Neol Saranghae
1 Único
Era fim de tarde no acampamento. Joon ficou mais um pouco fora da barraca querendo ver o por do sol. Sentou-se ao lado da fogueira que ganharavida após várias tentativas do SeungHo de acendê-la, e ficou olhando enquanto o grande astro desaparecia ao longe. Mir, por sua vez, entrou enrolado numa toalha, acabara de tomar banho num riacho ali perto, fechou a porta da barraca e se trocou. CheonDung estava ocupado preparando o jantar: macarrão instantâneo. A falta de dinheiro fez com que Dung comprasse somente esse alimento. G.O se trancou na barraca para ler algumas revistas. Antes disse, gritou que não estava com fome para não ser incomodado pelos outros, e principalmente por CheonDung – o cozinheiro. A floresta escurecia à medida que o crepúsculo sumia diante dos olhos de Joon. O frio começara a tomar conta do lugar onde os cinco escolheram para acampar. Joon se aproximou mais da fogueira e se agasalhou. Fechou os olhos e uma leve brisa levantou seus cabelos. Enquanto sentia a fria brisa que lhe fazia imaginar várias coisas, SeungHo o interrompe pulando em suas costas.
— Vamos jantar. CheonDung fez macarrão. — Disse em desabafo. Estava cansado de só comer macarrão instantâneo. Levantou-se e puxou o outro que estivera sentado ali. – Vamos. CheonDung odeia esperar.
— Calma. Vai sobrar macarrão hoje. G.O está lendo aquelas revistas novamente. E dessa vez, eu não vou dormir na barraca dele. — Ainda embrulhado ao agasalho, se levantou com a ajuda de SeungHo. Há três dias que os cinco estão acampados naquele lugar e na noite passada, Joon dormiu na barraca de G.O; como não trouxe barraca, revezou com os outros para que dormisse na barraca de cada um. Em cada barraca era possível apenas duas pessoas dormirem. Já dormiu com CheonDung, onde gostou muito. Dunga não se mexia quando dormir e isso foi um alívio para Joon. O que não foi prazeroso quando se alojou na barraca de SeungHo. O dono sempre roncava e isso não deixou ChangSun dormir direito. Na barraca de G.O, uma surpresa. O rapaz da sujeirinha no rosto havia levado um gerador de energia para se aquecer e ler algumas revistas. Não tinha coragem de emprestar o gerador aos outros, e exclusivamente a Dung — o pobre cozinheiro tinha que se virar para acender uma fogueirazinha com os fósforos que comprou. As revistas que G.O levara eram eróticas. Sempre lia quando a noite chegava. E por isso, na noite em que Joon dormiu na barraca daquele, sempre via G.O lendo algo durante a noite. O que deixou o mais velho chateado. A luz produzida pelo gerador não o deixava dormir.
Finalmente chegou a noite em que Joon iria dormir na barraca de Mir. O maknae não havia saído de lá desde a hora que entrou para se trocar. Talvez houvesse levado outras revistas eróticas ou jogos eletrônicos e estava lendo ou jogando até perder a noção do tempo. Hyung foi chamá-lo. Abriu a porta na barraca e deparou com Mir jogado no colchão inflável e por cima deste várias peças de roupa. O menor deve ter retirado todas as roupas da bolsa e escolhido alguma. Como não houve a escolhida, se jogou no colchão e dormiu, ainda com a toalha enrolada na cintura. A pequena expressão de cansaço era visível enquanto maknae se rendia ao sono. Joon não criou coragem para acordá-lo. A feição do menor era linda enquanto dormia.
— CheonDung, vou dormir na sua barraca. — Bradou enquanto se dirigia à armação feita com uma lona preta. Ali simbolizava a cozinha. Uma pequena estante foi construída sobre uma bifurcação do galho de uma árvore. A água era retirada do riacho que ficava ali perto. A luz feita pela chama da fogueira iluminava o lugar. SeungHo e Joon chegaram juntos e viram três potes de macarrão instantâneo sobrepostos num banco de madeira.
— O que aconteceu com a barraca do Mir? — CheonDung retirou o lacre e esperou a fumaça se dissipar no ar. Com os palitinhos que vieram junto com o macarrão, puxou uma boa parte e sugou boca adentro.
— Ele está dormindo. Não quero acordá-lo. – Pegou o pote de macarrão, abriu o lacre e soprou. — Além do mais, ele estava nu, somente com a toalha cobrindo-o. — Amontoou macarrão nos palitinhos e colocou-os na boca.
— Depois do esforço enorme que ele fez carregando a madeira para acender o fogo, não era de se esperar o cansaço. — G.O juntou-se à conversa após soprar a fumaça.
— Certas pessoas não querem emprestar o gerador de energia para CheonDung esquentar a água, não é?! — O som irônico fez Dung rir e tossir com o macarrão entre os dentes. Os sons vindos da floresta ficavam mais altos. Pássaros noturnos como corujas entoavam seus cantos noite adentro enquanto os três degustavam do macarrão e riam de certos assuntos que falavam. Finalmente chegou a hora de ir dormir. CheonDung não hesitou em rejeitar ChangSun na barraca: “ Já dormiu aqui uma vez.”
Joon perguntou aos outros e a resposta foi a mesma. G.O nem respondeu, apenas virou a cabeça e voltou a ler as revistas. Não queria alguém que o atrapalhasse mais uma vez. SeungHo já estava roncando, e dessa vez se mexendo freneticamente, vai ver o sonho que estava tendo tinha bastante ação. Não tendo outra opção, o Hyung foi acordar Mir.
Após alguns empurrões, o Maknae acorda. Seus olhos cerrados pelo sono não viram quem interrompeu o sono. A boca do menor estava um pouco aberta e a bochecha esquerda marcada pelas linhas do colchão. Pela bagunça, Joon viu que não haveria espaço para dormir ali dentro. As roupas foram jogadas para o fundo da barraca e Mir esfregou os olhos. Sentou no colchão deixando apenas as pernas cobertas pelo cobertor e pela toalha. O abdômen quase definido do menor fez o rosto do Hyung corar. Joon não tentou olhar muito para o tronco do menor, então perguntou rapidamente se podia e se tinha espaço ali dentro para ele dormir. Mir não disse alguma palavra, se ajuntou num dos cantos e deixou um grande espaço para Joon. O outro foi recolher o cobertor na barraca do G.O e se acomodou entre Mir e os entulhos que o menor deixara. Desconfortável, Joon tentou dormir. Podia sentir as costas definidas do maknae sobre seu suéter. Respirou fundo e fechou os olhos.
Passado algumas horas, a floresta permanecia quieta, apenas contrastando com os sons vindos dos animais noturnos e das árvores balançando. O vento se fortaleceu enquanto Joon dormia. Porém, o Hyung acorda. Algo o fez perder o sono. Assustado e envergonhado, Joon afasta algumas peças de roupas e volta se deitar. Mir virou-se e debruçou-se sobre Joon fazendo este perder o sono. ChangSun imaginou o peitoral do Maknae sustentado em suas costas e por isso, ele se afastou. Levantou-se até ficar sentado e viu que a luz da barraca de G.O ainda estava acesa. Pensou em ir até lá, mas G.O poderia estar dormindo e esquecera a luz acesa. Deu de ombros e voltou a deitar-se. A poucos centímetros do menor, Joon voltou a dormir. Alguns minutos depois, o Maknae se joga em cima de Joon fazendo o maior acordar rapidamente jogando-o pra lá. Hyung comparou o sono de Mir com o de SeungHo. Os dois se mexiam, mas pelo menos Mir não roncava. Afastou o corpo do menor para o lado e voltou a se deitar. A situação não o deixou mais dormir. Enquanto olhava a pequena luz da barraca do G.O ao longe, sentia o corpo de Mir se remexendo sob o cobertor. Permaneceu assim por alguns minutos até sentir uma mão levantar seu suéter. Não hesitou em retirar a mão intrusa de seu abdômen e exclamou em voz branda: “Mir, para com isso.” Não sabendo se o outro ouviu se afastou mais um pouco. Passado outros minutos, a mão novamente levantava o suéter do hyung em meio à escuridão. Joon a retirou novamente e dessa vez, com um pouco de força, jogou a mão para longe. Mir acordou um pouco assustado.
— Joon-sshi, o que foi?
— Pare de se mexer e levantar meu suéter. — Disse baixinho com medo dos outros ouvirem. Mir começou a apalpar as coisas que estavam por ali até encontrar uma lanterna. Acendeu-a e lançou a luz no rosto do maior. Os olhos do Hyung estavam cerrados, os dentes brancos à mostra enquanto os lábios formavam um círculo, os cabelos bagunçados e jogados por cima dos olhos o deixaram mais bonito. E Mir continuou a fitar aquela expressão. O rosto sonolento do Maknae muda após alguns minutos. O maior deitou-se e tentou esconder o rosto da luz branca.
Mir repousou a cabeça no ombro do maior enquanto mexia com a lanterna e ajeitava a toalha em volta na cintura.
— Joon, por que não me avisou que ia dormir aqui? Eu tinha arrumado essa bagunça. —Após passar a luz da lanterna pelas roupas espalhadas por toda barraca.
— Eu avisei. Você que trabalhou demais e dormiu cedo. Mas tudo bem. Esse lugar aqui está bom. — Não olhou nos olhos do menor, apenas continuou olhando um short que estará na sua frente. O menor, após ouvir as palavras, apontou a lanterna no rosto do Hyung e beijou-lhe na bochecha. Sem entender, ChangSun se levantou fazendo o menor largar a lanterna. O objeto caiu sobre uma pequena pilha de roupa; a luz da lanterna ficou apontando para os dois. Lee Joon revira os olhos quando nota o abdômen do menor, mesmo no escuro. Não conseguia conversar com ele naquele estado, era impossível para ele. O Maknae resolve colocar uma camisa manga comprida e toca o lado direito da face do maior.
— Não precisa ficar assim. Eu também te amo. — Essas últimas palavras inundaram a mente do Hyung enquanto a mão do menor acariciava lhe o rosto. O sorriso de palhaço do maior se fez e os olhos deste se encheram de alegria, o sono havia sumido; aquelas palavras o fizeram acordar. O menor se contorceu no colchão de ar até ficar pertinho do maior. Os narizes podiam quase se tocar. Por um curto tempo, os dois se olharam. Joon tocou o lado direito da face de Mir. A pele macia deste fez o rosto do outro se aproximar. Os lábios estavam quase se encontrando. Um podia respirar o outro. A luz da lanterna, branca como a cor da nuvem, deixou o ambiente mais límpido, feixes negros causados pela escuridão da floresta fizeram a cena se tornar mais deslumbrante. O vento que balançava as árvores fazia com que as folhas se mexessem numa dança harmoniosa. Não se podia mais ouvir som algum, somente as folhas batendo umas nas outras. O Hyung fechou os olhos e selou um beijo — não muito demorado — no outro. O menor entrelaçou o pescoço do maior com seus braços. ChangSun abraçou o abdômen de Mir com seus braços longos e fortes deixando-o mais perto de si. O beijo se intensificou até o momento dos lábios se separarem para os dois poderem respirar.
Mir deitou-se, agora de costas para Joon. Este, por sua vez, desligou a lanterna e encostou o peitoral nas costas do menor, segurou as mãos dele e repousou o rosto do colchão. Os cobertores se tornaram um só. E lá longe, entre as folhas das árvores, pequenos raios de sol dissipavam a escuridão da noite deixando apenas o calor de mais uma manhã.
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