Nemesis

57 A melancolia e a alegria do Super Soldado


A melancolia e a alegria do Super Soldado

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21 de Novembro de 2012, 06:18 PM

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Manhattan – Nova York

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Steve trancava a porta de seu quarto por dentro após Mary Crystal entrar.

Ele caminhava com dificuldades, segurando o ombro direito, sentindo muita dor.

Kiara observava tudo ao redor, desacreditada que aquele local era uma suíte para apenas uma pessoa... Tony era tão extravagante...

A garota caminhava em direção ao sofá no centro do quarto e via os acessórios do do Capitão jogados no chão... as luvas, o capacete e as botas, com exceção do escudo de vibranium que se encontrava apoiado na parede, com cuidado.

Havia uma caixa de primeiros socorros no sofá, porque provavelmente ele mesmo limparia seus ferimentos, antes dela chegar ali.

Céus... por que Steve era alguém que não dividia sua dor com ninguém? Por que insistia em carregar todo o fardo sozinho? Por que nunca pedia ajuda?

O loiro passava por ela, sentando ao lado da caixa de primeiros socorros.

Ele já havia se machucado em circunstâncias bem piores, mas dessa vez, sabia que tinha sido diferente...

O Super Soldado abria o zíper das laterais do traje tático, deixando a pele de seu ombro exposta.

Mary se aproximava para ajudá-lo a tirar a parte de cima do uniforme e quando terminou de abrir, se assustava com a quantidade de sangue na região das costelas em meio a regata branca que ele vestia e a gigante contusão que havia em seu ombro direito...

Como Steve havia se machucado daquela forma?

A loira tocou a região atingida e o loiro envolveu seus dedos em torno da mão dela, dando um aperto suave. Se isso era para tranquiliza-la, ela não tinha certeza, mas estava nervosa demais para perguntar.

Diante da reação assustada da Segundo-Tenente, o Capitão apenas tentava explicar o que havia acontecido...

— Eu bloqueei um dos últimos impactos dos inimigos com o escudo, mas fui jogado com força através de três paredes e acabei batendo contra uma quarta divisória, só que de aço...

A loira arregalava os olhos ao assimilar tal informação. Uma pessoa normal com certeza teria morrido naquele ataque.

— O Fury te mandou para uma missão de alto risco? – Kiara o indagava, com certa raiva na voz... céus, como odiava a forma como Nick Fury tratava Steve...

— Sim...

— Isso explica porque o lado direito de seu corpo está totalmente lesionado.

Mas aquilo não havia sido o pior... ele ainda estava tentando esconder o que havia acontecido dali... e em como as coisas terminaram de uma forma trágica... o Capitão realmente não queria pensar sobre aquilo, e preferia lidar com tudo sozinho...

— Talvez leve três dias para me recuperar totalmente...

— Não recorra apenas ao seu DNA de Super Soldado. Eu conheço alguns métodos que podem adiantar sua recuperação.

— Certo... se você está dizendo, eu acredito...

— Vamos primeiro limpar esse sangue... – Kiara abria a caixa de primeiros socorros, pegando algodão e álcool para dissolver parte do sangue seco que estava impregnado na região das costelas dele.

Quando a loira levantou o braço do Capitão, ele suspirou e então estremeceu com a dor do lado direito de seu ombro.

Mesmo em meio a tantos danos que avistava no corpo de Steve, Mary fazia o que havia prometido: Não perguntava absolutamente nada.

Ela desprendia o resto do traje do Super Soldado, deixando parte de seu peitoral musculoso exposto, se assustando com o quão grande era a contusão no ombro direito.

Aos poucos, o Capitão sentiu-se relaxar de imediato, porque a loira era extremamente delicada, porém precisa na forma como cuidava de seus ferimentos.

Era confortante sentir os dedos delicados da garota limpando parte de sua pele, e admitia para si mesmo que era melhor estar ao lado de alguém naquele momento...

Era bom ter Mary Crystal ao seu lado...

Talvez ela entendesse se lhe contasse tudo o que havia acontecido na missão...?

Perdido em seus pensamentos, repentinamente, o loiro soltou um grito de dor, quando a Segundo-Tenente desceu com o algodão por suas costelas...

— Me desculpe, Cap...

— Não... continue... eu prometo que vou tentar me conter...

— Não! Se está doendo, você tem que demonstrar. Pare de esconder o que está sentindo só porque não quer dar trabalho as pessoas...

— Isso não é nada que não possa aguentar... já estive em situações piores, Mary...

— Ainda assim... – Ela continuava limpando o sangue, com muito cuidado, e quando finalmente terminava, percebia que também havia resquícios de sangue na testa dele.

A garota se sentou ao lado de Steve, afastando suavemente os fios loiros grudados em sua pele, num meigo afago...

Mary percebia que o Super Soldado a encarava fixamente com o indício de um sorriso de canto, e como consequência, um leve rubor se espalhava por suas bochechas, afinal, fazia duas semanas que os dois não se viam... era estranho estar daquela forma ao lado dele...

Enquanto passava o algodão pela pele do Capitão, uma mecha loira caia para frente dos olhos verdes da Segundo-Tenente, escondendo parte de seu rosto corado...

Steve ergueu a mão, afastando parte dos fios compridos da face feminina, colocando-os atrás da orelha dela.

Kiara engolia a seco, tentando se manter concentrada em limpar o sangue da testa do loiro, mas seu coração parecia denunciar que estava muito nervosa diante dele.

O Capitão tentava se controlar para não inclinar o rosto e capturar os lábios dela num beijo... porque os lábios de Mary Crystal eram a única distração que lhe fazia esquecer daquela missão tão difícil... e da dor que estava sentindo...

Antes que pudesse ceder aos seus impulsos, a loira se levantou repentinamente, dessa vez para passar um gel no local das contusões, apenas para aliviar a dor que o mesmo sentia.

Ela começava a espalhar lentamente o produto gelatinoso no ombro direito de Steve e por um momento, o Super Soldado sentia um forte arrepio agudo em sua espinha, pois a sensação amortecedora em meio ao suave toque dos dedos dela, eram incrivelmente agradáveis...

O loiro soltava alguns gemidos... algo ao qual Mary não estava habituada, o que era incrivelmente suspeito...

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Dor ou prazer?

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— Esse seu gemido é de dor ou de prazer? Porque se for de prazer, eu vou cobrar uma grana alta por te aliviar...

— Pare de fazer piadas nessas horas. Você se ofereceu pra me ajudar e agora está cobrando por isso? – O Capitão tentava disfarçar.

— Você está confessando que é de prazer?

— Mary, não comece... – Ele revirava os olhos.

— É que eu fico imaginando que tipo de som o Capitão América deve fazer naquelas horas... — A loira brincava, tentando aliviar a tensão.

— Por que você transforma tudo em piadas sexuais?

— Pra te deixar com vergonha...

— Não vai conseguir... ao menos hoje... – Replicava, num tom de voz ríspido.

Kiara então voltava a sentar ao lado dele, observando outros lugares de seu corpo que estavam machucados.

Ela então percebia um corte no canto do lábio inferior do Super Soldado e resolvia limpar o local.

A delicada mão tocava com uma pequena gaze a região, com muito cuidado, e por um momento, Steve desviou o rosto, sentindo sua pele arder.

Embora soubesse que a Segundo-Tenente estava ali apenas para ajuda-lo, ele se encontrava muito debilitado emocionalmente, e temia dizer algo que pudesse deixa-la triste.

— Mary... acho que não estou em condições de você continuar me tocando...

Percebendo o olhar melancólico do loiro, Kiara percebia que naquele momento, independente do que tinha acontecido na misteriosa missão, tudo o que Steve precisava era de apoio, compreensão e carinho...

E então, ela sorriu ternamente...

— Minha mãe sempre dizia que quando eu me machucava, era só dar um beijo que sarava...

— Linda filosofia, mas-

— Mas sabemos que um Super Soldado se cura muito mais rápido. — Ela o interrompia, esclarecendo o obvio.

— Sim... e... eu só preciso de 4 horas de sono para me sentir melhor. — Ele sorria singelamente, desviando o olhar para baixo.

Ao observá-lo tão entristecido, Mary sentia seu coração palpitando desconfortavelmente em seu peito... e não era só porque se compadecia da situação em que Steve se encontrava no momento, mas porque queria estar perto do loiro, cuidando dele, o auxiliando com o que pudesse para aliviar a sua dor... e por fim... porque não conseguia olhar para ele sem se sentir totalmente tentada...

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E então, movida por seus instintos aflorados no auge, Mary Crystal ergueu o rosto e beijou o corte que Steve tinha no lábio inferior...

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O Capitão arregalou os olhos no mesmo instante, sendo pego totalmente de surpresa...

Mas em vez da timidez e acanhamento de sempre, ele aceitava... aceitava que Mary pressionasse seus lábios nos dele... num toque ameno...

Não entendia se era apenas por mais um de seus caprichos de menina, ou porque se compadecia de sua situação atual, mas mediante a isso, o loiro não esboçava nenhuma reação...

A garota ficava imóvel por um tempo, notando que o Super Soldado não lhe correspondia... ele sequer tinha fechado os olhos...

Então, o loiro afastou seu rosto gentilmente, olhando para ela em seguida...

— Está se sujando com meu sangue, Mary...

A Segundo-Tenente sorria em resposta...

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— Seu sangue é nobre... eu jamais me sujaria com ele, pelo contrário... me purificaria...

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O Capitão soltava um riso leve...

— Eu não sou um messias, Kiara...

— Mas pra mim, você é como um anjo... – A Segundo-Tenente piscava, mantendo seu olhar preso nas safiras azuis de Steve, sorrindo...

— Sua vampira... – O Super Soldado sorria de volta.

— Vou adorar morder seu pescoço... – Mary brincava, tentando fazer com que ele se sentisse melhor.

— Um anjo e uma vampira não é uma boa combinação...

— Tem razão... é quase um amor impossível...

— E é o que estamos vivendo ultimamente, não acha...? – Ele a alfinetava levemente, deixando-a um tanto embaraçada, sem saber o que responder.

Ambos se entreolhavam intensamente... perdidos em si mesmos... no entanto...

O Capitão respirava fundo, sabendo que nem mesmo um beijo da garota de seus sonhos não conseguiria lhe fazer esquecer o que havia acontecido, e então, ele resolvia dizer a Mary o motivo de sua tristeza.

— Preciso confidenciar uma coisa...

— Que coisa?

— É sobre a última missão...

— Estou ouvindo... – Ela tocava o ombro esquerdo, mostrando que o escutaria sem o questionar.

— A missão ao qual eu, Natasha, Clint e os outros agentes fomos designados, basicamente era uma infiltração e implosão de uma antiga fábrica subterrânea que ficava no estado do Kansas. Lá, descobrimos que a HYDRA havia feito alguns experimentos...

— Que tipo de experimentos? – Ela o questionava.

— Experimentos com pessoas... crianças, filhas de imigrantes ilegais... – Steve revelava, deixando-a totalmente assustada.

— Céus... e o que vocês acharam lá dentro?

— As crianças... e elas estavam todas em estado vegetativo... não havia nenhuma forma de salvá-las... então, Fury e o Conselho me pediram para fazer algo que eu não queria...

— O que eles te pediram?

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— Bombardear a fábrica... num tipo de queima de arquivo...

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O Capitão confessava, fechando os olhos, respirando fundo, tentando recuperar o fôlego.

Ele não estava pronto para uma missão como aquela... era diferente do que havia passado na segunda guerra, porque lá, ele explodia nazistas, e dessa vez, teve de executar crianças inocentes, ainda que não houvesse salvação para elas...

Mary podia entender a tristeza e frustração do loiro. Ela também se sentiria da mesma forma, se estivesse no lugar dele.

— Eu sinto muito, Steve...

— Eu... não sei por quanto tempo vou estar com meu estado emocional abalado... porque de alguma forma, sinto que tenho uma forte ligação com aquelas crianças... – O Super Soldado fungava, tentando segurar o choro.

— Forte ligação? Por quê...?

— Você não sabe, Mary...? Não disse que era minha fã quando criança?

— Não estou entendendo...

O loiro suspirava, tentando reordenar seu raciocínio.

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— Isso não é divulgado por aí, mas meus pais eram imigrantes irlandeses que se mudaram para os Estados Unidos no início do século 20...

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Mary Crystal arregalava os olhos. Ela não tinha conhecimento sobre aquele fato.

Então, o homem que adotou o manto de “Capitão América”, se tornando um símbolo do patriotismo e do espírito americano, era na verdade filho de dois imigrantes irlandeses...? Era inacreditável...

— Eu... não sabia... mas... seus pais não possuíam cidadania americana?

— Sim... eventualmente isso aconteceu, e... meu pai foi escalado como soldado para 107º Regimento de Infantaria do Exército na primeira guerra mundial, até ser morto em um ataque de gás mostarda... – O loiro revelava, a deixando ainda mais chocada por relembrá-la daquele triste acontecimento.

— E isso foi antes de você nascer, certo?

— Sim...

A Segundo-Tenente não sabia exatamente o que dizer para confortá-lo. Sentia-se triste por aquelas palavras e pela missão que o deixou melancólico, lhe obrigando a se recordar do passado...

A vida de Steve não tinha sido fácil desde o início...

— Sinto muito que essa missão tenha lhe forçado a se recordar de todas essas coisas, incluindo a morte de seu pai...

— Bem... mesmo que não tenha conhecido ele, era confortante pegar a medalha ‘Purple Heart’ que ele recebeu em homenagem do exército... minha mãe sempre dizia que eu me parecia muito com meu pai, querendo seguir os passos dele como um soldado americano...

— Ela ficaria feliz em saber que você conseguiu... — A garota sorria suavemente...

— Sim... ficaria... – Steve sorria entristecido ao se recordar de sua mãe, que enquanto trabalhava como enfermeira, contraiu tuberculose e faleceu não muito tempo depois, sendo enterrada ao lado de seu marido.

— Seu pai também ficaria orgulhoso de você, Cap... – Os olhos de Kiara piscavam, e o Capitão notava que a garota esboçava um sorriso através daquele olhar esverdeado...

Olhares como aquele, eram o que lhe enchiam de força e coragem para superar suas lamentações e tristezas...

— Meus pais morreram em uma cama por causa da guerra e eu prometi a mim mesmo que morreria com honra, desde então, penso que meu destino final seja morrer numa guerra... fazendo a coisa certa... lutando para proteger as pessoas...

— Como um verdadeiro herói... – Mary completava, o contemplando de forma apaixonada... sucumbindo a beleza daquelas lindas e gloriosas palavras...

— Bucky dizia que eu era louco por tentar... mas quando me alistei, ainda na condição de um reles garoto fraco e doente, permaneci convicto de que estava fazendo tudo aquilo de acordo com meus princípios... – O Super Soldado confessava, causando certo incômodo na Segundo-Tenente.

Mary Crystal suspirou, sentindo seu coração pesado. Por mais que a postura heroica de Steve fosse incrível e admirável, ela não desejava que o destino final dele fosse morrer devagar, exausto, afogando-se em seu próprio sangue, em nome de uma guerra com ou sem sentido, na qual sempre haveria muito a perder...

Ela imaginava o quanto ele tinha perdido na segunda guerra mundial... e que o mesmo nunca teve tempo para se lamentar...

Se lamentar sobre todas as pessoas que estimava e que morreram em diversas batalhas no meio da guerra, quando o imperativo era continuar, sempre, sem parar por um momento sequer... amigos e companheiros perdidos na fumaça dos canhões... no vazio das montanhas desconhecidas... no gelo... no tempo... e que nunca teria chance de enterrá-los com alguma honraria, chorar ou dizer adeus...

Quando se tornou o Sentinela da Liberdade, seus problemas quadruplicaram... mas o que dizer sobre a vida dele antes do soro...? Mary sabia sobre o passado de Steve, de sua trajetória complicada, marcada por problemas de saúde, rejeição e muita solidão...

Depois de perder seus pais, o pequeno órfão Steven Grant Rogers teve que cuidar de si mesmo e era frequentemente espancado de forma brutal por seus agressores, além de tentar administrar seus problemas com asma, escarlatina, febre reumática, pressão alta e alguns problemas cardíacos que o impediam de se defender como uma pessoa normal.

Mas ainda assim, ele não desistia...

O passado do Capitão América era uma fonte de inspiração para Mary quando criança, e embora tivesse construído uma relação estranha de fortes embates e desentendimentos com ele desde que se conheceram, jamais imaginaria que um dia estaria frente a frente com seu antigo ídolo...

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Nem que um dia estaria apaixonada por ele... e ele por ela...

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— Eu entendo sua frustração por ter explodido a fábrica... e agora entendo também porque está abatido, mas... se eu disser que a culpa não é sua, você vai acreditar? – A loira tentava confortá-lo de alguma forma, afinal, Steve já carregava um fardo muito pesado em suas costas, além das cicatrizes na alma ao longo dos anos em que esteve na linha de frente de inúmeras batalhas.

— Sei que não havia como salvá-las... e que estavam destinadas a morte, mas e se houvesse uma forma...?

— Só que não havia, Steve... era algo que estava fora de seu controle...

— Eu sei... mas não consigo aliviar minha consciência apenas com isso... – E então, o Capitão fixou o olhar no dela, deixando que as lágrimas acumuladas durante toda aquela conversa, caíssem de seus olhos...

Mary suspirou, sentindo-se muito triste por ele... tinha vontade de abraça-lo, mas sabia que não podia... Steve estava muito machucado, até mesmo para um abraço...

— Eu não posso mesmo te convencer de sua inocência...? – Ela o indagava, ainda tocando o ombro masculino com delicadeza.

— Não... mas me sinto melhor por você estar aqui, tentando fazer isso... – Ele sorria, derrotado, ferido, triste e confuso... os últimos dias foram horríveis, e Kiara estava ali para animá-lo, encorajá-lo e distraí-lo.

De certa forma ela até conseguia... mas em alguns momentos, Steve não sabia o que fazer...

Parte dele queria manda-la embora para que ficasse sozinho e pudesse se afogar em seu sofrimento... outra parte, queria se aproximar, tocá-la e deixar aquela paixão mútua e avassaladora assumir o controle...

Só que o Super Soldado optava pelo meio termo...

— Obrigado por estar aqui, Mary... – Ele agradecia, sentindo que o melhor a se fazer, era deixar que alguém lhe ajudasse naquele momento de suplício.

A garota sorria calorosamente.

— Obrigada também... por permitir que eu cuide de você...

— Eu não sabia que você se importava... porque às vezes tenho impressão que não faço a mínima diferença pra você...

Chocada com tal afirmação, ela levou as mãos lentamente até as laterais do rosto do Super Soldado, passando a acaricia-lo pausadamente... suavemente... olhando no fundo de seus olhos...

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— Você faz toda a diferença em minha vida, Steve...

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As palavras de Mary Crystal arrancavam uma expressão de surpresa no rosto do loiro, que não esperava ouvir aquilo...

A solidão dele, colidindo com a dela, explodia e criava um mundo só deles...

Tudo o que a garota queria, era tirar sua capa de super-herói, tocá-lo... fazer de seu corpo música... e no conjunto de acordes, revelar a linda melodia que existia ali... pairando entre ambos...

O Capitão não sabia exatamente o que dizer... tinha medo de falar alguma coisa que pudesse estragar aquele momento tão lindo e mágico entre os dois, então, escolhia o silêncio...

Mas Mary já tinha planos para aquela noite...

— Não fique me olhando com essa cara deprimida, Cap! Vá tomar um banho! Eu vou ficar aqui e prometo que vou fazer o jantar mais delicioso que existe!

Steve sorria, desanimado, triste, só que ao mesmo tempo feliz que Mary Crystal estivesse ali, cuidando dele... como sua mãe fazia quando estava doente...

Fazia tantos anos que não se sentia assim... chegar em casa e ter alguém o esperando... ter a companhia de uma pessoa que estaria por perto, marcando presença, o ouvindo, zelando por tudo, e principalmente por seu bem-estar...

Fazia muito tempo que não sentia a sensação de ter um lar... embora sua relação com Mary fosse conturbada o suficiente para que tal desvairo se tornasse realidade...

— Tem razão... preciso mesmo de um banho, mas acho que vou demorar um pouco...

— Pode demorar o tempo que precisar! – A loirinha se afastava, deixando o caminho livre.

E então, o Super Soldado se levantava, caminhando para o banheiro com dificuldades.

Mary o observava entrando no local... e sentia pena dele naquela situação... mas estava disposta a fazer das horas futuras, as mais lindas, incríveis e felizes... só pra que Steve pudesse se sentir melhor...

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Uma hora e meia depois, o loiro saia do banheiro, após relaxar na banheira de hidromassagem.

Estava se sentindo melhor fisicamente... mas por ora, entendia que precisava se alimentar e então, só depois descansar.

Ao passar por onde Mary estava, o loiro se sentava no sofá no centro do quarto.

A garota parecia agir como sua enfermeira particular, e por um momento, Steve via a sombra de sua mãe nela...

Sarah Rogers...

Ela terminava a comida, caminhando alegremente com a bandeja nas mãos e colocando o prato em cima da mesa de centro em frente ao sofá ao qual ele estava sentado.

Os olhos azuis arregalaram de surpresa e seu paladar começava a reagir...

— Jambalaya...?

— Sim! Minha especialidade! Aliás, tenho especialidade em comida italiana também, mas hoje, optei por algo mais nutritivo. Você precisa repor o que perdeu! – Ela o repreendia, colocando as mãos na cintura, numa pose imperiosa, o que era engraçado, já que o avental xadrez preso em suas costas lhe fazia perder a autoridade de garota má.

Steve observava o prato muito bem feito e que tinha um cheiro maravilhoso...

A comida era basicamente arroz, chouriço, camarões e muitos vegetais.

— Certo... então hoje ficará provado se você está apta ou não para se casar, senhorita Ellis... – Steve sorria, a provocando deliberadamente a chamando de senhorita, apenas para deixa-la com raiva.

— Bom apetite, Capitão Rogers! – Ela respondia no mesmo tom formal.

Quando o loiro apanhou os talheres e experimentou parte da comida que cheirava incrivelmente bem, seus incríveis olhos azuis brilharam de imediato.

KIara, que não entendia aquela expressão, cruzava os braços, bufando, com um pano de prato pendurado no ombro, por cima da alça do avental.

— O que foi? Está ruim? Olha, pra minha defesa, eu não cozinho há muitos meses, então-

— Você usou alecrim, tomilho e pimenta-caiena?

— Sim, como você sabe...? – Ela arqueava uma sobrancelha.

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— Além desse ser um dos meus pratos favoritos, ele tem o sabor da comida da minha mãe...

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O Capitão confessava, sorrindo ternamente, olhando na direção da garota, que ainda estava de pé, enquanto ele, estava sentado.

Encabulada, porém ao mesmo tempo chocada por tal coincidência, Mary não sabia o que dizer, então, as piadas eram sempre sua válvula de escape.

— Nossa... eu tô tão atrasada na minha vida gastronômica que tô fazendo comida com tempero da década de 40!?

Steve sorriu mais uma vez, plenamente satisfeito.

— Está delicioso... parabéns, senhorita Ellis... – O Super Soldado a encarava com um aspecto exultante e levemente sedutor.

Embora não entendesse o porquê, ouvi-lo lhe chamar de ‘senhorita Ellis’ depois de tanto tempo, soava não somente como uma provocação, mas como algum tipo de flerte que envolvia... casamento...

— Não há de quê, mas saiba que vou pedir um extra pro Fury por ter que trabalhar como cuidadora de idosos, entendeu!? – A loirinha sorria, encabulada, mas feliz por deixa-lo melhor.

— Tenho certeza que ele vai te recompensar muito bem... — Steve sorria mais uma vez e Mary estranhava...

Ele sempre reclamava de suas piadas, sempre se ofendia e agora estava achando engraçado?

E então, depois de um tempo, a Segundo-Tenente sentou ao lado dele, observando-o comer com entusiasmo e vontade...

Era fascinante ver o homem ao qual era perdidamente apaixonada, apreciando sua comida... dizendo que tudo estava perfeito... sempre com um olhar angelical e o sorriso mais lindo e gentil do mundo...

Seus olhos brilhavam e suas bochechas coravam... oh céus, por que Mary se sentia como uma garota idiota que parecia ter sua mão pedida em casamento?

Ela chacoalhava a cabeça quando imaginava aquele desvairo... jamais o Capitão América pediria sua mão... era impossível...

Depois de ficar ali, babando por minutos diante da maravilhosa imagem de Steve terminando de comer, a garota se encarregava de lavar toda a louça, com o Super Soldado insistindo em ajuda-la, mas sendo repreendido, pois estava muito machucado para forçar ficar de pé.

Já estava tarde, e Mary decidia deixa-lo descansar.

— Bem, eu vou indo nessa então. Não se esqueça de tomar seu calmante pra ter uma boa noite de sono, ok? – A loirinha retirava o avental, prestes a sair dali.

Mas Steve mostrava que não estava feliz em vê-la partir...

— Mary... – Ele a chamava, fazendo com que a Segundo-Tenente se aproximasse, pronta para atender qualquer coisa que lhe pedisse.

— Sim...? – Kiara ficava parada de frente para ele, com uma expressão inocente na face.

O Capitão a encarava com um olhar sério e levemente abatido, mantendo certo suspense...

E então...

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— Não vá embora... fica...

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Kiara arregalou os olhos e entreabriu os lábios, sem saber o que dizer... mas um riso nervoso era notório naquele momento.

— O que tá acontecendo, Cap!? Você nunca faz esse tipo de apelo pra ninguém!

— Pra ninguém... exceto você... – Ele a corrigia, num tom austero e firme.

Mary ficava assustada com tais palavras.

— Tá falando sério...? – O contestava, confusa.

— Você é a única que sabe de grande parte dos meus problemas. Não me sinto envergonhado em te pedir pra ficar...

— Mas você sempre passa a imagem de fortão que carrega o mundo nas costas e dá um jeito pra tudo, então... é meio estranho...

— Você sabe, que eu tenho minhas limitações... olhe o meu estado atual...

— Se vitimar não é bem o seu estilo, Cap...

— Tem razão... não é...

— Não acha meio indigno fazer um pedido desses pra sua maior inimiga declarada!? – Ela brincava, tentando escapar, como sempre fazia.

— Nós não somos inimigos, Mary Crystal... e você melhor do que eu, sabe disso... – O Super Soldado rebatia, ainda num tom de voz sério.

E por mais que desejasse sair correndo dali ao se sentir intimidada, Kiara não desejava decepcioná-lo mais... não depois de ficar duas semanas sem vê-lo... não depois de planejar passar a maior parte do tempo ao seu lado... não depois da missão difícil que ele havia tido...

— Não sei se é certo passar a noite com você... acho que não pega bem... – A loirinha corava, um pouco embaraçada, ainda que quisesse ficar ali.

— Nós dormimos juntos nesse sofá há muitos meses atrás... por que só agora isso te incomodaria...?

— É diferente de antes...

— Diferente...? Por quê...?

Mary Crystal desviava o olhar para baixo e não conseguia dizer... não tinha coragem de falar com todas as palavras “é diferente porque agora eu sou apaixonada por você...”.

Ainda sentado, com a Segundo-Tenente de pé, Steve ergueu o braço e segurou a mão dela... finalmente estava deixando todo o orgulho de lado...

Se sentia aliviado com a proximidade e o toque da pessoa ao qual era apaixonado... Mary lhe ajudava a relaxar nos momentos mais tortuosos...

Sentindo sua mão sendo segurada com tanto carinho, delicadeza e consideração, a garota continuava em silêncio, sem reação...

E então...

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— Fica comigo essa noite... por favor, Kiara...

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A loira sentiu seu coração engatar diante daquele lindo apelo onde Steve mencionava “Kiara” com tanto apreço...

— E-eu não sei...

— Eu imploro... — A feição do Super Soldado era de melancolia, mas ao mesmo tempo, de desespero, apego e paixão...

O Capitão América estava implorando pra ela ficar?

Ninguém naquele imenso planetinha azul acreditaria se ouvisse... Steve Rogers implorando para uma garota lhe fazer companhia por uma noite?

Kiara sentia seu coração batendo de modo desenfreado, e temia que ele pudesse ouvir...

E por mais que quisesse fugir, não tinha como negar aquele pedido tão meigo e carinhoso... o loiro estava sofrendo, e ela queria cuidar dele...

— Você não precisa implorar... – E então, Mary segurou a mão dele de volta, arrancando um sorriso aliviado nos lábios do Capitão.

— Achei que precisasse implorar pra ficar, afinal, você é sempre tão durona comigo... – O Super Soldado esboçava uma expressão fofa, deixando-a ainda mais apaixonada...

— Prometo que isso vai mudar daqui pra frente... – Ela sorria para ele, ternamente fascinada.

— Tenho medo que esteja mentindo pra mim... – Steve segurava a delicada mão com mais força, a encarando com aquele mágico e hipnotizante olhar azul.

— Não estou... – E então, ambos continuaram se entreolhando, perdidos em seus próprios olhares...

Mary Crystal decidia ficar, porque em seus pensamentos, tinha a imensa vontade de abraçar aquele corpo cansado e machucado e roubar suas dores e aflições, aliviando sua mente e seu coração atordoados... tinha vontade de cuidar dele como ninguém naquele mundo havia feito antes... tinha vontade também de cantar uma linda canção de ninar, só para ver o sorriso dele florescer... só para vê-lo adormecer em paz... e quem sabe, em seus braços...?

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Algum tempo depois, Mary observava Steve finalmente dormir, deitada ao lado dele na cama...

O Super Soldado repousava em seu quarto, que mais parecia um apartamento duplex de alto padrão, dentro da torre dos Vingadores.

Observando-o lentamente, a garota sabia que o loiro havia sucumbido à sonolência pela forma como seu peito subia e descia constantemente... seus olhos fechados e os cílios apoiados contra as maçãs do rosto, denunciavam o forte cansaço mental e físico...

O sono profundo dele a tranquilizava... Steve estava tão ferido por dentro e por fora...

As luzes que eram filtradas pelas paredes de vidro, suavizavam os traços do rosto do Capitão...

Ele tinha uma feição bonita enquanto dormia... parecia um menino inocente... tão gracioso, tão puro... tão cristalino... era incrivelmente encantador...

Ela puxava o edredom por cima do peitoral firme, apenas para deixa-lo mais aquecido e confortável.

Mary se sentia tão feliz de estar ali, ao lado dele...

Desejava conversar com ele madrugada a dentro... desejava falar besteiras até ele se cansar e dormir, desejava cutuca-lo e fazer cosquinha nele, mas aquela não era a noite certa pra isso...

A Segundo-Tenente notava que algo tinha mudado totalmente no clima... no jeito em que ambos se olhavam... no ar a volta... na aura que pairava entre eles...

Os dois criaram uma estranha, profunda e íntima conexão e aquilo era belo de muitas formas...

Ao fita-lo ali, ao seu lado, tão perto e tão vulnerável, Mary sentia seu coração pulando e rolando de modo frenético... suas bochechas com certeza estavam mais quentes e avermelhadas, ocasionando um suspiro exasperado...

Ela mordia o lábio inferior e dizia baixinho, em Italiano...

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— Che incantesimo mi hai lanciato, Steve...? (Que feitiço você jogou em mim, Steve...?)

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Depois de admirá-lo dormindo por um longo tempo, Mary finalmente se rendia ao sono, adormecendo ao lado dele...

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Havia finalmente amanhecido e já era por volta das oito e meia da manhã.

Steve abriu lentamente os olhos, assimilando a realidade a volta...

Estava na cama de seu quarto na torre dos Vingadores, e se recordava da noite anterior...

Ele puxava o edredom para baixo, e ao olhar para o lado, o loiro avistava Mary Crystal, também acordada...

Um pequeno sorriso brotava em seus lábios, e ele estendeu a mão para puxar uma mecha do cabelo loiro da garota... num doce e meigo carinho...

— Você dormiu bem...? – Ele sussurrava, ansiando saber se ela havia dormido bem aquela noite, ocasionando uma feição iluminada na face da Segundo-Tenente.

— Antes de mais nada, bom dia, Cap... e sim... eu dormi bem... e você...? – A garota respondia, num tom de voz suave e aveludado, o fitando com muito carinho.

— Também dormi bem, e... bom dia, Mary... – Steve respondia, sentindo-se incrivelmente melhor e extremamente feliz de ter sua linda loirinha piloto bem ali... ao seu lado...

Naquele instante, ambos se perdiam nos olhos um do outro quando um sorriso caprichoso aparecia nos dois rostos... nenhum deles queria admitir a tempestade de emoções e sentimentos que os rodeava...

A noite anterior teria sido muito melhor, se o Capitão não tivesse passado pelo que passou na última missão, só que ainda assim, ele estava agradecido... agradecido por tê-la ali...

O Super Soldado fitava a pele macia, a curva do pescoço feminino e as pintinhas de seus ombros... porque a vontade que tinha, era vê-la a todo momento, andando pelo seu quarto, com aqueles lindos cabelos loiros desgrenhados e um sorriso preguiçoso de quem não tinha pressa em sair de seus lençóis... e quem sabe, de seus braços...?

O coração dela se rendia aos encantos dele... a razão quis lutar e perdeu... e o amor que nutria por Steve, apesar do medo, o queria mais do que tudo naquele momento...

Mary amava quando o loiro reparava nela, com aquele olhar de quem roubou do céu o infinito e a mapeando com insistência, ia descobrindo detalhes que ela nunca havia reparado em si mesma...

O olhar de safira do Capitão, brilhava perante a luz suave dos raios de sol, fixo no rosto de Mary Crystal... e ela chegava a conclusão que aqueles lindos e resplandecentes orbes azuis, eram um elogio para o céu...

Steve era o ser com a alma mais linda que existia...

E ela, que sempre quis ter o controle de tudo, se via perdida no acidente que era esbarrar na alma dele...

Era muito mais do que o olhar magicamente azul ao sol da manhã... era o brilho dos olhos de um homem apaixonado, que estava diante de sua amada, tão grato pela mesma não ter lhe abandonado na hora em que mais precisava...

Os detalhes dele a hipnotizavam naquele instante... os cabelos dourados do Super Soldado se encontravam levemente despenteados e a camiseta branca acentuando seus ombros largos, braços musculosos e o abdômen tonificado...

O Capitão era a epítome da excelência masculina, aprimorada por sua espécie...

Mary gentilmente colocou a mão no ombro dele e graciosamente passou a acaricia-lo, num meigo desvelo.

A ternura da ação surpreendia Steve e, quando a loira resolvia se afastar, fazendo menção de se levantar da cama, ele olhou para ela com certa decepção reprimida.

Mary já estava indo embora?

Kiara respondeu com um sorriso gentil... e o loiro apenas observava a maneira como os longos cabelos dourados da garota roçavam as maçãs do rosto levemente coradas, emoldurando sua face perfeitamente, antes de lançar um olhar sugestivo na direção dele.

Os olhos de Mary brilhavam... e sua pele de porcelana cintilava com o ameno fulgor do sol...

O Super Soldado a encarava de forma extasiada... porque a Segundo-Tenente era a mulher com quem se permitia ter a chance de ser feliz... ainda que Mary fosse como um fogo selvagem, imprevisível e feroz, e ele como um oceano calmo e tranquilizador, tão opostos, era muito fácil a forma como se entrelaçavam, criando a mistura primorosa entre escuro e claro, quente e frio, dia e noite... era um contraste perfeito...

Ao caminhar para fora da cama, Steve engolia o nó que se formava em sua garganta.

— Você já vai embora...? – Não era bem uma pergunta, mas uma súplica implícita, no intuito de que ela ficasse... sim, porque ele gostava quando Mary vinha, quando ficava, quando o chamava e quando precisava dele e ele dela... não importavam a circunstância...

Kiara virou o rosto para encará-lo novamente.

— Estou indo pra cozinha preparar seu café da manhã, Cap... fique aí quietinho descansando. Eu já volto...

— Mas-

— Nem pense em se mover, soldado! Você está se recuperando de muitos ferimentos, então fique na cama! – Ela o interrompia, lhe dando uma bronca.

— Mary-

— É uma ordem! Descanse! – A loira o interrompia novamente, deixando-o surpreendido.

Ao ouvir aquelas palavras tão autoritárias, porém zelosas, e encantado pela cordialidade da loira, Steve não conseguia esconder a expressão apaixonada e agradecida em seu rosto, e então, quando a garota estava prestes a descer as escadas da parte de cima do quarto...

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— Você é minha estrela da sorte...

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Mary Crystal era pega de surpresa, sentindo sua respiração engatando e uma forte compressão no estômago... e se não estivesse segurando o corrimão da escada com força, com certeza teria tropeçado e caído ao sentir suas pernas bambearem trêmulas após ouvir Steve lhe chamando de “minha estrela da sorte”...

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Meia hora depois, o loiro não conseguia esperar passivo em sua cama enquanto Kiara preparava o café da manhã.

Se encontrava tão eufórico por tê-la ali, ao seu lado... que por um minuto, parecia acreditar que ambos estivessem em um relacionamento real, com a garota cumprindo o papel de ‘namorada prestativa’ após seu ‘namorado’ ter vivenciado um de seus piores dias no trabalho.

Parecia fácil e simples... mas Steve sabia que não era...

Ele desceu e foi ao banheiro fazer sua higiene matinal e jogar uma água gelada no rosto, apenas para deixar de sonhar acordado.

Porém...

Aquele parecia o momento perfeito para dar a Mary Crystal o que estava guardando todos aqueles dias, desde o começo da trágica missão no Kansas.

O loiro saiu do banheiro decidido e com coragem suficiente de avançar um passo em seu plano de conquista-la, e então...

Steve abria a porta do banheiro, escondendo uma pequena caixa vermelha aveludada no bolso de sua calça.

Mary estava na cozinha, de avental, colocando panquecas americanas com calda de chocolate em dois pratos.

— Hey, olha só que maravilha eu preparei pra você agora de manhã! – A loirinha sorria divertidamente, achando que havia feito a maior obra prima na cozinha.

Steve a observava, completamente deslumbrado... quando a Segundo-Tenente não estava se esforçando para ser uma garotinha maligna e o afastá-lo com suas perversidades infantis, ela se comportava como uma mulher simples e extremamente gentil...

Ele tinha certeza que aquela era a verdadeira Mary Crystal... amável, modesta e espontânea... apenas uma garota comum, com gestos e expressões fáceis de ler... com palavras doces e afáveis que saiam de seus lindos e primorosos lábios...

Ela passava por ele, colocando alguns talheres na mesa de centro da sala, mas... Steve agarrou seu braço, a surpreendendo no meio do caminho.

A loira ergueu o olhar, encontrando o par de olhos azuis a fitando com atenção e carinho... e então...

— Eu tenho algo pra você... – Ele dizia, soltando o aperto no braço dela.

— Algo pra mim...? – Kiara arqueava uma sobrancelha.

Steve pegava a pequena caixinha no bolso direito, oferecendo a ela.

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— Isso pode não parecer muito, mas... me lembrou de você...

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O Super Soldado declarava, soando extremamente doce e gentil, mesmo sem querer...

Suas bochechas coravam levemente, inseguro se Mary aceitaria ou riria de sua cara por parecer patético...

A Segundo-Tenente olhava atentamente para a caixinha, a pegando da mão dele.

— O que é isso...? – O contestava, curiosa.

— No começo da missão, nós paramos em frente a uma joalheria e vi algo que me chamou atenção...

— E é isso que está nessa caixa?

— Sim...

— Posso abrir...?

— Sim, por favor...

E então, a Kiara abria a caixinha sofisticada...

Os olhos verdes alargaram, brilhando em surpresa...

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Havia uma corrente de ouro com um pequeno pingente de floco de neve, com uma pedrinha vermelha no centro...

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— Um floco de neve com uma pedrinha vermelha...?

— Por que você é fria e branca como a neve por fora, mas possui um coração quente e bondoso por dentro... – Ele redarguia, com um sorriso envergonhado, uma expressão tímida e encantadora no rosto.

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Ooh céus... que cena linda... que expressão maravilhosamente apaixonada era aquela...?

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Mary piscava lentamente, em choque, tentando não sucumbir a imensa vontade de pular no pescoço de Steve, abraça-lo e beijá-lo com todas as suas forças, da forma como merecia, porque ela simplesmente...

Havia amado o presente...

— Esse presente... é incrível, Cap... – A garota tentava disfarçar o quão feliz estava, só para não parecer uma louca desesperada... nunca pensou que ganharia algo tão lindo como aquela correntinha, ainda mais dele...

— Você gostou...? – O loiro a indagava, com um semblante inseguro e tímido, esfregando a nuca com a mão direita, tamanho nervosismo.

— Sim... – Ela respondia, encabulada, mas feliz... muito feliz...

A culpa com certeza era dele e de seu sorriso que lhe arrancava outro sorriso de doer de um jeito gostoso as suas bochechas... o jeito que Steve tinha de fazer evaporar amor e paixão por seus poros, e da vontade louca de puxá-lo para a prisão de seus braços, direto para seu peito... era aterrorizante... ela teria medo por ele, caso resolvesse agarrá-lo como tinha em mente...

— Bem, fico feliz que tenha gostado... – O Super Soldado sorria, esquivando o olhar, temendo encará-la naquele momento.

Kiara realmente tinha adorado aquele lindo colar, e o Capitão estava bastante orgulhoso do trabalho que teve ao escolhê-lo para ela.

— Será que você pode colocá-lo pra mim? – A loirinha o questionava, muito eufórica por dentro, mas sem deixar transparecer.

— Claro...

Quando Mary Crystal se virou para que ele pudesse pendurar a correntinha, Steve ficava momentaneamente inerte pela beleza que a garota mostrava ao puxar seus longos cabelos loiros para frente, deixando sua nuca e seu pescoço à mostra...

O Super Soldado dizia a si mesmo para manter seus olhos apenas no feixe da corrente, mas era quase impossível...

A nuca da garota era pálida e macia... suas mechas douradas eram tão sedosas e reluzentes... e ele tentava manter seus dedos concentrados, encarando o trabalho de pendurar o colar no pescoço feminino.

E para piorar a situação, Mary Crystal cheirava muito bem... sua essência límpida e fresca, floral e levemente doce, entorpecia suas narinas...

A Segundo-Tenente sentia os dedos longos do Capitão resvalando a pele de sua nuca e um arrepio eletrizante fluía por sua espinha...

Quando o loiro terminava de colocar a corrente no pescoço dela, Kiara se virava, empurrando seus cabelos para trás, pegando no pequeno pingente pendurado, completamente feliz e grata...

— Obrigada, Cap... é lindo... – Mary o agradecia, com o sorriso mais caloroso que existia...

Steve estava tão impactado por aquela linda visão, que tinha o desejo quase irresistível de puxá-la pela cintura, envolve-la em seus braços e beijá-la... mas ele recuperava sua respiração e dava um passo para trás, pigarreando, tentando disfarçar o enorme anseio de agarrá-la ali mesmo.

— De nada... – Ele sorria, tão grato, tão feliz...

— Agora tenho dois presentes seus para guardar...

— Dois?

— Essa correntinha e o ursinho... – A loira piscava, alegremente.

— Aah sim... o ursinho da barraca em Coney Island...

— Eu prometo que vou cuidar muito bem dos dois...! – Mary sorria, incrivelmente animada.

— Tenho certeza que vai... – O Capitão correspondia, sorrindo de volta, tímido e um tanto embaraçado.

E cada vez que ela vislumbrava os lábios de Steve curvados naquele sorriso tão caloroso direcionado a ela, a Segundo-Tenente tirava uma foto mentalmente, guardando dentro do álbum ‘Coisas mais belas que já vi na vida’.

Mary Crystal atentava para aquele homem em sua frente, que não escondia o quão apaixonado estava por ela, mas sempre sendo cavalheiro e cordial o suficiente em espera-la dizer “sim” para ele...

E naquele instante, pensamentos absurdos começaram a passar em sua mente...

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De deixar o orgulho, o medo, a insegurança e o suplício de lado e ir até Steve Rogers, agarrar sua felicidade...

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