Nemesis

55 O encontro duplo em Coney Island


O encontro duplo em Coney Island

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06 de Novembro de 2012, 03:00 PM

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Coney Island – Brooklyn

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Bucky e Wanda chegavam ao local e hora marcada para o “encontro duplo”.

Os dois estavam parados em frente ao restaurante Nathan's Famous, ao qual combinaram de esperar por Steve e Mary.

O sargento achava que Wanda estivesse produzida para a ocasião, mas a garota optou por roupas simples e maquiagem leve. Era a primeira vez que ia a um encontro, então ela não tinha ideia do que vestir. Na dúvida, apenas resolveu usar as roupas que já estava acostumada.

Já Bucky se encontrava deslumbrante, apenas para chamar atenção de sua bruxinha... mas...

A feiticeira se virou para o soldado, com uma expressão tensa no rosto.

— Preciso te dizer uma coisa, James...

— Diga...

— Quando convenci a Mary de vir para Coney Island, ela não parava de falar mal do Steve, então não tive coragem de dizer que ele também viria... ela não sabe que isso é um encontro duplo...

— Céus... aconteceu o mesmo comigo... aquele idiota estava com tanto ódio da Mary, que não disse a ele que ela também viria...

Wanda arregalava os olhos.

— O que devemos fazer...?

— Vamos entregar nas mãos de Deus... – Bucky sorria de forma destrambelhada. Não havia nada que ele e Wanda podiam fazer a respeito, então, os dois esperavam que houvesse uma intervenção divina, já que a relação de Steve e Mary só se resolveria com um milagre.

Depois de cinco minutos ali, o sargento aproximou dois passos para perto da garota...

— Você já foi a um parque de diversões antes?

— Sim, mas faz muito tempo... eu e Pietro éramos crianças.

— Hm... e você sabe que esse é o local mais adequado para encontros românticos, certo?

A mente da feiticeira tropeçou em si mesma enquanto tentava se convencer de que Bucky não estava flertando com ela

— Por que está me perguntando isso?

— Só estou tentando descobrir como sua mente funciona, bruxinha... – Ele admitia.

— Certo... eu também adoraria saber como minha mente funciona, então se você descobrir, pode me dizer...? – A garota sorria de volta, alegre por estar ali, com ele.

— Claro... – James mantinha seus olhos presos nos dela, percebendo um misto de inocência com sagacidade...

Os olhos feiticeiros de Wanda, lembravam tantas coisas... eram mais que indianos, mais que egípcios, mais que ciganos... era como se ela pudesse lhe lançar um feitiço através de cada traço que contemplava em seu rosto...

A garota não entendia o que Bucky enxergava nela, já que a mesma tinha sido forjada nas sombras de conflitos e crescido dentro de uma realidade doída, de laços desfeitos e confianças quebradas.

Ela vinha de um tempo de reconstrução de uma casa que levaram o teto e as paredes... e os dias atuais, eram de reabilitação...

Foi um longo caminho a percorrer e muitas vezes sabia que agia com dureza, muito mais do que a situação merecia, porém, depois de incontáveis tragédias, lá estava ela, tentando se reerguer...

Em meio ao cruzar de olhares entre o sargento e a feiticeira, duas pessoas chegavam no exato lugar do encontro marcado, e ao mesmo tempo...

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Steve e Mary Crystal...

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Que esboçaram caretas horripilantes ao se encararem, seguido de um uníssono...

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— O que você tá fazendo aqui!?

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Eles apontavam um para o outro, chocados, só que...

Os dois loiros viraram o rosto bruscamente na direção de Bucky e Wanda, que tentavam disfarçar enquanto assobiavam e olhavam para cima, na direção da roda gigante.

— Você tá de brincadeira comigo, seu bastardo!? – O Capitão se aproximava e pegava seu amigo pelo colarinho, tamanha raiva em ver Mary Crystal ali.

— Ah, qual é, Punk! Para de ser tão ranzinza e ao menos hoje aproveite a sua vida! Você anda muito mal-humorado nos últimos dias! – James segurava as mãos de Steve que largavam o colarinho de sua camisa, de forma impaciente.

— Não gostei do seu trote, Bucky... eu vou embora... – O Super Soldado já pensava em dar um giro de 180 graus e sair dali, mas o sargento agarrou seu ombro, passando o braço humano por ele.

— Espera aí, Steve! Vamos levar as meninas pra se divertir já que estamos aqui!

— Não precisa me levar pra lugar nenhum pra que eu me divirta, Barnes. O Cap estando aqui é uma linda diversão, já que ele é a piada que alegra a minha vida! – Mary Crystal sorria diabolicamente, porque estava achando o máximo o fato de poder infernizar o loiro das piores formas existentes.

Steve lançou um olhar sério e sombrio na direção do sargento.

— Você está ouvindo, não está!? Essa garota é o terror da minha vida e eu sou só um alvo, uma fonte de risadas e deboche!

— Você que é idiota por não zombar com a Mary de volta! Vai lá, faz uma piada com ela também! Pare de ser tão cavalheiro!

— Não tenho orgulho em desrespeitar uma mulher, ainda que ela não valha o chão que pisa... – E então, o Capitão desprendeu o braço de seu amigo de seu ombro e passou a caminhar para longe da Segundo-Tenente.

Bucky corria atrás do Super Soldado, olhando para trás e piscando para Wanda, como se estivesse dizendo: “Não se preocupe, está tudo sob controle!”

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Recapitulando: Após a fatídica noite do encontro estragado do Capitão com a Agente 13, Steve e Mary se desentenderam de novo e voltaram a se tratar como dois irmãos adolescentes que se odiavam...

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Wanda puxava a loirinha para perto, tentando apaziguar o clima ruim.

As duas garotas caminhavam atrás dos dois, em meio a movimentação do parque.

— Eu gostaria que você pudesse se ver como Steve te vê... ou como eu vejo você... – A feiticeira confessava, deixando Mary um pouco incomodada.

— Você não pode ver tudo de mim, Wanda...

— Você não pode ver tudo de você também...

E então, as duas caminhavam atrás dos dois rapazes, os acompanhando.

Bucky ainda tentava convencer o amigo a não ir embora.

— É um encontro duplo, como nos velhos tempos...!

— Não me faça lembrar daqueles encontros duplos... tenho péssimas recordações... – O loiro rezingava, com uma feição severa no rosto.

— Ah, para com isso, Steve! Estou te fazendo um favor! Você não tá mal por causa da Sharon? Nada como um parque de diversões para alegrar o seu dia!

— Será que você não entendeu que a Sharon ter se afastado de mim, foi culpa da Mary Crystal!?

— Ahaahaha, não podemos fazer nada se ela é insegura e não consegue segurar um velho de 95 anos! – O sargento fazia piada, deixando o Super Soldado ainda mais irritado.

— Você realmente perdeu a noção de tudo, não é...?

— Você se lembra do nosso último encontro duplo!? – O sargento desconversava, com um sorriso sacana no rosto.

— Foi um desastre... – O Capitão se recordava daquele último encontro, no evento da Stark Expo, em 1942.

— Sim... você até tentou fazer dar certo aquele dia...

— Mas a amiga da sua garota não estava muito interessada em mim...

— Bem... creio que a amiga da Wanda esteja bem interessada em você...

— A Mary? Nunca... ela me odeia...

— E você? Odeia ela?

— Não, mas-

— Sem essa Steve! Vocês já vivem como um casal e todos já sabem... quer dizer, ainda falta a etapa final, mas creio que não vá demorar muito e-

— Isso é o que vocês acham! Todos vocês! Sam, Riley, Tony, Natasha, Wanda… todos vocês estão apenas transformando a minha vida num pesadelo por me empurrarem a Mary o tempo! – O Super Soldado o interrompia, irritado.

— Você bem que queria que isso fosse real, não é...? – Bucky sorria de canto, cinicamente.

Steve ficou em silêncio observando Kiara rindo com Wanda, logo atrás... as duas garotas pareciam bem entrosadas na conversa.

Bucky interpretava aquele silêncio como um “sim, eu quero que isso seja real”.

— Vem, vamos divertir as garotas! – James puxava Steve na direção oposta.

— Você disse isso da última vez também, naquele encontro...

— Você tem uma boa memória...

E então, os dois amigos esperaram as duas logo atrás.

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Mas não muito longe dali, havia duas pessoas que seguiam os dois casais, agindo como espiões, de olho em todos os passos de Steve, Bucky, Mary e Wanda...

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Pietro Maximoff e Darcy Lewis.

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O velocista seguia a irmã, a espiando de longe, justamente porque sabia que ela e Bucky Barnes estavam muito próximos nos últimos tempos.

— Sério, Pietro... quando me convidou pra vir a Coney Island, eu pensei que fosse com outras intenções... – Darcy resmungava, com raiva do irmão de Wanda.

Eles se conheceram na noite onde Mary e Sharon disputavam Steve pelo Guitar Hero, e desde então, mantiveram contanto por um tempo.

— Eu te expliquei no caminho meu objetivo, Lewis. Vim aqui atrás de Wanda e você topou.

— Ainda assim... — Darcy estava com raiva.

— Silêncio! Vamos segui-los! Se aquele sargento garanhão pensa que vai laçar a minha irmã, ele está completamente enganado! – O garoto retorquia, fazendo a estagiária revirar os olhos.

Não sabia se tinha vontade de soca-lo por aquele sotaque sokoviano tão bonito, ou se tinha vontade de abandoná-lo por ser tão babaca com ela.

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Bucky, Mary, Steve e Wanda iam para uma barraca do parque, ficando ali por um tempo.

Eles brincavam de joguinhos de armas, de tiro ao alvo.

E no final, só restaram Steve e Mary, pois o sargento e a feiticeira perderam propositalmente, apenas para que o casal STARY se entrosasse.

Enquanto os dois se desafiavam, Bucky e Wanda os observavam sorrindo. O Capitão e a Segundo-Tenente se desafiavam o tempo todo.

— Foram feitos um para o outro... — Wanda confessava.

— Também acho...

E então, os dois saiam do local, deixando o casal de loiros sozinhos.

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Bucky e Wanda resolviam dar um giro pelo parque, e logo depois avistavam o Cyclone, a montanha-russa assustadora do Luna Park.

Os dois decidiam ir naquele brinquedo assustador.

— Se eu te disser que muitas décadas atrás, eu trouxe o Steve no Cyclone e ele passou mal, você acredita?

Wanda arqueava uma sobrancelha, perplexa.

— Isso foi antes dele virar um Super Soldado, certo?

— Acertou.

A garota ria enquanto caminhavam pela fila da montanha-russa. Era notável que ela estava com um pouco de medo em ter de enfrentar o temível Cyclone de Coney Island.

O soldado então pegava na mão dela, tentando passar uma sensação de segurança.

O jeito que seus olhos brilhavam quando olhava para a feiticeira, eram de ansiedade e apreensão, e James sabia que ela se sentia do mesmo jeito.

Bucky notava a mão da garota suar frio... estava tão apreensiva assim?

— Impaciente, minha bruxinha...? – A voz do sargento soava baixa e sedutora.

— É um pouco indigno, mas acho que estou com medo e quero desistir... – Ela implorava com o olhar de menina assustada.

— Tem certeza...?

— Sim... Это страшно... (isso é assustador). – Wanda confessava, em russo, arrancando um riso no soldado.

— Ваше желание — порядок, красивая маленькая ведьма... (Seu desejo é uma ordem, bruxinha linda). – Bucky segurava a mão dela com mais força, puxando-a para fora da fila.

E então, os dois saíram dali, decidindo ir em um brinquedo menos perigoso.

— Quer ir na roda gigante? – O soldado sugeria, deixando-a mais tranquila.

— Sim... e depois você pode me levar para comer Donuts...? Pode ser...? – A garota sorria, feliz por estar ali com ele.

— Claro! Vou comprar o Donuts mais delicioso pra você! – E então, os dois seguiam para a roda gigante de mãos dadas.

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Não tão longe dali, Steve e Mary continuavam disputando tiro ao alvo, mas o placar estava empatado.

— A minha mira com certeza é melhor do que a sua, mas hoje não parece ser o meu dia de sorte! – A loira se gabava e Steve ria.

— Admita que não é boa nisso. Você vai perder hoje, Mary Crystal... – O loiro sorria de canto, desafiando-a com sua provocação.

— Que tal uma aposta? – A garota sugeria, com uma feição petulante na face.

— Qual?

— Vamos ver quem acerta o prêmio principal de primeira. Se eu ganhar, nós vamos na roda gigante.

— E se eu ganhar, nós vamos no Cyclone. Feito? – Steve também sugeria.

— Feito.

E então, os dois começaram uma nova rodada de tiro ao alvo, cujo o objetivo era apenas um: acertar o prêmio principal.

Depois de usar todas as tentativas, a Segundo-Tenente falhava.

Ela esboçava uma careta de ódio na direção do Super Soldado, que sorria descaradamente.

Após uma série de arremessos em vão, Steve conseguia acertar o último tiro e ganhar o prêmio principal.

O rapaz responsável pela barraca batia palmas, dizendo que era extremamente difícil conseguir o prêmio mais valioso dali, já a loirinha, começava a resmungar xingamentos.

Se aquele Capitão Idiota já estava se sentindo alguma coisa antes, agora ela tinha certeza que ele esfregaria a vitória na cara dela.

Mas o que ambos não sabiam, era que o prêmio basicamente se resumia em...

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Um lindo ursinho de pelúcia com uma gravatinha em forma de laço, na cor azul.

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Quando o loiro pegou o prêmio das mãos do rapaz, ficou um tanto desapontado, porém...

Ao vislumbrar Kiara com raiva, fazendo beicinho e com os braços cruzados, Steve resolvia obedecer seus instintos, e então...

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— Toma... — Ele estendia o ursinho na direção dela.

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Mary Crystal se virou, o encarando com desconfiança.

— Por que está dando pra mim!? Dê pra sua namorada!

— Eu não tenho namorada...

— Ah, desculpe, eu devia ter sido mais clara... DÊ ESSE URSINHO PARA A SHARON! – A loirinha redarguia com fúria, e o Capitão revirava os olhos, irritado.

— Não vou dá-lo para a Sharon, mas já que você não quer, posso dar para a Wanda. Tenho certeza que ela não vai recusar...

— É claro que vai! Não viu que o Bucky tem dado chilique toda vez que você insinua coisas perto dela?

— E o que devo fazer então...? – O Super Soldado olhava para o ursinho, que era muito lindo e possuía um acabamento excelente.

— Eu fico com ele... – E então, a Segundo-Tenente pegava o bichinho de pelúcia das mãos do loiro, caminhando na frente e o deixando para trás.

— Eu merecia ouvir um “obrigada” pelo menos, não acha?

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— Não, obrigada. – A garota rezingava com raiva e ironicamente, o provocando enquanto carregava o ursinho.

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Mary andava na direção da roda gigante, mas Steve pegava em seu braço, impedindo-a de continuar andando.

— O Cyclone fica pra lá. Eu ganhei a aposta!

— E daí!? Você vai me obrigar a ir naquela montanha-russa se eu disser que não!?

— Para onde você quer ir então? Pra roda gigante!? Não está vendo que só casais estão indo até lá!?

— Podemos fingir ser um casal então! – A garota sorria, sordidamente, sabendo que ele ficaria ainda mais irritado.

— O quê!? Eu não vou fingir ser um casal com você!

— Então fique aí sozinho, fóssil! – A loira virou de costas, deixando-o para trás, porém, Steve correu em sua direção novamente e a cercou, ficando em seu caminho.

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— Valorize minha presença, pois nem isso você merece e mesmo assim eu estou aqui!

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— Ai, Cap... só não te desejo nada em dobro porque é impossível morrer duas vezes... – Ela revirava os olhos.

— É mais fácil parecer cruel do que dizer do que realmente sente, não é mesmo, Mary...?

Kiara estreitou o olhar, o encarando com força e aquele suspense o deixava ainda mais nervoso.

— Sabe, Steve... eu incluí você nas minhas orações nos últimos dias... naquela parte do "livrai-me de todo mal, amém!".

— É mesmo...? Então por que estamos hoje aqui, juntos!? Suas palavras realmente me deixam triste, mas não me ofendem, Mary Crystal. O que me deixa triste é seu pensamento infantil!

— Antes de apontar meus erros, verifique quantos acertos você tem, Capitão! – A garota dava um passo para frente, encarando-o com raiva enquanto cruzava os braços e segurava o ursinho com muito cuidado.

— Ainda bem que sempre existem outros dias, outros sonhos, outros risos, outras coisas e outras pessoas além de você... – Steve inclinava o rosto, a defrontando-a veementemente.

— Você quis jogar o meu jogo e saiu sem nada, Cap... – Kiara o escaneava de baixo em cima, com um olhar petulante.

— Não tenho vergonha de admitir que eu não te esqueci, mas quer saber? Também não estou sofrendo...

— Ooh, e aquela súplica desesperada na noite do seu encontro com a Agente 13 foi o quê!?

O loiro ficou em silêncio, mantendo os olhos azuis fixados no rosto dela, com um semblante sério, e então...

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— Vai ser difícil eu me apaixonar de novo, Mary Crystal... e a culpa é sua...

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A loira sentia uma compressão no estômago diante de tais palavras. Ele estava mesmo falando sério?

Mas como sempre, esconder e fingir que não sentia nada, eram sua especialidade.

— Não sou seu consolo ou seu passatempo, muito menos seu parquinho de diversões! Se o tempo não te muda, o vento que te leve! Tchau! – Mary dava um giro de 180 graus, prestes a sair dali, mas o Capitão a impedia novamente.

— Pare de ser tão dissimulada, Mary! Quando eu finjo que acredito, sou melhor que você quando acha que me engana!

Steve confessava novamente seus sentimentos com irritação, e por um momento, Mary só conseguia pensar em dar uma mordida naquele queixo maravilhoso...

— Awwn, Cap... queria te dar um presente nesse dia tão especial, mas ainda não sei como se embrulha um soco... – Ela esboçava um sorriso cínico, simulando que não estava afetada, mas ele conhecia Mary Crystal e estava disposto a arrancar aquela máscara e quebra-la em pedaços.

— Você me vê, finge que não te afeto, mas o seu coração aperta, não é...? Você não pode me enganar mais, e sabe por quê? Porque mesmo se travestindo de outras personagens e agindo como uma louca, eu sei que seu coração dispara na minha presença... eu posso ouvir, Mary... posso ouvir seus batimentos cardíacos quando estamos perto um do outro, dessa forma... – E então, o Super Soldado se aproximou ainda mais, dando um passo na direção dela, com ambos ficando frente a frente...

O loiro a contemplava com um olhar seguro, firme e convencido. Ele mantinha as mãos dentro dos bolsos de sua jaqueta de couro enquanto mantinha a cabeça inclinada na direção dela, observando-a desmoronar emocionalmente em sua frente...

Mary Crystal engolia a seco... sentindo de fato, seus batimentos acelerarem diante da presença dele...

Precisava admitir que era muito irônica e grossa na maioria das vezes, e um pouco meiga de vez em quando. Ela até gostava de seu lado apaixonado, mas nunca deixava transparecer. Tentava esconder também seu lado protetor e ciumento ao extremo, que era moldado por ter um gênio difícil e um temperamento forte.

Ela sabia que era dura como uma pedra e frágil como um vidro... um poço de orgulho e a rainha do sarcasmo, mas o que mais lhe assustava era o fato de Steve gostar disso...

O Capitão a olhava com aqueles olhos maravilhosos, e Kiara se perguntava por que ele fazia isso consigo mesmo? Talvez porque sabia que era recíproco? Mas qual era o sentido?

O Super Soldado não sabia, mas Kiara vinha correndo maratonas e vencendo monstros gigantescos para conseguir sentir tudo aquilo sem arrancar sua cabeça fora, já que estar apaixonada era confuso e torturante demais...

Ela queria se demitir do amor...

“Isso mesmo, querido chefe coração... como queria desaparecer daqui... mesmo que o dia esteja lindo e eu esteja nesse parque com o Cap, não quero perder tempo olhando para esse maldito Super Soldado loiro de olhos azuis... droga...” – Ela pensava, enquanto se mantinha enfeitiçada fitando o rosto dele, se praguejando mentalmente por desejar dobrar todas as esquinas de Coney Island de mãos dadas com Steve...

Vendo que a Segundo-Tenente ficava em silêncio, o olhando um tanto assustada, o loiro não conseguia esconder um sorriso radiante diante daquela reação... e então, resolvia investir... sim, investir mais uma vez naquela garotinha irritante e mafiosa, que ele não conseguia ficar longe...

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— Eu adoro quando nossos olhares se cruzam, e você me mostra que também está apaixonada por mim...

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Kiara sentia suas bochechas começarem a esquentar por conta daquelas palavras audaciosas... céus, desde quando Steve Rogers resolvia se comportar como um conquistador?

E então, ela desviava o olhar, soltando uma gargalhada para disfarçar.

— Ahahahahaha! Só há um tipo de amor que dura, Cap: o não correspondido, logo, você sempre me amará! – Ela redarguia, como uma provocação, só que ele não estava disposto a ceder.

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— Tropece no seu orgulho e caia direto nos meus braços, Kiara...

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A loira arregalou os olhos imediatamente.

Outro tiro...

Outra vitória do Super Soldado...

Outra vez que ele a deixava sem palavras...

E agora?

Os lábios dela tremiam, tentado achar uma resposta...

— Sou uma louca retardada, uma demente desmiolada, uma confusa psicopata e uma mutiladora desalmada! Não tem nada aqui pra você, Steve!

O Super Soldado mantinha a expressão calma, cordata e leve, não sendo afetado em nada do que ela dizia, e então...

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— Faça por merecer, que eu faço valer a pena...

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Ok, já era o quarto tiro que o loiro dava que a acertava em cheio.

Mary Crystal estava ficando sem forças para suportar toda aquela série de investidas geniais.

A garota respirava de forma pesada, perdendo a paciência.

— Não basta só o seu amor, Steve... você tem que ter a estrutura pra me suportar...

— E por que acha que não tenho? – Ele arqueava uma sobrancelha.

— Porque você nunca teria paciência para lidar com uma pessoa insegura, sarcástica, exagerada, dramática, infantil, manhosa, azeda, sozinha e neurótica... – Ela confessava, mas se arrependendo de tais palavras, porque dava a impressão de estar dizendo “sim, eu também gosto de você, mas estou sofrendo muito com isso.”, o que não era mentira, no entanto, impossível de admitir na frente dele.

E diante de tal reação, a Segundo-Tenente se sentia um pouco estremecida com o vento que soprava mais forte naquele instante, afinal, o outono havia chegado e a temperatura de Nova York estava baixa.

Percebendo que Mary Crystal sentia um forte arrepio com a gélida brisa, Steve resolvia dizer mais uma vez o que achava daquela situação...

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— Você está passando frio porque quer...

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Kiara o encarou, confusa...

— O quê...? – Uma longa mecha do cabelo loiro caia para frente de seu rosto diante da oscilação do vento, escondendo os olhos dela...

Steve a contemplava maravilhado... Mary Crystal sempre ficava linda quando o vento tocava seus cabelos...

E então, como o cavalheiro que sempre foi, o loiro tirava sua jaqueta de couro rapidamente e a colocava nos ombros dela, para que pudesse se sentir mais aquecida...

O desejo de tocá-la soava como uma pulsação latejante e dolorosa em seu corpo...

A Segundo-Tenente arregalava os olhos, surpreendida... de novo ele agiria como o senhor gentileza que não levava nenhuma de suas patadas infantis a sério?

Céus, era indigno demais... o dia inteiro desejando que ele nunca mais aparecesse em sua frente de novo, e quando se encontravam, Steve agia daquela forma? A desarmando novamente?

Mary tinha vontade de confessar que o iludiu e o usou, mas se apaixonou e o sentimento de culpa era muito maior do que a raiva, só que... não conseguia... ela ainda não se sentia pronta e nem segura para dizer aquilo...

A Segundo-Tenente estava inundada por tais sentimentos... algo especial que tomava conta de si a ponto de sentir a magia transparecer em seus olhos...

Ela gostava disso... gostava de sentir isso... e também desejava provocar o mesmo efeito em Steve... a sensação de paixão, a leveza, o peso, a angústia tão-ruim-e-tão-boa...

O rosto drasticamente enrubescido era muito notório, e o Capitão a vislumbrava, apaixonado... quebrando o silêncio entre ambos de novo, ainda que o parque inteiro estivesse barulhento...

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— Posso não ser o que você deseja, Mary... mas posso te fazer mais feliz do que você imagina...

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O quinto tiro era dado... e pra matar...

Com tanto potencial pra acabar com sua vida, o que Steve queria...?

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Fazê-la feliz...

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E então, Mary suspirou, surpreendida, maravilhada, apaixonada, porém...

— Ah, é mesmo...? Pode me fazer feliz...!? Não perca seu tempo comigo, Steve! Não fique fazendo planos comigo se o seu passado vai influenciar o seu presente, então, livre-se dele e quem sabe assim, eu não esteja incluída no seu futuro!? – A garota pegava a jaqueta de couro nas mãos e o jogava com raiva na cara do loiro.

Steve franzia o cenho, pegando sua jaqueta nas mãos, não entendendo o que aquilo significava.

— Por que está dizendo isso!?

— Porque diferente de você, eu vivo a minha própria vontade e não a mercê de alguém! Eu não desejo o indesejável, se eu quero, é meu, não importa a dificuldade ou a concorrência!

E o Super Soldado continuava não entendendo...

— Por que você é tão complicada!? Seja mais clara!

— Se você não entendeu, não posso fazer nada...

— Você está jogando comigo de novo, Mary Crystal!?

— E se for...!? Por que não dá um jeito nisso agora, Capitão!? Vai continuar deixando que eu brinque com seus sentimentos!?

— Não estou deixando você brincar com meus sentimentos, apenas não sei brincar com os seus!

— Ótimo! – Ela bufava, virando de costas, numa pose birrenta enquanto abraçava o ursinho.

— Eu não aceito que você diga que não vai dar certo só porque você nunca tentou!

— Eu não tô nem aí!

— Eu faço as maiores declarações, engulo meu orgulho e dignidade e você me responde com uma repreensão num tom autoritário!? Por que é tão difícil ser meiga nessas horas!? – Steve girava o corpo dela com as mãos, pegando firmemente nos ombros femininos.

— Meiga eu sou ótima, rabugenta eu sou melhor ainda! Se não aguenta, talvez seja melhor procurar a Agente 13 novamente, Cap!

Steve revirava os olhos desacreditado...

Kiara sempre estragava tudo... ela tinha um dom pra isso...

Ele olhava para a expressão teimosa no rosto dela, mas achando tão, tão fofo vê-la abraçar aquele ursinho...

E a pergunta que não queria calar... “Por que você tem que ser tão linda e não valer nada?”.

O Capitão não queria mais acordar todas as manhãs e lembrar que precisava conquista-la de alguma forma... porque Mary Crystal brincava de ser dele...

Ainda que o perfume dela fosse a coisa mais maravilhosa que já sentiu na vida, Steve também experimentou o gosto amargo de seu coração confuso, egoísta e mesquinho...

Ele era alvo dos olhos esverdeados e parecidos com aquela estação... adorava também os efeitos sonoros de quando a Segundo-Tenente invisivelmente sussurrava absurdos no ouvido de seu coração...

E mesmo com aquela pose imperiosa e ostensiva, ela era muito mais do que um porto seguro... Mary era o universo dele inteiro, dentro de uma pequena ilha...

O Super Soldado fixou o olhar nela de novo, e então...

— Toda vez que penso em me aproximar, você sempre me empurra para longe... então aonde quer chegar, Mary? Quer que eu desista de uma vez? – Steve a indagava, vestindo de volta sua jaqueta.

— Foi exatamente isso que quis dizer quando mencionei sobre você se livrar do seu passado se quer que eu faça parte do seu futuro! Saiba o que você quer, e quem sabe... eu não te dê uma chance?

— Você está me chamando de indeciso? É isso!?

— Finalmente você entendeu!

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— Mas a indecisa aqui é você! – Ele apontava para ela.

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— Melhore seus argumentos, Cap, caso contrário, eu vou eu vou virar a página!

— De que adianta virar a página se eu sou o próximo capítulo, Mary Crystal!? – O loiro declamava, num tom furioso.

Aonde ela queria chegar com tudo aquilo?

— É disso que estou falando! Nós fazemos mal um pro outro! Não podemos continuar nessa situação!

O Super Soldado perdia a paciência novamente, mas cansado de tentar convencê-la do contrário, ele se aproximava ainda mais e erguia a mão, tocando a nuca da garota, segurando parte dos cabelos loiros macios.

— Hey, olhe pra mim... — Steve a tocava suavemente, puxando-a para mais perto...

O Capitão estava frustrado, perdido, confuso, mas muito apaixonado...

Ele passava a acariciar o cabelo da garota, num delicioso afago, enquanto a encarava firmemente...

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— Você e eu podemos ser confusos, mas... sabemos que precisamos um do outro...

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O sexto tiro era dado... ou era o sétimo...?

Kiara mantinha-se imóvel, mais uma vez sendo atingida pelos olhos azuis cor de céu que a hipnotizavam... se sentindo velejar naquele olhar...

Era naquelas horas que sua vontade de ficar com Steve aumentava...

— Sim, porque eu já disse antes, que preciso de você nem que seja para brigar...

— Você tem razão, Mary... é claro que vamos brigar... mas eu vou correr para os seus braços e dizer que sou um idiota, apenas pra que você tenha razão e ganhe a briga... e eu também sei que vou te magoar, porque tenho o dom de fazer muitas coisas erradas, mesmo tendo as melhores intenções do mundo, só que... eu vou te procurar e pedir desculpas mesmo assim...

Afetada por tais palavras, Kiara tentava dizer algo, mas era interrompida pelo dedo indicador do Super Soldado, tocando seus lábios, a impedindo de rebatê-lo.

— Também vamos ficar sem nos falar... mas por você eu engulo a raiva, só pra ficarmos bem de novo...

Steve dizia aquelas lindas e doces palavras no tom mais apaixonante de uma declaração de amor...

Mary ficava em silêncio, o fitando atentamente, embaraçada, mas ansiosa pelo desfecho de sua confissão...

O loiro permanecia tocando a nuca feminina, fazendo o carinho mais gostoso do mundo... a mimando... atraindo-a da forma mais afetuosa que podia existir...

E ele continuava...

— A verdade é que eu queria que não brigássemos nunca mais... e... – Steve parava no meio, porque achava que não teria coragem suficiente de confidenciar seus desejos mais profundos envolvendo Mary Crystal, quando os dois brigassem...

Ia dizer que mesmo sendo impossível que os dois não se desentendessem por nada, na próxima vez em que começassem a brigar, ele iria beijá-la, ou ela poderia beijá-lo... com raiva, com força, com vontade... e que Mary podia arranhá-lo e mordê-lo, porque se render a paixão era melhor do que vencer qualquer discussão idiota...

O Super Soldado queria que a garota descontasse sua fúria em seus lábios, em sua pele, em seu corpo... porque assim, ambos poderiam se jogar um no outro, se juntar, grudar, e no fim, trocar declarações de amor... porque desejava se reconciliar antes mesmo da última palavra de desentendimento...

Essa era a imaginação dele... brigar e fazer as pazes imediatamente...

Eles se encaravam, silenciosamente, desajeitadamente, e envergonhados... até que Steve começava a pigarrear, tentando retomar o que dizia com algo que tinha em mente.

— Se você estiver cansada do parque e quiser ir para outro lugar, tenho uma sugestão... – O loiro dizia, um pouco embaraçado depois de todos aqueles pensamentos...

— Qual...?

— Fiquei sabendo que o anfiteatro aqui do lado está exibindo a exposição de um planetário, e então... pensei que podíamos ir... eu e você... só nós dois... – O rosto dele corava levemente.

— Aah, Steve... a gente não faz o tipo de dançar com as estrelas!

— Não tem importância...

— Eu não sei se a gente vai fazer isso funcionar sem brigar...

— Eu tenho certeza que vamos... – O Super Soldado piscava, ainda olhando para ela.

— Eu não.

— Eu sim.

— Mas-

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— Mary... cala boca...

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— Hey! Você acabou de me mandar calar a boca!? – Ela o indagava, chocada.

— Eu não quero brigar com você de novo! Podemos apenas... aproveitar que estamos em Coney Island!? – Steve sorria ternamente, tentando desarmá-la.

— Não! Você me mandou calar a boca!!!

— Por que apenas hoje, não deixamos essas discussões idiotas de lado e aproveitamos o momento? O presente...?

— Presente!? Que presente!? Eu te disse que enquanto o seu passado fizer parte do seu presente, eu nunca vou estar com você no futuro!

O loiro respirava impaciente, completamente irritado.

— Pare de se comportar como uma louca, Mary Crystal! Chega de joguinhos!

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— Querido, eu não sou a mocinha, sou a bandida. E a Wanda não é a princesa, é a bruxa. Satisfeito?

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— Por que mencionou a Wanda?

— Porque ela e o Barnes estão atrás de nós. – A loira apontava para os dois...

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Que pareciam furiosos...

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— O que aconteceu!? – Kiara os contestava, achando estranho aquelas feições de decepção.

— Pietro está aqui, atrás de mim. – Wanda revelava, com raiva.

— Ele estragou o nosso encontro duplo. – Bucky replicava, irritado.

— E não é só isso... a Natasha também descobriu que viemos para Coney Island... – A feiticeira completava, sabendo que a Viúva Negra não aprovava que a mesma saísse com o Soldado Invernal.

— Ela não sabe que você está aqui com ele!? Por que não a avisou!? Sabe que a Romanoff é responsável por você e seu irmão! – Steve a questionava, tendo como resposta um aceno de cabeça da garota.

— Então temos que despistar a Nat. – Mary sugeria, fazendo James revirar os olhos.

— Despistar uma espiã da SHIELD? Que brilhante ideia!

— Seja como for, é melhor tirarmos a Maximoff daqui. Não queremos problemas com o Fury e o Conselho porque saiu sem avisar a Natasha para onde ia. – O Capitão sugeria a feiticeira, que assentia.

— Você está tentando roubar a minha garota, Steve!? – Bucky protestava, se opondo a ideia, afinal, ninguém ali estava fazendo nada de errado.

— Se não temos outro jeito, então sim, eu vou roubá-la... – O loiro afirmava, causando certa estranheza em Mary Crystal.

E ciumenta como era, a Segundo-Tenente assumia a liderança, sugerindo outra coisa.

— Vamos esquecer isso e ir para o Thunderbolt!? Se a Nat aparecer, eu enrolo ela! – Kiara segurava o braço da feiticeira, puxando-a para outro brinquedo do Luna Park, mas quando as duas se viraram...

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Deram de cara com Natasha Romanoff...

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A expressão da ruiva era ameaçadora... e sombria...

Mary recuou um passo, sentindo a aura maligna da espiã lhe assustar.

— Ah por favor, crianças... eu estava atrás de vocês há uma hora... acham que podem me enganar agora...? – A Viúva Negra revelava, deixando os quatro muito assustados.

— Romanoff, não culpe os dois. Eles só marcaram de estar aqui porque queriam que eu e a Mary nos encontrássemos. – O Super Soldado assumia a culpa, arrancando um sorriso de escárnio da ruiva.

— Sério...? Algum de vocês tem insulina? Porque eu estava quase morrendo de diabetes ao ver os dois pombinhos loiros discutindo a relação no meio do parque... – Natasha zoava Steve e Mary, que espionava o casal STARY por puro divertimento, embora estivesse ali atrás de Wanda.

— Eu não estava discutindo relação com ninguém! Eu e ele não temos nada a ver um com o outro! – A Segundo-Tenente desdenhava do Capitão, que a encarava com fúria.

— Queria que você repetisse isso se tivesse visto a sua cara apaixonada num espelho, no momento exato em que estava me declarando pra você, Mary Crystal! – O loiro retorquia, com muita raiva.

— Pare de dizer essas coisas constrangedoras na frente deles!!! – Kiara replicava, sentindo seu rosto arder de vergonha.

— Meus sentimentos podem ser constrangedores só pra você, que é uma garotinha imatura que finge que não sente nada por mim! – Ele rebatia, com ímpeto.

— Cala boca, Steve! Se você não parar, eu vou chutar a sua bunda tão forte, que você vai parar do outro lado do Cyclone!

— Que ótimo, olha só o que você acabou de fazer, Agente Romanoff! Estragou o encontro duplo que estávamos tendo! Eles dois com certeza iriam se entender, mas você tinha que aparecer não é!? – Dessa vez, era Bucky quem começava a protestar, com muito ódio da Viúva Negra por ter estragado seu grande momento com Wanda.

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— Pare de espernear, Barnes... você não tem mais idade pra isso... – A ruiva o olhava de forma desdenhosa, de cima em baixo...

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E então, o sargento esboçava uma careta de nojo e então...

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— ядовитая змея... (cobra peçonhenta) – Ele resmungava, em russo.

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— бабник без стыда... (Mulherengo, sem vergonha) – A ruiva rebatia, também em russo.

— пронырливый! (Intrometida)

— педофил! (Pedófilo)

— незамужняя женщина! (Solteirona)

Wanda era a única a entender tais xingamentos em russo, os encarando perplexa...

Mas Kiara resolvia traduzir.

— Ela xingou ele de ‘velho’, e ele a xingou de ‘gorda’, daí ela rebateu com ‘pobretão’ e ele devolveu com ‘aproveitadora’. Foi isso...

— Eles não disseram nada disso... — Wanda esclarecia, tentando segurar o riso.

— É verdade, não disseram... — Mary rebatia, irônica.

Natasha observava a cena, achando que Mary, Steve e Bucky eram a reencarnação dos três patetas.

A espiã só queria proteger Wanda, porque a via como uma irmã mais nova... e mesmo não querendo, se recordava de Yelena, então, não poderia deixar que a feiticeira caísse nas garras do mulherengo sargento Barnes.

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Do outro lado, Pietro e Darcy viam que Natasha aparecia para estragar o encontro duplo.

O velocista observava tudo através de um binóculo e a estagiária? Bem, essa decidia se mandar no mesmo instante.

— Chega, eu tô fora!

— Pra onde você vai!?

— Vou embora, mas da próxima vez que encontrar com a Wanda, dizer a ela que você é um idiota!

— De que lado você está afinal, Darcy!?

— Do lado que se cansa de um babaca que não sabe lidar com os ciúmes da irmã. Tchau, Pietro. – E então, a garota o deixava sozinho, odiando bancar a detetive ao lado daquele garotinho mimado.

O velocista suspirava impaciente, dividido entre ir atrás de Darcy e de Wanda, mas seu coração dava prioridade a sua irmã, e então...

Ele rapidamente correu, chegando em menos de um segundo onde Steve, Mary, Natasha, Bucky e Wanda estavam.

Os cinco arregalaram os olhos, ao verem o velocista ali... do nada...

Ele agarrava o braço de sua irmã, com força.

— Vamos embora, Wanda!

— Pietro!? Por que só agora!? – A feiticeira o indagava, sabendo que ele a seguia a mais de uma hora.

— Porque eu confiei que você sairia por conta própria, mas vejo que me enganei, então vamos!

— Pare de agir como um idiota! – A feiticeira puxava seu braço com força, deixando-o furioso.

— Eu não quero que você se envolva com esse sargento! Ele é muito mais velho que você e é americano! – Pietro apontava para Bucky, que esboçava uma careta em protesto.

— Hey, mais respeito comigo, seu pirralho! – O soldado retorquia, num tom autoritário.

— Por que está mencionando só o James!? A Darcy também é mais velha do que você e é americana, então pare de exigir de mim o que você não faz!

— A Darcy é apenas quatro anos mais velha que eu e...-

— E daí!? Pare de implicar com ele, ou eu vou dizer pra Darcy desistir de você! – Wanda o ameaçava, mas Pietro não parecia se importar.

— Ela já desistiu! Agora vamos embora!

— Não!

— Chega! Eu sou a responsável por vocês dois e sou quem decido se vamos embora. – Natasha intervinha, separando os dois irmãos gêmeos, que se encaravam com ódio, a ponto de lasers saírem de seus olhos.

— E pra onde nós vamos então? – Wanda a contestava, confusa.

— Vamos para o Nathan’s comer cachorro quente, mas você não vai sair do meu lado. – A ruiva agarrava o braço da garota, impedindo-a de escapar.

— Ótimo, agora vamos ter que comer comida americana, num parque de diversões americano!? – Pietro reclamava, sentindo asco de tudo que envolvia os Estados Unidos.

— Você pode ir pra casa se quiser, idiota. – E então, Natasha puxava Wanda dali, deixando todos eles para trás.

Pietro também resolvia segui-las.

Steve, Bucky e Mary observavam os três deixá-los para trás...

— Nossos encontros duplos nunca dão certo... – O Capitão reclamava com seu melhor amigo.

— Sim, e a culpa é sua... – James rodeava o ombro do amigo, apoiando o braço humano ali, puxando-o na mesma direção que Natasha, Wanda e Pietro.

— Idiotas... – A loirinha os seguia, ainda segurando seu ursinho.

Por ora, os seis se davam uma trégua, apenas para comer.

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Uma hora e meia depois, já anoitecendo, Pietro devorava seu quarto cachorro quente, maravilhado com o sabor delicioso.

Natasha revirava os olhos... céus, aquele garotinho sokoviano não tinha dignidade alguma? Não era ele que estava xingando a comida americana do parque?

Enquanto a espiã estava sentada com os irmãos, Mary estava com Steve e Bucky, deixando o ursinho que tinha ganhado dentro de sua mochila.

A garota já tinha tomado dez latas de cerveja e contava piadas de bêbado para o sargento, que ria de todas elas.

Mary estava embriagada...

O Capitão apenas se sentia envergonhado pelo vexame que ela parecia dar.

— No final, eu e esse fóssil é que te ajudamos a sair com a Wanda, não é Barnes?

— Não, porque a bruxinha não está comigo agora. Ela está ao lado do Cérberus, o cão guardião dos portões do inferno... – Bucky desferia um olhar fatal na direção de Natasha, que sentia sua aura obscura e o encarava de longe, de canto de olho, rebatendo a afronta.

— Que seja! Mas depois de todo esse esforço, sabe o que eu mereço? — Kiara contestava o sargento.

— Uns parabéns? – James redarguia.

— Não... um beijo. Na bochecha! Vamos lá, Cap, me dê o meu prêmio! – A Segundo-Tenente exigia, rindo enquanto terminava de beber a última lata de cerveja da mesa.

— Eu não vou te beijar, sua bêbada!

— Qual é, Steve, beija ela! Feche os olhos e imagine que é a Lana Turner na sua frente! – O sargento o incentivava, arrancando uma expressão de assombro na face do Capitão.

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— Quem é Lana Turner!? – Mary o questionava, confusa e chocada.

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— Era uma atriz loira, muito bonita e considerada um símbolo sexual da década de 40. O Steve babava nos filmes dela e-

“Cala boca, idiota!” – O loiro dava um cutucão nas costelas do amigo, o xingando mentalmente.

— Ah, seu safado, quer dizer então que você mentiu quando disse que não gostava de mulheres loiras!? – Kiara o contestava com raiva.

— E-eu apenas disse isso p-para que você parasse de dar em cima de mim! – O Super Soldado redarguia, sentindo seu rosto esquentar de vergonha... céus, por que Bucky tinha que falar sobre Lana Turner justo naquele momento?

— Se você tem preferência por loiras, então hoje é seu dia de sorte! – A Segundo-Tenente se levantava do banco e...

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Sentava no colo de Steve, deixando-o completamente constrangido na frente de Bucky e de todas as pessoas que transitavam pelo local.

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— Saia de cima de mim! – Ele tentava puxar o corpo da garota para frente, mas Mary praticamente se pendurou no pescoço dele, tornando tudo mais difícil.

— Sei que estou atrapalhando o lindo casal, mas não pretendo perambular pelo parque para deixá-los a sós, então ficarei sentado aqui, fingindo que vocês dois não querem dar uns amassos. – O sargento confessava, sorrindo de canto, achando aquela cena muito engraçada.

Sim, porque era louco ver seu melhor amigo, o ser mais tímido do universo, corando feito um tomate.

Era impagável presenciar a primeira vez que uma mulher sentava no colo de Steve.

— Mary, saia de cima de mim agora! – O Capitão exigia, virando o rosto, apenas para não ter que encará-la.

— Só saio se você me der um beijo no rosto! Caso contrário, vou continuar bebendo e torrando a sua paciência o resto da noite!

— Não comece... saia enquanto estou pedindo com educação...

— Qual é, Cap!? Vai negar um simples beijinho de agradecimento à sua heroína? Eu sei que transformei o seu dia em um dia especial!

— Eu não vou-

— Anda logo! — Kiara reclamava, enquanto mantinha os braços em torno do pescoço dele.

Steve suspirava fundo, porque a Segundo-Tenente estava embriagada e não adiantava debater com uma mulher bêbada do nível dela...

Natasha, Wanda e Pietro que estavam sentados em outra mesa, observavam a cena, abismados com a cara de pau de Mary Crystal.

O loiro estava muito envergonhado e não sabia como prosseguir, porém, não tinha outro jeito... precisava ceder aos desvairos de uma bêbada se quisesse que a mesma saísse de seu colo.

A garota oferecia o rosto para que ele a beijasse, inclinando-se audaciosamente.

O Super Soldado respirou fundo e finalmente resolveu fazer o que ela lhe pedia.

Quando o Capitão se aproximou totalmente da bochecha da garota, prestes a beijá-la, Kiara virou o rosto rapidamente, fazendo com que...

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Steve acabasse beijando sua boca, num selinho proposital.

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A Viúva Negra, o Mercúrio e a Feiticeira Escarlate arregalaram os olhos imediatamente e Bucky começava a gargalhar na frente do casal...

Steve virou rapidamente o rosto, completamente chocado e evitando que a loira vislumbrasse sua expressão envergonhada.

Mary Crystal ria junto com James, diante da expressão de choque do loiro.

Ela o fitava um olhar ousadamente debochado, mordiscando o lábio inferior num gesto de provocação.

Já ele, sentia as bochechas esquentarem... de vergonha, raiva e embaraço...

Steve odiava quando Mary brincava com ele daquela forma...

— Você me paga... – O Super Soldado rosnava baixo o suficiente para que apenas Mary ouvisse.

— Como devo te pagar...? Você aceita prestação de serviços sexuais? Podemos procurar algum motel aqui perto e mandar ver, o que acha? O book rosa, lembra!? Ainda quer que eu faça!?

— Só nos seus sonhos... — Redarguia, com ódio.

— Ah, eu sei que você também sonha comigo, Cap... Eu sou inevitável...!

— Pare de repetir essa frase! – Ele revidava, exasperado e com muito ódio.

E quando Steve pensava que tudo não podia piorar, ao olhar para o lado, o Capitão dava de cara com...

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Sharon Carter...

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Que visualizava a cena grotesca de Mary Crystal sentada no colo dele, rindo freneticamente enquanto mantinha seus braços presos no pescoço masculino.

A Agente 13 observava tudo aquilo, perplexa... chocada... abismada...

Há poucos dias, ele dizia que queria sair com ela e leva-la a sério e agora estava ali, rendido nos braços da Segundo-Tenente? Aquela que queria esquecer?

— Iih, sujou... – Bucky avisava, chutando a perna de Steve por baixo da mesa, mostrando ao amigo que Sharon estava ali.

Natasha que estava sentada logo do lado, arregalava os olhos, tentando disfarçar que não havia visto Sharon, ou provavelmente sobraria para ela também.

Quando Steve notava a Agente 13 olhando para ele com uma expressão de decepção, não sabia o que fazer...

Por que ela estava ali?

E então, Sharon virava de costas e resolvia sair do local.

O Capitão então empurrou Mary Crystal de seu colo, decidindo ir atrás da Agente 13.

— Sério que você vai atrás dela...? – Bucky franzia o cenho, perplexo diante da decisão do amigo.

— Diferente de você, eu não gosto de quebrar o coração das pessoas. – E então, o Super Soldado corria na direção da loira, deixando o sargento e a Segundo-Tenente sozinhos.

Kiara sentava ao lado de James, respirando fundo, como se já esperasse por aquilo.

— É por isso que vocês não se resolvem? Porque esse Punk idiota está sempre mantendo seus vínculos com as Carter, certo?

— Isso também... – A garota apoiava os braços na mesa, escondendo seu rosto, completamente decepcionada...

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Ela e Steve eram um caso perdido mesmo...

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Do outro lado do parque, o loiro atravessava a multidão atrás de Sharon, e quando a alcançou, segurou firme o braço dela.

— Espera! Precisamos conversar!

— Desculpe, mas não temos nada pra falar um pro outro... – A loira tentava se desvencilhar do aperto, mas Steve insistia.

— Por favor, me deixe explicar...

— Quando me disseram que você estava em Coney Island junto com a Mary, eu não acreditei, então vim até aqui me certificar e... estou chocada por constatar que é verdade...

— Eu posso explicar! O Bucky me enganou, me chamando para vir ao parque acompanhar ele e a Wanda, então quando cheguei aqui, Mary Crystal estava junto...

— E por que você não foi embora?

— Porque... – Steve não sabia o que responder...

Não queria estar ali, mas depois de ver a pessoa ao qual era perdidamente apaixonado bem em sua frente, seu coração o traiu...

Não havia justificativa para seu erro...

— Eu não fui embora porque não consegui... me desculpe, Sharon...

— Steve, não estamos num relacionamento. Você não me deve satisfações...

— Mas quero dar mesmo assim...

— Olha só... embora você diga que odeia a Mary, que ela te deixa louco, que a quer longe porque seus sentimentos não são correspondidos e que quer esquecê-la, não é isso que vislumbro quando olho pra vocês dois juntos. Ela exerce certo domínio sobre você... é algo que nem mesmo eu consigo... – A agente confessava, deixando um brilho confino em seus olhos, muito evidente...

Lágrimas...

— Não é bem assim... eu... fui pego de surpresa hoje e-

— Todas as vezes em que saímos juntos, você a mencionava, dizendo sobre o que mais odiava nela, sobre seus defeitos e de tudo de ruim que ela te fazia, só que no final, você nunca conseguiu esquecê-la...

— Não, não é bem isso, Sharon, eu-

— Você apenas me usou porque ela estava longe, talvez pra preencher algum espaço em branco que a Mary deixou quando foi embora para Colorado Springs. Confesse, Steve! – Sharon o interrompia, deixando claro o que achava.

— Isso... i-i-isso não é verdade...!

— É a verdade. Apenas pare de mentir pra si mesmo...

O Super Soldado estava decepcionado por agir exatamente como a maioria dos homens babacas que enganavam uma mulher... ele não queria fazer isso com Sharon, porque ela não merecia...

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— Então é assim que ficamos, Sharon...?

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— Eu gosto muito de você, Steve... mas não consigo levar isso adiante, sendo que você é apaixonado pela Mary...

— Mas você prometeu que me faria esquecê-la... – O loiro esboçava uma feição melancólica, de remorso e tristeza, ainda segurando o braço da agente.

— Eu não posso cumprir minha promessa...

— Por quê?

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— Porque ela também te ama...

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Os olhos azuis arregalavam diante de tais palavras...

— O-o-o quê!?

— É a verdade... – Sharon confessava, com um semblante muito triste.

— Como você sabe disso...?

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— A tia Peggy... ela me disse que a Mary te ama...

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Tal revelação deixava o Super Soldado de pernas bambas...

Mary Crystal o amava? Mas aquilo era impossível...

Sabia que a Segundo-Tenente possuía uma forte paixão por ele, mas amá-lo...? Não fazia sentido que Kiara nutrisse amor verdadeiro por ele...

— Como a Peggy sabe disso!?

A agente suspirou, tentando recuperar o fôlego.

— No dia em que você e a Mary estiveram na casa da tia Peggy em Washington, as duas tiveram uma conversa e ela confessou que a Mary prometeu que cuidaria de você no lugar dela, ainda que você não deixasse...

O loiro arregalava os olhos... não conseguia acreditar no que Sharon lhe dizia.

— Isso é impossível...

— Foi uma promessa... ela prometeu isso a minha tia... então, só resta você esperar pelo dia em que a filha do Presidente seja sincera com você... – A loira revelava, deixando que duas lágrimas escapassem de seus olhos.

O Super Soldado observava o semblante de dor no rosto da Agente 13, achando tudo aquilo muito cruel...

Mary Crystal havia feito uma promessa mentirosa ou real? Se fosse mentirosa, ele não a perdoaria, mas se fosse real... ele também não a perdoaria, por tê-lo enganado por todo aquele tempo...

Como ela tinha coragem...? Como conseguia brincar com os sentimentos das pessoas daquele jeito?

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Steve estava cansado de construir navios por quem não construiria nem mesmo um barquinho de papel por ele...

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