Nerv

6 Fantasmas


Notas iniciais
O título se refere tanto a fantasmas do passado no sentido não literal.. como no literal tb, bom, nos vemos no fim do capítulo :D

Espero q gostem =)

Seth respirou fundo fitando o teto do próprio quarto. As coisas não estavam certas. Não que na peça de teatro que era sua vida, elas já tivessem sido certas um dia. É só que estava ficando difícil interpretar o personagem principal ultimamente.

A voz de Nadine não saia da sua cabeça, mas já tinha convencido a si mesmo de que tinha sido um sonho. Ou um pesadelo, ou mesmo uma brincadeira do seu subconsciente com sua pobre lucidez. De qualquer maneira, ser o que ele dizia ser estava ficando cada vez mais difícil.

O controle emocional estava começando a ficar complicado demais, derrubava e levitava coisas involuntariamente e ás vezes nem mesmo percebia. E pra piorar tudo, a mãe disse que queria ter uma conversa com ele.

Passou levemente pela cabeça do jovem que ela pudesse desconfiar de algo, provavelmente porque todo mundo que esconde algo, sempre que ouve que algo foi descoberto se sente ameaçado.

Passou a mão esquerda nervosamente pelo cabelo, estava jogado na cama tentando manter seus pensamentos uniformes. Tentando evitar que os objetos ao seu redor se movessem como a confusão interna dele.

Batidas na porta fez tudo o que flutuava a poucos metros do chão cair de repente. Ele suspirou. Nem tinha percebido que tudo levitava, estava realmente complicado manter o controle ultimamente.

-Pode entrar. – Ele gritou sentando na cama e se esforçando ao máximo pra manter sua mente limpa e serena.

-Podemos conversar agora? – Uma senhora murmurou entrando no quarto. Tinha cabelos castanhos longos e vestia um vestido simples de renda. O olhar materno que ela lançava a Seth o fez respirar fundo e acenar positivamente.

A mulher se aproximou da cama enquanto ele puxava as pernas cruzando-as, dando espaço pra que ela sentasse na cama, o que fez assim que o alcançou.

-Não quero que se assuste. – Ela começou com uma voz mais apreensiva que o normal. – Mas eu sei o que está acontecendo.

Seth sentiu o estômago embrulhar, há vários dias ele se descontrolava e fazia com que objetos se mexessem involuntariamente, a mãe tinha ficado assustada com tudo aquilo, mas ele tentou de tudo pra que ela percebesse o mínimo possível.

-Mãe eu... – Ele começou e não soube mais o que dizer. – “Mãe eu lamento por ser o que eu sou” – Apenas pensou enquanto a boca continuava aberta.

-Não precisa se preocupar, amor. – A mulher comentou se aproximando ao ver o nervosismo dele. – Mamãe vai cuidar de tudo.

-Você não... – O jovem tentou novamente, se perguntando se ela realmente não enlouqueceria por descobrir o que ele era.

-Chamei uma amiga da tia Tânia. – Ela disse vitoriosa enquanto ele arqueava a sobrancelha, no que uma amiga de uma tia distante ajudaria no “problema” dele? – Ela sente os maus espíritos.

-Ela sente o que?

-Maus espíritos e todas as coisas que estão presas no nosso plano. – A mulher explicou com a voz calma de sempre. – Todas essas coisas se movendo no ar, e quebrando sem que ninguém toque, são espíritos de mortos perdidos querido.

Seth abriu a boca, chocado. Ela realmente achava que todo o descontrole emocional dele, que tinha resultado em objetos se mexendo e quebrando ao redor de onde ele estava na casa, no fim era simplesmente um fantasma preso a esse plano?

-Não precisa ficar assustado. – Ela murmurou tocando o braço do jovem. – Eu cuido de tudo, e eles não nos querem fazer mal. Estão apenas perdidos, entende?

O jovem acenou positivamente ainda confuso. De onde ela tinha tirado aquilo? Se bem que parando pra pensar, acreditar em fantasmas é uma teoria mais fácil do que achar que o seu filho tem poderes tele cinéticos.

-Agora eu tenho que ir. – A dona dos cabelos castanhos murmurou. – Sua irmã vem pro almoço e não tem nada pronto. Ela só avisa na ultima hora, tão típico dela.

Ele apenas assentiu novamente e a viu se levantar, a mulher sorriu e como sempre se aproximou de um abraço apertado antes de deixar o quarto.

-Vai ficar tudo bem... – Murmurou soltando o corpo dele e afagando os cabelos desgrenhados. – Os espíritos só devem estar confusos, e nós vamos ajudá-los a encontrar paz.

Seth sorriu e ela se virou de costas pra deixar o quarto em direção a cozinha. Alargou o sorriso quando ela finalmente atravessou a porta. Fantasmas? Paz? Pelo menos na lógica ela estava certa, pra que tudo aquilo parasse, os espíritos, ou melhor... o pensamento de Seth, só precisava encontrar paz.

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Elrich sentou na cama a frente da “convidada”, tentava ler o que se passava pela mente dela. Não era tão fácil como em muitos anos atrás, ela estava mais forte e mais consciente. Afinal, já era bem mais velha agora. E tinha sobre si o peso de muitos segredos e a pressão de tomar conta de uma família.

A figura masculina suspirou enquanto a expressão da mulher a sua frente se mostrava irredutível. Incrível como ela conseguira ao longo dos anos transformar-se de uma cientista inexperiente, em uma mulher forte que não parecia ceder a nenhuma espécie de chantagem. Mas ele não desistiria tão fácil, não mesmo.

Elisa continuava sentada na mesma cadeira há horas, não saberia dizer quantas, mas as dores em vários dos seus músculos podiam garantir que eram muitas. Porém não importava, não iria dizer nada. E se Elrich tinha voltado da ultima conversa que ambos tiveram sem Thomas pra torturá-la, é porque o filho já tinha escapado de alguma maneira, ou o próprio Gart estava blefando sobre mantê-lo ali preso.

-Então é isso. Você adotou um deles e os outros... – Ele começou novamente enquanto ela não demonstrava nenhuma mudança na expressão. – Os outros foram adotados também? Vocês fizeram o quê? Introduziram meus filhotes em sociedade?

-Não tenho idéia do que você está falando... – Elisa respondeu fazendo de tudo pra manter a voz constante.

-Tudo bem. – Elrich comentou com um sorriso que provocou arrepios na figura feminina. — Vou procurar respostas em uma fonte mais fácil de obtê-las.

-Não seja ridículo. Eu sei que o Thomas não está aqui. – Elisa rebateu cortando o que ela acreditava ser a carta que ele estava usando pra jogar com ela. – Se ele tivesse já o teria trazido até mim, pra torturá-lo na minha frente.

O mais novo riu com o comentário dela. Então a velha amiga ainda se lembrava de todos os momentos sádicos que ele tivera no passado, mas fazia sentido. Ambos tinham sido amigos em um passado distante, que agora parecia mais uma realidade paralela.

-Tem razão. – Ele confessou divertido. – Mas eu vou encontrá-lo e fazer exatamente o que imagina. Pra não te deixar frustrada é claro.

-Se soubesse onde ele está porque perderia tempo falando comigo?

-Ah não, não sou eu quem sabe onde ele está. – Elrich respondeu com o tom de quem fala com uma criança – A que sabe de tudo aqui é minha loirinha favorita, os cachinhos dela continuam perfeitos acompanhados pelos inocentes olhos esmeralda.

-Você não pode...

-Nadine! É esse o nome dela. – Elrich interrompeu sorrindo fazendo Elisa engolir seco. — Nossa, você não me parece mais tão confiante. Foi alguma coisa que eu disse?

Elisa abaixou o rosto pra não ter que encarar a expressão sarcástica de Gart, que e claro sorriu divertido. Ele adorava quando suas palavras faziam as pessoas ceder em suas pobres expressões.

-Bom. Vou falar com ela logo, não faria a maldade de te deixar esperando. – Ele comentou irônico antes de sair as gargalhadas.

Elisa suspirou ouvindo o ranger da porta, e logo depois a mesma se fechando. Nadine estava viva, e pior que isso estava com Elrich. Ela nunca tinha achado certo o que fizeram com a menina muitos anos atrás, mas tinha sido necessário.

A loira era uma ameaça grande demais para os outros. Estariam constantemente desprotegidos com alguém com as habilidades dela andando livremente, ela podia colocar todo o plano que eles elaboraram a perder, o que Elisa não duvidava que ela provavelmente fizesse agora.

Se a pequena encontrasse todos os outros, seria o fim do plano que um grupo do qual ela fazia parte tinham levado anos pra elaborar. Seria o fim na paz, e o começo do desastre que Elrich Gart teria o prazer de fazer e ver acontecer.

Só que além de todas as coisas que a menina podia fazer que ameaçava a estabilidade do que ela tinha criado, tinha a pior parte. Se Thomas realmente tivesse fugido da própria cela e estivesse correndo pra fugir daquele complexo. Nadine não teria a menos dificuldade em encontrá-lo. Tornando a situação vantajosa demais para Elrich.

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Thomas respirava ofegante sem tirar os olhos da figura feminina a sua frente, mesmo depois de tanto correrem em desespero pelos corredores ele não conseguia tirar a atenção da figura curiosa dela, que agora ele podia ver claramente por não estarem em um corredor sem iluminação.

-Acha que vamos conseguir? – Ela perguntou olhando o rastro de sangue que deixava pelo corredor. Suas feridas ainda estavam muito expostas. – Devia ir sozinho, seria mais seguro pra você.

-Nós chegamos até aqui juntos. – Ele murmurou quase sibilando pra evitar que fossem percebidos pelos guardas pelo tom da voz. – Não faria sentido nos separarmos agora, e eu nunca te deixaria nesse estado.

Nina olhou para as próprias feridas, estavam doendo, mas essa era a menos das suas preocupações no momento. Eles podiam ser pegos a qualquer instante, e o sangue que deixava no caminho que passavam não ajudava em nada na tentativa de passarem despercebidos.

Ambos ouviram passos no corredor ao lado e se encolheram mais no pequeno espaço entre duas celas, não podiam ficar ali por muito mais tempo, olharam um pro outro como se informassem o próximo passo quando uma dor de cabeça absurda atingiu ambos.

“Achei vocês”

Os dois levaram a mão à cabeça se perguntando que voz feminina e infantil tinha sido aquela, olharam um pro outro e constataram que ouviam a mesma coisa. Olharam pros lado o mais rápido possível, como se procurassem a origem da voz.

“Não estou nos corredores, estou em uma cela”.

Nina e Thomas se entreolharam de novo tirando a atenção dos corredores, ela sabia o que eles estavam pensando também?

-Parece uma menina... – Thomas murmurou e Nina não pareceu surpresa ao ver que ele ouvia exatamente a mesma coisa, então apenas assentiu.

“Saiam de onde estão e sigam a direita, não pensem, e sejam rápidos”

-Eu não acho que... – Nina começou desconfiada, até que ouviram os passos se aproximando cada vez mais.

-Não temos tantas opções – Thomas concluiu e ambos deixaram o beco seguindo as instruções que ficavam cada vez mais constantes.

“Sigam até o fim do corredor, entrem no galpão e atravessem até o outro lado”

Os dois fizeram exatamente aquilo, não tinham a mínima idéia de quem era à dona da voz e muito menos como ela conseguia se comunicar com eles daquela forma, mas nem deram tanta atenção a isso. Situações desesperadoras exigem ações desesperadas também.

Depois de atravessarem o galpão, que por detalhe era enorme com milhões de caixas fechadas com um selo estranho. Eles voltaram aos corredores similares aos de antes. Aquele lugar tinha sido construído pra que quem não conhecesse se perdesse facilmente.

Todos os corredores eram idênticos, e as placas em cada uma das portas de ferro só podiam ser decifradas por quem as tinha colocado lá. Mas eles enfim chegaram ao que acreditavam ser o destino final.

Era uma porta de metal como todas as outras, mas única por toda a extensão do corredor. Não tinha portas vizinhas como em todos os outros.

“Entrem. Enfim, chegaram até mim”

O casal abriu a porta e entrou sem pensar duas vezes, fitando uma bela loirinha com um mapa que lembrava a estrutura do complexo de onde estavam. Só podia ser ela.

-Que bom que chegaram bem. – Uma voz masculina se manifestou forçando os dois a olharem uma das extremidades do quarto. – Esperei ansiosamente a Nadine guiá-los até a mim.

-Quem é você? – Thomas perguntou enquanto Nina tinha um mau-pressentimento pela expressão triste da loira que provavelmente os tinha guiado.

O homem saiu da sombra revelando seus cabelos negros em contraste com sua face pálida.

-Nossa, desculpe ser rude ao ponto de não me apresentar. – Ele comentou com o tom de voz realmente sentido. – Sou Elrich Gart. E é um prazer finalmente conhecê-los.

Notas finais
Oeeeeeeeee

Desculpa a demora e tudo mais, é que minha vida anda o "ó" de milhões de coisas pra fazer ultimamente, mas vcs apoiam tanto que eu não posso parar de escrever minha filhotinha.

E então? O que acharam desse?

Me digam pq eu tô postando esse cap no trabalho só em agradecimento a todas as reviews e recomendações, e bom, valeu mesmo gente =)

Agora tenho q voltar a trabalhar, mas por favor digam se gostaram e tudo mais... além disso tem mais uma coisa.

Estou procurando alguém pra revisar os capitulos, já que ultimamete eu só escrevo e posto de tanta falta de tempo, se se interessar e tiver tempo me manda uma review ou uma mensagem, ok?

Bom, valeu de novo e reviews? :D Recomendações? :D

Vamos lá, faça uma autora mais feliz =)

Bjooooo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.