-Ela pegou prisão perpétua, por um crime que ela não cometeu.

Minha cara era de surpresa, não havia como negar. Eu simplesmente não tinha mais chão, ou ar em meus pulmões. Era só eu vivendo aquele momento desesperador. E agora? Não havia mais saída para aquilo que tinha ocorrido. Que calor era aquele em meu rosto? Porque gotas iam ao chão sob meus pés? Porque o outro eu vinha em minha direção abrindo seus braços?

Choro? Que tipo de reação é essa? É tão, humano. Eu não posso me deixar levar por esse momento. Eu preciso sair dali. Ir pra um outro tempo, outra época. Tentar mais uma vez, e não errar dessa vez.

Respirei fundo. Meus pulmões doíam. Eu só havia preocupado meu outro eu, ele mal sabia o que fazer, assim como eu não saberia.

-Preciso de uma arma de desintegração, e uma arma normal, por via das dúvidas. Você por um acaso teria algo que desmaiasse alguém, teria?

-Tipo um sintonizador de baixa intensidade, que atinge o cérebro e o força e entrar num estágio de sono profundo?

-Isso mesmo. Eu vou corrigir tudo.

Assim que ele me deu os materiais que eu pedi, eu parti imediatamente. Eu fiquei o tempo todo do outro lado da rua, vi meu pai sair. Vi o cara chegar, gritar, me vi escondendo no arbusto. A hora da arma, a faca sendo atirada. E eu sumindo no ar. Ao grito de minha mãe, era ali que eu agia. Rapidamente usei o raio de frequência pra apagar minha mãe e o desintegrador para sumir com o corpo. Me escondi e esperei. Esperei um bom período de tempo e vi meu pai chegando, achando minha mãe desmaiada lá, pegando-a no colo chamando várias pessoas, ouço rumores de que eles vão a um hospital.

Agora sim, não tem como dar errado. Eu saio andando pela rua quando uma garotinha meio moribunda chega perto de mim e me pede comida. Eu não vejo problema então vamos até a padaria enquanto ela me conta sobre seus pais. De início eu não noto, porém quanto mais ela conta, eu consigo afirmar que ela é Joana, minha mulher.

Eu lembro dela falando que os pais dela são pobres e não conseguem o suficiente nem para se sustentarem, e que ela vivia andando pelas ruas pra esquecer da fome. Coitada, pelo menos isso eu posso fazer pela mulher que sempre me seguiu em meus devaneios mais loucos sem me julgar.

Me certifico de que, antes de voltar pro presente, eu deixo cem reais com ela. Tomara que eles não me denunciem por sair dando dinheiro a criancinhas desoladas.

Respiro, e volto pro meu tempo. Ao voltar, vejo que não estou em casa. Vejo meu pai e ele me abraça e diz.

-Filho! Vá na cozinha, sua mãe fez torta de maça, novamente.

E sai rindo como se fosse uma piada familiar.

Eu nem penso em me procurar, só penso em ir na cozinha, ver minha mãe, abraça-la, comer sua comida há muito esquecida pelo meu paladar. Entro na cozinha e a vejo, sorrindo para mim, com rugas mais profundas do que da última vez que nos vimos.

-Filho, coma torta.

Diz me entregando uma fatia generosa.

Eu fico simplesmente absorto com aquele momento, era exatamente aquilo que eu queria, eu queria poder feliz, sem qualquer trauma.

-Filho, está tudo bem? Que cara mais cansada, acho que deveria descansar. E essas olheiras? Vá para o seu quarto e durma ok?

-Claro mãe.

Saio sorrindo como um bobo. Subo ao segundo andar, aonde acho que deveria haver um quarto reservado a mim. Ao abrir a porta vejo alguém. Parece comigo, só que totalmente diferente, ele tem mais massa muscular do que eu e parece um daqueles atores de novela. Ele me olha e arregala os olhos. Eu já me sobressalto e digo.

-Calma, eu sou você, só que de outra linha do tempo, então fique calmo e não surte, pois isso não seria algo digno para você.

-Tá cara, mas me explica, o que você quer aqui?

-O que eu quero? Hunf, não sei como posso fazer isso soar bem, mas o que eu quero é a sua vida.

-Tá maluco mermão?!

Nesse momento ele avançou para cima de mim, e não tendo outra alternativa apontei a arma para ele.

-Quietinho agora, entendeu? Agora você vai responder à toda e qualquer questão que eu desejar, entendeu?

Ele respondeu afirmando com a cabeça.

-Onde está a Joana?

-Joana, que Joana?

-Ora que Joana, a sua esposa.

-Eu nunca conheci nenhuma Joana durante toda a minha vida.

Notas finais
Erros de ortografia, críticas e elogios, são bem recebidos. :)