Nerv
1 Prólogo
“24 de abril de 2011”
Eu estou gravando essa mensagem pra registrar fatos extraordinários e deixar claro minha ignorância a respeito deles nos últimos 19 anos.
Segui os passos dos meus pais no curso universitário que escolhi pra que de alguma forma me assemelha-se a eles em algo. E sentisse que de alguma forma os teria pra sempre desde que resolveram me deixar pra estudar as algas marinhas do Pacífico. Fato que agora talvez duvide que seja verdade desde tudo o que presenciei nos últimos dias.
Brilhantes. Eram as palavras que sempre usaram pra descrever a eles e os amigos de estudos genéticos. Lembro-me de estar quase dormindo uma noite quando o meu gato entrou no meu quarto curiosamente brilhando no escuro. Em um grito forcei os cientistas amados a entrarem no meu quarto e me explicar que aquilo não era nada pra se ter medo, apenas um avanço da humanidade.
Hoje confesso que aquilo me assustou mais do que me instigou, o que é curioso já que aquela não foi minha única experiência com transgênicos e as outras não causaram sensações melhores, mas de qualquer jeito ainda escolhi seguir os passos deles e encarar mais mutações genéticas do que as pessoas provavelmente sabem a respeito.
“Vamos curar doenças”, “Melhorar a qualidade de vida”, e agora eu imagino se eram nessas coisas que eles estavam passando quando ultrapassaram uma barreira imposta não só pela ética, mas também pela lei.
A primeira coisa que todos nós somos obrigados a saber: Nunca, nunca mesmo nem cogite utilizar em qualquer dos seus projetos conhecimento o genoma humano relacionando-os na prática com qualquer outra espécie. É simplesmente falta de princípios.
E no inicio todos pensam, mas não seria complexo demais? Afinal é do genoma humano que estamos falando! Eu diria que essa seria a menor das questões. A fantástica raça humana tem apenas cerca de 30.000 genes, e caso não saiba o que isso significa são trezentos a mais que um camundongo, o mesmo número do milho. Somos mesmo deslumbrantes, não?
Não tanto quanto aqueles que desafiam leis que existem por motivos óbvios. Mas agora pessoas morrem quando na noite anterior eu as vejo morrer e eu não tenho a mínima idéia sobre o que fazer com as bizarrices no meu subsolo. Incrível quando você encontra aquele impasse da vida e percebe que nem tudo é preto e branco. E que sua noção de certo e errado se perdeu em alguma esquina que você nem lembra que atravessou...
Aqui é a Alice terminando a gravação de 24 de abril de 2011”
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