Nemesis
6 Caindo no canto da sereia

Caindo no canto da sereia
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5 de Abril de 2012, 8:30 PM
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Washington DC – Quartel General da SHIELD
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Nick Fury esperava por Alexander Pierce na sala principal do quartel general em Washington, mas ele não havia aparecido.
O diretor então reuniu o Conselho Mundial de Segurança, informando sobre as imagens do elevador da Torre Stark, que mostrava o Capitão América do futuro cumprimentando os membros da S.T.R.I.K.E. com o tradicional “Hail, HYDRA”.
Ao mesmo tempo em que estavam chocados com a descoberta sobre a viagem no tempo, todos os membros do Conselho decidiram pela caçada de Alexander Pierce, ordenando aos federais a persegui-lo e trancafiá-lo numa prisão de segurança máxima, assim como todos os membros da S.T.R.I.K.E., no entanto, Fury tinha outros planos.
— Interdite todos os prédios, bases e depósitos da SHIELD. Precisamos descobrir o que há escondido. – Hawley, uma dos membros do conselho exigia, mas Nick não concordava.
— Não é algo tão fácil. Provavelmente, Pierce já começou com a queima de arquivo. Precisamos primeiro descobrir onde é o quartel general deles, o que eles têm escondido e quais as estratégias de contenção.
— Precisamos resgatar o que der. Não podemos perder tempo. Essa é a única forma de pará-lo. – Yen, outro membro do conselho concordava com Hawley.
— Não se preocupem. Eu tenho um plano. Sei por onde devemos começar a procurar e tenho as pessoas certas para essa missão. – Fury revelava, deixando claro que estava a dez passos na frente de Pierce.
— E como você sabe por onde procurar? – Rockwell, outro membro do conselho o contestava.
Nick Fury sorriu de canto, convicto e seguro do que tinha em mente.
— Vamos acabar com os planos de Alexander Pierce em breve, mas já adianto que precisaremos da ajuda dos Vingadores. – O Diretor da SHIELD explicava que precisaria da ajuda dos maiores heróis da terra.
— Aquele grupo de aberrações? Está fora de cogitação usá-los. É arriscado. Além do mais, até que ponto podemos confiar neles? O quão perigoso as coisas ficarão agora que descobrimos que viajar no tempo é possível? – Singh, outro membro do conselho, contrapunha, já se mostrando contra aquela decisão.
— Está tudo sob controle. Apenas aguardem uma semana. É tudo o que peço. – Fury finalizava, e os membros do Conselho Mundial de Segurança chegavam a conclusão de apoiá-lo.
— Se as coisas saírem de controle e você não resolver nada em uma semana, entraremos em ação, entendido, Diretor? – Hawley falava em nome de todos e Nick concordava.
A ligação com o Conselho era encerrada e Natasha e Clint entravam na sala logo depois.
Os dois agentes já indagavam o Diretor sobre a próxima missão.
— Quais são as ordens? – A ruiva inquiria, pronta para começar o seu trabalho.
— Natasha, precisamos chegar ao cérebro da HYDRA. Tenho poucas pistas, mas preciso que você e Clint comecem a explorar alguns lugares.
— Quais lugares? – O Gavião Arqueiro questionava.
— Vou passar as coordenadas, mas antes... preciso que vocês dois se dividam entre a SHIELD e a iniciativa Vingadores. Vamos precisar da ajuda do Capitão nessa missão, afinal, parte dela também tem a ver com ele.
— Certo, mas se ele precisa trabalhar em conjunto conosco, porque o enviou para aquele evento no Brooklyn? – Natasha indagava, ainda não entendendo quais eram os planos de Fury com Steve Rogers.
O Diretor da SHIELD ficou em silêncio por alguns segundos, antes de responder à questão da ruiva.
— Em breve vocês entenderão. Mas por enquanto, temos que voltar para Nova York ainda hoje. O jato já está pronto e nos esperando no topo do prédio.
— Ok. – A Viúva Negra assentia.
— Entendido. – O Gavião Arqueiro também atendia as ordens do Diretor.
E então, os três caminharam rumo ao elevador, prestes a pegarem o jato e voltarem para Nova York.
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5 de Abril de 2012, 4:30 PM
Juneau – Alaska
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Alexander Pierce e os principais membros da S.T.R.I.K.E. se encontravam em uma das bases subterrâneas da HYDRA no Alaska.
A HYDRA possuía muitas bases escondidas nos lugares mais remotos e improváveis espalhados pelo mundo, e dentre eles, aquela base em especial, mantinha uma das armas mais antigas da organização...
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O Soldado Invernal.
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O Punho da HYDRA hibernava e era mantido num tanque de nitrogênio, sendo retirado dali apenas para realizar missões muito específicas.
Por muitos anos, o Soldado Invernal permaneceu na base da Sibéria, sob supervisão de Vasily Karpov, que também era responsável pelo programa Soldado Invernal.
Mas agora, o Punho da HYDRA se encontrava sob o controle de Alexander Pierce, seu novo superior.
O líder da HYDRA adentrou a sala onde o Soldado permanecia hibernando, na criogenia.
Ali, Alexander Pierce juntamente com os melhores membros da S.T.R.I.K.E. despertavam a arma, preparando-o para a missão mais importante designada...
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Acabar com os Vingadores.
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5 de Abril de 2012, 8:45 PM
Nova York — Brooklyn
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Steve Rogers e Mary Crystal terminavam de dançar mais uma música.
Eles permaneceram juntos por muito tempo, num diálogo um tanto instigante.
Edward, o marinheiro que perseguia a garota, ainda a esperava do outro lado do salão, completamente enfurecido pelo fato de a mesma estar tanto tempo ao lado do Capitão América.
Algumas vezes Mary virava o rosto, para averiguar se ele havia desistido de espera-la, mas aquele marinheiro era um tanto insistente e ela não tinha paciência e muito menos pretensão de dançar com ele, só que... também não podia dispensá-lo. As pessoas que conheciam sua reputação e a responsabilidade de desempenhar o papel diplomático de filha do Presidente dos Estados Unidos, jamais poderiam sonhar sobre sua verdadeira personalidade, porque tudo o que ela mais queria...
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Era dar um soco no meio da cara e um chute nas bolas de Edward, sair plena e satisfeita, mas infelizmente, não podia...
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A Segundo-Tenente tentava ocultar suas feições obscuras e assassinas e Steve percebia um aspecto um tanto emblemático que a envolvia.
Ela de fato, parecia estar escondendo algo...
— Senhorita, há algo de errado...? – O loiro a indagava, notando que a mesma parecia desconfortável com algo que ele julgava um tanto suspeito.
— Não exatamente... quer dizer... tem algo, mas... bem... acho constrangedor dizer... – A expressão no rosto dela se desfez em martírio e consternação.
Ela voltava a atuar... de forma dissimulada.
O Capitão se sentia incomodado ao vislumbrá-la daquela forma. A poucos minutos, a garota estava sorridente e risonha. Por que repentinamente seu semblante se transformava em suplício?
— Há algo que está te incomodando...? – A questionava, e internamente Mary sorria, justamente porque o loiro mordia a isca.
Era tudo o que ela precisava e sua missão agora começaria a fazer mais sentido.
— Bem... há um rapaz que está me perseguindo nessa festa... na verdade, ele me persegue desde sempre, e sou obrigada a fugir o tempo todo.
— Já disse a ele que não deseja ser incomodada?
— Capitão... você não sabe como são os homens? Eles não se importam de serem inconvenientes. Dizemos não, mas lá estão eles, fingindo que não ouviram e insistindo em nos incomodar. – Mary replicava num tom meio choroso, com um aspecto triste, exibindo a postura de uma pobre garota assediada.
Steve a observava, um tanto perplexo. Os homens não haviam mudado nada. Mesmo depois de quase sete décadas, muitos ainda insistiam em incomodar as mulheres e aquilo o irritava profundamente, porque homens daquela extirpe tinham o mesmo perfil dos valentões que enfrentara quando ainda era um asmático franzino de 55 quilos.
— Você quer que eu vá até lá falar com ele para que deixe de te incomodar? – O Capitão sugeria, deixando-a levemente surpresa.
Era um pouco estranho ouvir um homem dizendo que podia ajudá-la a se livrar de um assediador, porque ela podia se defender e era o que mais queria fazer, mas seu papel na sociedade e em sua carreira militar não lhe permitia ser quem era.
A loira até cogitou a possibilidade de deixar Steve falar com Edward, mas como sabia que aquele marinheiro de meia pataca não se daria facilmente por vencido sem um forte motivo, ela teve outra ideia...
Um pouco mais ousada...
— Acho que não surtiria efeito. Ele precisaria de algo mais chocante para se dar por vencido. – A garota replicava, ainda com o semblante plangente.
— E o que você sugere? – O loiro mostrava estar disposto a ajudá-la.
Mary ria desvairadamente por dentro. Suas ideias eram bem insanas e com certeza partiriam o coração de Edward, ainda que pra isso...
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Tivesse que usar o Capitão América para seus intentos...
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A Segundo-Tenente esbanjou uma feição tristonha, tímida e constrangida, com certo rubor nas bochechas, esperando que ele entendesse, só que...
Steve não entendeu...
— Não vai me dizer o que sugere para afastá-lo, senhorita?
Por um momento, o rosto da garota se desfez de tímido e embaraçado para uma careta monstruosa, intransigente e férrea, como se estivesse perplexa com a lerdeza dele.
E obviamente o Capitão notou, não entendendo como ela conseguia exibir tantas expressões faciais diferentes em poucos segundos.
Mal sabia ele que era a personalidade real dela se misturando com a personagem que tentava interpretar.
Mary Crystal suspirou e voltou a atuar... e então... a expressão tímida voltava...
Como naqueles desenhos caricatos que passavam no Cartoon Network...
Outro homem entenderia os sinais dela... mas não Steve Rogers...
Causar ciúmes era a melhor forma de afastar certos assediadores, afinal, a prática ridícula de demarcação de território ainda fazia sentido naquela época...
— Bem... acho que não tenho coragem de lhe pedir algo tão ousado com palavras, mas acha que seria possível apenas me acompanhar...?
— Te acompanhar para algum lugar?
— Não exatamente... acompanhar meus passos... reagir ao que eu fizer...?
— Reagir?
— Sim... como num jogo... numa peça de teatro... ação e reação...
— Você faz um movimento, e eu faço outro?
— Exatamente. – E então, ela sorriu novamente... um sorriso puramente tímido, retraído e melindroso, no ímpeto de convencê-lo.
Steve ainda não entendia o que ela queria dizer na prática, mas achou que devia ajuda-la, afinal, a Segundo-Tenente parecia estar realmente incomodada com aquele marinheiro.
— Certo... por onde quer começar?
— Não faça perguntas... apenas reaja... – E então, ela colocou os braços mais apertados ao redor do pescoço dele.
O loiro então reagiu...
Ele respirou fundo enquanto seus fortes braços a envolviam e segurou-a com extrema delicadeza, como se a garota fosse apenas uma linda e frágil boneca que pudesse facilmente quebrar...
Já estavam dançando a mais de meia hora e o loiro jamais pensou que faria isso no século 21, só que com outra pessoa que não fosse Peggy.
Os dois dançavam devagar... e era muita sorte que ele não tivesse pisado no pé dela, já que não sabia dançar.
Ambos não desviaram os olhos um do outro por um longo tempo, porém, aos poucos, Mary lentamente distanciava seu olhar para os lábios de Steve...
Seu verdadeiro alvo e o motivo de arrastá-lo para uma dança.
Ela não podia deixar seu real objetivo de lado, que basicamente era...
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Beijar o Capitão América, apenas pra fazer com que Edward desistisse dela e a deixasse em paz... ao menos aquela noite...
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Outra música começava...
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The Cranberries – Linger.
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Steve não conhecia nenhuma das músicas atuais. Tudo o que fazia era prestar atenção nas letras, porque algumas eram bonitas.
Aquela em especial, narrava uma situação complicada entre um casal.
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And I swore I swore I would be true, (Eu jurei, Eu jurei que seria verdadeira)
And honey so did you, (E, querido, você também jurou)
So why were you holding her hand? (Então por que você estava segurando a mão dela?)
Is that the way we stand? (É assim que ficamos?)
Were you lying all the time? (Você estava mentindo o tempo todo?)
Was it just a game to you? (Foi só um jogo para você?)
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Por um momento, o Capitão se lembrou de Peggy Carter ao ouvir a letra daquela música... a mensagem parecia ser direcionada a ele e um sentimento de remorso e pesar começava a preencher seus sentidos.
O que estava fazendo ali? Dançando com aquela garota que acabara de conhecer?
E quanto ao seu verdadeiro amor? Aquele que ainda nutria por Peggy? Quase 70 anos se passaram, mas para ele, era como se tivesse passado poucos dias... e ainda tinha a sensação de ter que cumprir sua promessa e encontra-la no Stork Club para a dança deles... Era uma promessa...
Mary percebia a feição desconcentrada e assustada de Steve. Só não tinha ideia do que passava na cabeça dele naquele momento.
Ele era um homem difícil de se ler...
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But I'm in so deep, (Mas eu estou tão envolvida)
You know I'm such a fool for you, (Você sabe o quanto sou uma tola por você)
You got me wrapped around your finger, (Você me tem na sua mão)
Do you have to let it linger? (Você tem que deixar isso se prolongar?)
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As luzes do salão estavam fracas, propositalmente e nesse momento, a única coisa que o Capitão América conseguiu fazer, foi fechar os olhos... imerso na imagem de Peggy em sua mente e na sensação angustiante e penosa de ter acordado décadas depois, atrasado para seu encontro com ela...
Ele não deveria estar ali... o grande amor de sua vida se chamava Margaret Carter, e ela era insubstituível...
Steve Rogers estava em conflito consigo mesmo...
Peggy tinha mais de 90 anos, tinha se casado e construído sua família. Ela seguiu em frente depois de pensar que ele tinha morrido, e Steve estava feliz por ela, mas... ainda não conseguia deixar de pensar nela... sua mente estava digerindo toda aquela loucura de quase 70 anos no gelo... fazia poucos dias desde que saíra de lá, só que...
Não conseguia aceitar...
Seus fortes sentimentos por Peggy não desapareceriam tão rápido, mesmo depois de saber que naquele momento, ela era apenas uma senhora com Alzheimer, presa numa cama... apenas esperando pelo dia de sua morte.
E em meio a isso, Mary percebia que algo estava acontecendo com o loiro. Só não tinha ideia do quê...
A Segundo-Tenente tentava imaginar, e tinha algumas suposições, mas não podia alegar nada com cem por cento de certeza.
Vê-lo naquela situação seria bem incômodo se ela se importasse, e... não, ela não se importava, então, por ora, a loira apenas seguiria com seus planos, porque era por isso que estava ali.
Não estava interessada em fazê-lo sair daquele suposto suplício mental que o atingira repentinamente, desde que aquela música começara a tocar, pelo contrário.
Talvez Steve Rogers ficasse bem chocado com seu próximo... movimento...
A dança permanecia lenta e a garota se aproximou ainda mais, comprimindo a distância entre seus corpos.
Steve continuou com os olhos fechados, exibindo uma feição melancólica... sua sorte era que as luzes estavam muito fracas para que as pessoas ao redor notassem sua expressão de tristeza...
Durante cinco segundos, a loira contemplou o rosto dele...
Mary se sentiu fatalmente atraída pela expressão pura, angelical, enternecedora e reverenciosa do mesmo. Ela sabia que o Capitão América era um homem honrado e jamais tomaria nenhuma liberdade com ela, mesmo tendo lhe pedido para reagir ao que fizesse, então...
A garota resolvia tomar a iniciativa e fazer o que tinha em mente, para fazer Edward desistir de uma vez por todas de persegui-la.
Enquanto as mãos do Capitão permaneciam suavemente na cintura dela, a Segundo-Tenente se aproximava, ficando na ponta dos dedos, porque Steve Rogers era incrivelmente alto.
A delicada mão direita tocou suavemente a nuca masculina e um pequeno sorriso travesso brotava nos lábios dela.
Mary viu a brecha perfeita... a guarda dele estava completamente aberta...
As luzes fracas, a música que fluía de forma ecoante e o clima propício, apenas a encorajou a dar o próximo passo...
A garota erguia o rosto na direção do rosto dele, colocando pressão em sua nuca, trazendo-o para mais perto e então, num rápido e inesperado movimento...
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Mary capturava delicadamente os lábios do Capitão América...
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Num beijo roubado...
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♪ But I'm in so deep,
You know I'm such a fool for you…
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O movimento foi breve e curto, porque Steve se surpreendeu com o ato extremamente ousado da garota e abriu rapidamente os olhos, chocado, espantado e totalmente sem reação.
Ele interrompia o movimento, afastando seu rosto do dela no mesmo instante.
— Senhorita... – O Capitão sussurrava, ainda desnorteado. Estava imerso em seus pensamentos sobre Peggy, quando de repente, aquela garota que mal conhecia lhe surpreendia com um beijo roubado?
De novo uma loira lhe roubava um beijo? Qual era o problema delas?
Mary quis rir. Era tão nítido que Steve estava chocado porque obviamente ele era um homem tradicional, conservador e a moda antiga, que não fazia aquele tipo de coisa em público... e talvez nem mesmo no privado.
— Perdoe a minha audácia, mas... você disse que reagiria... – A Segundo-Tenente argumentava com o Super Soldado, que mantinha os olhos mais arregalados que o normal.
— Sim, m-mas... eu n-não imaginei que você agiria dessa forma e- e fui pego totalmente de surpresa... e-eu não-
O rosto dele ruborizava como um pimentão... era hilário... mas tinha de convencê-lo, e continuaria atuando como Cherry Bomb, passando a imagem de garota tímida e coagida, embora sua eu verdadeira quisesse sair dali gargalhando com força.
— Essa é a única forma daquele rapaz me deixar em paz. Será que não pode me salvar? Só hoje! Você salvou o mundo ontem! Salve uma pobre e reles garota que só deseja ir embora dessa festa sem ser incomodada... por favor...!
Steve sentia um nó em sua garganta e uma compressão pesada no estômago.
Mas os pensamentos sobre Peggy não estavam mais ali... estava tão chocado que sequer se lembrava dela naquele momento.
— Mas... é um movimento audacioso, senhorita Mary... as pessoas ao redor vão se escandalizar. – Ele não sabia argumentar contra mulheres. Steve parecia ter uma trava que o impedia de ser racional com elas. Talvez porque não tinha o hábito de conversar com uma por mais de trinta minutos, mesmo depois do soro... mesmo depois de se tornar o ilustre Capitão América.
— Não vão... isso é perfeitamente normal... estamos em 2012, não em 1945.
— Ainda assim...
— Por favor... – Ela exibia uma feição triste e melancólica, num tom choroso e manhoso, enquanto sua eu interior apenas desejava explodir a cabeça dele com uma bazuca.
— Eu... acho que isso seria indevido... me desculpe... – Steve articulava, tentando convencê-la do contrário.
Mesmo expondo seus argumentos, a loira se aproximou fatalmente de novo...
E então, mediante as palavras resistentes do Capitão, Mary Crystal resolveu destruir o papel de sua personagem no mesmo instante.
Não tinha paciência para lidar com homens do tipo de Steve Rogers. Ele lhe cansava. Sua insuportável moralidade estragava tudo.
— Você tem todas essas regras de conduta e acha que elas vão te salvar, mas acredite... não vão... – Redarguia, numa pose austera e rigorosa. A verdadeira Mary assumia o controle.
— E por que não vão...? – Ele a interpelava, sem entender suas palavras.
— Por que você está no futuro e tudo isso não tem o menor valor aqui.
Steve franziu o cenho, externando um semblante sério.
— Certas condutas ultrapassam as barreiras do tempo, senhorita.... então por que devo acreditar no que diz?
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— Não precisa acreditar. Mas te desafio a quebrar essas regras. Quebre e verifique por si mesmo se vale a pena continuar no passado, mesmo estando no futuro.
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A Segundo-Tenente o desafiava explicitamente e por um momento, ele vislumbrava Peggy Carter em Mary Crystal.
Ela parecia despida da postura de garota doce e meiga, de minutos atrás. Parecia ser outra pessoa... a verdadeira pessoa por baixo de sua pele...
E então, o loiro resolveu... não recuar...
Quando Mary se aproximou novamente, em lentos passos, olhando fixamente nos olhos azuis do Capitão, o Super Soldado conseguia facilmente inalar a doce e afável fragrância dela... seu elixir adocicado, com uma limpidez cristalina de rosas... tão inebriante...
Ele a encarava seriamente, sem se intimidar com a presença dela, muito menos por estar tão próxima... tão perto...
A Segundo-Tenente deixou que um sorriso ostensivo brotasse... mas um sorriso verdadeiramente dela... aventureiro, impetuoso e atrevido. Um sorriso de inverno à beira da primavera... e Steve Rogers gostava... gostava de olhar e se perder... no vão da curva de seus lábios...
Uma nova música começava, só que não era romântica, não falava de coisas bonitas e tão pouco possuía uma melodia sentimental ou amorosa...
Metallica – The Unforgiven.
Vários casais saíam da pista de dança, restando alguns poucos que permaneciam ali. Steve e Mary era um deles.
A garota estava muito perto do Capitão e o encarava numa veemência tempestiva.
Ele a fitava intensamente de volta, com os olhos fixos em seu rosto.
A garota estava feliz por ver ali, naquele momento, o verdadeiro e imponente Capitão América. Aquele que parecia encarar qualquer desafio.
Então, Steve resolveu dizer algo, a deixando ainda mais incitada...
— Vamos recomeçar, mas dessa vez, sem surpresas. — O loiro ofereceu a mão direita para que a mesma segurasse e ambos voltassem a dançar.
— Como quiser, Capitão... sem surpresas... — Mary Crystal então segurou a mão áspera e forte de Steve, aceitando o convite, satisfeita pela postura majestosa do mesmo.
Os dois retornaram à posição de antes e então... voltaram a dançar.
O ambiente ainda se encontrava com as luzes fracas e a música ecoava aos arredores, numa pegada mais rasgada e pesada, já que se tratava de...
Heavy Metal...
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New blood joins this earth, (Sangue novo se junta a esta terra)
And quickly he's subdued, (E rapidamente ele é subjugado)
Through constant pained disgrace, (Atravessando constante e dolorosa desgraça)
The young boy learns their rules… (O jovem garoto aprende suas regras...)
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A garota tocava a nuca do Capitão com as mãos cruzadas e os dedos entrelaçados, mantendo-se equilibrada enquanto giravam... numa singela dança...
O toque frio da pele dela, arrepiava... causava calafrios...
Tudo naquela garota era fascinante... seus olhos radiantes como brilho de esmeraldas, seus longos cabelos dourados que apenas realçavam sua pele cândida e amena e seus lábios tão bem desenhados que pareciam uma pintura... exatamente como o quadro que visualizou em 1941...
A loira parecia de fato uma fada... ou talvez uma sereia...? Se fosse uma sereia, o Capitão com certeza já estava enfeitiçado por seu canto.
Ela era indescritivelmente perfeita...
Steve tentava dizer pra si mesmo que talvez não deveria se render, mas a questão era... Por que lutar contra isso...?
Claro que não deixaria seus princípios de lado, mas tirar a sua mente de todos os acontecimentos catastróficos desde que acordara do gelo era algo que ele ansiava fortemente naquele momento... porque estava confuso, perdido e desnorteado...
Principalmente sobre Peggy Carter...
Ele não era o tipo de homem que esqueceria uma mulher estando com outra... pelo contrário, achava que jamais superaria Peggy e não conseguiria se envolver nunca mais com ninguém, mas estava em conflito e achava que talvez devesse quebrar de fato as regras, para aliviar a dor e a tensão.
Aquela decisão ia contra tudo o que ele era e o que acreditava... tendo a impressão que se arrependeria amargamente de tais atos, no entanto, deixaria de ser ele mesmo somente aquela noite.
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They dedicate their lives, (Eles dedicam suas vidas)
To running all of his, (Para tirar tudo dele)
He tries to please them all, (Ele tenta agradar a todos)
This bitter man he is, (Este homem amargo ele se torna)
Throughout his life the same, (Por toda a sua vida o mesmo)
He's battled constantly, (Ele lutou constantemente)
This fight he cannot win, (Esta luta ele não pode vencer)
A tired man they see no longer cares, (Um homem cansado eles vêem, não importa mais)
The old man then prepares, (O velho homem então se prepara)
To die regretfully, (Para morrer cheio de arrependimentos)
That old man here is me… (Este velho homem aqui sou eu)
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A letra da música estava fora de contexto, dada a situação de ambos, mas fazia sentido... ainda que apenas para eles... ainda que apenas pra Steve, que se via como o personagem daquela letra...
A Segundo-Tenente e o Super Soldado sentiam uma vibração estranha emanando mutualmente... um magnetismo tão recíproco, que os impelia diretamente um para o outro...
Ambos se encontravam com os rostos muito próximos. Suas respirações se misturavam...
Mary sorria, olhando dentro dos olhos dele...
Internamente, Steve a desenhava com o olhar. Cada linha simétrica do rosto dela se encontrava em perfeita harmonia, mas secretamente os olhos do Capitão passaram a contornar o desenho de sua boca... Lábios primorosamente atraentes que a poucos minutos, lhe roubaram um beijo...
O loiro sentia que mais um milímetro de razão ultrapassado por ela, seria fatal...
— Me diga que não vai fugir de novo... – Mary o provocava, num tom insinuante... soprando doces e insidiosas palavras de forma persuasiva... tão profundamente excitantes...
— Se tivesse que fugir, já teria ido... eu estou aqui... – Redarguiu, num tom convicto e valente. Não fugiria dela de novo... era questão de honra.
— Não fugiu porque lhe desafiei... – A loira sussurrava... muito perto dos lábios dele... o timbre de sua voz lhe acariciava através de arrepios... a pele do Super Soldado reagia apenas com a vibração de um toque que estava prestes a acontecer...
E ambos sofriam por antecipação...
— Só porque não fujo do perigo, senhorita... – Steve revidava, no mesmo tom de sua afronta.
— E eu sou perigosa...? – A garota respondia de forma ultrajante, inclinando-se para ele, cada vez mais... lentamente...
— Não tem ideia do quanto é perigosa... Mary... – E então, ao murmurar o nome dela, tão perto, tão provocativo e estimulante, a Segundo-Tenente sentiu um forte impulso dentro de si e estranhava o fato de seu coração palpitar, ainda que levemente...
Aquilo era impossível... mas ela amava um desafio...
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What I've felt, (O que eu senti)
What I've known, (O que eu soube)
Never shined through in what I've shown, (Nunca apareceram no que eu mostrei)
Never free, (Nunca livre)
Never me, (Nunca eu mesmo)
So I dub thee Unforgiven… (Então eu o nomeio imperdoável...)
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— Quer saber uma verdade constrangedora? Eu nunca fui beijada por um anjo. Quer ser o primeiro?
— Senhorita... eu disse sem surpresas.
— Não estou fazendo surpresas. Estou te fazendo uma pergunta...
— Eu... não sei... acho que não devíamos... – Steve redarguia, sem saber o que de fato estava acontecendo... Não sabia se devia ceder ou não... o certo era não ceder... mas se encontrava perdido e tudo o que queria era sair de sua própria cabeça e esquecer de todo o seu sofrimento... de todas as memórias que lhe assombravam... de sua amada Peggy Carter que nunca mais poderia ser sua...
— Sem meio termo... é sim ou não... tudo ou nada... – A garota o advertia, num ultimato tentador... e Steve entendia a referência...
— Certo... minha opinião pode mudar, basta você ter argumentos convincentes... – O Super Soldado retorquia, a surpreendendo com uma resposta ainda mais provocante...
Eles estavam flertando descaradamente, mas apenas porque ambos amavam um perigoso desafio.
O loiro não tinha a menor ideia de como cortejar uma mulher. Tudo o que fazia naquele momento era apenas se deixar guiar por seus instintos que consentiam a qualquer tipo de confronto... já ela... apenas estava se divertindo... nada além disso.
— Tudo que vai acontecer daqui pra frente depende de você... então torno a perguntar... vai continuar ou desistir...? – Mary devolvia, instigando-o ainda mais. Aquele jogo entre ambos estava incrivelmente excitante.
— As coisas podem piorar antes de ficarem melhores, senhorita... – Steve tentava resistir, mas sem dizer sim ou não... céus, nem ele de fato sabia o que queria...
Mary riu genuinamente... as respostas dele estavam sendo muito inesperadas.
— Bem... Nunca é tarde demais para cometer um novo erro, Capitão... – A Segundo-Tenente tentava convencê-lo da forma mais estúpida possível, mas o loiro achava suas respostas convincentes, embora fossem absurdas.
E então, ele resolvia ceder...
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Era melhor pensar que aquele dia seria o fim de um começo que nunca existiu...
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Naquele momento eles permaneceram quietos... apenas assimilando o solo de guitarra no meio da música, porém, os ruídos de suas imaginações podiam ser ouvidos e totalmente interpretados... traduzidos apenas por ambos olhares azul e verde... que se mesclavam...
O loiro percebia seu estômago dar algumas voltas ao sentir a respiração da garota bater em seu rosto. Seu coração também acelerava perigosamente quando as mãos femininas apertaram ainda mais ao redor de seu pescoço e notando o quanto Mary ficava na ponta dos pés para fechar quase totalmente a distância entre ambos.
Eles se entreolharam por longos segundos, muito próximos... sentindo a respiração um do outro por muito tempo, com ambos narizes se tocando delicadamente...
Steve e Mary lentamente fecharam os olhos, ainda sem se encostarem por completo, como se estivessem pairando um sobre o outro...
O Super Soldado estava perto o suficiente para que o cheiro suave de sua farda, tão límpida, polida e fresca entorpecesse as narinas da garota...
Rendida... subjugada e refém das fortes e intensas sensações que o Capitão América lhe causava, Mary resolveu assumir o controle da situação novamente.
Ela ficou na ponta dos pés, inclinou ainda mais o rosto e...
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Finalmente o beijou... de novo...
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Só que dessa vez, Steve não fugiu...
Sem resistência, o Capitão aceitava totalmente o beijo da garota...
A Segundo-Tenente o tocava com extrema suavidade e docilidade...
Seus lábios roçaram os dele, que se encontravam um tanto tímidos e hesitantes... e suavemente, ela os pressionava... vagando-os lentamente... movendo-os calmamente como se quisesse experimentar todas as variações que aquele toque lhe proporcionaria.
O beijo era ameno e lírico... quase poético... e se Mary pudesse julgar, caracterizaria tal movimento como algo totalmente arcaico e anacrônico... tão retrógrado... algo que o fortemente caracterizava o Sentinela da Liberdade.
Era incrivelmente magistral... Uma inexperiência pura e impecável...
Provavelmente o Capitão América não sabia o quão bom era nisso. O quão bom era em se deixar ser descoberto e também descobrir...
Os lábios dele se encontravam um tanto hesitantes. Não queria demonstrar que aquele era um de seus primeiros beijos... não que antes não tivesse feito com Peggy, ou que nenhuma outra mulher não tivesse roubado e ele cedido apenas por instinto, mas tirando esses acontecimentos, aquele era oficialmente seu primeiro beijo real...
Tal movimento era como um primeiro beijo provavelmente deveria ser? O loiro não tinha certeza de absolutamente nada naquele momento... estava imerso... Mary despertava emoções até então adormecidas desde 1945, mas que Steve constatava que jamais provara de verdade, pois não tivera tempo... a segunda guerra mundial ocupou todo o tempo que lhe restou nos últimos anos antes de pousar no gelo...
E diferente de todos que Mary Crystal já tinha beijado, aquele contato parecia ser o mais sincero que tivera com um homem. Ela provava de antiguidade e inexperiência. Era naturalmente suave... tímido, inseguro, reverencioso e gentil.
Sem entender porque se sentia estranhamente envolvida, não compreendia porque parecia estar se viciando naquele toque... era como se conseguisse sentir o gosto da alma dele através daquele beijo...
Nobre. Exímio. Audaz. Belo. Sutil. Pacífico. Melódico. Agudo.
Steve decidiu beijá-la de volta. Aos poucos, ele entendia como funcionava, e aprendia como se fazia... lentamente...
Céus... ele tinha tanto a aprender... mas sua falta de aptidão fluía de uma forma tão apaixonante, que tudo o que a garota sentia era uma onda eletrizante percorrendo por todo seu corpo, lhe estremecendo por completo... abalando suas estruturas e arrepiando sua alma até que pudesse ver estrelas e constelações inteiras... de olhos fechados...
O modo como Mary tentava conduzir era neutralizado pela forma inédita como o Capitão a retribuía... era tão doce, paciente, sem pressa e respeitoso... seu movimento era incrível e extremamente diferente de tudo que já provara antes com qualquer outro homem.
As mãos dele escorregaram lentamente pela curva esbelta das costas dela, a puxando suavemente contra ele.
O Capitão não entendia, mas aquela misteriosa garota de esplêndidos olhos esmeralda, mexia quimicamente com sua mente...
As mãos da Segundo-Tenente deslizaram para cima, pela nuca dele, e seus dedos acariciavam docemente os cabelos lisos e dourados do Capitão...
Ele a beijava como numa exploração... desbravando um lindo e novo território... caminhando em terras desconhecidas... levando seu tempo, experimentando o que nunca havia provado antes...
Mary recebia seu toque e o acariciava, sentindo sua tensão se esvair... era alucinante... a textura de sua pele, o contorno de seus lábios, o sabor que se escondia em seu íntimo e inflamava todo o seu ser...
Ela desejava decorá-lo, pedindo a Deus para não esquecer de como aquela linda carícia tão apetecível a narcotizava...
A garota amava cada detalhe e se apaixonava pelo esplendoroso e suave toque daquele prazeroso beijo que lhe fazia estremecer...
Se sentia transcender diante do Capitão América... tudo nele era tão extraordinário...
Mary Crystal sentia-se extremamente vulnerável... como nunca antes... tinha a sensação de entregar seu mundo naquele beijo... e isso não podia acontecer, mas a honestidade e a nobreza do Menino de Ouro da América era tão veemente e fantástica, que não conseguia resistir, por mais que tentasse...
Os lábios de Steve Rogers pintavam nos seus o gosto do heroísmo... impregnando toda sua essência... alastrando um fragmento de seu primor magnificente no mais íntimo e intrínseco dela...
A garota notava o quanto era purificada pela aura dourada que emanava do Super Soldado... uma virtude tão celestial, proeminente de um anjo que possuía a resplandescência de uma divindade etérea...
De longe, o som da música, esparso e deslizando entre as fracas luzes do salão, onde somente as sombras de todos podiam ser vistas, Steve e Mary se entremeavam... perdidos, encontrando-se um no outro...
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You labeled me, (Vocês me rotularam)
I'll label you, (Eu rotularei vocês)
So I dub thee unforgiven… (Então eu os nomeio imperdoáveis...)
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Os lábios da garota calavam seus desordenados pensamentos... era mágico...
O perfume dela permeava seus instintos através de labirintos... se perdendo entre suas nuances... entre seu sabor mélico e nectário, tão afável em seu paladar, mas que externava algo misterioso que desejava descobrir, porém, com cautela...
Mary deixava um leve gemido escapar de seus lábios... com a intensa sensação de ter sido levada ao terceiro céu. Ela se encontrava sem chão e demasiadamente extasiada...
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Never free, (Nunca livre)
Never me, (Nunca eu mesmo)
So I dub thee Unforgiven… (Então eu os nomeio imperdoáveis...)
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Já o loiro se sentia um pouco ofegante, perdendo parte do ar em seus pulmões, prestes a se afastar, no ímpeto de conseguir respirar... Só que...
Mary não lhe deixaria escapar assim tão fácil... a loira insistia em mantê-lo preso em si...
A garota se lançou ainda mais sobre ele, num ímpeto violento de deslizar seus dedos pelos cabelos loiros, ansiando despenteá-los, apenas para sentir os fios lisos escorregarem entre suas mãos...
A loira permaneceu avançando, puxando-o contra ela enquanto se mantinha na ponta dos pés, se deliciando com os lábios tão macios e gentis do Capitão...
Mary o desafiava a lutar contra ela... em prosseguir e cruzar a linha...
Mas Steve resistia... era como se estivesse erguendo uma bandeira branca entre ambos, tentando se desvencilhar de seu enlace.
Ao sentir a resistência do loiro, resolvia usar seu infalível plano B.
Ela o incitaria de todas as formas...
A Segundo-Tenente aprofundava o beijo, e o que antes era doce, logo se tornou indômito...
E era notório a surpresa do Capitão diante de sua ousadia... o leve roçar de lábios era agora um beijo sugado, molhado e mordido... algo que ele sequer imaginava que existia...
Não era apenas pelo simples fato de desafiá-lo e ensiná-lo a entrar em seu ritmo, mas porque... Mary desejava descobrir os segredos mais profundos dele... tentando desvendá-lo... como se estivesse decidida a encontrar o verdadeiro Steve Rogers, aquele fora da máscara de herói e que ela secretamente havia percebido, oculto, no mais obscuro canto entre o reflexo de seus majestosos olhos azuis...
Aquele que sofria por ter acordado quase 70 anos depois e percebido por ela... nas entrelinhas...
Ao notar que ele levemente a correspondia, a garota mordiscou o lábio inferior de Steve, fazendo com que o Capitão soltasse um suspiro curto, com uma libertação reprimida em sua garganta...
Aquele movimento era extremamente ousado, e o loiro quebrou o beijo, se afastando, no ímpeto de respirar...
Quando o Capitão América abriu os olhos, assustado, abismado e quase sem reação, ele apenas vislumbrou a feição destemida e audaz da loira, que o encarava sem a menor insegurança.
Mary Crystal lançava um sorriso enigmático... demasiadamente incompreensivo e ele não tinha a menor ideia do que aquilo significava.
Ela respondeu seus questionamentos mentais logo depois.
— Não há nada mais delicioso do que a vingança... – E então, seu rosto virou para o lado, enquanto se mantinha pendurada no pescoço do Capitão.
Do outro lado, Edward parecia chocado e furioso ao mesmo tempo, saindo do local com um semblante colérico na face.
Quando Steve percorreu o olhar para onde Mary olhava, entendia o que ela queria dizer.
Não era porque se sentia conectada a ele... mas porque queria que aquele rapaz se afastasse dela...
— Você é uma pessoa horrível... – O loiro redarguia, não sabendo se devia rir ou lamentar os ciúmes que o rapaz do outro lado do salão exibia.
— Está dizendo isso pra me ofender? Porque na verdade estou lisonjeada com seu elogio... – A garota virava o rosto na direção de Steve, e os dois se encararam novamente.
— Você não parece ser o tipo meiga... não precisa fingir na minha frente só pra me impressionar. – O Capitão revelava, fazendo-a arquear a sobrancelha enquanto se surpreendia com a fraca sagacidade dele. Mal sabia o Super Soldado, que ela era muito pior do que ele imaginava...
— Eu tentei te matar e entendo perfeitamente se achar que passei dos limites... – A Segundo-Tenente se referia ao beijo que eles compartilharam a menos de um minuto atrás.
— Imagine... eu não corresponderia se isso me matasse... vai ter que que se esforçar muito mais pra que eu venha a óbito. – Ele exprimia certo descontentamento em sua voz. Era estranho pensar que uma mulher pudesse beijar um homem daquela forma apenas para causar raiva e ciúmes em outro.
— É sério...? Fico imaginando se você teria um ataque se eu tirasse minha roupa agora mesmo em sua frente.
— O-o quê...!?
— Calma... é só uma brincadeira... mas sabe, estou satisfeita por ter feito o Edward se mandar... adoro quando a pessoa que eu odeio me odeia também...
— Não devia fazer as pessoas te odiarem, senhorita...
— Não só devo, como já faço. Sou uma agente do caos. – E então, ela piscou para ele, sorrindo de canto. Aquilo o deixou sem palavras.
De fato, aquela garota parecia estar fingindo desde o início. Mas por que ela mostraria sua verdadeira personalidade agora?
E era normal uma mulher estar tão desinibida depois de beijar um homem da forma como ela o beijou...?
— Seu senso de humor é... um pouco diferente do que estou acostumado...
— Uso a ironia porque não posso usar a minha força, mas obrigada por me ajudar... você foi ótimo... – E então, Mary sorriu, docemente aventureira, fazendo Steve ficar vermelho, pela... décima vez aquela noite?
— Ah, claro, m-mas... e-eu peço desculpas se passei dos limites, senhorita... – Ele gaguejava e a loira achava aquela terna expressão muito fofa.
— Imagine... mas espero não termos um diálogo tão formal da próxima vez que nos encontrarmos. – E então, ela piscou, deixando um sorriso de canto florescer em seus lindos lábios.
— Claro... senhorita Mary... – O loiro desviou o olhar para o chão, sentindo um forte acanhamento. Ele não conseguia encará-la depois de tudo...
— Mal vejo a hora de nos vermos novamente, Capitão... foi um prazer. – E então, a garota ficava na ponta dos pés mais uma vez, apenas para dar um beijo ameno e demorado na bochecha de Steve.
A pele dele corou sob os lábios dela... tão vermelhos... e Mary podia sentir o calor que o envolvia...
Ela desprendeu o pescoço dele com seus braços, deixando-o finalmente livre.
Por mais que tenha começado com um pretexto para se livrar de Edward, até que ela tinha curtido tirar uma casquinha do maior herói da América.
Ao contemplá-la, se despedindo, Steve notava que os doces olhos de Mary pareciam implorar para beijá-la de novo, mas ele sabia que era inapropriado, afinal...
Ela só o beijou porque precisava de um favor... e ele lhe atendeu... apenas isso...
Quando a Segundo-Tenente finalmente se afastou, Steve percorreu o desenho de sua silhueta, o contorno de seu rosto e mergulhou no furacão esverdeado dos olhos dela...
Por que ela tinha de ser tão perfeita...?
Mas mal sabia o maior herói da América, que aquela garota era sim perfeita...
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Perfeita na medida para estragar a sua vida...
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Quando a garota finalmente virou de costas para o loiro, Steve percebeu algo estranho, quase instintivo... um perigo iminente, e então...
Ele correu rapidamente na direção de Mary Crystal, a jogando contra o chão, porque...
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Uma explosão acontecia, fazendo as mesas voarem e as pessoas serem atingidas, num piscar de olhos...
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Quando a loira percebeu que estavam sendo atacados, ela tentou se desprender do corpo de Steve que se encontrava por cima do seu, protegendo-a.
O caos estava instaurado no ambiente. Várias pessoas começaram a gritar...
Havia corpos no chão... e muito sangue espalhado...
Tudo foi tão repentino...
Uma voz no fundo do salão ecoou no mesmo instante.
— Capitão!!! – E então, Steve reagira com a voz de Sam, que naquele instante jogava o escudo de vibranium em sua direção.
O Falcão, seu amigo e outros militares estavam encarregados de fazerem a segurança local do evento, ainda que sorrateiramente, já que fingiam estar ali apenas como convidados.
Steve notava alguns homens vestidos de preto correndo em sua direção.
Enquanto muitos tentavam sair do local, outros reagiam diante de uma ofensiva que parecia ser um ataque terrorista.
Mary tentou se afastar, mas foi impedida pelo loiro.
— Fique perto de mim! – Ele bradava, porque que o barulho das pessoas gritando diante daquele ataque era ensurdecedor.
— Me solte, Capitão! – A garota tentava se desprender, mas o braço do Capitão América prendia sua cintura enquanto protegia ambos de algumas balas disparadas em suas direções com o escudo.
— Mary, não se afaste! Fique aqui!
— Eles não estão atrás de você! Estão atrás de mim! – A garota rebatia, deixando-o confuso.
— O quê!? Atrás de você!? Por quê!? – E então, antes que pudesse entender o que ela dizia, um novo ataque acontecia, explodindo a outra metade do salão.
Vários homens do exército, força aérea e marinha tentavam conter os novos acometimentos, mas o alvo...
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Era Mary Crystal...
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Vendo que não conseguiria convencer Steve Rogers de se afastar, a Segundo-Tenente o empurrou com extrema violência para o lado, correu rapidamente e então...
Pegou uma arma das mãos de um dos homens mortos no chão, apenas para atirar em cada um dos terroristas que os atacavam...
Sua pontaria era excelente...
Steve não entendia como a loira conseguiu empurrá-lo e se soltar. Pela lógica, a garota não possuía força suficiente para um movimento como aquele.
Ainda assim, o loiro correu em sua direção, temendo que a ferissem e então, passou a lhe dar cobertura...
Enquanto atirava, Mary olhou para o lado percebeu que um novo ataque seria feito...
Com um...
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Lança chamas...
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A garota pulou por cima de Steve, dessa vez jogando-o no chão, no ímpeto de salvá-lo, porém...
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A explosão foi tão forte que o impacto os arremessou para muito longe e ambos acabaram ficando inconscientes mediante a forte colisão...
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Steve Rogers e Mary Crystal naquele momento estavam desmaiados e à mercê dos terroristas...
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