Nem tudo é uma metáfora
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Hoje se passam exatos cinco meses desde a morte de Augustus Waters. Se passaram exatos cinco meses sem a pessoa que me fazia acreditar que tudo estava tudo bem.
Acordei bem cedo com o meu celular tocando: era o Isaac. Atendi e ele falou rapidamente e desesperado que precisava me mostrar um papel que achou em seu quarto urgente. Olhei as horas e eram 6:17.
–Estou aí em 30 minutos.
Respondi a Isaac e desliguei a chamada, já me desconectando do biBAP e me conectando ao Felipe.
Fui até a cozinha e minha mãe estava digitando algo em seu laptop e parecia bem concentrada, mas ao meu ver, fechou o mesmo e se levantou para me abraçar.
–Bom dia filha, o que faz acordada agora? Está cedo.
–O Isaac me ligou. Ele disse que precisa urgentemente me mostrar um papel que achou em seu quarto.
–Tudo bem, mas você faz alguma ideia do que seja esse urgente papel que precisa ser mostrado a você?
–Não, não faço a mínima ideia do que seja. – menti.
–Tudo bem, mas tome café antes de sair. Sem ovos para que não seja um específico café da manha. – ela riu.
–Sim mãe. Sem ovos para que não seja um específico café da manhã. – repeti, me lembrando de meu debate sobre ovos serem marca registrada do café da manhã.
Eu tinha sim uma ideia formada sobre o que estaria escrito no papel o qual Isaac queria tanto me mostrar. Sabia que tinha algo a ver com o Gus.
Tomei meu café da manhã sem ovos para não ser específico e subi para o quarto para me trocar, pois ainda estava de pijamas. Me troquei, peguei as chaves do meu carro e segui adiante até a casa de meu melhor amigo cego.
Ao estacionar o carro na frente da casa de Isaac, o vi esperando na porta. Sei que ele não estava me vendo, mas ao ouvir o barulho da porta do carro se abrindo ele disse:
–Hazel?
–Sim. – respondi, já trancando o carro.
–Então corre, preciso urgentemente te mostrar uma carta que achei no meu quarto, está escrito "Para minha querida Hazel Grace" segundo a minha mãe. –ele disse estendendo o braço que eu pudesse guiá-lo.
Entramos na casa do Isaac e eu fechei a porta. Fomos em direção à um quarto bagunçado, cheio de jogos de vídeo games espalhados pelo chão, alguns livros até organizados em estantes e também alguns CD's.
–Está em cima do meu computador, pode pegá-la, é sua.
–Você tem certeza?
–Claro Hazel. –ele respondeu, conseguindo chegar até a cama, sozinho, e se sentando.
–Tudo bem.
Peguei a carta que estava em cima do computador e vi em letras um pouco atrapalhadas "Para minha querida Hazel Grace". Agora tinha certeza absoluta de que aquela carta fora escrita pelo Augustus. Admito que fiquei com um pouco de medo de abrir aquilo. Medo do que estaria escrito, mas mesmo assim fui adiante. Abri a carta e li a observação.
"Querida Hazel Grace,
Queria estar aí, em minha presença física, para ver sua reação ao ler a continuação de UAI, escrita por mim. Sou uma boa pessoa, mas não um bom escritor, ao contrário de Peter Van Houten, mas espero que você aceite saber a minha opinião sobre o que acontecera à mãe de Anna ou ao hamster, ou até mesmo se o Homem das Tulipas Holandês era ou não um vigarista. Quero que você faça o que achar melhor com esta carta que foi destinada a você. Não a entreguei diretamente a você, porque não quis que você lesse isso antes de tudo acontecer. Achei que Isaac seria a pessoa certa para te entregar isso, então coloquei no quarto dele um dia e esperei para que fosse entregue ao seu devido destinatário.
Com amor, Augustus Waters."
Após ler isso, fiquei curiosa para saber qual seria a continuação perfeita de Augustus para Uma Aflição Imperial, mas percebi que Isaac estava muito quieto e calado, e estava com a cabeça baixa. Guardei a observação de volta no envelope e coloquei o mesmo em cima da escrivaninha.
–O que aconteceu? –perguntei a Isaac, me ajoelhando perto de onde ele estava sentado.
–Eu ainda não superei a morte do Gus. Sinto muito a falta dele. –ele respondeu, levantando o rosto, dessa vez sem os óculos que tampavam seus olhos cegos.
–Eu também sinto a falta dele Isaac. A morte não é uma coisa fácil de aceitar, mas temos de tentar conviver com isso. As melhores pessoas se vão cedo. –disse, me sentando na cama ao lado dele.
–Isto não está certo, não está, não está e não está.
–Também não concordo com isso, mas é a vida. Pense que você deixou uma marca em você e você fez o mesmo com ele, sendo pra ele um melhor amigo. –respondi colocando meu braço no ombro de Isaac.
–Não adianta muito, mas tudo bem. –ele disse se levantando e enxugando uma provável lágrima que teria escorrido. – Quer jogar algum jogo?
–Não, obrigado. Vou voltar pra casa, estou com sono, tudo bem? –perguntei me levantando e carregando meu carrinho até a escrivaninha para pegar a carta de Augustus.
–Claro, tudo bem. Será que você poderia me guiar até a porta para que eu possa te levar até a porta? Ainda não me acostumei o lugar exato dos móveis em casa, então sempre bato em tudo quando estou andando sozinho. –ele disse se levantando.
–Claro Isaac. –fui até ele, pegando seu braço e segui até a porta da casa.
Me despedi de Isaac e entrei no carro. Acenei com a mão, mas lembrei-me de que Isaac não conseguiria entender. Coloquei a carta no banco do passageiro e a fiquei obervando por um bom tempo, até que resolvi ir pra casa.
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