Nemesis
3 Mudança de planos de ambos os lados

Mudança de plano de ambos os lados
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5 de Abril de 2012, 5:15pm
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Соковиja – Sokovia
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Muitos jovens participavam de mais um protesto nas ruas do país, que se tornava uma zona de guerra com forças estrangeiras invadindo seu espaço com frequência.
A bandeira dos Estados Unidos era queimada por alguns deles.
E no meio do grupo, havia dois jovens que sustentavam um ódio inigualável por Tony Stark: Os gêmeos Pietro e Wanda Maximoff.
O motivo era algo doloroso: Aos dez anos, enquanto jantavam com sua família, um míssil atingiu o prédio onde moravam, matando os pais de Pietro e Wanda, prendendo ambos no meio dos destroços.
Um segundo míssil atingiu o local, mas não explodiu, e os gêmeos ficaram presos por dois dias olhando para a projétil.
Com menos de um metro de distância, os dois podiam visualizar o nome da empresa fabricante do míssil:
Indústrias Stark.
E não tão longe dos protestos, alguns homens infiltrados no meio das pessoas, observavam os jovens que lideravam o grupo: Os gêmeos Maximoff.
Os dois irmãos pareciam muito promissores, e o ódio estampado em suas faces revelava que possuíam o perfil desejado para a nova missão que o líder da base de pesquisa da HDYRA em Sokovia desejava.
Wolfgang von Strucker recebia ordens diretas de Alexander Pierce em Washington DC, e o cetro do irmão de Thor estava a caminho por alguns membros da equipe S.T.R.I.K.E..
Algo grande ocorreria em breve, já que por algum motivo, a HYDRA havia sido descoberta dentro da SHIELD e todos eles precisavam agir rápido.
O Doutor List, um dos maiores cientistas da HYDRA, levava o cetro junto com a S.T.R.I.K.E. para Strucker e chegaria em Sokovia em breve, com a missão de realizar alguns experimentos com a joia da mente.
Aquela era a hora mais propícia para recrutarem pessoas que se submetessem a testes com o cetro, e os irmãos Maximoff estavam no radar da HYDRA como possíveis recrutas daquele projeto.
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5 de Abril de 2012, 11:16am
Washington DC – Capital dos Estados Unidos
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Alexander Pierce e vários membros da S.T.R.I.K.E. se encontravam numa reunião de emergência na capital, no quartel general da SHIELD em Washington, quase um dia depois da batalha de Nova York.
Brock Rumlow, Jack Rollins, Jasper Sitwell e vários agentes da unidade tática discutiam fervorosamente o fato de o Capitão América ter levado o cetro num determinado momento e logo depois o objeto reaparecer misteriosamente no mesmo lugar, como se o mesmo não tivesse sido tirado das mãos da equipe S.T.R.I.K.E.
O fato de Steve Rogers ter mencionado o secreto “Hail, HYDRA” no ouvido de Sitwell, com todos os agentes presenciando tal ato, complicava ainda mais as coisas.
— O Capitão América sabe sobre a HYDRA e provavelmente jogou uma isca... vocês caíram como uns patinhos... – Alexander Pierce se encontrava agitado por aquela catástrofe acontecer tão repentinamente.
— Senhor, nós pensamos que ele estivesse do nosso lado. – Sitwell argumentava sem sucesso.
— O maior inimigo do Capitão Rogers sempre foi a HYDRA e nesse momento, Nick Fury deve estar traçando planos para uma possível contenção. Ele sabe sobre nós e é questão de algumas horas antes de acontecer uma guerra dentro da SHIELD. O conselho deve estar ciente também. Temos de agir rápido. – Pierce rebatia as respostas dos agentes.
— O cetro já está quase chegando em Sokovia, senhor. Strucker está preparado para recebe-lo. – Rumlow avisava a atual situação e localização do cetro de Loki.
— Ótimo. Em hipótese alguma, Nick e os Vingadores podem saber sobre onde o cetro foi parar. A base de Sokovia é o local mais seguro no momento.
— Nos diga quando devemos nos posicionar para os ataques que o Diretor Fury fará, senhor. – Jack Rollins contestava Alexander Pierce, que naquele momento respondia sua pergunta.
— A hora é agora. Descongelem a arma... – E então, o atual líder da HYDRA ordenava que seus agentes entrassem na câmara de nitrogênio numa base secreta, que ficava num lugar muito distante dali.
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— Devemos descongelar o Soldado Invernal, senhor? Tem certeza? – Sitwell contrapôs, perplexo pela decisão de seu líder, afinal...
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O Soldado Invernal só era acionado nas missões de mais alto risco.
— O projeto Insight ainda não está pronto e sua conclusão está estipulada para daqui a dois anos. Como não podemos esperar esse tempo, precisamos usar as melhores armas, então, além do punho da HYDRA, preciso que vão atrás de outras pessoas também.
— Que pessoas, senhor? – Dessa vez era Rumlow quem o indagava.
— Aquela garota que trabalhou como agente furtiva... ela será de grande ajuda, já que provavelmente teremos que lidar com os Vingadores em breve. – Pierce concluía.
— A fantasma? Ava Starr? Mas ela trabalha apenas para a SHIELD, senhor. – Sitwell rebatia.
— Vocês melhor do que ninguém conhecem o problema dela. Sabemos o que essa garota quer e vamos oferecer o que deseja, mas em troca, ela terá de trabalhar para nós. – Alexander Pierce argumentava de volta.
— Isso não é arriscado? – Rollins questionava.
— A HYDRA tem de dar a liberdade que o mundo precisa. Não podemos permitir que Nick Fury e os Vingadores interrompam os nossos planos. – Pierce rebateu, totalmente convicto.
Agora não era hora de porquês, mas se prepararem para o futuro ataque do Diretor da SHIELD e possivelmente dos Vingadores.
Teriam de lutar com tudo o que tinham.
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5 de Abril de 2012, 12:06pm
Nova York – Manhattan
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Mary Crystal Ellis passeava entre alguns escombros da quinta Avenida naquela ensolarada manhã de primavera Estadunidense.
Diferente de todos os moradores de Nova York que se encontravam extremamente chocados com a batalha do dia anterior, a garota esbanjava bom-humor, alegria e descontração.
A maior parte dos comércios se encontrava de portas fechadas e tudo o que ela desejava no momento, era achar uma boa cafeteria, sentar e relaxar, como se nada tivesse acontecido...
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Como se o mundo quase não tivesse sido destruído e governado pelo deus da trapaça um dia atrás...
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A loira andava calmamente pelo local, observando a pouca movimentação nos quarteirões ao redor do hotel ao qual estava hospedada com seu irmão mais velho e uma amiga.
Ela carregava uma pequena câmera digital, com o intuito de tirar algumas fotos do estrago que tinha se tornado Manhattan.
Enquanto caminhava despreocupadamente, Mary ouvia música no volume mais alto em seus fones de ouvido, cantando e dançando com o ritmo da canção.
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Queen – Another One Bites The Dust.
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— Steve walks warily down the street ♪ (Steve caminha cautelosamente na rua)
With his brim pulled way down low, (Com seu chapéu caído sobre os olhos)
Ain't no sound but the sound of his feet, (Não há som além do barulho de seus passos)
Machine guns ready to go, (As armas estão preparadas)
Are you ready, hey, are you ready for this? (Você está pronto, hey, está pronto para isso?)
Are you hanging on the edge of your seat? (Você está bem preso no seu assento?)
Out of the doorway the bullets rip, (Do outro lado da porta as balas disparam)
To the sound of the beat, yeah, (Ao som da batida, yeah)
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Another one bites the dust... (Mais um bate as botas)
Another one bites the dust ... (Mais um come poeira)
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As pessoas a olhavam, achando totalmente bizarro seu comportamento.
Dançando de forma espirituosa e cantando despretensiosamente, alheia a tudo a sua volta.
Aquela garota parecia ter problemas mentais, se pudessem julgá-la por sua conduta estranha.
E não tão longe dali, lá estava Harry Jasper Ellis, seu irmão, olhando para todos os cantos, procurando-a desesperadamente como no dia anterior.
Quando o rapaz finalmente avistou sua irmã dançando no meio da rua, automaticamente ele alargou os passos em sua direção...
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— Kiara! – Ele gritava, mas ela não conseguia ouvi-lo.
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— KIARA!!! – Mais uma vez o irmão mais velho a chamava, mas a garota era incapaz de ouvir a voz dele e de Freddie Mercury ao mesmo tempo.
— KIARAAAAAAAAA!!! – E então, o rapaz arrancou os fones de ouvido dela com muita violência, fazendo a loira se virar para trás abruptamente.
— HEY, QUEM MANDOU VOCÊ PUXAR O MEU FONE!!? – Gritou de volta, com sanha e fogo nos olhos.
— VOCÊ ESTÁ DANÇANDO E CANTANDO NO MEIO DA RUA DE NOVO!!? AS PESSOAS AO REDOR ESTÃO VENDO!!!
— E DAÍ!!?
— E DAÍ QUE VOCÊ ESTÁ SE EXPONDO, SEU TAMANDUÁ DO HIMALAIA!!!
Os dois irmãos se esgoelavam no meio da rua, chamando ainda mais atenção de todos do local.
— Idiota, stronzo, pagliaccio!!! – A garota rebatia, mas em outra língua...
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Italiano...
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— Sembrerai un ritardato che balla in mezzo alla strada, guardando le persone sussurrare di te!? (Vai ficar igual a uma retardada dançando no meio da rua, vendo as pessoas cochicharem sobre você!?) – O rapaz rebatia.
Os irmãos passaram a gritar um com o outro, mas em italiano, fazendo as pessoas ficarem ainda mais curiosas e perplexas.
— Hai interrotto la mia canzone per dirlo!!? (Você interrompeu a minha música pra falar isso!!?) – A loira respondia com muita violência, gritando mais algo que o irmão.
— Non far finta di non sapere che influisce sull'immagine di papà! (Não finja que não sabe que isso afeta a imagem do papai!) – Harry argumentava contra sua irmã de forma selvagem, mencionando o pai dos dois, que se encontrava num momento caótico na política.
— Oh, per favore! Ha vinto i premi, sta vincendo nei sondaggi, quindi non sarà la mia piccola danza a New York che lo farà perdere! (Ah, por favor! Ele venceu as prévias, está vencendo nas pesquisas, então não vai ser a minha dancinha em Nova York que vai fazer ele perder!) – A garota se referia a reeleição de seu pai para a presidência dos Estados Unidos.
— Non quando questa piccola danza è il giorno dopo che un esercito alieno domina quasi il pianeta, quindi smette di essere insignificante! (Não quando essa dancinha é um dia depois de um exército alienígena quase dominar o planeta, então para de ser inconsequente!) – O rapaz continuava enfrentando sua irmã de modo ferrenho, deixando as pessoas ao redor completamente abismadas.
Elas cochichavam, dizendo que italianos tinham a fama de serem barraqueiros e discutirem em voz alta no meio da rua, de forma mal-educada e espalhafatosa, já que fazia parte da cultura deles.
Harry se importava com a imagem do pai, embora ele e Mary não fossem conhecidos pela população, sendo eles dois militares que tinham a vida totalmente privada e sem exposições nos tabloides americanos.
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A população mediana não conhecia o rosto dos irmãos Ellis, filhos do Presidente Matthew Ellis.
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Do outro lado da rua, uma garota loira e magra segurava um saquinho de pipoca, dando altas risadas da briga dos dois irmãos.
Harry puxava a alça da blusa da irmã com força, tirando-a do meio da rua e lhe forçando a voltar mais uma vez com ele para o hotel.
— Me larga, Harry! Para de estragar as minhas férias!!! – A Segundo-Tenente continuava gritando com seu irmão, no ímpeto de fazê-lo desistir.
— Você não tem vergonha!? Está usando a mesma roupa de ontem e saindo por aí de forma desleixada, como se fosse uma qualquer!
— Eu não tenho culpa se todas as lojas de roupa estão fechadas e tive que repetir o mesmo vestido de ontem! Agora me larga!
— E se alguém te reconhecer, Kiara!? Por que você tem que ser tão inconsequente!?
— A gente finge que tá de boa, mas é cada vontade de dar uma tijolada...! — A garota revidava, com raiva de seu irmão mais velho se achar no direito de arrastá-la dali.
— Essa vergonha eu não carrego! Você vai voltar pro Colorado ainda hoje! – O Major ameaçava mandar sua irmã de volta para a base em Colorado Springs, porque estava farto das maluquices dela.
— O que você tá fazendo aqui estragando a MINHA LICENÇA NA FORÇA AÉREA!? Volta pro mar, oferenda! – Mary continuava gritando, mas dessa vez no idioma normal.
— Volto para a Marinha no mesmo dia que você volta pra sua base na Força Aérea, sua rã albina! – Harry adorava chamar sua irmã de apelidos nojentos.
— Eu vou é dar risada, porque dar tiro ainda é crime! — Bradava com fúria, totalmente fora de si... céus, como odiava seu irmão. Se pudesse mandá-lo numa viagem só de ida para Marte, com certeza não pensaria duas vezes.
E não muito longe dali, a garota loira com o saquinho de pipoca na mão, continuava observando-os, com uma expressão travessa no rosto.
— Por que você não interferiu!? Ele tá me agredindo! – Mary gritava com a garota que segurava o saquinho de pipoca, a alguns metros.
— Eu não... vocês se odeiam mas se amam... — Ela continuava comendo.
— Amber, esse ditador quer cercear a minha liberdade de ir e vir! Me ajude! – A loira pedia ajuda a sua amiga...
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Amber Rachel, Segundo-Tenente da Força Aérea Americana, que se encontrava de licença junto com Mary Crystal e Harry Jasper.
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— Enquanto você fica dando suas voltinhas por aí, o mundo está de pernas pro ar por causa desse ataque a Nova York e nós deveríamos estar ao lado do papai, dando apoio moral!
— Eu não tô nem aí pro mundo! Isso aqui devia ter acabado nos anos 2000!
— Sua idiota!
— Eu não acredito em violência, mas eu vou te arrebentar!
— Você não vai dizer nada, Amber? Olha só o papelão que sua amiguinha aqui está fazendo. – O rapaz apontava para a amiga de Mary, que revirava os olhos em resposta.
— Eu não, tô de férias igual a vocês e não me meto em brigas de família. – A garota continuava comendo a pipoca, despreocupadamente.
— Agora mudando de assunto, hoje vai ter a festa dos veteranos no Brooklyn Heights e vai ter uma galera do Exército, Marinha e Força Aérea lá. O papai disse que seria importante que fôssemos. – Harry mencionava sobre um evento anual que ocorria em Nova York, para os veteranos de guerra do país.
— Eu tenho mesmo que ir nesse evento de gala ficar fingindo que sou educada e sorrindo para aquele bando de velhos babões e tarados que não podem ver uma mulher produzida, que já querem estrear os viagras que compraram com algum camelô do Bronx!? – Mary fazia cara de nojo e Harry suspirava, impaciente.
— Estamos em época de eleição, Mary. O papai está em campanha, então será que você pode apenas ser gentil e ajuda-lo pelo menos uma vez na vida!?
— Sou fisicamente incapaz de ser gentil!
— Me disseram que o Capitão América vai estar nesse evento. – Amber comentava, ainda comendo pipoca do saquinho.
— É verdade, ele vai estar lá! É uma ótima chance pra você conhece-lo, não acha!? – O irmão de Mary sorria de forma afetuosa, fazendo a garota exibir uma careta assombrosa em resposta.
— Capitão América!? Se fosse o Jimi Hendrix eu até ligaria, mas ele...? Não, obrigada.
— Será que você pode parar de optar ser uma pessoa arrogante e egocêntrica pelo menos uma vez na vida? – Harry continuava lhe repreendendo, mas a garota não parecia ligar.
— Eu não sou arrogante... conheço a estupidez humana e só não quero me contaminar...
— Eu tenho tanta vergonha de ser seu irmão... — Ele massageava as têmporas.
— Estou precisando urgentemente de um chicote emprestado, de preferência trançado, por que sabe como é né... tem muito burro querendo ser cavalo... – A garota olhava para Harry de baixo em cima, e o rapaz a fitava calado, nas fronteiras da paciência/impaciência.
— A idade chega para todos... a maturidade, infelizmente não... – Ele revirou os olhos em resposta. Não suportava a infantilidade da irmã.
— De qualquer forma, acho melhor você ir. Teve um grupo nosso lá do Colorado que disse para os organizadores do evento que você sabe tocar piano e eles estão esperando que você apresente alguma coisa hoje à noite. – Amber interrompia as afrontas de ambos os irmãos, deixando Mary irritada com a novidade fora de hora.
— E só agora vocês avisam!? Eu vou ter que tocar piano pra um monte de velho!? Vocês querem me vestir de palhaça pra animar um asilo!? É isso!!?
— Ficamos sabendo disso nessa manhã e você também saberia, se não tivesse fugido do hotel e ido pro meio da rua cantar e dançar Queen! – Harry voltava a gritar com a garota, que lhe desferia um olhar de lasers.
— Eu devia ter sido filha única!
— Sinto muito ter estragado seus planos, mas caso tenha esquecido, EU SOU O MAIS VELHO...! – O rapaz sorriu de canto, triunfante.
— Grande coisa! – Ela rosnava, rangendo os dentes.
— E depois eu que sou o cavalo...
— Já chega né!? Vocês ficaram gritando e as pessoas até agora estão olhando pra cá. – Amber tentava apartar a briga.
— A culpa é dela... – Harry apontava para a loira.
— Eu devia ter te empurrado daquele barranco lá na Sicília, anos atrás... – Mary mencionava um dos lugares em que ela e Harry viveram na Itália quando crianças.
— Quando você nasceu, eu devia ter te jogado na lata do lixo... — O rapaz devolvia, fazendo a garota arregalar os olhos, prestes a revidar.
— CHEGA VOCÊS DOIS! Vem, Mary, vamos caçar alguma loja pra gente comprar um vestido pra hoje à noite! – Amber puxava o braço da amiga, tirando-a de perto do rapaz.
— Acho bom vocês não demorarem... – Harry prezava muito pela imagem do pai, caso a irmã fizesse alguma maluquice por aí.
Ainda de costas, a irmã mais nova mandava o dedo do meio para ele, que apenas suspirou profundamente e virou de costas.
E então, Mary e amber passaram a caminhar em meio aos escombros da batalha, procurando por lojas que estivessem abertas no meio de toda aquela bagunça.
— Sério, se você não tivesse me tirado dali, eu teria chutado ele. – Mary rangia os dentes. Só havia um homem que lhe tirava do sério em todo o planeta.
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Seu irmão mais velho.
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— Esquece o Harry. Foco na festa.
— Essa festa... eu preciso mesmo ir?
— Sim. Vai representar o seu pai e a nossa categoria.
— Mas o Harry pode representar a categoria.
— Sim, a dos marinheiros. Nós voamos, esqueceu? – Amber piscava e Mary fazia uma careta.
— Eu quero passar os últimos dias da minha licença em Los Angeles...! – A garota choramingava.
— Nós já ficamos uma semana em Los Angeles, Kiara...
— Quero voltar para lá e pegar uma praia! – Mary morou boa parte de sua vida na costa oeste dos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles, então, a garota amava o lugar. Era a sua segunda casa depois da Sicília – Itália.
As duas voltariam para a base da Força Aérea em Colorado Springs em poucos dias.
— Vamos para Long Beach então... – Amber sorria, enquanto andava com o braço direito cruzado com o da amiga. Long Beach ficava no estado de Nova York, a poucas milhas da capital.
— Não... quero ir pra Malibu. Topa? – Mary sugeria, arrancando uma risada alta da amiga.
— Eu entendo sua paixão pela Califórnia, mas vamos ficar por aqui mesmo, ou o Harry vai atrás de nós duas com um machado na mão se descobrir que a gente fugiu pra costa oeste.
— Ele que venha com o machado que estarei com meu canhão bem posicionado. – A loirinha sorria diabolicamente. Ela e seu irmão brigavam mais do que irmãos normais.
— Eu acho tão hilário esse amor entre vocês... — Amber sorria docemente, porque ela sabia que eles brigavam, mas tinham muita união.
— Vamos esquecer essa fuinha parasita do Harry e falar sobre outra coisa.
— Sobre o que você quer falar?
— Ontem aconteceu uma coisa bem estranha que não te contei... – Mary fazia certo suspense, deixando sua amiga curiosa.
— E o que aconteceu?
— Eu dei de cara com o Capitão América andando pelas redondezas. – Kiara revelava, arrancando uma feição de surpresa de Amber.
— Como assim!? Você conversou com ele!?
— Não. Quando pensei em me aproximar, ele já tinha ido, só que ele estava diferente das fotos que vi no jornal, quando os noticiários fizeram uma cobertura sobre aquela equipe que o achou no gelo.
— Diferente como?
— Mais velho e com um traje que não é o mesmo que ele usou na batalha de ontem, além do mais, ele também segurava um martelo e uma maleta.
— Um martelo? Tipo o do Thor?
— Não era tipo o do Thor, ERA O MARTELO DO THOR!
— Isso não faz sentido algum...
— Não faz, mas de qualquer forma, eu não tô nem aí pra isso! – Mary Crystal erguia os braços, se despreguiçando.
Ela não mencionou o fato de ter tido visões sobre uma batalha catastrófica quando olhou dentro dos olhos do Capitão América, mas não estava curiosa em descobrir... os Vingadores existiam para acabarem com qualquer ameaça que surgisse, então porque deveria se importar? Eles eram os heróis...
Naquele momento, o mundo idolatrava os Vingadores, menos ela...
Queria ir para a praia e curtir seus últimos dias de férias... pegar um sol, andar de jet-ski, tomar uma boa água de coco, respirar a maresia do mar e esquecer aquela chatice de Vingadores e batalha de Nova York...
Os seres humanos lhe cansavam... os ‘heróis’ então... eram tediosos demais e ela não tinha interesse neles...
As duas então saiam a procura da roupa de cuidador de idosos de Mary Crystal para a festa.
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Não muito longe dali, horas depois, Steve Rogers se preparava para comparecer a um evento ao qual fora convidado e também enviado por Nick Fury.
A trigésima quinta festa dos Veteranos em Nova York. Um evento onde militares de várias patentes eram homenageados.
Mas a ocasião não era marcada apenas pelos maiores heróis de guerra, mas sim por figuras importantes dentro do cenário político-militar, e dentre eles...
O Coronel James Rhodes...
Alguém de suma importância e de extrema confiança do Presidente dos Estados Unidos.
Maria Hill havia trazido o antigo uniforme de Steve para que o mesmo pudesse ir ao evento, mas...
O Capitão não estava com clima para festas...
Depois da batalha contra Loki, tudo o que desejava era sair por aí e espairecer, ainda que estivesse intimamente ligado aos últimos acontecimentos descobertos.
Ele passou a noite na torre, junto com Bruce e Tony.
Além do mais, algo estava martelando em sua mente... algo que não o deixara dormir à noite toda, que era a dúvida de que seu melhor amigo ainda pudesse estar vivo...
Se o seu eu do passado dizia a verdade... Como Bucky podia estar vivo mesmo depois de tanto tempo? E onde ele estava? Por onde deveria começar a investigar para descobrir seu paradeiro...?
O loiro contemplava a vista de Nova York numa tarde ensolarada, pós-batalha.
Embora boa parte da cidade ainda estivesse destruída, ele não se cansava de olhar para frente, sentido leste...
Para o Brooklyn...
— Tá pensando na vida, Capicolé? – Tony Stark chegava ao local, atentando para a cena onde Steve se mantinha preso na imagem por trás dos vidros do último andar da torre, parcialmente quebrados.
A Torre Stark estava uma bagunça e estilhaços ainda se encontravam por todos os cantos...
— Você não dormiu...? – O loiro notava as olheiras do bilionário, que naquele momento exibia uma feição cansada.
— Não preguei o olho a noite toda depois de ontem... mas e você? Tá todo produzido desse jeito por quê? – O Homem de Ferro se referia aos trajes militares do Capitão enquanto sentava numa poltrona perto do bar do salão.
— Vou a um evento em algumas horas. Uma tal noite dos veteranos... não sei exatamente o que estou indo fazer lá, já que estamos com tantos problemas não resolvidos...
— Isso é o que dá acatar as ordens do Fury. Pra onde ele foi? – Tony bocejava. Embora não tivesse dormido, mostrava cansaço durante o dia.
— Ele foi para o quartel general da SHIELD em Washington DC. Se a HYDRA está mesmo infiltrada na SHIELD, isso significa que ele terá um trabalho árduo a partir de agora.
— E por que você não foi com ele?
— Por causa desse evento.
— E desde quando um evento desses é mais importante do que o futuro da maior instituição de inteligência do planeta?
— Eu não sei... – Steve estava cansado mentalmente e não conseguia argumentar de volta.
— Pra onde foi o Barton e a Romanoff? – Stark o questionava, ainda sentado na poltrona.
— Não tenho ideia... quando acordei, já tinham ido.
— Estamos ferrados... como vamos trabalhar com esses agentes que não podemos confiar? Você mesmo viu... a tal fase 4... – O bilionário contestava, já sabendo que o Capitão concordava com ele, ao menos sobre aquele ponto.
— Eu sei... mas no momento estou focando em nos mantermos unidos e traçarmos um plano para descobrir sobre o porquê nossas versões do futuro vieram até aqui.
— Estou empenhado no mesmo, Capitão. – Tony retorquia, num tom mais sério.
Sabia que estavam diante de algo muito grave para simplesmente agir com desconfiança com todos a sua volta. E isso incluía o próprio Nick Fury e seus agentes.
E então, no meio da conversa, o telefone de Steve vibrava.
Ele tirou o aparelho do bolso de sua calça e atentou para o que dizia no visor.
Era uma mensagem de Maria Hill, mas o loiro não havia aprendido a lidar com aquele tipo de tecnologia, e então, ele não conseguia visualizar a mensagem por completo.
Ao ver a dificuldade que o Capitão América tinha em lidar com um simples iPhone, Tony se levantou, caminhando na direção dele.
— Você deve estar se sentindo um dinossauro no mundo moderno, não é mesmo...? – O bilionário fazia uma piada, mas Steve sentia que não era uma piada maldosa.
— Estou fora do gelo a poucos dias, então... ainda não me acostumei...
— Vai demorar pra se acostumar, vovô Rogers. Me dá aqui que eu te ensino. – E então, o gênio das Indústrias Stark se prontificava a ajudar o Super Soldado a lidar com aquele tipo de tecnologia.
Steve deixou que Tony lhe ensinasse...
Ele jamais faria aquilo dois dias atrás, mas depois de ver as imagens onde o Capitão América e o Homem de Ferro do futuro pareciam ter uma relação de confiança e companheirismo, o loiro parecia mais disposto a abrir a guarda para o bilionário.
Tony Stark era alguém com personalidade totalmente oposta à sua. Ele era impetuoso, impulsivo e definitivamente um péssimo membro para se trabalhar em equipe, mas...
Teriam de superar suas diferenças... se suas versões do futuro conseguiram, então talvez os dois também pudessem.
— Para desbloquear é só você arrastar pra cá. Pra visualizar as mensagens você toca aqui e abre essa sessão de aplicativos. Nisso, você encosta nesse ícone, e então vai abrir uma listagem com todas as mensagens que te enviarem. As mais recentes ficam em cima, as mais velhas em baixo. – O Homem de Ferro explicava de forma simples e prática. Nem parecia que ele tinha um Q.I tão elevado.
— Acho que consegui entender... obrigado.
— De nada... mas vê se aprende sozinho, porque eu não vou ficar bancando professor de idoso o tempo todo. – Tony se afastava, voltando para a poltrona. Estava tão cansado que nem conseguia ficar de pé.
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De: Agente Hill
Capitão, você deve chegar mais cedo no evento. Ele iniciará oficialmente às 07:00pm, mas deve estar em frente à entrada principal do prédio às 05:00pm.
Um carro estará às 04:45pm te esperando em frente a Torre Stark.
Não se atrase.
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Ao visualizar a mensagem de Marial Hill, Steve se preparava para sair da torre.
— Bem, eu tenho que ir. Já está no horário. – Ele guardava o aparelho no bolso na calça.
— Vê se não dá vexame nesse evento aí... eu até poderia aparecer lá pra agitar as coisas, só que estou muito cansado e sem paciência pra entrar num ambiente só de gente velha.
— É uma festa só para militares, Stark. – Steve sorria. De certa forma, o bilionário tentava manter o ambiente descontraído depois de toda a loucura do dia anterior e também... o Capitão notava que o gênio parecia estar mais propenso a ter um diálogo calmo.
Será que Tony Stark também parecia mais à vontade com ele, depois de ver que suas versões do futuro tinham uma estreita relação?
— Eu sei que é um evento só de militares. O Rhodes vai estar lá e só pra constar, ele me chamou... – Tony bocejava mais uma vez.
— Rhodes...? – Steve não sabia sobre quem ele se referia.
— Vai conhece-lo quando chegar lá. Ele é o queridinho do Presidente dos Estados Unidos.
— E é seu amigo?
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— Meu melhor amigo...
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Steve arqueava uma sobrancelha e não disfarçava a expressão de surpresa e perplexidade em seu rosto.
O infame e rebelde Tony Stark tinha um militar como melhor amigo?
— É meio inacreditável que seu melhor amigo seja um militar. – O loiro redarguia, ainda um pouco pasmo com a recém-descoberta.
— Meu pai te adorava... os Stark não têm problemas com militares.
— Mas você tem comigo.
— É, eu tenho... e é melhor você dar o fora logo. Vai chegar atrasado no asilo.
— Tem razão. Eu vou indo...
— Vê se não vai se enroscar com nenhuma velhinha por lá, viu?
— Pode deixar... – Steve sorriu de canto, um tanto aliviado depois de ambos terem aquele diálogo.
O Capitão América e o Homem de Ferro se encontravam tensos como nunca... mas aliviados por saberem que ao menos, podiam confiar um no outro...
A sensação era recíproca.
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Ao sair da Torre Stark, Steve colocava os óculos escuros que recebera um dia antes como presente de Nick Fury.
Embora tudo ao redor estivesse destruído, o loiro mirou o céu por trás dos óculos, se perdendo em sua vastidão...
O que havia preparado para ele daquele dia em diante...? O que o futuro lhe reservava...? O que havia acontecido lá...?
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Pela primeira vez desde que despertara do gelo... Steve Rogers se sentia mais preso ao futuro do que ao passado...
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