O imprevisível adeus a Ron Weasley

Há duas semanas, quando conversamos com Ronald Weasley sobre o futuro da Gemialidades Weasley – empresa da qual é sócio de seu irmão, Jorge Weasley – este parecia empolgado e confiante sobre os novos projetos da loja que, nos últimos dois anos, abriu mais duas filiais no Reino Unido.

Ronald, famoso herói da Segunda Guerra Bruxa, empresário de sucesso – condecorado com o prêmio “Empreendimento mais lucrativo de 2006” pelo Profeta Diário – marido de Hermione J. Granger, famosa por suas conquistas no Departamento de Execução das Leis da Magia , faleceu na madrugada de ontem às 01h47min AM.

A causa da morte ainda não foi revelada, mas o Profeta Diário obteve informações exclusivas sobre o caso. O corpo de Ronald foi encontrado por sua esposa, Hermione, no banheiro da residência dos Weasley em Godric’s Hollow alimentando boatos de um provável suicídio. A Sra. Ronald Weasley está hospedada na residência do amigo de infância e vizinho, Harry Potter. Segundo uma fonte próxima “ela está em estado de choque. Depois de tudo que passaram na Guerra, ninguém nunca esperaria que algo do tipo acontecesse”.

Ron, como era chamado por familiares e amigos próximos, tinha 34 anos e casou-se com Hermione Granger, amiga e colega de Hogwarts, aos 22. Ambos lutaram na Guerra Bruxa ao lado de Harry Potter e exerciam suas funções de forma reservada, aparecendo na mídia e em eventos apenas para divulgar seus trabalhos e jamais envolvendo a vida pessoal da família Weasley.

O Profeta Diário presta as devidas condolências à família de Ronald, certamente, cumprindo este doloroso ofício por toda a sociedade bruxa, grata ao empresário por seus serviços prestados à comunidade. Ron Weasley sempre será lembrado como um herói, homem corajoso e de bem ao qual tivemos o prazer de conhecer.

– Quem diria, Weasley morto... Quanto eu não pagaria pra ver isso há 20 anos?

Foi o que comentou Draco Malfoy, em tom de escárnio e para ninguém em especial, ao ler a nota do Profeta Diário sobre a morte do ex-colega. Fez uma careta ao passar os olhos pela foto do ruivo sardento, sorridente e perfeito, nada mais eficaz do que isso para mobilizar e emocionar toda uma sociedade.

Havia tantas referências a como Ronald era um cidadão modelo, herói da comunidade bruxa, empresário de sucesso, que o enojava. Tantos anos depois de Hogwarts ainda detestava Weasley e tinha certeza que isso nunca mudaria, nem mesmo depois do trabalho bem feito dos jornalistas objetivando sensibilizar até o mais frio dos homens. Quem havia escrito aquele lixo?

Já estava para virar a página, quando seus olhos se voltaram para o rodapé da notícia onde o nome de Colin Creevey se destacava orgulhosamente. Sorriu irônico. Claro, amigo íntimo da família Weasley, com certeza obteria vários depoimentos de “fontes próximas” durante os próximos dias.

Levantou-se para servir-se de mais uma dose de uísque, suspirando entediado pelo que viria a seguir. Em todos os lugares só se ouviria o nome de Ronald Weasley, só se falaria de Ronald Weasley, só se lamentaria a “grande perda para o mundo bruxo” que era a morte de Ronald Weasley. Merlin, ele era um inconveniente até na hora de morrer.

Observou por alguns momentos o sol se colocando atrás da imensidão de telhados e prédios que era Londres e voltou os olhos para baixo, onde a vida social no Beco Diagonal diminuía lenta e progressivamente. Os visitantes começavam a desaparecer, os comerciantes fechavam as portas de seus estabelecimentos, as luzes das vitrines eram ligadas.

Apesar de detestar se misturar à multidão de gente que gerava a economia do mundo bruxo todos os dias, gostava de ter seu local de trabalho ali. Observá-las da janela de seu escritório era um prazer particular e bastante esquisito. Gostava de estudar o comportamento delas vivendo em sociedade. Dali podia ver e perceber coisas que não o faria se estivesse junto a elas. Como, por exemplo, quando o filho de Florean Fortescue bateu em um cão que estava rondando as mesas de sua sorveteria e Lilá Brown, que estava passando em frente ao seu estabelecimento, começou uma briga de 10 minutos defendendo o direito dos animais. Tudo bem, ela havia crescido (e isso era possível perceber devido ao corpo escultural escondido sob o jaleco branco e profissional que a mulher usava na ocasião), mas ainda continuava bastante desnecessária.

Sentou-se novamente à sua mesa, colocando os pés confortavelmente sobre o mogno caríssimo e brilhante, e inclinando sua cadeira, de modo que ficasse à vontade. Àquela altura do dia, as mangas de sua camisa já estavam arregaçadas e a gravata se encontrava frouxa ao redor do pescoço, mas não ligava, ninguém apareceria ali. Talvez Blásio, ele ponderou, mas o moreno havia saído há três horas com a desculpa de ir buscar provas para o caso que estavam defendendo e não voltaria mais considerando que levara uma das Oficias de Justiça do Ministério.

Suspirou e voltou-se para o jornal, pulando de propósito a página que anunciava o falecimento de Weasley, e indo diretamente ao caderno de economia. Era a primeira vez no dia que tinha tempo para ler o jornal, desde que chegara de manhã ao escritório. Se não tivesse praticamente fugido da Mansão de Pansy, antes da morena acordar e atrasado para variar, talvez tivesse conseguido roubar um dos exemplares do Profeta, mas não se deu ao trabalho ao lembrar-se do mesmo episódio, só que uma semana antes, em que ele precisou passar quase uma hora discutindo sua – inexistente – relação com Parkinson.

Porém, o sossego de um dia cansativo de trabalho não havia chegado ao fim. Foi o que constatou, indignado por sinal, quando Harry Potter abriu a porta sem sequer bater e adentrou a sua sala, parecendo mais aturdido do que já tinha visto nos últimos anos. Apesar disso, Draco engoliu a curiosidade e voltou-se novamente para seu jornal, declarando entediado:

– Potter, o horário de expediente acabou, volte amanhã.

– Quero contratá-lo. – Por alguns segundos, os sentidos do loiro estancaram e só podia ouvir a voz de Potter dizendo que queria contratá-lo. Em toda sua carreira nunca imaginou que a cena que se desenrolava ali aconteceria.

– Por quê? – Dobrou o jornal meticulosamente e encarou o Auror, que parecia travar uma árdua batalha consigo mesmo, olhando imperiosamente para o teto antes de respirar fundo e voltar a olhá-lo.

– Você é o melhor.

Sim, o gosto da vitória era bom e viciante. Sorriu irônico e indicou o pequeno bar instalado ao lado da prateleira de livros. Acima de tudo, era possível perceber como Potter estava tenso e um homem sempre sabe do que o outro precisa. Viu como ele tomou de uma só vez a dose de uísque e completou novamente o copo com gelo.

– Vá com calma, Potter, se estiver bêbado não poderá me contratar. – Tentou fazer com que o moreno lhe devolvesse uma resposta engraçadinha, mas Potter virou-se parecendo mais tenso do que havia chegado.

– Hermione está sendo acusada de matar Ron.

Isso pode ser interessante, pensou ao indicar a cadeira à frente para que o outro se sentasse.

Notas finais
Olááá!!Aqui estou eu novamente com uma história sem terminar as outras. Quando tive essa ideia e comecei a escrever fiquei completamente apaixonada por esses personagens e pelo que bolei para eles no futuro. Espero realmente que gostem!Me digam o que acharam deste primeiro capítulo e do que esperam para o desenvolvimento, esse incentivo é sempre muito importante para o desenvolvimento da história. Então... Vocês querem uma continuação? Até o próximo?:))