Notas iniciais
Bem, a gente não sabe o que aconteceu, então a gente fanfica

Caminhar por aqueles corredores depois da descarga de informações que havia deixado passar por tantos anos da mulher que amava estava sendo torturante. Nunca se deu ao trabalho de dar uma chance a ela, de entender porque, mesmo ela tendo sido feita para aquele trabalho, alguns casos a pegavam com tanta força. Ela não era uma qualquer, era a Sara, a mulher por quem ele vinha lutando para tirar de sua mente, desde o dia que resolveu ir para São Francisco. Ela tinha perguntas demais e um sorriso que o deixava sem estruturas para manter um pensamento conciso.

— Queria falar comigo sobre a Sara?

— Eu ainda não recebi a ação disciplinar, por que está demorando?

— Bem, eu não vou demiti-la.

Sua voz era firme. Ela não sairia do seu lado e de sua proteção.

— Que ação você vai tomar?

Ele olhou para Catherine e ergueu sua sobrancelha, ele sabia o quanto a mulher podia ser hostil quando queria, estava sendo agora e provavelmente tão havia sido com Sara.

— Eu já tomei.

— Eu pensei ter sido direto.

— Você foi. — Seu olhar era firme e quem o conhecesse sabia que sua voz baixa significava que ele controlava sua raiva. — Agora é a minha vez de ser claro, o comportamento da Sara está ligado diretamente a minha liderança.

— Então eu deveria demitir você… — Conrad exalava ironia.

— Mas você não vai.

— Olha Gil… — Ele desvia o olhar de Grissom e parece procurar calma. — Ahn… Eu já estive no seu lugar, nós somos humanos, nós nos apegamos às pessoas… Nós tentamos resolver os seus problemas problemas… Não funciona!

— Ela é uma ótima investigadora, Conrad. E eu preciso dela.

— Imagino que sim! — Conrad se levanta e continua com um tom de deboche. — Quer saber? Ela é imprevisível e perigosa. E ela é toda sua!

Conrad sai deixando Grissom e Catherine sozinhos, o seu olhar era de fúria. Ninguém naquele local, nem mesmo ele, tentou alguma vez entender Sara. Eram todos CSI e não conseguiam nem descobrir o que havia acontecido na vida de uma colega, que estava todos os dias com eles, provavelmente passavam mais tempos juntos que com suas famílias e ninguém havia se dado ao trabalho de perguntar o que estava acontecendo.

— Você se arriscou muito por ela, hein?

Ele não a respondeu. Sara não havia lhe contado nada além de que havia desrespeitado Catherine, mas já conhecia a mulher a sua frente tempo demais para saber como ela conseguia ser manipuladora e até rude com suas palavras.

— Eu simplesmente fiz o que ninguém fez nesse laboratório. Eu perguntei o que houve. A Sara é a pessoa que mais tenta contribuir com todos aqui dentro e ninguém, nem seus amigos, ou eu, fomos capazes de ouvi-la. Então, Catherine, sinto muito se frustrei suas expectativas não a demitindo.

Ele não esperou por uma resposta, a cara de ofendida da mulher já era o suficiente. O turno já havia se encerrado, os casos resolvidos e naquele momento ele não queria pensar em nenhum relatório, ele estava pensando nela, igual a todos os dias, a diferença agora é que ele a conhecia mais profundamente e entendia sua dor. E ele não iria deixá-la só.

— Grissom, você vai demitir a Sara?

Greg estava apreensivo, o olhar dele mostrava seu desespero.

— Não, Greg, a Sara não vai a lugar nenhum.

Grissom lhe ofereceu um sorriso de lado, somente como um sinal de cumplicidade, não estava feliz. Talvez satisfeito por finalmente ter coragem de lutar por ela, mas não feliz, a voz dela lhe contando sobre o seu passado fazia com que ele sentisse um misto de orgulho pela mulher que ela se tornou mesmo com toda a turbulência em sua infância e uma necessidade de cuidar dela que estava rasgando o seu peito. Passou em sua sala e pegou sua pasta. Precisava sair daquele lugar o mais rápido que conseguisse, foi a primeira vez que se sentia sufocado, precisava de luz e respirar um pouco de ar que não cheirasse a álcool etílico. Estava passando pela recepção quando ouviu Nick lhe chamando e vindo correndo em sua direção.

— Sara volta assim que passar seus dias de suspensão, Nick. Eu preciso ir.

O texano ficou olhando o homem ir embora e não conseguiu nem mesmo perguntar sobre sua amiga. Grissom caminhou rápido até o seu carro antes que mais alguém lhe perguntasse sobre ela. Ele não queria responder sobre ela, ele queria vê-la, ampará-la e mostrar que estava ali por ela. Dirigiu para uma pequena padaria que havia algumas quadras da rua dela e comprou alguns doces que sabia que ela gostava e café, talvez ela gostasse de ter uma refeição cheia de açúcar já que quimicamente falando aquilo lhe traria algum tipo de estímulo em seu corpo. Até o prédio dela foi rápido, mas a demora de conseguir sair do carro até o apartamento foi o que lhe atrasou. Seus dedos batiam no volante até que ele tomou coragem, apoiou os café na caixa de doces e subiu até o andar dela. Tocou a campainha e umedeceu os lábios em ansiedade a demora dela.

— Grissom? — Ela parecia surpresa quando abriu a porta. — O que você está fazendo aqui?

— Eu posso entrar? Dessa vez não vim de mãos vazias.

Ela somente se moveu para dar passagem a ele. As suas sobrancelhas se uniram enquanto acompanhava o seu, talvez ex, supervisor ir em direção a sua mesa e colocar o que havia trazido lá. Ele se virou para ela e mantinha um sorriso fraco. Ele estava com pena dela? Nenhum questionamento além desse passava pela cabeça de Sara.

— Eu fui demitida e você me trouxe doces e café para que eu tenha o que consumir enquanto choro. — Ela riu quando o viu fazendo uma carranca e erguendo sua sobrancelha. — O que aconteceu, Grissom?

— Eu só trouxe um pouco de comida para nós. — Seu tom era como se aquilo fosse óbvio. — Eu não tinha certeza sobre qual você iria gostar mais então trouxe alguns que eu gosto, outros que nunca comi.

— Você não precisa ter pena de mim pelo o que eu te contei, Grissom.

Ele ergueu seus olhos da caixa, que ele parecia estar desejando bastante, e se virou para Sara. Definitivamente passava qualquer coisa naquele olhar, mas pena não era uma delas.

— Do que exatamente eu teria pena de você?

— Eu não te contei minha história para que isso acontecesse, talvez esse tenha sido o motivo de eu nunca ter te contado, não quero que se aproxime de mim por pena, ou porque eu estou mal, eu vou ficar bem. Eu sempre fico.

— Você certamente não me verá duvidando que ficará bem, mas eu quero estar aqui compartilhando doces e café, que já deve estar frio. — Ele assistiu ela cruzar seus braços e sua boca abrir e fechar mas não emitia nenhum som. — Será que podemos comer? Eu estou faminto.

Ela se rendeu quando ele ergueu suas sobrancelhas, ela sabia que aquilo significava que ficaria em apuros se não seguisse o que ele estava pedindo. Os dois sentaram um de frente para o outro. Ele ofereceu café para ela e mostrou os doces. Ele realmente havia acertado na maioria dos que ela gostava e os outros que nunca havia comido também estava certo. Os dois comeram em silêncio, vez ou outra que Sara se sentia observada e olhava para ele que não disfarçava que estava olhando para ela.

— Então, o que você faz no seu tempo livre?

— Eu não faço nada, Grissom. No máximo eu leio alguma coisa, ou me atualizo sobre o que está tendo de novo no mundo forense. Você sabe disso.

— Você tem algum filme que possamos assistir?

— Grissom, você não precisa fazer isso, de verdade, eu estou bem e muito grata por você ter mantido o meu emprego.

— Não foi eu quem o manteve. Foi você.

— Claro que sim, até parece que Ecklie ia aceitar isso tão fácil.

— Ele inclusive disse que você era toda minha.

Ele havia escolhido a dedo o que falar de tudo o que Conrad havia dito para ele, mas aquela parte foi a que ele mais registrou. Ela toda e completamente dele. Os anos haviam passado e ele ainda conseguia lembrar do calor dos lábios e seu gosto. O quanto havia mudado? Ele gostaria de descobrir. Grissom voltou seu olhar para ela e conseguiu ver os pontos vermelhos deixarem a pele branca dela se tornarem levemente rosadas, até a ponta do nariz. Ele se aproximou e ergueu sua mão para acariciar a pele quente dela. Os olhos castanhos se fecharam com o contato e ele se aproximou mais, sua mão caminhou até a nunca dela puxando-a para si e a abraçou com força, como se quisesse espremer para fora dela toda a sua tristeza. Ela envolveu a cintura dele com os braços e se deixou relaxar naquele carinho, por um momento ela só queria se perder no cheiro dele e nas lembranças que esse abraço traziam de São Francisco, quando ela era só uma garota cheia de perguntas. Ele beijou o topo da cabeça dela e se afastou dela, bem lentamente quase temendo que perder aquela contato o desestabilizasse.

— E então, você tem ou não tem algum filme para gente assistir?

Ela sorriu e foi em direção a prateleira no canto da sala. Grissom ficou observando ela procurar animada algum filme para os dois. Aquilo era um reencontro dos dois e que daria em alguma coisa que ele agora não queria nomear, só queria aproveitar a Sara Sidle que ele havia conhecido hoje e quem sabe descobrir muito mais sobre aquela mulher que era tão presente na sua vida e na sua mente.

Notas finais
Bem, é isso, eu não sei se faço uma continuação até o domingo que todo mundo quer saber o que aconteceu, mas vou deixar em aberto.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.