Neon
2 Capitulo Um- Casos de familia
Notas iniciais
Hinata POV
Tinha acabado de deixar aquele ancestral de Matusalém no carro. O velho tinha um sorriso safado nos lábios, estava saciado, exausto, chapado e iludido, por que ele jura que ainda é capaz de fazer uma mulher sentir prazer, quando na verdade o coleguinha dele não faz nem cócegas. Se não fosse eu, com meus maravilhosos talentos de atriz, a estima desse velhinho estaria no lixo.
Eu tenho um dom. Um dom único e raro... Sou capaz de fingir um orgasmo com perfeição. Isso é excelente na minha profissão. Em um mundo onde sexo é tido como uma moeda de troca, saber fingir um orgasmo é essencial, por que homens são muito grilados com essas coisas de "dar prazer a uma mulher", eles gostam de contar vantagem, gostam de pensar que exercem algum poder sobre o corpo feminino, que são capazes de lhes proporcionar um prazer extremo, eles mesmos colocam em suas cabeças que foi algo único e inesquecível para ela, que nunca nenhum outro homem a fez se sentir tão satisfeita e mole de prazer como ele, e faz parte do meu trabalho fazer com que eles continuem acreditando nisso.
Para isso, basta algumas frases simples e clichés, que eu chamo de "vocabulário de puta".
É um "isso, assim!" aqui, um "Wou, assim você me parte ao meio, amor" ali, ou o inacreditável "nossa, nossa, assim você me mata" ... Sim, isso funciona, é ridículo, mas funciona, por isso que eu digo que homem é um bicho muito vaidoso, quanto mais corda você der, mais animado ele fica, mais rápido ele goza e mais cedo você se livra dele, simples assim.
–Hinata! — Me chama Shizune, a babá do Koje. Shizune é uma velha insuportável e é muito fuxiqueira, só não a demiti ainda, por que não tem outra pessoa na fase da terra que aguente vigiar o Koje 24 horas por dia-Hinata! — ela diz chegando mais perto.
–já disse pra não me chamar de Hinata aqui! — falei brava, além de fuxiqueira, ela também é indiscreta — é Luna! Esqueceu? Aqui eu sou Luna!
–nossa, eu quase não te reconheci com essas lentes e o cabelo desse jeito -ela falou olhando pra mim mais de perto.
–o que você tá fazendo aqui? Vai embora, não quero que nos vejam juntas — ela sabe que nesse ramo todas nós usamos codinomes, um nome de guerra, e o meu é Luna não sei por que, foi Toneri quem escolheu.
–mas Hinat...Luna — ela se corrigiu assim que eu lhe lancei um olhar zangado-você tem que ir pra casa. Koje está doente, ele tá com muita febre e tá chamando pela mãe o tempo todo-ela disse preocupada.
–não posso ir agora. Eu tô trabalhando.
–trabalhando... Essa pouca vergonha não é trabalhar. Você é uma garota bonita Hinata, acho que deveria procurar outra coisa pra fazer.
– não ligo pro que você acha ou não acha. Só lembre-se de uma coisa Shizune... É essa pouca vergonha aqui que te paga um ótimo salário pra ficar com o Koje, se estiver achando ruim de onde vem o dinheiro que coloca comida na sua mesa, pode jogar a toalha. Tem um monte de gente que não se importa com isso -eu disse olhando pra ela com desprezo — por falar nisso, com quem você deixou o garoto?
–com sua madrinha. Parece que o sobrinho dela terminou a faculdade lá no Rio de Janeiro e veio morar com ela por uns tempos. Ele cursou medicina, então pedi pra que desse uma olhada no pequeno Koje.
–hum... Agora vai embora. E leva Koje pra minha casa, não quero ele na casa alheia- falei tirando o pó compacto de dentro da bolsa — tá esperando o que? Vai logo!
–você não vem? — Shizune pergunta.
–já disse que estou trabalhando!-respondi já sem paciência — Não posso sair agora.
–mas o Koje está mal Luna. Ele está com muita febre e chama por você constantemente. Você deve ir e ficar com ele.
–pra que? Eu não sou médica Shizune. O que eu poderia fazer por ele? — falo passando o pó compacto em meu rosto- e você já não disse que o sobrinho da Kurenai, o tal bambambam formado em medicina, estava dando uma olhada nele? Então. Ele é médico, eu não.
–ele só precisa da mãe dele por perto Hinata... Só isso.
–é Luna! Luna! Já disse droga! Aqui me chame de LU-NA — era regra do Toneri, aqui eu era Luna. Eu concordo, é uma forma de manter a privacidade, mas parece que Shizune se faz de retardada mental
–tudo bem... LUNA! Eu já vou embora, vou deixar você "trabalhando" em paz agora- ela fala e sai a passos largos dali.
Eu volto minha atenção pro espelho do pó onde era possível varinha expressão de cansaço no reflexo do meu rosto, leves olheiras apareciam pela falta de descanso, então começo a cobrir essas imperfeições com o pó, reboco o batom e antes mesmo de fechar a caixinha e coloca-la na bolsa, ainda pelo espelho, vejo um dos guardas da Estação parado a alguns metros de distância, ele me encarava, então eu me virei na direção dele e mandei-lhe um beijo e uma piscada de olho.
A nossa relação com os guardas da Estação era bem pacifica, alguns deles eram até nossos clientes. Para manter a paz só tínhamos obedecer às ordens deles, a regra numero um era: não faltar com o pudor em público, ou seja, não podíamos andar mostrando certas partes do corpo para atrair clientes, tipo descer o Soutien para mostrar os seios, ou no caso dos travestis, abaixar as calças e mostrar as genitais. Sim, os viados baixam a calças e ficam mostrando suas pirocas pra quem tiver passando pela Estação e se oferecendo pra fazer programa.
Essa é uma das vantagens de ter um cafetão, não preciso me jogar para os clientes, Toneri me leva até eles. Os guardas, sabem o que acontece debaixo daquele teto, mas fingem não saber e não ver, claro que levam uma comissão por fora.
–olhem só se não é a minha preferida! — disse Toneri levantando-se de um banco e vindo até mim quando eu cheguei mais perto de onde ele estava.
–sempre tão gentil Toneri — disse lhe entregando o dinheiro do último programa. E esse é o lado ruim de ter um cafetão, o dinheiro é dividido.
–aquele velho não consumiu nada a parte? — ele pergunta contando o dinheiro.
–consumiu sim... O coroa fumou duas pedras de crack e tomou umas pílulas pra animar também- falei tirando o dinheiro de dentro do Soutien e lembrando que o velho precisou de sete pílulas pra que o coleguinha dele funcionasse-achei que aquele velho iria ter um ataque cardíaco ainda estando dentro de mim.
–ah querida Luna, gostosa como você é, eu não duvidaria — disse Toneri chegando bem perto de mim passando o nariz em meu pescoço e mordendo aquela área, ele adorava sentir o cheiro do meu perfume de puta, e eu puxei os cabelos dele com a mão esquerda- tenho mais um cliente pra você — ele disse depois de se afastar.
–a não Toneri! Eu acabei de chegar, estou cansada, já fiz três programas hoje, e ter que aguentar aquele velho babando no meu ombro durante longuíssimos quatro minutos e vinte e sete segundos acabou com minha cota de hoje. — ele acha o que, que eu sou uma boneca inflável? Isso cansa, tá bom!
–relaxa Luna, só mais esse e você vai pra casa. Esse cara disse que pagaria até o triplo. É um magnata da indústria têxtil.
–e porque eu?
–por que o tal magnata quer uma menor de idade — disse Toneri
–Lisa tem 16, é mais nova que eu — falei apontando pra ruiva sentada a pouca distância. Ela tá a meio drogada.
–Lisa não... Ele quer uma menor que seja experiente. E essa sua boca enlouquece qualquer um Luna-ele falou segurando meu queixo. Nojento.
–o triplo? — eu pergunto e ele confirma — tudo bem, eu vou.
–ótimo Luna, só mais esse cliente e você pode voltar pra aquele moquifo onde você mora e pra aquele pirralho melequento que possui os mesmos genes que você.
–Toneri!
–desculpe Luna sei que não gosta que fale de sua casa assim-ele falou e eu ri- e do seu filho também, claro.
–sim, claro- repeti sorrindo — e cadê esse figurão? — perguntei tirando um cigarro de dentro da bolsa, ascendendo-o e colocando na boca.
–lá fora. Ele quer discrição — fala Toneri.
–não me diz que é outro velho brochador! Você só me arruma desses Toneri -reviro os olhos, expelindo fumaça pela boca. Ele só me arruma esses velhos de pinto mole.
–trabalho é trabalho querida. Depois, se você quiser uma transa de qualidade... — ele diz deixando a frase morrer, com explícitas segundas intenções.
–claro... Eu posso cuidar de você — me aproximo dele, beijo seu pescoço e mordo o lóbulo de sua orelha — se você falar com sua irmã e me arrumar um lugar em umas das boates que ela frequenta com as TOP'S dela-sussurro a ele.
Konan, irmã de Toneri, era a poderosa chefona. Era ela quem comandava essa "máfia" de prostituição. Eles eram sócios. Toneri aliciava as menores, e ela administrava o negócio da família. Era ela quem separava a prostitutas em: Centro, zona lestee boates.
As do Centro, eram as iniciantes, por que aqui o preço do programa é menor. A maioria das garotas ficam na Augusta, sobre a supervisão do marido da Konan, aqui na Estação da Luz, ficam só as "preferidas" do Toneri .
Na zona leste , o preço do programa é mais caro, então requer um pouco mais de "experiência".
Nas boates só entram as escolhidas. Konan separa a dedo quais ela leva. As boates não são dela. Geralmente são as mais famosas e movimentadas da cidade, onde só entra granfino e playboy. Konan tem seus contatos, então ela sempre consegue entrar nesses lugares com cerca de dez mulheres. Lá elas seduzem os ricaços e ganham em uma noite o dobro do que nós da rua ganhamos em três dias. Essa é a Hierarquia da prostituição.
–você é uma vadia muito interesseira — diz Toneri com um sorriso de lado, ele enfia a mão dentro dos meus cabelos, aproximando nossas boca- já disse que quando chegar a hora, eu te arrumo uma dessas vagas. Por enquanto você fica aqui pelo centro, depois será promovida pra Zona leste, lá o movimento de clientes é maior e só depois você vai para as boates. Enquanto isso, você fica por aqui mesmo — ele fala me soltando.
–que seja então, cadê o velho magnata? Quero acabar logo com isso-digo dando uma última tragada no cigarro, jogando-o no chão e pisando em cima logo seguida.
–claro querida, vamos, eu te levo até ele. Tenho certeza que o velho vai gostar de você bela Luna -Toneri vira as costas e caminha em direção a saída da Estação. Eu coloco um chiclete na boca, depois de soltar um suspiro e sigo-o.
–ali ele, dentro do carro- ele vai até o veículo e bate na janela, chamando a atenção do homem que estava lá dentro — Senhor Munhoz? Olha o que eu trouxe pra você.... Essa é de primeira qualidade — ele fala Apontando pra mim. Eu simplesmente sorriu e me curvo na janela do carro, já aberta, para falar com ele.
–olá amor
–é de menor? — o velho pergunta com um sotaque esquisito. Tarado, pedófilo.
–tenho dezessete querido — Falo lambendo meus lábios. Ele abre a porta e fax sinal pra que eu entrasse.
–ele não fala muito bem o português então vai ser complicado vocês se entenderem — fala Toneri.
–não se preocupe chefinho, sou mais do tipo que usa a linguagem corporal — disse piscando pra ele.
–ótimo, divirtam-se
–nós vamos — subo o vidro e Munhoz arranca com o carro pra algum Motel — tá com presa amor? — pergunta ao sentir a mão do velho apertando minha coxa. Assim que o sinal fechou. Ele dá um sorriso de lado e coloca minha mão sobre o seu membro já excitado. É, pelo menos esse fica duro- sem pressa docinho, teremos tempo de sobra-o velho não fala nada, ele olha pro sinal e vê que tinha ficado verde, então dirige a toda velocidade pelas ruas até chegar no Motel destinado.
Era um lugar barato. Um moquifo nojento. Pertencia a Konan também. Era mais uma forma dela ganhar dinheiro afinal, o cliente pagava o motel por fora, ou seja, além do programa, das drogas que era fendidas pro fora, ela também faturava pelo Motel.
Esse cara, assim como os outros, foi um tédio. Os gemidos forçados de sempre, o orgasmo falso de sempre, e mãos um cliente iludido achando que fez com que eu sentisse sensações únicas e inimagináveis.
Cerca de uma hora e meia depois eu estava de volta a Estação. Entreguei o dinheiro a Toneri, peguei o meu pagamento do dia e segui em direção a um barzinho que ficava ali próximo. Eu pagava a velha interesseira que era dona do lugar para ficar com minha mochila. Peguei minhas coisas e fui em direção ao banheiro. Troquei o vestido justo por uma calça jeans, uma bata e os saltos por um sapato confortável e fui até a pia pra lavar o rosto e tirar toda aquela maquiagem. Depois de terminar, saí do bar e fui até um ponto de ônibus. Peguei o primeiro que ia em direção a São Luiz e não demorou muito, e chego ao meu destino. Saiu do ônibus e vou andando o resto do caminho.
Todos já estavam dormindo, minha mãe tem problema no pulmão, então vive cansada e dorme super cedo, Shizune já devia ter colocado Koje pra dormir e provavelmente já estava em seu quarto, ela geralmente dormia aqui para caso Koje ou minha mãe precisasse de ajuda. Todos estavam dormindo, menos... Sim claro, meu pai ainda não está. Ele não dorme antes de eu chegar, sabe que sempre trago um presentinho pra ele. Sigo até a última porta do corredor, destranco e entro.
Ele estava lá miserável como sempre, um ser nojento e merecedor de pena, encolhido no canto do quarto, magro e acabado.
–papai... — eu o chamo com um sorriso sacana — olha o que eu trouxe pro senhor? — Quando eu termino de falar, ele levanta a cabeça pra me olhar. Os olhos arregalados, suas pupilas contraidas fitando o pacotinho que eu balançava de um lado para o outro.
–me dá! Me dá! — ele pede avançando pra cima de mim e me causando uma repulsa ainda maior. Eu o empurro e ele cai sentado na cama velha na qual ele dorme.
–você quer? —pergunta balançando o saquinho com o pó branco dentro e ele assente freneticamente, então eu rasgo o plástico e jogo todo o pó no chão, fazendo com que ele pulasse aos meus pés e enviasse a cara onde estava a droga, começando a aspirar — parece um animal- eu falo rindo dele, que nem presta atenção.
Saiu daquele chiqueiro e vou pro meu quarto ao entrar vejo que Koje já estava dormindo em sua cama de solteiro que fica a uma boa distância da minha, que é de casal. Fui ao banheiro, preciso de um banho pra tirar todo esse fedor de coroas brochadores e sem falar nesse perfume horrendamente doce que sou obrigada a usar quando saiu paras as noites, eu o chamo de "perfume de puta", por que ele é irritantemente vulgar.
Ao sair do Box e secar meus cabelos, agora lisos, visto uma calcinha de renda preta, um blusão e me joguei na cama.
Estava cansada, apesar de os velhinhos não darem no coro, esse é um trabalho cansativo, poxa! Então não demorou muito e logo adormeci, mas não por muito tempo, por que algum maluco começou a dar tapinhas no meu rosto. Abri meus olhos e dei de cara com duas bolotas azuis me encarando.
–Koje? Você não tava dormindo? — eu pergunto a ele, mas não recebo resposta, Koje continuava a chupar sua chupeta e me encarar com seus grandes olhos azuis e seu cabelo loiro bagunçado — o que foi? Não acredito que fez xixi na cama de novo! — falo dando um suspiro impaciente, mas ele balança a cabeça negando — então o que foi? Por que me acordou?... Fala garoto!
–mamã... Podu dormi mais tu? -A fala sério! Ele me acordou pra isso? Que merda, era só ter se deitado caralho!
–tá legal- falo me afastando pra que ele subisse na cama. Koje sobe e se acomoda nos meus braços. Ok, isso é estranho... A quem esse garoto puxou isso que ser carinhoso? De mim não foi, por que é como dizem, eu sou delicada como um coice de mula. Do pai dele é que não foi mesmo, aquele jegue, ele era mais bruto do que lutador de sumô. Acho que Koje foi trocado na maternidade. É isso, ele foi trocado na maternidade.- não tá com febre-digo baixo pegando na testa dele e fechando os olhos para dormir novamente.
Autora POV
A Hyuuga acorda e vê que esta sozinha na cama, Koje sempre acordava cedo. Ela olha para o relógio e constata que já é bem tarde, eram quinze para o meio dia. Levanta-se e vai ao banheiro, lava o rosto, escova os dentes e troca a roupa de dormir por um short cinza curto, desfiado nas pontas e uma regata branca, calça uma rasteirinha e segue em direção a cozinha, encontrando sua mãe em pé na frente do fogão.
–bom dia filha- diz a senhora mexendo o arroz que ela preparava.
–hum, bom dia- Hinata responde pegando uma maçã em cima da mesa, mordendo e indo ate a geladeira.
–chegou tarde ontem?
–hunrum-a morena murmura com a maçã na boca e uma jarra de suco nas mãos.
–filha... você viu seu pai? Foi falar com ele quando chegou?
–não, por quê?- Hinata pergunta mentindo depois de se sentar.
–ele teve outra crise ontem, eu vou leva-lo a um médico o que você acha?- pergunta a mulher aflita desligando o fogo do fogão.
–levar a um médico pra que? Só pra senhora sair com um drogado no meio da rua, passar horas na fila do SUS e quando finalmente chegar a sua vez de ser consultada o doutor olhar pra senhora e dizer o que eu venho lhe dizendo a dois anos? O problema dele não se resolve em hospital mãe, já disse, e o médico vai te falar a mesma coisa, vai falar que era pra você ter se livrado dele a muito tempo, tê-lo mandado pra uma clinica o mais longe possível e pronto, essa é a solução.
–Hinata, não fale assim, ele é o seu pai!
–hum... não quero falar disso agora mãe. Cadê o Koje?
–já tem um tempo que Shizune o levou para dar um passeio lá fora, eu vou procura-los.
–não, deixa, eu vou, você não pode se cansar muito, esqueceu?- disse a Hyuuga levantando-se da cadeira e seguindo até a porta, ao abri-la Hinata fica brevemente sem movimentos, a causa é a mulher loira de olhos azuis claríssimos que estava brincando com Koje na calçada da sua casa. Ela estava abaixada na altura dele, Shizune observava encostada na parede ao lado do portão e o menino ria e gesticulava freneticamente com os bracinhos.
–EI!-Hinata grita para a loira que desvia os olhos da criança e fita-a. em questão de segundos a Hyuuga estava passando pelo portão, arrancando seu filho do chão e entregando-o a Shizune, que tinha ficado meio assustada com o grito da patroa- depois a gente conversa- Hinata fala para a morena olhando-a com raiva. Shizune corre pra dentro de casa com Koje nos braços e Hinata se vira para a loira que já estava em pé, encarando-a seriamente- já disse pra não chegar perto do Koje, Ino!
–claro que vou chegar, ele é meu sobrinho Hinata. E Deidara quer saber do filho.
–serio, Deidara quer saber do filho?- Hinata pergunta ironicamente- foda-se o Deidara! Que ele morra naquela cadeia... traficantezinho de merda.
–meça as palavras Hyuuga! Koje é filho do Deidara e meu irmão tem todo direito de receber noticias do filho. Fui visita-lo ontem e ele me falou que você não responde as cartas que ele te manda- a Yamanaka fala meio rude.
–me desculpe se eu acho carta uma coisa chata e antiquada-Hinata diz cruzando os braços e dando um sorriso presunçoso-eu acabei não lendo nenhuma delas, joguei tudo no lixo. Deidara não merece minha atenção.
– não me faça perder a paciência Hyuuga!- fala Ino dando um passo em direção a Hinata.
–nossa, que medo!- a morena provoca- vai chamar o seu capacho ruivo que tá dentro daquele carro?- ela fala apontando pra um sedã preto que estava estacionado a alguns metros de distancia dali, mas especificamente, para o homem ruivo que estava dentro dele .
–arg! Gaara não é meu capacho!- fala Ino irritada.
–não, claro que não. Na verdade você é o capacho dele. Afinal é você quem procura-o... deu sorte encontra-lo livre dessa vez né querida? Ou é por que no rodizio de mulheres que frequentam a cama do Gaara você ficou com o sábado?- a Hyuuga provoca, colocando o dedo indicador no queixo e fazendo cara de pensativa.
–olha quem fala, a prostituta do bairro!
–pois é, ta ai a diferença entre nós duas... eu ganho pra fazer sexo com outros homens, sabe, sem compromisso emocional e sem chifres. Você, é fiel a somente um homem, não ganha nada em troca além de status e uma ou duas transas ocasionais durante a semana. Isso é claro, quando ele não tem nada melhor pra fa...
Ino a interrompe, lhe dando um tapa no rosto, a morena respira fundo e retribui a agressão, a diferença, é que Hinata sempre teve uma força surpreendente, o tapa que ela deu na Yamanaka, fez a loira dar uns passos pra trás. A rua estava misteriosamente vazia, fora as duas garotas e o ruivo dentro do carro, que parecia não dar a mínima pra briga das meninas, não tinha mais ninguém por perto.
–vadia! — Gritou Ino
–eu vadia? Pode até ser, mas pelo menos não sou eu a corna mansa que divide o namorado com metade das mulheres desse bairro e finge não saber pra não perder o posto de "primeira Dama do maior traficante da região".
–vou te mostrar quem é a corna aqui — Ino disse partindo pra cima da Hyuuga e puxando os seus cabelos com força .
–aí desgraçada! — grita Hinata tentando soltar a mão da Ino de seus cabelos, mas acabou desistindo e chutando a canela da loira, que Gritou afastando-se um pouquinho de Hinata. A morena aproveitou a distração da rival e deu-lhe um tapa, que por está acariciando a perna chutada, acabou desequilibrando e caindo sentada no chão.
Quando a Hyuuga ia se abaixar para continuar a bater na loira, Ino a empurra fazendo-a cair também. A Yamanaka pretendia subir na barriga de Hinata para continuar a lhe bater mas Hinata foi mais rápida e a fez bolar no chão, ficando por cima do corpo de Ino.
Na tentativa de se livrar da garota que estava sobre seu corpo, Ino arranhava os braços de Hinata, mas a morena lhe deu um tapa forte e prendeu suas mãos.
–na próxima vez que você for visitar seu irmão na cadeia, leva isso pra ele- Hinata fala dando um tapa mais forte ainda no rosto de Ino, fazendo a loira gritar de dor — e pode dizer que fui eu quem mandei.
–quando ele sair de lá, vai acabar com você! — Ino fala ofegante e em um mínimo momento de força ela acaba fechando a mão e lhe dando um soco, fazendo o nariz da morena sangrar e ela ficar desnorteada, permitindo, assim, que a loira tomasse as rédeas da situação e rolasse no chão, ficando por cima e desferindo um tapa na Hyuuga-Deidara não esqueceu que foi você quem o denunciou pra policia!
–seu irmão é um incompetente!- Hinata fala puxando fortemente os fios loiros e dando uma joelhada no estomago da Yamanaka, fazendo a loira ficar sem folego por um tempo. A Hyuuga se levantou e quando ia chutar Ino, ela é puxada pra trás e virada em direção a Gaara, que tinha saído do carro e vindo até elas.
–chega Hyuuga, agora sua conversa é comigo- ele disse serio, ainda segurando-a pelos ombros.
–ótimo, já estava ficando entediada com essa briga de menininha!- Hinata empurra Gaara pra trás fortemente com as duas mãos, se soltando do ruivo e encarando-o com seu típico olhar debochado.
Gaara ia brigar com Hinata de verdade, mas antes que ele fizesse qualquer movimento, alguém grita:
–cara, você é maluco?!- era voz de homem, Hinata não se virou pra ver quem era, mas não demorou ate poder enxergar o homem loiro, alto, pele bronzeada e olhos azuis-você não iria bater em uma mulher, iria?
–quem é você?-pergunta Gaara.
–não importa quem sou eu. Não vou deixar um covarde grandalhão bater em uma mulher!- disse o loiro.
–não preciso que me defendam. Eu sei fazer isso sozinha- reclama Hinata.
–pelo estado da loira ali eu não tenho duvidas disso – ele disse virando o rosto pra ela e dando um largo sorriso.
–tá de namoradinho novo Hinata? Não sabia que tinha largado aquele seu cafetão, o Toneri- provoca Ino que ainda estava sentada no chão. Hinata não diz nada, só vai até ela e chuta seu joelho, fazendo a Yamanaka gemer alto e Gaara tentar ir em direção a Hinata, ignorando as palavras do loiro, que se pôs em seu caminho.
–eu não vou permitir que a machuque na minha frente- ele fala seriamente.
–ta querendo me enfrentar, é magricela?- Gaara pergunta intimidante, mas o loiro não se deixa abalar- é só olhar o meu tamanho, eu vou acabar com você- a diferença entre os dois era gritante, não de altura, pois Gaara era somente uns cinco centímetros mais alto que o outro, mais quanto aos músculos, era obvia a vantagem do ruivo.
–é o que veremos-desafia o loiro.
–ei Naruto!- chama um garoto moreno que tinha tatuagens nas bochechas, ele estava acompanhado de mais três rapazes, um gordinho, um magro que tinha o cabelo cortado em cuia e o outro era muito branco, tanto que sua pele tinha um aspecto azulado, assim como seus cabelos-algum problema ai?- o moreno pergunta olhando para o tal Naruto.
–não sei, nós temos um problema aqui?- Naruto pergunta olhando pro ruivo, que levanta as mãos em, sinal de rendição e dá um passo pra trás- não Kiba, está tudo bem.
–isso não acabou aqui- diz Gaara ajudando Ino a se levantar e sair dali.
–ei, você está bem?- Naruto pergunta a Hinata
–tô ótima! E você não tinha que ter se metido... essa briga é minha, você não tem nada haver com isso- fala Hinata tirando os fios do cabelo da Ino que ela tinha arrancado.
–me desculpe por interromper sua luta madame- o loiro fala divertido com um sorriso nos lábios , curvando o tronco em cumprimento- mas você viu o tamanho daquele cara?
–vi! E ele iria acabar contigo- a Hyuuga disse cruzando os braços incomodada com a presença do loiro.
–você está machucada, deixe- me olhar esses arranhões- Naruto diz chegando perto dela.
–não! Droga, eu já disse que não preciso de ajuda!
–e vai fazer o que com todos esses arranhões? Vai colar com super bond?- ele pergunta sorrindo de lado.
–arg! Eu vou me virar- ela fala e volta pisando duro em direção a sua casa.
–teimosa como sempre Hinata- Naruto diz soltando um suspiro e indo pra sua casa.
–Naruto!- Kiba o chama novamente correndo até o loiro com os outros três amigos- vai aonde?
–oi Kiba. Vou pegar meu Kit de primeiros socorros na casa da Dinda.
–mas ela não disse que não queria ajuda!- fala o gordinho.
–disse Chouje, mas eu sou médico, não posso negar atendimento a ninguém.
–bom, você que sabe. Se quer enfrentar a Hyuuga, a escolha é sua. — Disse Kiba- mas o que nós queríamos falar com você é outra coisa...
–podem falar, estou escutando.
–conta pra ele Suigetsu- pede Chouje.
–ok, escuta... Hoje a noite nós, seus parças desde a infância, vamos te dar a melhor noite da sua vida.
–nossa, isso foi muito gay Sue, muito gay mesmo-disse o moreno de cabelo em formato de cuia
–o Lee tem razão Suigetsu, isso foi muito gay. Eu não tô sabendo dessa história de "a melhor noite da sua vida não"! — fala Kiba
–vocês poderiam por favor pararem de ser tão bobocas e irem direto ao ponto? — Naruto pergunta rindo dos amigos.
–explica você então, ôh, bonitão das tapioca! — diz Suigetsu
–explico mesmo! É o seguinte Naruto, nós preparamos uma... — Kiba para pra pensar na palavra que usaria — "festinha" — ele disse fazendo as aspas com os dedos — de boas vindas pra você. Vai ser hoje a noite.
–como?! Esperem, que festa de boas vindas é essa? Onde céus vocês irão me levar? Eu estou ficando com medo dessa história de festa.
–relaxa Naruto. Nós somos seus amigos. Pra onde você acha que nós te levaríamos? — pergunta Lee
–olhem, muitas opções passam por minha cabeça, e eu não gosto de nenhuma.
–dê exemplos — pede Chouje
–bom, uma boca de fumo, uma festa punk, uma boate gay, e sim, essa ideia veio depois do "a melhor noite da sua vida" que o Suigetsu falou, uma Haive, um bordel.... São inúmeras opções.
–já disse pra relaxar Naruto, deixa que nós cuidamos de você — Kiba fala piscando pro loiro e saindo com os outros amigos — vai lá cuidar da fera Hyuuga, vai... Ei Naruto. — ele chama e Naruto vira-se em sua direção-hoje a noite... Leva camisinha! — Kiba fala alto no meio da rua fazendo o loiro se engasgar e ficar roxo de vergonha das poucas pessoas que agora passavam por ali.
Depois de se recuperar, ele vai até sua casa, pega sua maleta e segue até a casa da Hyuuga bate na porta e Shizune é quem abre, ela estava com Koje nos braços, Naruto bagunça os cabelos dele e lhe dá um sorriso que é prontamente retribuído. Shizune fica inicialmente surpresa com a visita do loiro ali, mas logo ele explica o por que de sua presença e ela o deixa entrar, para encontrar Hinata sentada no sofá da sala, tentando limpar seus arranhões com um pano úmido e algodão, enquanto sua mãe brigava com ela, que parecia nem prestar atenção no que era lhe dito.
–Naruto! — fala a mãe de Hinata surpresa quando viu o loiro na porta de sua sala -meu Deus, você tá um homem feito!
–Oi tia, a quanto tempo — Naruto fala sorrindo, indo até a senhora e lhe dando um beijo na bochecha
–vocês se conhecem? — pergunta Hinata
–assim você me magoa Hinata, com pode não se lembrar de mim? Neji e eu éramos muito amigos, eu vivia arrancando as cabeças das suas bonecas e saia correndo de você pelas ruas com o Neji. Nossa, acho que nunca vi alguém chorar tanto, quanto no dia em que cortamos o cabelo da Cindy Star.
–hum lembrei, Naruto... O decaptador de bonecas — ela fala séria olhando para o loiro que lhe dá um sorriso largo.
–por falar em Neji, onde ele está? — o loiro pergunta.
–Neji foi esperto, deu o fora antes que ficasse preso nesse lugar pra sempre — Hinata fala voltando a olhar seus machucados. Naruto estreita as sobrancelhas e Shizune explica.
–ele ganhou uma bolsa de estudos em Curitiba pouco depois de você ir estudar no Rio de Janeiro, foi cursar administração, e quando terminou a faculdade arrumou um emprego e não voltou mais. Ele está noivo, diz que vem por aqui antes do casamento.
–vem de besta. Não tem mais nada o que fazer aqui — Hinata fala destruída — e você, tá fazendo o que aqui Uzumaki?
–dãn, eu vim cuidar dos seus machucados assim como tinha dito.
–não precisa, já disse, eu me cuido sozinha
–se cuida com algodão e água? Você sabe que seu nariz está sangrando, não é? Por que ele está. Não seja teimosa Hyuuga, eu sou médico, me deixe fazer o meu trabalho.
–não — ela diz simplesmente- pra quê? O que você ganha com isso? — ela pergunta desconfiada.
–pelo amor de Deus Hinata é o meu trabalho! Eu fiz um juramento, não posso negar socorro a alguém que precisa. E qual o problema em eu querer ajudar uma vizinha? Me deixa olhar esses arranhões? Você está sangrando.
–não — ela repete nem olhando pra ele.
–deixa sim! — falou sua mãe — Hinata, Naruto só está sendo gentil. E Koje está assustado em te ver assim- a morena revira os olhos.
–tudo bem! Se vocês me deixarem em paz depois disso eu deixo você fazer a droga dos curativos.
–depois disso você será uma mulher livre, palavra de escoteiro.
–você nunca foi escoteiro Naruto, mas que seja então — ela fala se ajeitando no sofá para que ele ficasse ao seu lado e visse seus ferimentos – enxerido.
–eu enxerido?! — ele pergunta meio alto- de modo algum senhorita, não, não. — ele fala sorrindo. Hinata suspira e diz:
–você continua o mesmo idiota de sempre Naruto.
– já você mudou muito Hinata — ele diz tirando os olhos dos arranhões no braço dela e olhando-a nós olhos — mas eu gostei dessa mudança...
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