Neurótica
16 Capítulo 16
Enquanto encarava o processo que tinha em mãos, Draco considerava seriamente a hipótese de mandar uma coruja para Dafne Greengrass verificando se a mesma estaria livre naquela noite. Não a levaria a um restaurante ou um encontro qualquer com segundas intenções, pois a relação deles já estava definida o bastante para que não precisassem de formalidades ao ter sexo. A única coisa que tinha em mente era: distrair-se. Do trabalho, dos problemas... De Granger.
Maldita hora a que a mulher havia escolhido “revelar seu segredo”. Sinceramente, não fazia questão de saber a que pés andavam a vida sexual de Hermione Granger, mas não conseguia tirar da cabeça que, em algum momento, ela se masturbara pensando nele e tal imagem tinha o poder de desviar sua atenção de qualquer coisa em que tentasse se concentrar desde a noite anterior quando se forçara a bloquear o que ela lhe dissera e praticamente a empurrara pra dentro do próprio quarto e fechara a porta com um baque alto ouvindo o riso divertido da mulher do outro lado.
Soltou o maço de folhas que tinha em mãos e recostou-se na cadeira confortável de seu escritório com uma careta de extremo desgosto, pois não adiantaria de nada transar com Dafne enquanto pensava em Granger. A quem queria enganar? Havia desejado a mulher por grande parte de sua vida, obviamente uma informação como essa o tiraria dos eixos. E ela sabia disso.
Desse modo, levantou-se e encaminhou-se calmamente – afinal, ainda não estava perdendo a sanidade – em direção à janela aberta. Com prazer, sentiu a brisa fria de outubro bagunçar os cabelos excepcionalmente sem gel. O Beco Diagonal não estava tão movimentado como de costume, as pessoas andavam de forma paciente, encarando e apontando calmamente as vitrines criativas ao longo da rua de paralelepípedos. Talvez se tratasse de um reflexo de seus pensamentos – quer dizer, essa forma minuciosa de encarar as coisas – completamente meticulosos, cautelosos, à vista de um novo problema.
Detestava quem resolvia as coisas por impulso e, devido a um grande descuido, fizera exatamente isso ao procurar Potter no Ministério. Precisava descontar sua raiva em alguém e o Auror certamente deduzira isso ao ler a matéria de capa do Profeta Diário daquele dia — Caso Weasley: viúva quebra o silêncio. De qualquer forma, não havia sido uma decisão inteligente. Demonstrar algum tipo de fraqueza ao inimigo era de uma estupidez sem fim, afinal não gostaria que Potter chegasse a alguma conclusão indesejada sobre o nível em que sua relação com Granger se encontrava.
Assim, apoiou as mãos no parapeito da janela e curvou o corpo sobre a mesma, fechando os olhos e abaixando a cabeça enquanto sentia os músculos recheados de tensão. Estava excitado e frustrado, pois a única que podia resolver seu problema estava completamente fora de cogitação. O que ela tinha na cabeça, afinal? Precisavam manter aquela relação no âmbito mais saudável possível e Granger lhe oferecer sexo não facilitaria nada disso. Aliás, tinha quase certeza de que ela não estava tão bêbada a ponto de não saber o que estava fazendo/falando.
Ouviu três batidas discretas na porta e decidiu voltar ao trabalho antes que enlouquecesse pensando em todas as possibilidades que envolviam o que Granger lhe dissera. Emily adentrou a sala em uma postura profissional, suas roupas em tons discretos e os cabelos presos de forma eficiente.
– O Ministério mandou uma intimação para Granger. – Draco franziu o cenho, confuso, afinal não estava esperando nada do tipo no momento. – O exame na varinha de Weasley ficou pronto.
Soltou o ar sem exatamente esperar ser surpreendido pelo que viria a seguir. O exame pericial da varinha da vítima era sempre mais demorado devido ao fato de que o objeto, em poder de alguém que não fosse seu real dono, produzia um tipo de barreira protetora em volta de si. Isso significava que havia alguns percalços – em níveis maiores ou menores dependendo do material da mesma – durante o processo de enfeitiçar varinhas alheias para a perícia, ainda que fosse feito por profissionais alemães especializados na área.
– Continue.
– Está repleta de digitais da Srta. Granger. – Emily pareceu temerosa ao relatar. – Ela terá de prestar esclarecimentos até amanhã, no mais tardar.
Ele meramente balançou a cabeça para mostrar que havia escutado e concentrou-se em seus próprios pensamentos. Granger não poderia ter sido tão burra! Um detalhe como esse... Se ela houvesse matado Weasley, não deixaria passar algo tão corriqueiro, algo que ocorria nos casos mais simples.
Draco fechou os olhos e apertou os dedos sobre as têmporas enquanto tentava ignorar a pontada de dor de cabeça que ameaçara incomodá-lo durante toda a manhã. Não lhe cabia o fato de que Granger tivera coragem para tanto, embora soubesse que ela era dissimulada e atrevida; que ela lhe escondia fatos essenciais que poderiam ajudá-la e, principalmente, que não parecia disposta ao mínimo para se ajudar.
Granger queria sua vida de volta, mas não tinha motivo algum para voltar, principalmente agora que se via tão longe da “antiga” Hermione, como lamentara na noite anterior. Grunhiu irritado, pela dor de cabeça que se instalara de vez e por tantas perguntas sem repostas relacionadas a ela, e levantou-se considerando que pudessem ser mais parecidos do que achava neste ponto: não ter respostas o agoniava e buscá-las fazia com que ocupasse o tempo, então decidiu que iria vê-la. De outro modo, precisaria de um drinque mais cedo do que desejava.
Levantou-se e colocou o terno, só então percebendo que Emily ainda se encontrava em sua sala, observando-o como se quisesse dizer algo, mas estivesse em dúvida se poderia/gostaria de fazê-lo ou não.
– Aconteceu mais alguma coisa? – Perguntou em tom de alerta, mas aliviando-se rapidamente quando a mesma acenou em negativo.
– É que... No dia da entrevista, a Srta. Granger me pareceu tão... Triste. – A senhora alisou um vinco inexistente na saia social e respirou fundo. – Não me conformo com o fato de todos acusá-la tão facilmente, de ninguém se compadecer nem minimamente por algo que a machucou e que obviamente ainda machuca! Viu como ela reagiu quando Dippet falou sobre o bebê, o que estão fazendo com ela é cruel demais.
Emily sempre havia possuído esse instinto de acreditar nas pessoas, tentar ajudá-las, o que em nada combinava com a personalidade de Draco. Porém, com o passar do tempo, passara a admirar essa qualidade na mulher: ela sempre enxergava o que de melhor havia nas pessoas. Em sua vida tumultuada e repleta de gente que o cercava apenas por interesse, a presença da Sra. Smith lhe trazia um pouco de normalidade, ainda que ela tivesse uma visão bastante romantizada sobre tudo.
– É mais simples apoiar a história de amor interrompida de Weasley e Brown do que ficar ao lado daquela em que ninguém mais confia. – Ele deu de ombros e encaminhou-se para a porta. – De algum modo, as pessoas ainda gostam de contos de fadas, Emily.
Infelizmente, Draco constatava com bastante resignação, depois de tantas mentiras o laço entre Granger e a comunidade bruxa, ou seja, todos aqueles que a idolatravam, estava rompido. Além disso, se fosse do tipo que apostava, arriscaria que as coisas entre esses dois polos nunca voltariam a ser como antes.
– Posso falar com ela? – Draco levantou uma sobrancelha em direção à senhora, a qual simplesmente suspirou cansada antes de encaminhar-se para a própria escravinha que lhe parecia milimetricamente organizada. – Suponho que não tenha muitas opções para conversar e você pode ser bem insensível quando quer.
Draco revirou os olhos, já que claramente Emily via além do “melhor das pessoas”, e concordou com a ideia, pois sabia que ela tinha razão – em ambas as suposições. Antes, porém, precisava descobrir como as impressões digitais de Granger haviam ido parar na varinha do marido morto.
– Vou conversar com ela sobre isso. – Assim, rumou para a saída, mas ainda voltou-se para a senhora antes de aparatar. — Feche o escritório caso Blásio não apareça.
Quando chegou a Grimmauld Place, uma ventania assolava a rua onde seus supostos vizinhos corriam de um lado para o outro tentando chegar a suas casas antes que a chuva prevista caísse. Tranquilamente, adentrou a Mansão Black e não se surpreendeu com o silêncio enquanto subia as escadas em direção ao segundo andar. Afinal, não era como se Granger, como única habitante daquele lugar, fizesse muito barulho: ela praticamente se revezava apenas entre o quarto, a biblioteca e a cozinha.
Não foram uma ou duas vezes que chegara e a mulher estava tão entretida na biblioteca que sequer ouvira sua movimentação. Tinha a impressão de que ela usava os livros para se esquecer dos problemas ou, pelo menos, tentar, como um refúgio seguro e estável. Na biblioteca ela tinha controle sobre tudo e talvez fosse disso que necessitava em sua vida instável.
Assim, abriu a porta da biblioteca, mas deparou-se com o cômodo completamente escuro. Encaminhou-se para o antigo quarto de Sirius Black. Deu duas batidas e esperou quase impaciente, afinal o que tinham para falar era importante. Colou o ouvido na porta ao não receber resposta, mas não conseguiu ouvir nenhum ruído de movimentação do lado de dentro. Então, a abriu tranquilamente e adentrou o quarto em que Granger estava hospedada.
O local estaria inteiramente na escuridão não fossem as cortinas abertas deixando com que a luz quase escassa do dia penetrasse no ambiente. Surpreendendo-se, percebeu que a mulher se encontrava dormindo profundamente embaixo dos cobertores fofos que a deixavam praticamente invisível. Chamou uma vez e esperou, mas Granger não respondeu e Draco começou a realmente ficar impaciente.
Desse modo, aproximou-se da cama e ligou o abajur para que pudesse efetivamente vê-la e não apenas sua sombra. A chamou novamente, dessa vez aproveitando-se do fato de estar perto para, pelo menos, chacoalhá-la, mas a mesma apenas empurrou sua mão para longe e virou-se para o outro lado pronunciando um “me deixa, Malfoy” um tanto quanto enrolado devido ao sono.
– Até dormindo precisa me retrucar? – Soltou um riso desdenhoso e a chamou novamente. – Granger, precisamos conversar, levante-se.
Ela apenas grunhiu em resposta, mas Draco franziu o cenho ao sentir uma gota de suor escorrer por sua têmpora. Só então percebeu como aquele quarto se encontrava quente e não estava falando da tensão sexual que existia entre ambos. Encarou os cobertores que Granger usava para se cobrir e levou uma das mãos até a bochecha da mulher que, para sua surpresa, estava incrivelmente quente.
– Está com febre? – Colocou a mão sobre a testa e revirou os olhos ao terminar sua constatação. – Ótimo, está com febre.
Era realmente tudo que precisava quando tinham assuntos realmente importantes a tratar. Assim, sem opções, tirou o terno e dobrou as mangas da camisa até o cotovelo. Feito isso, retirou os cobertores de Granger fazendo-a encolher-se de frio e realmente agradecendo a Merlin pela primeira vez pelo fato de uma mulher estar usando um conjunto cinza de calça e blusa de moletom em sua presença.
Revirou os olhos enquanto conjurava quase que mecanicamente uma toalha branca e uma bacia encaminhando-se, em seguida, para o banheiro com a intenção de enchê-la. Quando voltou ao quarto, entretanto, Granger de alguma forma havia recuperado os cobertores e já estava completamente escondida embaixo dos mesmos novamente.
Com um feitiço, os guardou no guarda roupa grande e espaçoso que havia ali e não deu atenção aos resmungos da mulher acamada. Assim, começou a passar a toalha úmida na testa dela, fazendo-a encolher-se ainda mais contra si.
– Granger, tenho certeza de que é inteligente o suficiente para saber que não pode ficar coberta quando está com pelo menos quarenta graus de febre. – Ainda se lembrava de como Narcissa cuidava de suas enfermidades quando criança.
– Estou com muito frio, Malfoy.
– Se eu não tivesse chegado, iria se levantar para buscar remédio? – Draco percebeu que ela havia cochilado novamente, mas tinha alguma ideia da resposta.
Resignado, voltou a passar a toalha molhada na testa e pescoço da mulher notando como o rosto pálido que ela nutria quando havia chegado já voltava à coloração normal ainda que Granger estivesse com febre. Lera em algum lugar, durante suas pesquisas para descobrir como lidar com sua mais nova cliente, que pessoas depressivas tinham certa propensão a ficar doentes, por isso não se espantara tanto ao notar o estado da mulher e sua latente má vontade com si mesma.
Assim, depois de alguns minutos repetindo o mesmo ritual, verificou que a temperatura do corpo dela parecia realmente ter diminuído, mas, por via de dúvidas, ainda iria procurar algum remédio. Só então percebeu que a chuva prometida caía lá fora, batendo contra a janela de vidro, produzindo um ruído irritante que o fazia pensar que a janela poderia quebrar a qualquer momento.
Voltou-se para Granger, notando como ela parecia tão calma, livre de problemas, enquanto dormia. Aquela mulher não poderia ter tido coragem de matar o marido de forma tão cruel, não aquela que dormia de forma tão tranquila à sua frente. Por outro lado, a mesma parecia outra quando consciente, quando agia friamente, manipuladora e quase sem escrúpulos. Por esta, jamais arriscaria abaixar a guarda.
Entretanto, ainda que soubesse de tudo isso sobre Granger – todas as suspeitas que pairavam sobre a cabeça dela, complementadas pela informação da Sra. Smith; o modo como ela parecia sempre manipular as situações a seu favor, inclusive o assassinato do marido; o fato de ser dissimulada ao extremo mesmo que Draco tentasse a todo o custo retirar tal máscara dela – enfim, apesar de todo o mínimo conhecimento que tinha sobre a mulher, não deixava de ser fascinado pela figura dela e isso o irritava.
Não se sentia atraído pelo ideal que ela representava – até por que agora sabia que era uma mentira -, pois isso era coisa para pessoas como Potter e seu ridículo fraco para atos heroicos em geral. Não, era algo mais que não sabia descrever ao certo.
Tal fato o irritava por que mulher alguma lhe chamara tanta atenção como ela ou se dedicara tanto como fazia a ela. Para Draco, essa comprovação era inconcebível, pois Hermione Granger, afinal de contas, era meramente aquela que devia ser a inimiga. Devia desprezá-la, devia ignorá-la, devia sentir prazer ao vê-la rebaixada a suspeita de assassinato – a adorada heroína de guerra. No entanto, não conseguia fazer nada disso.
Sempre soube que Granger lhe significava muito mais do que “a inimiga”, mas ter a constatação completa disso o incomodava, afinal não conseguia fazer nada que seria o ideal para duas pessoas que supostamente deveriam se odiar. Além disso, tinha a leve impressão de que Granger lhe faria uma acusação esplendida como Promotora, caso estivessem em posições diferentes naquela equação.
Balançando a cabeça negativamente para espantar tais pensamentos, afinal o que devia esperar em troca por defendê-la era apenas o pagamento de seus honorários, foi até o banheiro a procura de alguma poção que pudesse curá-la efetivamente, mas não encontrou nada no armário de madeira que ficava embaixo da pia exceto produtos de higiene íntima.
Voltou ao quarto, ligando as luzes com um aceno de varinha, e abrindo sem cerimônias as portas e gavetas do guarda-roupa em busca de algum lugar onde ela pudesse guardar poções que lhe pudessem ser útil. Mulheres tinham essa mania e tinha certeza que Granger também tinha, pois não fazia minimamente o tipo que ficava desprevenida. Pelo menos, a mulher era organizada e até mesmo metódica quanto a isso, pois todas as roupas estavam perfeitamente arrumadas por cor, dobradas alinhadamente e escrupulosamente passadas, não apresentando nenhum vinco sequer. Asssim, rapidamente achou uma caixa de madeira de tamanho médio onde havia vários frascos de poções variadas.
Infelizmente, não havia especificações, então teve de apostar em seus talentos na matéria de Poções em Hogwarts, onde só era superado por Granger. Snape, entretanto, gostava de seu desempenho e poderia facilmente ter seguido carreira em tal ramo. Assim, descartou algumas pela cor e separou três vidros cheios de líquido vermelho, os quais poderiam servir para o que queria e identificou, no primeiro, uma poção do morto-vivo – sem deter-se na interrogação em sua cabeça sobre o motivo para Granger precisar de uma dessas – e, em seguida, uma poção para febre.
Entretanto, ao guardá-los, encontrou algo que não deveria estar ali. No fundo da caixa de madeira, havia um envelope branco e simples com o nome de Granger, no que devia ser o destinatário, desenhado em uma caligrafia desleixada. Então, com um olhar para a cama, onde a mulher continuava dormindo profunda e tranquilamente, pegou o envelope e o abriu sem hesitar. O conteúdo... Ah, este não poderia surpreendê-lo mais.
Hermione,
Sabemos onde estamos. Sabemos que pisamos sobre um castelo de vidro que parece trincar cada dia mais sob nossos problemas e não consigo não me sentir triste e responsável por isso. Nosso casamento está quebrado, acabou, sabe disso tanto quanto eu a mais tempo do que podemos nos lembrar.
Queria ter a chance de lhe dizer pessoalmente que sinto muito, Hermione, mas as coisas podem se complicar e não quero prolongar ainda mais essa situação. Sei que falhei, que a machuquei não apenas emocional, mas fisicamente, e sei também que não tem ideia de como me sinto culpado por isso. Pode não acreditar, mas sinto muito mesmo, Hermione!
Éramos melhores amigos e não consigo lidar com o fato de que essa ligação especial que tínhamos se perdeu com o tempo. Por tudo que já fomos e representamos, faço questão de esconder nada de você.
Quando ler essa carta, já estarei muito longe: Lilá está me esperando e iremos construir uma nova vida. Pode me considerar insensível por dizê-lo, mas quero recomeçar algo que tenha futuro, o que nosso casamento não tem. Talvez tenhamos nos tornado diferentes demais com o passar do tempo, eu não tenho certeza, mas sei que nos tornamos incompatíveis como jamais imaginamos que aconteceria.
Enfim, desejo que encontre alguém que possa lhe ajudar a superar o fim de nosso casamento de maneira saudável, pois sei que está doente e precisa urgentemente de ajuda. Apesar de tudo, você sempre será a melhor pessoa que já conheci, independente dos caminhos diferentes que resolvemos tomar.
Essa foi a forma mais fácil que encontrei para lhe dizer adeus e irá me chamar de covarde por isso. Os documentos da separação estão na escrivaninha do escritório, você só precisa assiná-los. Então... Espero que fique bem. Adeus.
Com carinho, Ronald
Atônito, Draco guardou o pedaço de pergaminho no envelope e, depois de dois segundos ouvindo as próprias engrenagens funcionando, andou até a cama e colocou o vidro de poção no criado mudo da escrivaninha, vestindo o terno rapidamente e guardando o envelope no bolso interno do mesmo.
Ela não era idiota, logo deduziria que havia encontrado a carta, mas precisava de tempo para pensar, para tentar encaixar as peças daquele quebra-cabeça confuso e nebuloso. Afinal, Brown estava certa: Ronald pediria ou pedira o divórcio naquela noite, ainda que da forma mais covarde possível.
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