Notas iniciais
Então, né... Fics que surgem do nada depois de momentos de ócio XD *desvia de pedradas*

Espero que gostem.

Desviou habilmente da lâmina da katana e tentou acertá-lo com Rebellion, mesmo se perguntando se deveria ter segurado seu braço antes de fazê-lo. O adversário previu e apenas recuou sua arma, contendo o golpe, o tinir das duas espadas parecendo acordá-lo do transe.

Então recuperou a base, esquivou-se de um segundo ataque da imensa espada e golpeou o estômago do irmão com o punho da katana.

-...!- o mesmo ofegou, demorando apenas um segundo para se recuperar.

Mas foi tempo demais.

O mais velho recuou uns centímetros e tornou a golpeá-lo, usando a lâmina dessa vez, derrubando-o com um enorme e fundo corte no peito.

-Reflexos lentos- retrucou, guardando a arma na bainha.

Este, Vergil, era o gêmeo mais velho.

O mesmo era um demônio completo devido a uma série de acontecimentos, embora fosse mestiço originalmente. Tinha cabelos espetados, lisos e de um peculiar tom branco-prateado; sua pele era alva e seus olhos eram de um azul límpido.

Tinha os músculos bem esculpidos e usava um sobretudo azul-gélido que era o que o diferenciava do irmão.

-Não enche- o outro gemeu, permanecendo deitado no asfalto do beco onde treinavam.

Tossiu e virou-se de lado, cuspindo o sangue da boca antes de forçar-se a levantar, irritado com a violência do golpe. Tocou de leve o peito para constatar que ainda havia muito sangue, mas não chegava a ser uma hemorragia; seu poder de regeneração estava funcionando, apesar de tudo.

Dante era igual ao irmão, embora deixasse os cabelos desgrenhados ao invés de jogá-los para trás como o mesmo. E usava um sobretudo vermelho de couro, ao invés de azul.

-Nunca irá vencer de mim se não aceitar as críticas e trabalhar onde suas habilidades são falhas. –o mais velho cruzou os braços.

-À merda com suas críticas- o mais novo franziu o cenho, levantando-se e parecendo irritado com o sangue, agora que o ferimento cicatrizava. Estava simplesmente conformado de que nunca mais venceria o irmão agora que ele se tornara um demônio completo.

Esse era o real significado do que era a relação deles.

Uma fonte de dano ou ruína, um oponente que não pode ser detido ou abatido. Um rival formidável e naturalmente o vitorioso, que normalmente não pode ser alcançado e que inflige retribuição ou vingança.

Vergil era seu nemesis.

E era uma sensação tão deprimente pensar no irmão como algo tão inalcançável e idealizado, que sentia nojo por conformar-se com isso.

-Certo, Dante. –o outro deu-lhe as costas, indiferente. –Fale comigo de novo quando decidir que quer me enfrentar novamente e não apenas continuar a praguejar sua longa lista de palavreados chulos.

-... –sorriu de canto quando fitou o irmão ir embora.

Era gratificante que pudesse, ao menos, irritá-lo.

O irmão mais velho havia derrotado Mundus com sua ajuda e, assim, tinha tomado todo o mundo demoníaco, estabelecendo sua hegemonia política com ajuda de Lívia, uma mulher realmente detestável na opinião de Dante.

Sua ajuda pode ter sido decisiva no momento, mas se Vergil a considerava ou não, nunca demonstrava.

Mesmo o respeito que ambos cultivavam um pelo outro parecia se desfazer em migalhas depois que tomaram rumos tão diferentes, depois que Vergil estabeleceu qual era sua prioridade.

Mas Dante gostava da sensação de vê-lo de novo.

De lutar novamente.

Porque lutar contra o irmão era como a sensação de que poderia enfrentar o mundo inteiro, mesmo quando Vergil crispava seus lábios e replicava suas críticas ao modo como lutava, nas suas fraquezas.

Nunca imaginou que pudesse ser tão masoquista.

De que pudesse ter um tipo de objetivo tão idiota de querer superá-lo e, concomitantemente, de perder para sempre, para que ainda pudesse continuar com seu objetivo.

Mas era simplesmente assim.

E cada vez mais, cada nova luta que travava com Vergil, o mais novo sentia que era tragado pelo mundo onde só havia isso.

A derrota. O levantamento. O desafio. E a derrota novamente.

E, por mais destrutivo que pudesse ser para seu caráter, Dante se pegou viciado naquela sensação extasiante de perder para o irmão, de continuar a tê-lo como seu alter ego, de continuar com aquelas tendências masoquistas.

*****

Ficou um pouco contrariado pelo fato de que, quando Vergil estava realmente irritado com sua atitude infantil, ele simplesmente sumia do mapa. Por mais que tenha dito para aparecer para lutar de novo, parecia impossível encontrá-lo.

E conformou-se de que não compensaria procurá-lo nesse meio tempo.

Limitou-se a caminhar pela rua sem muito interesse, esperando que algo viesse do nada para que tivesse o que fazer.

Droga, bem que o pirralho poderia estar por aqui para que pudéssemos lutar novamente. Ele era um bom adversário. Pensou, dando um muxoxo.

Mas não o suficiente. Retrucou outra voz em sua cabeça. Não como Vergil.

É. Concordou com a voz em sua cabeça, afinal. Não como o Verg.

Queria realmente ter algo para fazer. Não sabia onde Trish e Lady se enfiavam nesse tempo onde queria algum trabalho para matar demônios ou algum outro tipo de trabalho, mas era fato que elas não estavam presentes quando precisava.

E as detestou por isso.

-...!- franziu o cenho, posicionando-se para uma luta quando sentiu uma presença demoníaca na loja quando entrou na mesma.

-Olá, Dante. –ouviu e cerrou ainda mais os punhos ao ouvir aquela voz naturalmente maliciosa e tentadora. Sacou suas pistolas, girando-as pelo gatilho antes de mirá-las na cabeça da mulher; teria sido uma apresentação impressionante para o próprio se não estivesse tão acostumado a fazê-lo.

-Não me venha com seu “oi, Dante”. –retrucou, categórico. –Sua presença nunca traz coisa boa, Lívia.

-Não se engane, Dante. Ambos sabemos que você aprecia minhas visitas ao mundo dos humanos. –ela sibilou, umedecendo os lábios.

Era uma mulher impressionante.

Detestava a forma como os cabelos longos e negros, além de seu vestido negro, pareciam contrastar perfeitamente com sua pele alva.

Tinha a postura altiva, um sorriso cínico nos lábios e parecia examiná-lo com os olhos estreitos, revelando o prazer que sentia em irritá-lo. Seus olhos, um acinzentado e outro de um peculiar tom dourado, pareciam querer despi-lo apenas para constatar mais uma vez que ele era exatamente igual ao irmão.

Dante não imaginava como Vergil poderia manter aquela mulher ao seu lado.

Lívia era, sim, desejável, a própria imagem da tentação. Mas não podia imaginar o quão útil ela poderia ser para que Vergil se recusasse tão veementemente a livrar-se dela. Logo ela, que o torturara, que o traía, que o maltratava com seu ego insuportável.

Talvez Vergil fosse ainda mais masoquista do que o próprio irmão.

-Por que está aqui?- retrucou, impaciente.

-O de sempre: vim procurar por alguns humanos para serem meus servos. –ela deu de ombros, esgueirando-se para perto dele enquanto o mesmo apertava o punho de Ebony&Ivory, certo de que atiraria nela se ela se aproximasse mais.

Possível, mas absolutamente improvável.

A maldita mulher-demônio conseguia fasciná-lo a ponto de esquecer-se de atirar. E só notou quando ela estava exatamente a sua frente.

-Não me obrigue a atirar no meio desse seu rosto lindo e causar intriga com meu irmão, Lívia. –escarneceu, agora encostando o cano da arma na testa da mesma, que não parecia se intimidar.

-E você jura que pode me matar, Dante?- ela arqueou uma sobrancelha.

-Não me provoque. –entoou, palavra por palavra. –Você realmente não sabe o que eu posso fazer.

-Não diga coisas tão insinuantes ou ficarei excitada. –a morena entoou da mesma forma, afastando-se, embora Dante não soubesse o motivo. Então a porta se abriu e entendeu o motivo quando Vergil entrou, parecendo um pouco impaciente.

-Achei que tivesse lhe dito para ficar enquanto eu estivesse fora, Lívia. –ele retrucou, embora não parecesse irritado.

-Os humanos que Ben me arrumou são tão imprestáveis que preciso repô-los eventualmente. –a mulher replicou, dando de ombros. –Dê você um jeito nos humanos para que não morram no meio do trabalho, então.

Ben. Aquele nome lhe causava arrepios desagradáveis.

-... –o mais novo fitou a cena, desinteressado, e guardou suas pistolas.

Deu de ombros e saiu do cômodo, mesmo porque a discussão de ambos não lhe importava nem um pouco.

Tomou um banho, trocou de roupas e voltou para sala.

Como previra, Lívia não estava mais lá, apenas Vergil, que o esperara pacientemente e franziu o cenho para o irmão quando este apareceu na porta, parecendo entediado.

-... –no entanto, não disse nada.

-O que foi?- Dante retrucou, passando a mão nos cabelos. –Vai ficar só me encarando ou vai dizer algo útil? Sabe, se quer mesmo que eu apareça para te enfrentar de novo, seria mais fácil se você não desaparecesse sempre que eu decidisse fazer isso.

-Tão desesperado assim por companhia?- Vergil arqueou uma sobrancelha.

-Eu que pergunto. –o mais novo deu um muxoxo. –Tendo uma vadia como a Lívia ao seu lado, deve estar em uma situação ainda mais desesperadora.

-Não vou discutir isso com você.

-Certo. Vamos apenas lutar então. –Dante deu de ombros, não exatamente conformado com a situação.

Girando em pleno ar, o mais novo soube exatamente que iria se chocar com força contra o chão antes mesmo do fato ocorrer. Tão logo suas costas bateram contra o solo, o homem ergueu-se rapidamente e se recompôs.

Tornou a investir contra o irmão, que se esquivou, esperou por um ataque que veio do mais novo e defendeu-se com a bainha, como se pudesse prever seus movimentos.

Então revidou com outro golpe, usando o punho da espada.

Admirava Vergil exatamente por saber defender e atacar na hora certa. Combinava a perfeição em sua arte de prever e de montar uma estratégia; era um adversário não apenas forte, mas inegavelmente inteligente e perspicaz.

Não seria apenas a força bruta que deveria trabalhar para vencê-lo.

-...!- a dor física era sempre a mesma; a queda de mal jeito, os golpes bem direcionados contra seu estômago e os espasmos dos músculos que queimavam de esforço antes de, segundos depois, se regenerarem dos danos acometidos pela luta.

Não existia um mundo ao redor deles.

Era uma sensação engraçada ter um rival como o irmão. Às vezes se via ansioso por tê-lo por perto para que pudessem lutar, como uma espécie de formigamento em seu corpo que o coagia a procurar pelo irmão sempre que este não estava por perto.

Ou se via irritado por estar perdendo a luta, de estar caído, de ter se humilhado novamente em um esforço vão.

Mas achou que a vitória dele sempre era justificável.

E simpatizava com o esforço do mais velho por ter conseguido o poder que procurava, por merecer cada vitória sobre si.

A doce sensação de ter um nemesis.

-Ande logo, levante-se daí. –Vergil reclamou, cruzando os braços, e o mais novo sorriu de canto para o céu.

-Achei que não gostasse de pessoas insistentes. –comentou, ainda deitado.

Estava mais confortável do que imaginou que estaria deitado no asfalto.

-Não gosto, Dan. –o mais velho retrucou. E então sorriu de canto, cínico. –Mas sua insistência se manifesta de forma tão arrogante que eu gostaria de extinguir sua determinação com minhas próprias mãos. Uma hora você irá se cansar de perder pra mim.

-Vá sonhando, Verg- o mais novo se levantou, divertido, decidido a continuar a lutar.

Sentiu um aperto no peito.

Uma adrenalina confortável, um prazer justificável ao enfrentar o irmão. E continuar com aquele jogo era a prática mais masoquista que conhecia; mas não se importava, contanto que Vergil continuasse a ser o sádico que o entretinha.

Notas finais
Eu pensei em criar algo depois do fim de irmãzinha e pensei no que deixei implícito no final. O Vergil ficou com a Lívia na infernolândia e eu pensei em criar algo depois que tudo voltou ao normal XD

Não me batam >v
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!