Nemesis

45 O reencontro com Peggy Carter


O reencontro com Peggy Carter

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22 de Julho de 2012, 10:24 AM

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Brooklyn – Nova York

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Wanda Maximoff entrava no apartamento de Steve, acompanhada de Natasha. Ela havia sido designada a continuar com as sessões de exploração da mente do Soldado Invernal.

Aquela forma era muito mais natural e normal do que se os dois estivessem trancafiados numa prisão no meio do oceano. Parecia apenas uma consulta médica, ainda que a garota não fosse uma médica de verdade.

Tudo era supervisionado pela SHIELD, e em especial Natasha e Steve.

O loiro encontrava com as duas na porta.

— Ele está te esperando na cozinha, senhorita Maximoff. – O Capitão orientava a garota, que formalmente o cumprimentava, ainda um pouco envergonhada por tudo o que havia acontecido em Malibu.

Steve olhava para Wanda passando por ele, e estreitava o olhar... um tanto desconfiado... porque apesar de tudo, ainda tinha certos receios sobre ela e seu irmão.

Natasha observava a menina andando na direção da cozinha.

— Ela está com medo, mas se sentindo intimidada e constrangida por estar nessa situação. – A Viúva Negra revelava.

— E quanto ao irmão dela?

— Ele é uma pessoa ainda mais difícil. Tem um perfil rebelde e pode nos dar trabalho. Mas eu não vou permitir que nada saia dos eixos, então pode ficar tranquilo, Rogers.

— Digo o mesmo sobre o Bucky. Eu não vou deixar que nada de mal aconteça.

— Eu sei... você é bem determinado quando se trata do Barnes. – Natasha sorria de canto, e Steve desviava o olhar. Sabia que ela estava completamente certa.

— Bem, eu tenho que ir agora. Pode ficar de olho nos dois por mim?

— Vai deixar uma espiã como eu em sua casa sem estar presente, Capitão?

— Não tenho nada a esconder. – O loiro sorria de modo triunfante, dando de ombros.

— Todos têm algo constrangedor a esconder... e se eu descobrir, farei questão de te deixar constrangido... – A ruiva o ameaçava, e ele já estava habituado as brincadeiras intimidantes de Natasha.

— Vá em frente, Agente Romanoff. Fique à vontade e faça o que quiser, mas agora tenho que ir. Nos vemos em breve.

— Você não volta hoje?

— Estou indo a Washington DC essa tarde. Devo retornar à noite.

— Washington? Alguma missão especial?

— Muito mais que especial... – E então, o loiro se despedia, deixando-a sozinha.

Natasha sabia exatamente para onde Steve estava indo, mas preferiu dar a entender que não sabia.

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Poucos dias atrás, Sharon Carter, vulgo Agente 13, havia o procurado a pedido de sua tia, Peggy Carter, pedindo para reencontrá-lo.

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Ainda decepcionado com a enfermeira que não era enfermeira, mas sim uma agente da SHIELD, ele aceitou, porém, para a surpresa dele, Peggy também pediu para que Mary Crystal o acompanhasse.

Sim, era estranho, mas Peggy ainda era a Agente Carter. E embora fosse uma idosa, ela ainda mantinha suas habilidades de espiã e sempre estava dez passos à frente da maioria das pessoas.

Margaret já estava com 91 anos e sofria de Alzheimer... algo bem triste para a mulher tão forte que já foi um dia.

E por mais que Steve estivesse apreensivo de vê-la depois de tantas décadas, havia se convencido que era o certo a se fazer. Ele precisava vê-la... não tinha como adiar mais...

Sua musa inspiradora estava lhe esperando... e ele não a decepcionaria.

Enquanto Steve se dirigia a torre, no intuito de se encontrar com Mary para que ambos viajassem juntos para Washington DC, Wanda e Bucky começariam mais uma sessão no apartamento do Capitão.

Enquanto a garota e o sargento estivessem ocupados, Natasha resolvia perambular pela sala do apartamento do loiro e até mesmo descobrir alguma coisa escondida. Sim, ela havia se dado essa permissão, já que ele a deixou à vontade...

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Se Steve Rogers tivesse algum segredo, ele seria descoberto aquele dia por Natasha Romanoff.

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Na cozinha, Wanda se encontrava com Bucky.

A feiticeira se surpreendeu ao constatar que o sargento estava com uma nova aparência...

James havia cortado o cabelo, e usava trajes escuros e neutros, além de luvas.

Era uma pessoa completamente diferente do que ela estava acostumada a ver, desde quando permaneceram presos na Prisão Balsa.

A garota o cumprimentava, timidamente.

— Bom dia, James... – A formalidade adotada era apenas uma mera provocação.

— Eu assustei você, senhorita Maximoff...? – Ele redarguia no mesmo tom ao notar a presença dela ali.

A voz dele era tão familiar... Wanda olhou para o sargento e lá estava ele, se aproximando, ficando de frente para ela.

— Não...

— Ótimo... não quero espantar a única garota bonita que parece se simpatizar comigo, sem más intenções. – Ele sorria, galanteador.

Bucky usava um par de coturnos, jeans, camiseta preta e uma jaqueta de couro escura. Seus cabelos, agora curtos, estava penteado para trás.

A aparência atual dele, definitivamente era aprazível aos olhos...

Wanda sentiu seu pulso acelerar, deixando um sorriso tímido espalhar por seu rosto. De certa forma, aquele veterano de guerra tinha seu charme, embora notasse um tom de flerte em suas palavras, ainda que fossem genuínas e gentis.

— Você está com um olhar sério em seu rosto... – Ela afirmava, olhando fixamente para ele.

— Me desculpe... acho que ainda não estou acostumado com tudo isso...

— Está tudo bem...?

— Sim... não há nada de errado, eu só... aprecio o quão legal você é comigo... e sinto muito que tudo isso seja um grande desafio para você, Wanda. Não posso imaginar como deve ser viver nessa situação todos os dias... – O sargento se referia ao fato de ela e seu irmão viver num país estranho, com uma cultura diferente e supervisionados por agentes da maior organização de espiões do planeta.

— É difícil, mas a Nat tem nos ajudado... ela é gentil, e faz nos sentirmos seguros e incluídos nessa sociedade quando estamos perto de outras pessoas. – A garota explicava sobre como era viver nos Estados Unidos, e que a Viúva Negra auxiliava a ela e seu irmão, o que era muito mais fácil, já que Natasha era russa.

— Ela é a sua estrela guia?

— Sim... ela cuida muito bem de mim e Pietro, como uma irmã mais velha.

— Parece minha amizade com Steve... nós ficamos juntos por anos, embora ele seja o único que sempre está rodeado de problemas reais que envolvem a segurança do mundo.

— Eu imagino...

— Só que não deixe ele te enganar. Steve é um cara legal, mas sempre foi um grande idiota...

— Interessante... é a mesma coisa que ele diz sobre você... – Wanda sorria cinicamente, fazendo-o alargar o olhar e esboçar um sorriso engraçado.

“Aquele punk desgraçado vai ver só...” – O sargento pensava.

— Bem... ainda que estejamos nessa situação, eu estava pensando que... – O soldado não conseguia terminar de falar. Ele esfregava a nuca, mostrando-se inseguro e nervoso, o que era algo que não fazia parte de sua real natureza.

— Pensado que...?

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Quero dizer... eu estava pensando que nós poderíamos ser amigos... de verdade...

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James finalmente dizia o que tinha em mente à garota.

O tolo coração de Wanda começou a bater contra seu peito novamente e ela respirou fundo antes de responder... ou melhor, perguntar...

— Você quer ser meu amigo...?

— Isso é meio obvio, não acha? Nessa época, eu só conheço o Steve... e embora tenha descoberto sobre seus poderes e o que a fez ser presa naquela prisão, também ouvi muitas coisas boas a seu respeito.

— Que coisas boas...?

— Coisas sobre como você era antes de ter se voluntariado...

— Entendo... – A garota abaixava o rosto, tímida com o que o soldado lhe dizia.

— Bem... eu acho que você é uma jovem forte e inteligente... e adoraria te conhecer melhor, claro, se você deixar... – Bucky terminava, deixando-a levemente assustada e surpreendida.

Apesar dele ser um Americano, James parecia diferente da visão manchada que a garota tinha sobre os homens daquele país.

Talvez fosse porque ele era de outra época...

— Bem... não vejo problemas... e acho que quero o mesmo de você, mas não sabia como dizer isso sem parecer... estranha...

— Estranha? Você não aprece estranha...

— Mas eu me considero assim... e não sei como começar uma conversa... as coisas são bem diferentes aqui... – Ela se referia a cultura do país. Os Americanos eram muito mais extrovertidos e calorosos.

Bucky imaginava o quão novo tudo estava sendo para ela, embora para ele também fosse.

Ambos foram transformados em armas pela HYDRA. Ambas as mentes foram mexidas. Ele com as lavagens cerebrais, e ela por causa dos experimentos com a joia da mente.

— Ainda que você diga isso, deve ser um pouco mais fácil pra você... eu tive minha mente revirada por décadas... fiz coisas terríveis no passado e temo pela segurança de todos ao redor.

— Eu não ligo para o que você fez no passado, porque não era você...

— Você está certa... mas ainda não estou convencido...

— Talvez eu consiga te convencer um dia... – Ela sorriu gentilmente.

— Quem sabe...? – Ele deu de ombros, sorrindo de volta.

Ele a observava discretamente...

Wanda era linda... não tinha como negar. Ela era tão sábia e madura para sua idade... e também tinha uma alma corajosa...

Mesmo com apenas 18 anos, a garota parecia mais madura do que ele... ainda que já se considerava um velho de todas as maneiras.

Bucky esperava que pudessem se dar bem ao longo do caminho e que pudessem ter uma amizade real... embora fosse quase impossível não pensar nela de... outras formas...

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22 de Julho de 2012, 03:30 PM

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Washington DC

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Steve e Mary acabavam de pousar num prédio ao lado do Capitólio em Washington.

Desde que embarcara, a Segundo-Tenente não havia falado com o loiro desde então. Estava imersa em imagens que visualizava num iPad com um fone de ouvido, e passou a viagem inteira ali, sorrindo, rindo e cantando.

O Capitão não entendia, mas Mary parecia estar lhe ignorando...

Ou talvez não estivesse...?

Durante aquele tempo, Steve apenas mantinha seu olhar revezando entre a imagem da janela do avião e a visão que contemplava da loira, que se encontrava vestida normalmente com jeans, jaqueta e tênis All Star. Ela também estava sem maquiagem, que praticamente a deixava bem mais jovem.

Quando os dois saíram da aeronave, e agora sem os fones, ele podia finalmente falar com Mary.

Os dois passaram a caminhar pelo corredor rumo ao elevador, que os levaria para o térreo, para que pudessem pegar um táxi que os deixaria na casa de Peggy em Washington.

— E aí, dormiu bem? – O loiro sorria, tentando ser simpático e descontraído, começando um assunto informal com a garota.

Não, porque você não estava na minha cama... – Mary sorria divertidamente, com suas típicas piadas.

Steve revirou os olhos...

— Você ficou a viagem inteira olhando pra esse iPad... – Ele olhava para cima, tentando disfarçar, mas deixando claro que estava curioso.

— Eu vou pra Bélgica daqui a uns dias.

— O que vai fazer na Bélgica? – O Capitão franzia o cenho, confuso.

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Tomorrowland!. – Mary sorria, fechando os olhos e levantando os braços para cima.

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— O que é isso? Um parque de diversões?

A garota soltava um riso alto em resposta, deixando-o ainda mais perdido.

— Sim... um parque de diversões... pra quem ama Trance!

— Trance? O que é isso? – Ele arqueava uma sobrancelha, confuso.

— Sério, Capitão... você não se cansa de passar vergonha? Procure no Google. Eu não vou te responder!

— Você vai pra outro continente nesse tal de... Tomorrowland fazer o quê afinal...? – Steve nem disfarçava mais o quanto estava sendo intruso lhe perguntando sobre seus planos.

— A Europa é o continente do Trance, House e Dance. Eu gosto de ir para lugares exóticos de vez em quando, então pensei em encontrar alguns amigos lá e curtir uma rave.

— Aah sei... amigos... – Ele pensava, tentando entender o que significava “uma rave”.

— Aposto que você nem sabe o que é uma rave...

— Seu amigo Johnny também vai...? – O loiro a interrompia, desconversando sobre o significado de uma rave, mostrando que parecia um tanto enciumado quando a garota disse que encontraria alguns amigos.

Seu colega da Força Aérea estaria com ela...?

— Não. Os meus amigos que estarão lá, são todos da Itália.

— Entendo... – O Capitão se perguntava quem eram os amigos de Mary da Itália... e quando se deu conta, notou que não sabia tanto da vida dela quanto pensava.

— Algumas pessoas diriam que você está agindo como um namorado ciumento. – A Segundo-Tenente piscava, olhando fixamente para ele de propósito.

— Lá vem você com suas piadas...

— Melhor do que te criticar, não acha...?

— Todo crítico é um admirador secreto.

— Como assim? – Kiara arqueava uma sobrancelha.

— Talvez você me critique o tempo todo porque me admira. – Steve replicava, convicto e com um meio sorriso de canto.

— De onde você tira essa lógica, hein?

— Teorias...

— Queria saber sobre todas as suas teorias comigo...

— Teremos muito tempo pra falar sobre isso... se você quiser...

Eu quero... – A garota se mostrava muito mais receptiva do que antes e isso de certa forma o assustava.

Steve nunca tinha conhecido uma pessoa que te tirasse tanto do sério, e que ao mesmo tempo lhe fizesse tão bem...

Os dois entravam no elevador do prédio onde a aeronave pousou.

As paredes de vidro do elevador mostravam uma vista incrível da capital dos Estados Unidos naquela tarde.

Eles ficaram parados, de frente um para o outro, encostados na parede.

Um silêncio constrangedor pairava entre ambos.

— Você parece mais calma hoje... – Steve começava um novo assunto.

— Eu estou mesmo... acho que depois de quase perder meu pai, estou em paz... – Ela confessava, com um sorriso sereno nos lábios.

Naquele momento, Steve se sentia obrigado a dizer algo que estava lhe incomodando todos aqueles dias, e então...

— Mary... eu... queria me desculpar por aquela noite em Portland... não foi minha intenção tirar proveito de sua fragilidade e te beijar.... – O Capitão se desculpava, porque em sua mente, ele mesmo se condenava, achando que havia passado dos limites com ela.

Kiara alargava levemente os olhos.

— Você não tirou vantagem de mim. Eu concedi...

— Ainda assim, me desculpe...

— Tudo bem, Steve. Se você acha que fez algo de errado e me pedir desculpas vai fazer você se sentir melhor, então desculpas aceitas.

O Super Soldado se surpreendia no quão adulta e compreensiva a Segundo-Tenente se mostrava em alguns momentos.

Ela não parecia a Mary Crystal de sempre, mas... por quê...?

— Você raramente me mostra esse lado... por que hoje está assim?

— Assim como?

— Natural e tranquila...

— Acho que foi porque eu transbordei e esgotei tudo de ruim que tinha dentro de mim, então, veio a calmaria... sou um recipiente vazio agora. Mas ao decorrer dos dias, as coisas vão começar a me sobrecarregar de novo, como sempre acontece...

O loiro entendia o que ela queria dizer, só que ainda assim, tinha algo que o intrigava e que resolvia dizer a ela naquele momento...

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Às vezes dá a impressão que essa é a sua verdadeira eu...

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— Como assim?

— Você parece interpretar várias personagens caricatas, só pra fazer as pessoas te odiarem.

— Isso não é verdade. A Mary sarcástica e piadista sou eu. Sempre será!

— Bem... acho que gosto mais da sua versão de hoje...

— Por quê?

— Porque eu aprendo muitas coisas com ela...

— O que uma garota de 24 anos pode ensinar a um veterano de guerra de 95 anos?

— Tudo... – Steve confessava, olhando no fundo daqueles olhos verdes tão majestosos e primorosos...

Kiara piscava... olhando para ele...

— Eu é quem deveria aprender, Cap... – Ela desviava o olhar, sorrindo tímida.

— Eu sei que você age assim porque não confia nas pessoas... mas eu não estou mais incluído na lista de pessoas as quais você não deve confiar, certo...?

— Náo se iluda, Steve. Eu não sou essa pessoa branda o tempo todo, e... sim, você não está nessa lista...

— Certo... apesar de tudo isso que está me dizendo, gostaria que soubesse que essa pessoa que está diante de mim agora... me fascina...

Eles se encararam por um momento, e era visível o quanto Kiara se encontrava surpreendida...

De uns dias para cá, Steve sempre dizia coisas assim... e sempre a olhava de um jeito diferente...

A luz do sol penetrava pelas paredes de vidro e iluminava a pele clara do Super Soldado... os fios loiros de seu cabelo, agora curtos e penteados para cima, reluziam diante dos raios solares...

Os olhos azuis, luminosos e tão penetrantes, percorriam o contorno dos lábios dela... porque desde que se beijaram aquela noite, ele não conseguia esquecer...

Aquilo o assustava, mas também o alegrava de uma forma misteriosa...

Um pouco inibida por aquelas palavras, a garota apenas tentava se esquivar, mas sempre com algo que pudesse deixa-lo envergonhado.

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Me ensina a te olhar sem querer casar com você...?

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— Não sei se isso será possível... – O loiro afirmava, sorrindo mais uma vez, olhando para as laterais do elevador.

— Tenho inveja... queria que as pessoas também me enxergassem assim... – A garota retorquia, num tom de brincadeira.

— A chave que abre a porta da sua felicidade pode estar debaixo do tapete no qual você pisa, sabia?

— Hmm, é mesmo, Cap...? Eu sei que você deixava a chave da sua casa embaixo do tijolo em frente a porta. Será que encontro a chave da sua felicidade lá?

— Quem sabe...?

— Devo me voluntariar?

— Não sei... mas não vou me opor...

— Bem, então se eu bater na sua porta... você vai me deixar entrar?

Steve olhou intensamente, profundamente e intimamente nos olhos esverdeados...

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Você não precisa nem bater, Mary...

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Naquele momento, Kiara sentia suas palpitações se tornarem frenéticas... incitando uma ansiedade a dominar seu peito...

Certa inquietação penetrava suas veias, levando uma sensação de urgência ao seu coração... suas artérias se encontravam histéricas, que em vez de transportarem sangue oxigenado, transmitiam um calor irracional por todo seu corpo... seu miocárdio contraía-se lentamente, dando a impressão que seu coração iria parar a qualquer momento... além disso, suas mãos e pernas pareciam tremer levemente e suas pupilas dilatarem, mostrando que se encontrava apreensiva...

Aqueles malditos sintomas sempre apareciam quando Steve fazia ou lhe dizia coisas que a deixavam desconsertada e perdida...

O que estava acontecendo?

E então, o elevador apitava, abrindo as portas no térreo.

— Vamos?

— Claro...

O Capitão deixava que Mary Crystal passasse em sua frente, e depois de caminharem lado a lado, ambos entravam no táxi que já os esperava.

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Passados vinte e cinco minutos, o Capitão e a Segundo-Tenente chegavam finalmente na casa de Peggy.

Ao entrarem na residência, uma das funcionárias os acompanhou até os aposentos dela.

A ex-agente da SHIELD estava em seu quarto, esperando por ambos.

Quando os dois cruzaram o corredor, havia uma pessoa que esperava por eles em frente a porta do quarto.

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Sharon Carter.

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Kiara estreitou o olhar, mas estava ciente de que não devia dizer absolutamente nada, embora não confiasse nela.

Sharon os cumprimentou, e então...

— Ela está esperando por vocês, mas peço que tenham paciência...

— Já sabemos... e obrigado, Sharon. – Steve agradecia e Mary assentia juntamente.

A Agente 13 abria a porta do quarto e quando o Capitão cruzou o cômodo...

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Peggy Carter estava deitada em um leito... com um sorriso magnífico nos lábios...

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A ex-agente da SHIELD não continha a emoção em reencontrar com Steve depois de tantos anos...

— É você... mesmo...? Meu Deus... – Ela parecia não acreditar... estava imensamente comovida.

Sharon se aproximava, apenas para verificar se a mesma estava bem.

— Por favor, não se esforce demais. – A Agente 13 pedia gentilmente a sua tia, esperando que ela se contivesse na frente do Super Soldado.

— Há quanto tempo... Peggy... – Steve se aproximou e rapidamente pegou em sua mão, segurando-a com muito carinho e cuidado.

Kiara observava a cena, testemunhando que de fato, os dois possuíam uma conexão muito profunda...

Ela podia notar pelo olhar que ambos lançavam um para o outro...

Peggy deixava algumas lágrimas escaparem... e Steve também...

Embora não entendesse o porquê de Margaret Carter também lhe chamar ali, se sentia como uma intrusa... e não desejava estragar aquele momento.

Quando a garota resolvia falar com Sharon, que sairia dali, a ex-agente a impedia.

— Por que está saindo, senhorita Ellis...? Pretendo conversar com você também.

A loira virou novamente de frente, com um sorriso gentil no rosto.

— É sobre o meu pai...?

— Também... venha e se aproxime... – Ela a chamava.

A Segundo-Tenente fazia o que a ex-agente lhe pedia.

Peggy a examinava, de baixo em cima...

— Não tinha ideia que aquele lindo bebê se transformaria numa mulher tão linda... – Revelava, a elogiando, deixando Mary confusa.

— Você me conheceu quando era um bebê?

— Sim... quando seu pai estava começando na política. Eu conheci ele e Beatrice muitos anos atrás... e Harry tinha apenas um aninho de idade.

A garota alargava o olhar, entendendo finalmente que Peggy não era uma estranha... ela conhecia a sua família...

— Não esperava que os conhecesse...

— Também conheci seu avô. Ele nos deu trabalho... ele e a Cosa Nostra... – Ela brincava, arrancando um sorriso divertido da Segundo-Tenente.

Steve e Mary olhavam para ela, com tamanha comiseração... Peggy estava frágil, em um leito... era uma visão um tanto triste.

— Parem de me olhar assim! Sharon, traga algo para eles. É falta de educação não servirmos nada!

— Claro. Eu já volto...

— Espera, eu vou com você. Vou deixá-los sozinhos pra que possam conversar. Depois eu volto! – Mary Crystal resolvia sair e deixar Steve sozinho com Peggy, afinal, depois de tanto tempo, os dois tinham muito para dizer um ao outro.

E então, Kiara acompanhava a agente, fechando a porta.

As duas se olharam por um instante, até que Sharon sorriu gentilmente para ela.

— Fico feliz que tenha aceitado o convite e vindo conhecer a minha tia. Ela conhece toda a sua família e isso foi uma surpresa até mesmo pra mim.

— Como uma típica agente de elite, era óbvio que ela conhecia meus pais, mas já você, fingiu muito bem que não me conhecia quando nos encontramos pela primeira vez em Malibu, não é mesmo...? Agente 13...?

— Eu estava em missão... deve saber que o Fury não tolera falhas.

— Eu não ligo para o que Fury tolera e não tenho paciência com pessoas que acatam as ordens absurdas dele. – A garota olhava para Sharon de cima para baixo.

— Ele apenas me designou para essa missão para o bem da SHIELD e dos Vingadores. O Capitão é o líder da equipe e precisa estar focado...

— Está dizendo que eu tiro o foco dele...? – A garota sorria, vitoriosa.

— Eu não estou dizendo nada, mas se está com raiva porque fingi ser outra pessoa, sugiro que fale com o Diretor da SHIELD. Ele é o meu chefe.

Não estou com raiva de você, Sharon... quem nasceu para ser estalinho, nunca vai ser bomba nuclear... – E então, a garota piscou, fazendo a Agente 13 revirar os olhos em resposta.

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Enquanto isso, O Super Soldado e a ex-agente da SHIELD conversavam.

— Sente-se...! Por que ainda está de pé...!? – Peggy pedia e Steve consentia.

Eles se entreolhavam... havia tanto amor, carinho, respeito e gratidão... tudo ao mesmo tempo...

— Faz tanto tempo... – A ex-agente deixava que novas lágrimas escorressem de seus olhos.

— Sim, faz... – Steve segurava sua mão, com carinho, comovido, também deixando que algumas lágrimas caíssem.

— Como você está, Steve...?

— Não posso dizer que estou bem, mesmo depois de acordar quase 70 anos após o término da guerra...

— Eu sei... além de ter despertado numa época em que a tecnologia está muito avançada, ainda teve que enfrentar um exército alienígena e também tem a questão do Barnes, não é mesmo...?

— Você está muito bem atualizada... – Ele sorria docemente, ainda segurando a mão dela.

— Mas e você...? Esqueça tudo isso e me diga sobre você, Steve...

— Não tive muito tempo de focar apenas em mim...

— Por quê...?

— Sinto que pertenço a algum lugar, mas não consigo descobrir qual é...

— Eu tenho a tendência de esquecer que você carrega todo um saco de problemas que meros mortais não conseguem sequer imaginar...

— Acho que estou perdido... por dentro e por fora...

Peggy soltava um riso.

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Sempre tão dramático...

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— Nunca me imaginei num futuro em que você não fizesse parte dele, Peggy...

A ex-agente olhava atentamente para o loiro... entendendo o que acontecia...

— Você tem que superar, Steve... a minha vida já passou... mas a sua apenas começou...

— Não é tão fácil seguir em frente...

— Mas você precisa... precisa esquecer o que passamos e seguir a sua vida...

— Só tem um jeito de te esquecer... se eu perder a memória... – O loiro confessava, esboçando um sorriso melancólico...

— Não quero que você esqueça a minha memória... quero que esqueça seus antigos sentimentos, para que possa estar livre e seguir adiante...

— Bem... embora você ainda esteja comigo, presente em minha mente, eu tenho andado sozinho todo esse tempo...

— Eu sei... só que isso não deve continuar... e... sei que você também tem pensado nisso, não é...?

O loiro desviou o olhar... por mais que quisesse, era impossível disfarçar...

— Você já percebeu que basta olhar no fundo dos meus olhos pra ver que já não sou como era antes, certo...? – Steve confessava, derrotado.

— Sim... e foi por isso que chamei a senhorita Ellis aqui.

O loiro engolia a seco... até onde Peggy iria com aquela conversa?

— Pelo visto, você está aposentada apenas no papel, não é mesmo...? — Ele brincava, arrancando um riso divertido na ex-agente.

— Eu tenho muitos contatos... e sei que sua parceira de missão é alguém especial...

— Especial até demais... ela é única... – Ele sorria de volta, levemente corando.

— Eu tenho toda a ficha corrida da filha do Presidente. Nick Fury não é o único que sabe sobre as habilidades dela. Eu diria que essa garota tem andado perdida todo esse tempo, mas acho que a solução para os problemas dela está em você.

— Em mim? Por quê...?

— Por causa do passado dela, que é muito parecido com o seu... além do mais, a senhorita Ellis era sua fã... isso é o que os meus contatos me disseram.

— E-eu não sei muito a respeito, mas já me falaram sobre isso diversas vezes. É difícil de a-acreditar que a Mary fosse minha fã... — Ele gaguejou, tocando sua nuca freneticamente com os dedos, expressando um leve embaraço.

Peggy achava aquela expressão um tanto encantadora.

— Superfícies apenas mascaram a verdadeira profundidade. Somos o que não vemos... lembre-se disso, Steve.

— Eu sei... e é um pouco difícil ter essa impressão de alguém que me chama de fóssil o tempo todo e me manda voltar para 1945 a cada discussão.

— Bem, muitos dizem que quem vive de passado é museu, mas a verdade é que se está no museu é porque fez história... – Peggy tentava animá-lo, e lhe arrancava um novo sorriso.

— É uma pena que não pude ver de perto essa história ser contada...

— Eu imagino a sua dor, frustração e decepção... vivi a minha vida, mas lamento que não tenha podido viver a sua, no entanto, ainda não é tarde para você, Steve... – A ex-agente agarrava a mão dele, apertando-a com força.

— Eu... estou tentando o meu melhor... – O loiro afirmava, num tom de voz melancólico...

— Ótimo, você precisa dar o seu melhor e sair desse pesadelo envolvendo o passado com a segunda guerra, ainda mais quando o futuro está batendo em sua porta.

— Não sei o que esperar do futuro... está tudo escuro e embaçado, Peggy...

— Não se apegue a mais responsabilidades por causa do futuro... apenas pare de se amedrontar com o que está por vir, sonhar com o que perdeu no passado... e... é melhor estar bem acordado quando for escolher a mulher dos seus sonhos, entendeu...?

O loiro sorria mais uma vez.

— Ainda que essa mulher esteja na minha frente nesse instante...?

Peggy sorriu, e olhou profundamente nos olhos de Steve...

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Posso ter sido o seu primeiro amor, mas com certeza não serei o último...

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O Capitão já imaginava o que se passava na cabeça dela... a Agente Carter era alguém sagaz...

Depois de mais de duas horas conversando, Sharon pedia para que Mary entrasse no quarto, para ter uma conversa particular com Peggy.

Steve as deixava sozinhas, acompanhando Sharon para fora.

Um clima estranho pairava ao redor dos dois, depois de como o Capitão saiu de sua festa de aniversário aquele dia.

— Capitão Rogers... quero me desculpar por aquela noite, na sua festa e... dizer que me sinto envergonhada apesar de tudo...

— Era o seu trabalho... eu entendo...

— Não... eu podia ter recusado, mas resolvi encarar e me arrependo. Há certas coisas que não podem ser feitas... eu fiz porque achava ser o certo, mas no final, não foi...

— Eu te entendo...

— Só quero que saiba que na maior parte das vezes, foi real pra mim. Não conseguia vê-lo como Fury me dizia...

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Eu disse que te entendo, mas não que acreditaria em você...

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Steve retorquia, num tom de voz mais pesado, deixando-a assustada.

— Eu sei, mas-

— Se deixou de ser certo, você podia ter me confessado. Eu soube através de outra pessoa.

— A Mary te contou, não é?

— Sim...

— Eu já imaginava... – Sharon expressava um semblante frustrado.

— Espero que não a culpe por isso.

— Eu não vou... mas não consigo confiar nela...

— Assim como ela não confia em você...

— Acho que isso é a única coisa que ela e eu temos em comum... – Sharon rebatia, ainda frustrada.

E então, os dois encerravam a conversa, sem muito o que justificar ou se desculpar.

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No quarto, Peggy conversava com Mary a respeito de muitas coisas envolvendo o mandato do Presidente Matthew Ellis, a Força Aérea, a SHIELD e os Vingadores, mas sem entender o motivo, o assunto final parou em Steve Rogers.

— Você sabia que ele carrega uma bússola com sua foto até hoje, certo?

— Não...! Ele ainda carrega...!? Oh meu Deus...! – A ex-agente parecia um tanto assustada ao ouvir aquilo.

— Deveria se sentir feliz, não acha?

— Por um lado sim, mas não quero que ele fique preso ao passado. Eu deixei isso bem claro para ele na conversa que tivemos.

— É um pouco triste ver o quão apegado a década de 40 ele ainda parece estar... e ninguém tem a mínima ideia de como ajuda-lo. – Mary confessava, dando a brecha perfeita para Peggy dizer o que tinha em mente.

— Eu acredito que você o estime, Mary Crystal... mais do que um amigo, e eu sei exatamente do que ele precisa, mas não sei se vai gostar do conselho que vou te dar... – Margaret franzia o cenho, encarando-a seriamente.

— Que conselho...?

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Antes de lhe dar meu conselho, quero que saiba que eu sei exatamente o que está acontecendo entre vocês dois, e também sei que você nutre sentimentos muito profundos por ele, que nada tem a ver com amizade ou rivalidade...

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A loirinha arregalava os olhos.

— Espera aí... você tá insinuando que eu estou apaixonada pelo Steve!?

— Não insinuei nada. Declarei um fato.

— Esse fato não existe, Peggy. – Kiara esboçava uma feição marrenta, e aquilo fez a ex-agente soltar uma risada.

— Nós... estávamos numa guerra... então, Steve e eu tivemos que esconder nossos sentimentos... não poderia haver um relacionamento oficial ou mesmo uma proposta não oficial... e nós dois sabíamos que quando a guerra terminasse, nos casaríamos, só que aconteceu o que você já sabe e todos os nossos planos foram por água abaixo...

— Deve ter sido muito difícil pra você... assim como foi pra ele... – A Segundo-Tenente se recordava das noites em que Steve sofria por ter acordado tantos anos depois, desacreditado de que nunca mais poderia estar com Peggy.

— Sim, mas vou te dizer a mesma coisa que disse para ele: eu vivi a minha vida, então está na hora de viver a sua...

— Eu também já disse isso para ele algumas vezes...

— Não, eu estou falando de você, Mary.

— De mim...? Por quê...? Eu estou vivendo a minha vida! – A garota franzia o cenho, completamente confusa.

— Todos os planos que Steve fez comigo, ainda estão guardados no fundo do coração dele. Isso não tem mais nada a ver comigo, mas com você.

— Comigo? Por quê!?

— Ele precisa de alguém para continuar sua jornada... eu posso ter sido a parceira certa naquela época, mas você é a parceira certa para ele agora, no século 21, e digo isso porque sei o quanto os laços entre vocês dois estão estreitos...

— Você... sabe mesmo de tudo...? – A loirinha arqueava uma sobrancelha, abismada.

— Sim... sei sobre a festa dos Veteranos, sobre as caminhadas pelas praias da Califórnia, do seu resgate em Las Vegas, da visita à Casa Branca, do jogo dos Dodgers em Los Angeles, da missão em Tijuana e também da caminhada perto do farol em Portland... eu tenho olhos por todos os lados, Mary... – Margaret revelava, deixando Kiara muito assustada... ela era como Nick Fury, que sabia sobre tudo?

— Uau... vejo que sua aposentadoria é só fachada... – Mary assobiava, impressionada e muito chocada em como a ex-agente continuava tão ativa com a idade que tinha.

— Eu quero que todos os sonhos dele sejam realizados e... você é a única que pode fazer isso por mim...

— Você está me dizendo pra casar com o Cap!? – A Segundo-Tenente soltava uma gargalhada abafada, mas Peggy não estava achando aquilo engraçado.

— Não estou pedindo isso... “ainda”. – Ela pensava a última palavra.

— Olha, milhões de mulheres fariam fila pra casar com o perfeito Capitão América! Por que teria que ser eu!? – Ela insistia, achando aquilo engraçado demais.

— Você deve saber que ele é exigente com as mulheres no geral, além do mais Steve é muito... possessivo...

— Possessivo!? Ele!? Ahahahahaha, mas não é mesmo!!! – A garota ria ainda mais. Onde já se viu? Steve Rogers possessivo? Ele nunca mostrou essa característica em sua frente.

— Se ainda não conhece esse lado dele, devo lhe alertar que quando acontecer, você vai se assustar e... pode sair muito machucada...

— Como assim...?

— O Steve é o tipo de homem que nunca aceitaria uma mulher totalmente submissa e que não o desafiasse. Nós tínhamos nossos embates nos bastidores da guerra e não era algo agradável de se vislumbrar.

— Por quê...?

— Você não sabe? Vocês dois não discutem o tempo todo?

— Nós vivemos discutindo... fazemos isso quase todos os dias.

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Então esse com certeza é o principal motivo pelo qual ele se apaixonou por você.

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— Desculpe... ele o quê...? – Kiara fazia uma careta assombrosa em resposta. Steve não estava apaixonado por ela. Isso era IMPOSSÍVEL.

— É isso mesmo que você ouviu. – Peggy reforçava, vendo o quão idiotas e cabeças duras os dois eram.

— Ele te disse isso?

— Não.

— Então acho que você está interpretando as coisas de um jeito errado...

— Não estou e vou deixar claro o que acho, caso você queira o conselho que vou te dar agora.

— Ok... vá em frente...

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Se você gosta dele, seja sincera o mais rápido possível, caso contrário, seu lado possessivo virá à tona e você não estará pronta para viver isso.

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— Lado possessivo...? Ele realmente é assim...?

— Acho que você ainda não sabe sobre alguns defeitos que o Steve possui, mas é só questão de tempo. – A ex-agente afirmava, com um doce sorriso no rosto, e aquilo soava um tanto sombrio... saber que existia um Capitão América possessivo...

— Nós estamos sempre brigando, só que costumo usar a ironia com ele porque não posso usar uma metralhadora... – Mary dava de ombros.

— Sei como é... eu passava pelo mesmo tipo de situação.

— Uau, não tinha ideia que você era esse tipo de pessoa...

— Aah querida, você não me conhece... – A ex-agente sorria de novo, e Mary tinha certo receio daquele sorriso macabro.

As duas continuaram conversando sobre o Capitão por um tempo, e sobre seu passado.

— Você tentou de tudo por ele? – Kiara a indagava.

— De tudo?

— Sim... se você tentou todos os meios possíveis e impossíveis pra tentar resgatá-lo do gelo...

— Todos os meios possíveis sim, mas os impossíveis não... não havia nada que uma mulher pudesse fazer sozinha naquela época, mas me esforcei...

— Entendo... eu no seu lugar, não teria parado, mesmo que todas as condições fossem desfavoráveis, porque... acho que ele valia... quer dizer, acho que ele vale a pena...

— Por que acha que ele vale a pena?

— Você sabe o porquê. Não faça essa pergunta... – A loirinha sentia suas bochechas esquentarem.

— Sim, mas quero ouvir seu ponto de vista sobre ele. Me diz... vai... – Peggy insistia...

Naquele mesmo instante, Steve resolvia bater na porta, para perguntar se elas precisavam de algo, mas quando o fez, não obteve respostas.

O barulho que vinha da janela do quarto, não as deixou ouvir, e o loiro resolveu entrar, mas na hora em que abriu lentamente a porta, o Capitão ouvia sem querer, as palavras de Mary Crystal sobre ele...

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Bem... o Cap é uma pessoa incrível, que se importa muito mais com as pessoas do que consigo mesmo. Ele omite suas fraquezas porque sabe que as pessoas à sua volta veem nele uma figura de justiça e esperança e justamente por isso, se vê obrigado a deixá-las seguras e confiantes. Ele também se sacrifica e vai até o fim... ele é focado, corajoso e ousado, ainda que tenha medos e receios... ele te conforta, mesmo que esteja sofrendo por dentro... e sempre vê o lado bom de tudo e todos, embora a maioria não mostre dignidade alguma... ele também é muito cavalheiro, educado e refinado... contido, controlado e sabe atuar racionalmente nos momentos mais graves e críticos... e claro, ele também possui um lado inocente e puro, o que é uma qualidade muito rara e especial nos dias de hoje... às vezes também tenho a impressão de que na verdade, o Cap é um anjo disfarçado, mas sua humanidade fica tão evidente quando ele está sofrendo, que acabo voltando atrás e-

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— Eu estou me perguntando quantas horas você vai continuar falando sobre as qualidades maravilhosas do Steve com essa expressão apaixonada... — Peggy a interrompia, aos risos.

— Aah... eu acho que me empolguei um pouco... – A garota sentia seu rosto esquentar, envergonhada por não parar de tagarelar sobre as qualidades do loiro.

— Você é muito observadora, Mary. Estou impressionada...

— Bem... eu convivi diariamente com ele por muitas semanas, então acho que captei toda essa essência.

Peggy riu mais uma vez.

— Acho que se você tivesse nascido na nossa época e o conhecido, talvez tivesse fisgado o coração dele no meu lugar.

— Eu duvido... ele sempre te amou, e... eu não sou o tipo de mulher que atrai o Capitão América. Sou o extremo oposto de você.

— Isso não é verdade. Você é uma garota de fibra.

— O Capitão não gosta de loiras, Peggy.

— Você é que pensa! Ele podia ter sido fisgado por uma, se eu não tivesse marcado presença antes...!

— Como assim?

— Essa é uma história engraçada, mas prefiro não comentar...

As duas continuaram conversando e Steve resolvia fechar a porta, um tanto impressionado e surpreendido pelas palavras de Mary Crystal...

Estava perplexo e abismado... desde quando ela tinha aquela visão tão esplêndida sobre ele?

Steve notava que seus batimentos cardíacos aceleraram institivamente ao descobrir sobre aquilo...

Ele não ouviu porque queria... foi acidental... mas por ora, fingiria que não sabia de nada...

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Peggy e Mary continuaram a conversa, porém, a Segundo-Tenente achava que não devia fazer com que Peggy se desgastasse tanto.

— Você precisa descansar. Então acho melhor eu e o Cap irmos embora.

— Gostaria muito que voltassem a me visitar.

— Bem, a casa do meu pai é aqui do lado. Toda vez que vier para capital vê-lo, posso passar aqui, se quiser...

— Eu adoraria... – Peggy sorria carinhosamente doce. Ela era uma velhinha muito encantadora.

— É uma promessa. – Mary pegava em sua mão, selando o pacto.

— Seria capaz de me fazer outra promessa também, Mary Crystal?

— Qual...?

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Pode me prometer que vai tomar conta dele?

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— Aah... por que eu faria isso?

— Não precisamos voltar ao assunto que tivemos antes, mas sei exatamente a alma virtuosa que você tem... ainda que tente ser uma garota má, egoísta e descarada, acredito que essa não seja sua real natureza.

— Você é mesmo uma espiã de primeira, certo...? – A garota revirava os olhos por ser facilmente descoberta.

A ex-agente segurava a mão da garota com força, olhando profundamente em seus olhos.

— Eu estou entregando Steve em suas mãos... ele merece uma mulher forte e virtuosa ao seu lado... porque ele é especial... e precisa de alguém especial...

A Segundo-Tenente sentia uma forte constrição em seu estômago ao ouvir aquelas palavras.

— Olha só... por mais que você saiba desses episódios “aparentemente românticos” sobre nós dois... não tá rolando nada entre eu e o Capitão. Nós apenas somos parceiros de missão... acredite em mim...

— Você pode enganar todos à sua volta, inclusive ele, que é um homem ingênuo, inocente e sem malícia, mas não pode me enganar...

Kiara suspirava fundo... embora estivesse se sentindo estranha nos últimos tempos ao lado de Steve, aquilo que Peggy dizia não fazia o menor sentido.

— Por favor, me prometa, Mary Crystal.

— Eu não posso fazer essa promessa...

— Você pode...

— Não posso...

— Me prometa... por favor... – A ex-agente segurava sua mão, implorando.

A loira não conseguia dizer não... Peggy era só uma senhora de idade...

— Mesmo se prometesse, eu não posso fazer isso sem a permissão dele. Se houvesse algum interesse de minha parte, o sentimento não é recíproco e eu não tenho pretensão de conquistá-lo...

— Apenas prometa... o futuro a Deus pertence...

— Mas-

— Prometa...

E então, depois de muito relutar, Kiara suspirava fundo e fazia o que Peggy pedia.

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Eu... prometo...

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— Sábia escolha... – A ex-agente da SHIELD sorriu, plenamente satisfeita.

E então, depois que Steve e Mary se despediram de Peggy, ambos saiam de sua residência.

Já havia anoitecido...

Os dois permaneceram calados até chegarem ao carro que os levaria para o mesmo lugar onde estava a aeronave pronta para partirem para Nova York.

Mas a Segundo-Tenente recebia uma mensagem de sua mãe, convidando ela e Steve para irem a Casa Branca, fazerem uma breve visita.

— Cap, meus pais querem te ver... topa dar um pulo na Casa Branca?

— Claro, por que não? – O Capitão assentia, arrancando um sorriso dela.

Ele se recordava da conversa que tivera com Peggy... era tudo muito estranho, mas a ex-agente da SHIELD parecia ter razão em tantas coisas...

E Mary...? Bem, ela também estava confusa, mas acabava de descobrir, simples assim, que a única maneira de se livrar daquele sentimento era aceitando... parando de querer ganhar dele...

Os dois se entreolharam por um instante, antes de entrarem no veículo...

Mesmo quando não queriam se olhar, acabavam se olhando... porque era assim... quando seus corações dançavam aquela melodia conjunta, os olhares pareceriam que dobravam a esquina e atravessavam estados, fronteiras e avenidas...

Eles se procuravam... e se encontravam...

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Ele gosta dela... não tinha mais como fugir... e dava medo... ela devia estar com medo também, mas não tinha como voltar atrás, tinha...?

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Notas finais
Agora que o Steve tem a benção da Peggy pra seguir em frente e com a garota que ele desenvolveu sentimentos, no próximo capítulo ele finalmente vai admitir pra si mesmo que está apaixonado pela Mary. Vai ser lindo, mas... ainda não é o desfecho desse romance. Ela ainda está confusa e não admitiu totalmente pra si mesma, só que está muito perto disso acontecer. O que isso vai render? Capítulos intensos, muito tensos e regados de romance e muita briga! Claro, porque o que vocês esperavam? Esses dois vão continuar brigando até admitirem um para o outro que estão apaixonados. E não esqueçam do que a Peggy disse: O Cap tem um lado possessivo oculto. Mas como será esse Steve? Vocês vão ver um homem completamente desesperado por estar apaixonado e sem saída... é uma obsessão saudável! E o amor, quando virá? O amor virá logo depois, e sabe por quê? Porque coisas importantes acontecerão! Vai ser muito forte! Não esqueça seu comentário.