— Na verdade, está mais complicado do que o previsto. – Tomou um gole de seu uísque, evitando encará-la, mas consciente de que o olhar feminino era insistentemente analisador.
— Tinha certeza de que seria assim desde o início, desde que foi noticiado que a defenderia. Era muito óbvio, ao menos para mim. – Astoria semicerrou os olhos, questionadora. – Estou surpresa que não tenha imaginado.
— O que quer dizer? – Ela soltou um riso quase debochado, percorrendo os olhos pelo pub enquanto passeava os dedos com unhas bem feitas pela borda do copo de conhaque.
— Ninguém nunca teve o poder de afetá-lo como ela, Draco. – Franziu o cenho, no que ela levantou uma sobrancelha persuasiva e tocou sua cabeça com um dedo. – Sem perceber, você deixou que ela ficasse aqui por mais tempo do que qualquer outra mulher.
Não ia procurar argumentos para contradizê-la, pois estava cansado demais e seria inútil. Astoria tinha razão, simplesmente. Assim, virou o último gole de uísque que ainda havia em seu copo. Inconscientemente, alimentou essa quase obsessão que sentia de provocá-la, dedicou muito de seu tempo a Granger, escolheu até a mesma profissão que ela quando nem mesmo precisava trabalhar para sobreviver. Gostava da área que havia escolhido, entretanto, adorava batalhar contra Granger. Era isso que lhe dava sentido quando o ofício ficava tedioso: pensar que sempre teria Granger para enfrentar no Ministério e que, se ganhasse, seria melhor ainda, embora realmente não se importasse em perder por que ela era boa. Inconscientemente, visto que foram poucas as vezes em que admitira esse fato, nunca deixava de admirá-la. E querê-la.
— Não deixe Pansy saber disso. – Ela sorriu de seu falso tom brincalhão, mas não demorou a que o sorriso contido de ambos morresse. – É complicado.
— Sabe, depois que passa você percebe que não é tão complicado quanto imaginou. – A viu menear a cabeça e encarar Erin, que ainda estava entretida em um assunto qualquer. – As coisas simplesmente se encaixam, se você deixar acontecer.
— Tenho a impressão de que com Granger sempre será tudo ou nada. – Balançou a cabeça com uma careta estampada no rosto e a dúvida se pediria ou não outra dose. Não achou que teria novamente aquela conversa com Astoria. – E não estou preparado para... Tudo.
Haviam mantido uma forte inimizade – e usava essas palavras por que não era ódio que sentiam um pelo outro, embora fosse algo perto disso – por muito tempo. Detestaram pela maior parte da vida tudo que vinha um do outro: as manias, as personalidades, as provocações. No entanto, agora que as coisas estavam encaminhando-se para um sentido completamente diferente, percebia que o “tudo” de antes era mais simples de lidar.
— Ninguém nunca está, Draco. – Ela tomou mais um gole de sua bebida e levantou-se, apoiando-se em uma de suas pernas enquanto o encarava pensativa. – Bom, eu adoraria conhecê-la dia desses.
— Olhe, eu acho que Erin está te acenando. – A mulher lhe lançou um sorriso desdenhoso e despediu-se com um abraço rápido, embora a companheira estivesse completamente absorta em uma conversa com um homem que Draco sabia vagamente ser técnico de algum time de quadribol.
Assim, não demorou a chamar o barman para pedir a conta. Precisava voltar ao escritório para descobrir como havia sido o depoimento de Teddy em Hogwarts. Àquela hora a Sra. Smith deveria estar entretendo a todos com chá enquanto o esperavam, verificou ao olhar rapidamente o relógio antes de passar os braços pelas mangas do terno negro e bem cortado.
Encaminhou-se para a porta da forma altiva que sempre costumava se portar em público, abotoando o paletó enquanto cumprimentava educadamente todos que conhecia. Entretanto, quando seu olhar recaiu sobre a figura de Cho Chang, a qual sabia ser também frequentadora assídua do pub, ela tinha um sorriso ambicioso demais estampado no rosto, como se soubesse de algo que Draco não sabia. Ela levantou a taça de Martini que tinha em mãos e levantou uma sobrancelha em desafio, mas o loiro já estava encaminhando-se para a mesa onde ela se encontrava acomodada e rodeada de algumas outras mulheres.
— Boa noite. – Cumprimentou a todas e voltou-se para a japonesa. – Tem um minuto?
— Claro. – Ela levantou-se e Draco lhe indicou que poderia ir à sua frente, no que ela escolheu um lugar mais reservado perto de um jardim de inverno mal iluminado, mas que completava a decoração do pub moderno.
— Esperou muito tempo para ganhar minha atenção, Cho? – Ela era bonita, pensou ao examiná-la de perto, tinha um rosto harmonioso, com os olhos puxados e lábios cheios, e o corpo magro, delineado por uma saia lápis de cor branca que ia até abaixo dos joelhos.
— Você não faz ideia. – Ela sorriu tranquila. Diferentemente de Parvati Patil, Cho sabia enfrentá-lo e seu escritório havia comprado a briga ao aceitar advogar para Lilá Brown. – Acho que ainda não soube a novidade, pois do contrário teria ido a minha mesa há mais tempo...
— Chegue logo aonde quer. – Pediu impaciente.
— Entreguei ao Ministério a cópia do pedido de divórcio de Weasley, que eu mesma redigi. – Ela aproximou-se, correndo uma das unhas pela gola bem passada de seu terno. – Não é engraçado? Esperamos algum tempo para que nos fizesse uma proposta em nome de Granger, para que parássemos de dar aquela atenção ridícula a Lilá Brown, pois seria difícil encontrar outro escritório para defender a mulher que representa o fim do conto de fadas de sua cliente.
— Não precisamos de acordo algum, Cho, minha cliente não fez isso.
— Pode até não ter feito, mas o tempo não está deixando as coisas mais fáceis para vocês.
— Além disso... – Cortou em um tom mais alto que o dela, que levantou uma sobrancelha incomodada pela quase falta de educação. – Vocês foram péssimos consultores jurídicos, pois um acordo nunca teve chances após Brown dizer tantas besteiras publicamente.
— De qualquer maneira, decidimos que era hora de provar que Weasley realmente pediu ou pediria o divórcio naquela noite. Brown nunca teve certeza, ela só sabia o que Ronald disse a ela. – O sorriso dela alargou-se. – E, caso fique provado que ele apresentou aquele documento a Granger, iremos entrar com ação atrás de ação contra ela para que os prejuízos emocionais causados a Lilá Brown e seu bebê sejam ressarcidos. A vida não está mesmo fácil para sua cliente, mas em algum momento as coisas iriam degringolar, não?
— Pode tentar atingi-la o quanto quiser, Cho, não se suportam e não é de hoje. – A inimizade das duas mulheres era conhecida e comentada desde a época de Hogwarts, quando a japonesa já era dissimulada o suficiente para exigir de Potter que escolhesse entre as duas. – A questão é que não está se lembrando de que quem está na retaguarda de Granger agora sou eu e estou comprando essa briga.
— Prepare o bolso dela, Draco...
— Eu nem vou me preocupar. – Passou por ela, com a intenção de realmente ir embora, mas ainda voltou-se para a mulher que tinha os braços cruzados no peito e o analisava. – Você e Goldstein escolheram a peça errada para jogar.
— É o que veremos.
Muitas pessoas tinham o que ganhar com a queda de Granger, pensou enquanto ganhava as ruas frias de Londres e escondia as mãos no bolso. Chang era uma delas e, apesar de detestar sua cliente, era movida por dinheiro. Um simples acordo que garantiria uma boa pensão para Brown a deixaria satisfeita e a tiraria, juntamente com seu escritório de porta de cadeia, do tabuleiro, mas jamais proporia àquele absurdo a Granger. Além de se recusar a dar dinheiro à amante do marido, iria terminantemente negar ceder qualquer coisa a mulher que estava grávida dele. Faria aquela briga arrastar-se por anos no tribunal, mas não daria a Cho e Brown o gosto da vitória tão cedo.
Dessa forma, minutos depois, abria uma das portas de vidro de seu próprio escritório no Beco Diagonal. A sala de Emily estava vazia, mas podia ouvir o ruído de conversas na sala de Zabine, a qual era praticamente igual a sua, mas com vista para a Londres trouxa. Com pressa, adentrou o local, chamando a atenção de todos que já estavam acomodados e servidos de chá, e cumprimentando-os.
— Desculpe o atraso, eu estava resolvendo algumas... Pendências. – Franziu o cenho rapidamente pensando na conversa que acabara de ter com Cho Chang e realizando que aquilo ainda era uma pendência ainda a ser resolvida. Entregou o casaco a Emily e deixou-se cair em uma das poltronas perto da janela, onde sua tia também estava acomodada parecendo um tanto temerosa. – E então, como foi o depoimento de Teddy?
— Nada bom. – Anunciou Granger, empertigando-se na cadeira. Ela não havia ido a Hogwarts, logicamente, mas certamente havia exigido que Blásio a atualizasse assim que chegara.
— Aquela auror, Flynn, ela saiu de lá muito satisfeita. – O negro explicou. – Eles têm o depoimento de Fitzgerald e Greene, acham que têm o caso na mão. Não podem ter certeza de que a discussão descrita por Greene é com Teddy, mas estão apostando todas as fichas nisso, principalmente depois dele contar que realmente esteve lá no dia e se desentendeu com Weasley.
— Eles vão ignorar o fato de que Teddy não entrou pela porta, mas por Flu. – Granger completou, embora aquilo fosse óbvio para todos desde o início.
— Estão ignorando a existência da pessoa misteriosa que Weasley recebeu naquela tarde. – Blásio frisou. – É mais favorável a eles, é claro.
— Inacreditável! – Andrômeda bufou.
— O pressionaram o máximo possível e acho que minha presença lá foi essencial para freá-los, mas é óbvio que foi uma retaliação contra esse tempo todo em que vinham tentando sem sucesso obter uma intimação. – Constatou Blásio em tom calmo. – McGonnagall também ajudou, ela impõe respeito, os Aurores não ousariam desafiá-la ainda que fossem as autoridades ali.
— O que acontecerá agora? – Questionou sua tia, no que Granger a encarou, claramente preocupada, visto que não devia ter feito bem à senhora ver o neto ser exposto de tal maneira pelos aurores. Era de conhecimento geral que alguns profissionais do QG, por serem mais antigos e menos flexíveis, não aliviavam para ninguém.
— Vamos avaliar a posição do QG e da Promotoria para definir qual o passo ideal a dar a seguir. – Falou automaticamente, sem levar em conta que estava conversando com sua tia, não um estranho. Porém, não estava com paciência para medir seus modos e, antes que pudesse continuar, Emily os interrompeu novamente. Tendo uma carta em mãos e após respirar fundo, ela olhou a todos com o semblante franzido em pesar.
— O que aconteceu? – Perguntou gravemente, pois a conhecia e sabia que aquelas feições não poderiam trazer boas novidades.
— O Conselho dos Aurores votou o afastamento de Potter do caso Weasley. – A senhora deu de ombros no mesmo instante em que Granger arfava. – Ainda é extraoficial, mas...
— Harry é a pessoa mais empenhada em encontrar o assassino de Ronald! – Cortou Granger de forma indignada.
— Bem, o envolvimento do Sr. Lupin parece ter sido decisivo. – Emily completou lentamente, analisando relutantemente as feições de Andrômeda, pois sabia que ela estava quase a ponto de ter um colapso nervoso por ser obrigada a passar por toda aquela situação. – Dizem que o caso foi completamente levado ao âmbito pessoal por ele e, por isso, não pode ter um julgamento imparcial.
— Claro, ele era um dos que iria votar contra o indiciamento de Granger no Conselho. – Draco revirou os olhos, suspirando pela dor de cabeça ter se tornado ainda mais proeminente.
— Isso... Isso irá nos atrapalhar muito? – Perguntou Andrômeda, alarmada.
— Depende.
Granger, por outro lado, o olhou entendendo exatamente sua opinião sobre o afastamento de Potter. Não que gostasse do homem ou coisa do tipo, afinal até agora ele não havia feito mais do que transar com Granger, mas contava seu voto como certo no dia do encerramento do inquérito. O voto do Conselho, apesar de tudo, era apenas para decidir se o QG recomendaria ou não que o suspeito fosse indiciado pela Promotoria, ou seja, não decidia efetivamente nada, afinal era o Promotor quem decidia seguir ou não em frente com o processo. Porém, com um voto favorável a Granger por parte do QG dos Aurores, ela poderia encarar tal processo com sua imagem substancialmente melhorada.
— Estando no Conselho, Harry poderia, pelo menos, negociar apenas a minha recomendação como acusada. – A castanha verbalizou a Andrômeda, que fechou os olhos parecendo não acreditar na sorte que o destino estava lhe pregando. – Sem ele, a situação se complica. Não podemos prever nada, apenas fazer suposições sobre o que irão decidir.
— Tudo parece conspirar para que as coisas não deem certo para você ou Teddy! – Constatou Andrômeda, embora houvesse respirado fundo para tentar manter a calma.
— Tia, estamos trabalhando para colocar tudo no lugar. – A mulher balançou a cabeça negativamente, tendo as mãos na cintura e os cabelos compridos e grossos balançando nas costas ao andar de um lado a outro em seu escritório.
— Andrômeda, o que tem de fazer agora é ir pra casa e tentar descansar. – Começou Granger em tom ameno, fazendo com que a outra parasse de andar de forma ansiosa. – A viagem até Hogwarts é longa e exaustiva, sei que está pedindo por um bom banho e cama. Vamos continuar trabalhando com todas as hipóteses possíveis para deixar Teddy fora disso, eu prometo.
A senhora não ofereceu resistências e Blásio anunciou que iria acompanhá-la. O cansaço do negro era visível, visto que sequer usava mais o terno e as mangas da camisa se encontravam dobradas até os cotovelos. Logo, o silêncio se fez presente no escritório e Draco convidou Granger para que fosse para a sua própria sala.
— O que pesa contra Teddy é a discussão que tiveram. – Começou a morena cruzando as pernas, tendo os olhos presos nas luzes da cidade lá fora. – Não ter contado desde o início, deixado que os aurores descobrissem por si só que ele esteve lá também não foi uma boa coisa.
— Se nós também soubéssemos, poderíamos ter evitado. – Concordou, frisando que nem eles sabiam do envolvimento de Teddy no caso, afinal seria a última pessoa em quem teriam pensado para ser a dona das digitais encontradas na casa.
— Isso está me preocupando, Malfoy. – Granger confessou apreensiva após muitos minutos em silêncio e levantou-se, alongando as costas. – A intimação saiu na hora errada, o depoimento de Isaac Greene também, Teddy não tem cabeça para lidar com um indiciamento... Nem pudemos prepará-lo antes do depoimento por que sabíamos que não tinha condições de manter uma história!
— Soube que as coisas não estão boas em Hogwarts.
Ela concordou dando de ombros, como se fosse o esperado. Os professores, sempre muito preocupados com o bem-estar dos estudantes, tentavam deixar tudo na mais perfeita normalidade, mas os demais alunos passaram a encará-lo de forma diferente. Draco não esperava menos, mas Teddy certamente não estava preparado para tanto julgamento por parte de seus iguais.
— Precisamos usar a imprensa novamente.
— Não vamos expô-lo mais. – A viu suspirar e cruzar os braços, voltando-se para a janela como uma criança mimada. – Não é como se Teddy, como você mesma disse, tivesse condições de lidar com Evangeline Dippet lhe traçando um perfil, perguntando sobre seu passado, sua família, a briga com Weasley... Além disso, sabe que ela encontraria algo para desestabilizá-lo, do mesmo modo que fez com você. Teddy não matou Weasley, mas tem seus próprios problemas.
— Temos que tirar Teddy do foco dos aurores... – Começou ela cautelosamente. – E você está vetando a única forma eficaz de fazer isso.
Não era só pelo fato de que não queria recorrer a Evangeline Dippet em nenhuma ocasião, realmente acreditava que Teddy não podia lidar com o assédio da imprensa e o julgamento da sociedade após conceder entrevista para um jornal qualquer, pois apenas para contar toda a história a eles, que lhe eram próximos, o garoto já precisou esforçar-se muito.
— Podemos usar a imprensa. – Declarou, ainda construindo em sua mente os primeiros traços de um plano que acabara de se formar, no que ela voltou-se a ele com o cenho franzido em questionamento. – Mas não da maneira que está pensando.
— O que quer dizer?
Assim, Draco a contou sobre Cho Chang e sua ameaça velada de tentar arrancar uma boa indenização ou pensão para que Lilá Brown pudesse viver confortavelmente pelo resto da vida à custa do suposto prejuízo que Granger lhe causara ao manter Ronald no casamento, ao não deixar que ele fizesse oficialmente parte da vida de Brown, relegando o relacionamento que eles mantinham à clandestinidade. Se eles tinham provas de que essa nunca fora uma opção para Weasley, principalmente após descobrir sobre a gravidez de Brown, não podia ter certeza, mas Granger havia ficado indignada com a intenção.
— Isso é um absurdo! – Ela o encarou como se fosse o culpado. – Eles não podem jogar com a vontade de um morto, estão tentando transformar meras suposições em verdades absolutas.
— Alguns bilhetes trocados provaria o ponto delas... Bom, essa não é a questão. – A castanha ainda tinha o semblante enraivecido enquanto o olhava à espera e Draco ajeitou-se na poltrona. – O que tenho em mente irá dar a elas uma carta a mais na manga, mas... Pode fazer com que os aurores foquem em você em detrimento de Teddy. E, nestes últimos dias, com Potter impedido de mover uma peça sequer para ajudar, é tudo que precisamos para que ele não seja indiciado.
— Malfoy, você não é de rodear. – Disse impaciente.
— Não irá ajudá-la em absolutamente nada, Granger, tem que ter isso em mente. O que irá fazer será por Teddy, para que a situação dele não se complique, a sua...
— Veremos depois. – Ele meneou a cabeça quando ela o completou, entendendo que queria sacrificá-la para tirar o garoto do foco dos Aurores. Observou a castanha concordar com um aceno de cabeça primeiramente, sem muita convicção, mas após alguns momentos ela o olhou com uma determinação que o próprio Draco não possuía naquele momento, pois poderia estar assinando sua passagem de ida para Azkaban em nome do bem-estar de Teddy. Porém, tinha certeza de que Granger toparia qualquer coisa para não prejudicar o garoto, que, por sua vez, havia se complicado em uma tentativa falha de protegê-la e ela estava se sentindo culpada por isso. Não mencionava, mas Draco sabia que ela achava ter uma divida com Teddy. — Sabe que faria qualquer coisa para que ele não fosse atingido pelas minhas más escolhas. O que tem em mente?
— Você confia em mim?
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