Nem tão príncipe encantado assim.

1 Flores, conselhos e risadas.


Notas iniciais
Vou trazer uma série de mini-fanfics, com apenas dois ou três capítulos, com alguns dos meus casais favoritos dos animes.
As histórias começam no dia dos namorados, é uma vibe tipo o filme Simplesmente Amor. E estão interligadas, pois todas acontecem na cafeteria e floricultura Roselei's.
Espero que gostem.
Desculpem os errinhos, não está betado.
Boa leitura.

Charlotte

Dia dos namorados, doze de junho, a data da qual eu costumava adorar mais nova, quando ainda era uma garota ansiando por um romance de contos de fadas e um príncipe encantado que me resgataria da minha família.

Hoje, só me importo no quanto esse dia me dá lucro, afinal, é uma das poucas comemorações do ano em que o meu estabelecimento fica lotado.

Pensar na minha cafeteria floricultura, Roselei's, sempre me dá um misto de orgulho e felicidade. Planejei e construí cada pedacinho desse lugar com muito amor. Mesmo quando as pessoas agouraram, dizendo que seria um completo fracasso, que essa era a nova burrice da garotinha Charlotte, eu não fraquejei, como costumava fazer antes. Continuei trabalhando arduamente e não deixei me abater pelas más línguas, da minha própria família e do círculo social dos meus pais. Eles achavam que minha maior falha na vida era ter engravidado na adolescência, como se a benção de ter Mavi fosse uma mancha no histórico familiar impecável dos Roselei. São uns grandes hipócritas, isso sim.

Não vou dizer que não me machucou ser tratada como uma vergonha e uma desonra para os meus pais, além de escutar de todos que ninguém poderia imaginar que uma garota criada como uma princesa como eu poderia ter uma falha de caráter como essa, me deitar com qualquer um antes do casamento e ainda ficar grávida. Porém, sou uma mulher mais forte por causa disso, cicatrizei todas as feridas e segui em frente, de cabeça erguida. E principalmente, nunca vou deixar respingar essa maldade na Mavi, ela vai ter uma infância saudável e feliz, como toda criança deveria ter.

Minha garotinha é meu alicerce, e mesmo antes de nascer já tinha me transformado na mulher mais corajosa e protetora desse mundo. Por isso, com dezesseis anos me emancipei, saí da casa dos meus pais e, o dinheiro que recebi de herança da minha avó, construí esse lugar. Foi o suficiente para começar e fui muito afortunada por ter esse suporte financeiro, muitas mulheres na mesma situação que a minha não tem essa mesma sorte

Não vivo nenhum conto de fadas, nem tenho um romance na minha vida, mas sou feliz e completa com a Roselei's e com a minha pequena filha.

Ajeitei o vaso repleto de rosas vermelhas em uma das mesas na varanda, uma decoração extra e simples para o dia de hoje. Estava quase tudo pronto para abrir a loja, esse período da manhã seria tranquilo, com os frequentadores habituais, as reservas só começavam depois das 11 horas.

Procurei pelo bolso do avental a fita branca para enfeitar o vaso e não encontrei. Tateei os bolsos da calça jeans e também não estava ali. Andei até o expositor das flores, onde uma das minhas funcionárias preparava uma das várias encomendas de buquês e arranjos que vamos entregar hoje.

— Ino, eu deixei aqui no balcão um rolo de fita branca? — perguntei para a loira de sorriso fácil e personalidade cativante. Ela cuidava da parte da floricultura na loja, tinha um talento excepcional para cuidar de plantas.

— Eu não vi aqui, Charlotte. — ela respondeu enquanto terminava um arranjo com crisântemos laranjas, girassóis, rosas amarelas e flores-de-São-Miguel. — O que você tem? Está tão distraída esses dias, não é do seu feitio. — seus olhos azuis, como o meus, me fintaram preocupados. Além de funcionária, Ino era uma amiga.

Ela foi a primeira pessoa que contratei para ser minha auxiliar aqui na Roselei’s, seis anos atrás. A garota era ainda uma adolescente e procurava um emprego de meio-período para ajudar uma amiga a ir para faculdade de medicina. Foi essa bondade e coração generoso que me atraíram primeiro, e no final, acabei contratando ela e a colega, Sakura.

— Não é nada. — falei não querendo preocupar mais ninguém, estava acostumada a guardar os problemas só para mim. Desde criança tenho dificuldade em me abrir com as pessoas, e isso não mudou com o tempo, mas, Ino sempre me impulsionava a desabafar com ela.

— Te conheço, Charlotte Roselei. Alguma coisa aconteceu e você está remoendo isso aí dentro de você. Coloca pra fora, faz bem. — primeiro ri do jeito dela falar e depois dei um suspiro longo, pensando no pai da minha filha, vulgo, meu problema particular desde o dia que conheci a peça.

— Nozel inventou uma viagem de última hora com a nova namorada, neste fim de semana, no qual ele deveria ficar com a Mavi. Prometeu que levaria ela no museu de ciências para ver os dinossauros, e nem preciso te dizer que mais uma vez decepcionou minha filha. Teve a audácia de se desculpar dizendo que esqueceu que era dia dos namorados e prometeu levar Mavi outro dia, além de fingir que não sabia que eu não poderia ficar com ela hoje. Óbvio que a menina ficou chateada, chorou ontem quando contei que o pai não iria buscá-la, já que nem isso ele teve coragem de fazer. — desabafei tudo de uma vez e vi a indignação estampada no rosto da loira. — E eu com um monte de coisa para fazer, hoje vai ser uma loucura aqui na loja, mas estou me sentindo culpada porque não posso ficar com ela. Mavi está com a minha vizinha, por enquanto, mas daqui a pouco ela vem para a loja, porque a Sol já tinha um compromisso, óbvio. É impossível achar uma babá em cima da hora assim, todo mundo tem planos para o dia dos namorados pelo jeito. — suspirei cansada.

— Ele continua um galinha irresponsável e um péssimo pai. Charlotte, por que será que sempre caímos nos papinhos de homens assim? — Ino disse amarga e franzi o nariz, agora era minha vez de ficar preocupada, ela não falava assim nunca. — Que pena, logo hoje que não faço meio-período, senão levaria ela. Mavi deve estar tão chateada, e sei o quanto ama dinossauros. Posso até imaginar a empolgação da pequena para ver a nova exposição. — abri um sorriso percebendo o carinho em sua voz pela minha filha.

— Ela ia adorar ir com você, já que empanturra minha garotinha com chocolates e sorvete. — Ino fez uma expressão nada arrependida e depois riu. — E qual o motivo das palavras ácidas, brigou com o namorado de novo? — ela e Gaara estavam sempre discutindo por tudo, mas existia um amor intenso entre os dois, todo mundo podia notar isso.

— Nem sei se posso mais chamar Gaara de namorado agora. Tivemos uma briga feia e tem uns quatro dias que ele não fala comigo direito, só responde as mensagens secamente e diz que está muito ocupado para me ver. — deu de ombros, mas seu semblante desmentiu o gesto despreocupado. — E o pior, é que nem sei o motivo dele estar tão bravo assim. Acho que não gosta mais de mim, está cansado das nossas discussões. — seus olhos marejaram e peguei suas mãos nas minhas para confortá-la.

— Você perguntou isso pra ele, qual era o problema? — a loira negou com a cabeça. — Então comece fazendo isso. E para de criar teorias infundadas na sua cabeça. Diálogo é o mais importante em uma relação, e evita maus entendidos. Vai atrás dele para conversar, não deixa essa magoa permanecer por muito tempo no coração de vocês. Não tinham combinado de se ver hoje para comemorar o dia dos namorados juntos? — indaguei curiosa.

— Eu nem sei mais. Íamos almoçar juntos naquele restaurante italiano três quarteirões daqui, já que vou trabalhar o dia inteiro e ele tem algumas pesquisas da faculdade para fazer.

— Então liga para ele, ou mande uma mensagem. — aconselhei, porém ela não parecia propensa a aceitar a sugestão. — Se ama esse garoto não deixe o orgulho atrapalhar o relacionamento de vocês. Acha que isso que sente pelo Gaara se encontra em qualquer esquina? É raro, e precisa valorizar isso. — alfinetei já que era necessário.

— Você está certa Charlotte, sempre né. Vou ligar para ele. — Ino declarou com um sorriso tímido nos lábios.

— É a sabedoria das mães. — pisquei pra ela e gargalhamos alto.

— Hey, Hey, Hey — Bokuto surgiu do nada, entrou gritando como sempre, mas não dava para se acostumar nunca com isso. Bom dia, Charlotte. Bom dia, Ino. — desejou empolgado.

— Ele vai me causar um infarto qualquer dia desses. — cochichei para a loira, colocando uma mão no peito e sentindo o coração disparado.

— Desculpa o atraso. Pegar um trem hoje foi difícil, a estação estava lotada. — Bokuto comentou guardando sua mochila atrás do balcão e amarrando o avental preto no corpo.

— Tem certeza que não perdeu a hora porque estava sonhando com o seu cliente favorito? — Ino provocou o garoto.

— Bokuto tem um cliente favorito? Quem é? — perguntei interessada.

— É um garoto da escola dele, um ano mais novo. Lindo, mas sério demais. Segundo o Bokuto, ele tem os olhos azuis esverdeados mais incríveis que ele já viu. Não sei como ele não percebeu até agora, porque nosso amigo aqui é descaradamente óbvio no flerte. — ela zombou do platinado e ele ficou quieto.

— Eu não flerto com ninguém. Primeiro, que ele nem repara na minha existência. — fez um drama e ficou amuado do nada, tirando o sorriso característico daquele rosto bonito.

— Impossível, já que você implica com ele toda vez que vem aqui, errando o nome do garoto de propósito no copo. Isso só para ele te corrigir? — Bokuto corou e riu ficando sem graça. — Dá pra ser mais óbvio que isso? — Ino estendeu a mão gesticulando, apontando para o garoto.

— Akaashi fica tão bonitinho quando me repreende. Nas primeiras vezes, errava sem querer, mas ele sempre me corrigia de um modo tão fofinho. E depois, ele começou a franzir aquele nariz arrebitado, e o rubor nas bochechas é irresistível, eu tenho que provocá-lo. — os lábios repuxam para cima e a alegria ditava suas palavras. — Deve me achar irritante. — a expressão facial mudou drasticamente e um biquinho se formou em sua boca.

— Você é o garoto mais fofo que já conheci, é impossível te achar irritante. — mas com muita energia, com certeza. — E se esse Akaashi não perceber isso, não é muito inteligente, e principalmente, não te merece. — disse sincera, porém, sei que nessa idade as decepções amorosas são mais intensas.

— Concordo com a Charlotte. — a loira afirmou. — E não vai saber o que ele pensa de você se não perguntar. Tenta se aproximar na escola. Vocês não tem nenhum amigo em comum? — perguntou querendo ajudar.

— Temos, o Kuroo. Só que ele disse que o Akaashi é muita areia para o meu caminhãozinho. — falou triste e tentamos segurar o riso, porque claramente o amigo estava brincando com Bokuto. — Akaashi é muito inteligente, lindo demais e tem um coração bom enorme. — abriu os braços para demonstrar o tamanho e não aguentamos mais as gargalhadas.

— Kuroo só está implicando com você, conhece bem o teu amigo. Ele é igualzinho a ti nesse quesito. Não leve isso tão a sério. — Ino comentou fazendo um carinho no cabelo espetado do garoto.

— E você também é tudo isso que admira no Akaashi. — completei querendo animar Bokuto. — Ninguém tem o coração mais puro que você. Seus olhos dourados são esplêndidos e seu físico é ótimo. É esforçado, esperto, gentil e está sempre disposto a ajudar os outros. — elogiei sinceramente e seu semblante triste foi mudando aos poucos.

— Eu acho que vocês fazem um casal fofinho e bonitinho. — Ino terminou piscando um dos olhos para mim. — Agora vai trabalhar, que já vamos abrir. — despachou o platinado com as mãos.

Bokuto sorria de orelha a orelha depois de escutar a reflexão da loira. Foi arrumar os copos no balcão, amarrou o avental cantarolando uma canção, e quase podíamos ver ele saltitar feliz pra lá e pra cá.

Rimos contagiadas com a felicidade do platinado, esquecendo nossos problemas por um momento. Bokuto quando chegava em qualquer ambiente melhorava o astral imediatamente, por isso contratei ele, é um garoto solar, impossível ficar triste perto dele.

— Por que tem um rolo de fita aqui na pia? — ele gritou do balcão.

— Então foi aí onde coloquei isso. — murmurei indo pegar o item.

Olhei as horas no relógio de pulso e faltavam dez minutos para abrirmos a loja, era tempo suficiente para terminar de decorar as mesas.

Notas finais
Primeiramente, obrigada por lerem.

Aqui uma planta da Roselei's pra quem quiser visualizar melhor: https://planner5d.com/v?key=74bf0c64e081125f5d30f7f0a12c20ea&viewMode=3d

Escolhi o nome Mavi porque significa azul em turco.

Tenho um crush enorme pela Charlotte. YamiChar é incrível, amo os dois juntos.

Sim, eu shippo muito GaaIno. Desculpa Sai. hahaha

Bokuto meu cristalzinho. Quando to triste, vou ver vídeos e fotos dele, anima meu dia. haahaha