Nem tudo é uma metáfora
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Acordei no meio da noite com uma pequena falta de ar. Aconteceu só por alguns segundos e sentei-me na cama, gritando pela minha mãe e ela veio correndo e quando percebeu que eu havia me esquecido de me conectar ao biPAP, ela foi rápida ao me conectar ao aparelho para que eu conseguisses drenar meus pulmões e respirar.
Senti meus pulmões reclamando pela minha gigante falta de atenção logo depois de ler a carta do Gus e esquecer de me manter viva, ou pelo menos tentar, durante a noite. Agradeci por não ter acontecido nada sério, que me levasse ao hospital, porque eu sinceramente odeio aquele lugar por ser branco, com pessoas com roupas brancas. Isso me assusta um pouco.
Acordei já cansada na manhã seguinte. Acho que foi uma das consequências do meu esquecimento da noite passada. Ao pensar assim, lembre-me de Augustus Waters no primeiro dia em que nos conhecemos no grupo de apoio, quando Patrick o perguntou de que ele tinha medo. Esquecimento foi a resposta. Agora eu entendo aquilo. Ele pensava na Caroline, que mesmo depois de anos, as pessoas continuavam postando em sua página, escrevendo palavras bonitas, mas vezes faladas ao vento, sem nenhum sentimento, outras faladas sendo reais. Resolvi me levantar e espantar esses pensamentos. Não que eu não queria pensar no Gus, mas não queria que meus pais me vissem triste mesmo depois de muito tempo.
Levantei-me, me conectei ao Felipe e desci as escadas. Fui até a cozinha e chegando lá, vi que não havia ninguém. "Estranho não ter ninguém aqui", pensei. Servi um pouco de café em uma xícara qualquer, peguei alguns biscoitos de chocolate com baunilha e subi de volta ao meu quarto. Como era um dia frio, resolvi que ficaria o dia todo na cama. Olhei pelo quarto encontrei em um canto o livro que Gus havia me emprestado ao que pra mim pareciam muitos anos. O preço do alvorecer estava na estante bem ao lado de UAI. Peguei-o e me deitei, me agarrando ao cobertor logo em seguida. Antes de começar a ler, me lembrei de Gus e Isaac jogando o jogo que deu origem ao livro. Eu sentia falta desses momentos para ambos.
Em vez de ler e ficar relembrando momentos como esse, peguei meu celular em cima da cômoda e liguei para Isaac. No quarto toque ele atendeu.
–Olá Hazel. Tudo bem com você? – ele disse quando atendeu ao telefone.
–Olá Isaac, eu estou bem, e você? Como vai? –respondi deixando O preço do alvorecer deitado em cima para me concentrar na conversa.
–Eu estou bem. Como vai tudo na sua casa? E a carta? Leu?
–Aqui em casa está tudo igual. Sim, eu li. Não preciso esconder porque não era nada que ninguém deveria saber. É a continuação de Uma Aflição Imperial. Eu nunca imaginei que ele realmente teria escrito isso. –disse, tentando imaginar Gus deitado em uma cama de hospital, escrevendo.
–Ah sim. Nunca li esse livro então não vou poder ser uma das pessoas que você poderá comentar sobre o livro. O Gus leu, certo?
–Sim, eu o emprestei para ele e ele me emprestou o livro que foi inspirado no seu jogo favorito, que você deve muito bem saber qual é – ri.
–Claro que eu sei – riu também – Hazel, eu tenho que ir, minha mãe está me chamando. Até mais Hazel.
–Tudo bem. Até mais, Isaac.
Ele desligou e me lembrei da carta. Peguei meu computador e entrar no meu email:
"Peter Van Houten,
Você sabe que eu não gosto muito de você por ter quase arruinado a ida Amsterdã, mas eu preciso que você leia uma coisa que foi escrita por Augustus, o garoto que me acompanhou à sua casa. Como você já sabe, ele se foi, mas antes disso, enquanto ele estava no hospital, ele resolveu realizar um desejo o qual você ignorou: ele escreveu a continuação de UAI. Ele escreveu uma observação, e nessa, me disse para fazer o que eu desejasse com a história. Não acho que eu deveria fazer isso, mas acho que você é umas das únicas e melhores pessoas para fazer a devida correção ao texto, já que é a continuação de uma obra inteiramente escrita por você, e somente você. Portanto se você aceitar a minha simples proposta de revisar o texto de Augustus Waters e publicá-la em qualquer lugar com o devido crédito ao autor, favor me avisar.
Hazel Grace Lancaster."
Não sabia exatamente se Peter iria me responder, mas eu poderia muito bem tentar. Não mandei o email direto para Lidwig porque pelos meus conhecimentos, ela ainda não havia voltado a trabalhar para o meu ex-escritor favorito.
Eu não conseguia fazer com que todas aquelas memórias de Augustus Waters voassem para fora da minha cabeça. Não queria esquecê-lo, porque prometi que eu, pelo menos eu, iria eternamente lembrar dele. Mas a verdade era que, por um simples momento, queria esquecer que tudo iria dar certo, ou pelo menos, era isso que aparentava, mas por causa de um estúpido câncer, tudo foi por água abaixo.
Esse é um dos motivos pelos quais eu odeio o câncer: tudo pode acabar de uma hora pra outra. Tudo eu digo tudo mesmo. Você pode morrer em um segundo quando se tem câncer. Eu sei disso porque, por mais que minha mãe escondesse tudo relacionado à doença quando a mesma foi descoberta em mim, depois de um tempo com a convivência, você acaba descobrindo coisas que não fazia a mínima ideia de que eram verdadeiras.
Quando acordei dos meus pensamentos relacionados ao câncer, vi um novo email. Era de um email conhecido: lidewij39@gmail.com. Porque Lidwig me mandaria um email minutos depois do meu email para Peter Van Houten ser enviado? Abri o email e comecei a ler.
"Querida Hazel,
Eu li seu email enviado a minutos atrás para o Peter. Sim, eu voltei a trabalhar pra ele. Ele mudou, não sei por que, mas mudou. Para ser mais sincera, acho que sei. O email do Augustus. Sempre que ele está à toa, ele rele o email várias vezes. Ele tem perguntado de você bastante, mas sempre dou a mesma resposta: "Não nos falamos a um bom tempo", mas ele parece não acreditar. Enfim, eu repassei o email enviado de você a ele com o propósito de que ele aceitasse. Ele simplesmente respondeu: "Fale com ela para mandar esse tal texto e eu irei pensar no assunto". Acho que ele realmente irá revisar o texto. Ele está arrependido de tê-los tratado como no dia em que o fez aqui. Acho que essa será uma boa forma de recompensá-la. Irei tentar ajudá-la a convencê-lo a corrigir o texto e repassá-los para editores. Espero que tudo dê certo.
Lidewij Vligenthart.
Li e reli o email várias vezes ainda não acreditando que o Peter estava sendo legal, ou pelo menos ao meu ponto de vista. Respondi ao email com o texto anexado e meu desejo naquele momento era de que tudo acontece com nenhuma interferência.
Fale com o autor