Nem tudo é o que parece
2 Suspeito Improvável
Notas iniciais
O homem parece um integrante do Show de Horror de um circo qualquer.
Enquanto ele aguardava na sala de interrogatório, muitas pessoas iam até o vidro para observá-lo. Uns comentavam que ele tinha problemas mentais e outros davam ênfase à história do Castle.
— Espero, sinceramente, que todos tenham feito suas tarefas. – Gates passa pela sala e todos saem da sala imediatamente. Ela se dirige para sua sala.
— Detetive Beckett, em minha sala agora! – Gates está curiosa para saber o que está acontecendo.
— Sim, Capitão!
— Qual é a explicação para o Show Circense na sala de interrogatório.
— Ele é suspeito do assassinato do Beco Srª.
— Este homem? – Apontando para a porta com os óculos na mão. – Você acha que eu vou levar esta informação para o Comissário?
— Na verdade Srª, ainda não interroguei o suspeito porque estamos tentando identifica-lo, portanto, ainda não terá que dizer nada para o Comissário. – Em um tom de defesa e deboche, Beckett sai da sala e cruza com Ryan na delegacia.
— O que faz por aqui Ryan? Não é seu dia de folga?
— É que esqueci um documento em minha mesa e... – disfarçando nitidamente.
— Ele está na sala 2.
— O que? “Puff“ Não sei do que você está falando.
Beckett estica o braço em um gesto de conduzi-lo até a sala e ele, muito sem graça, vai até lá e também observa pelo vidro.
— Você acha que ele tem o que, Beckett? – Ryan fala sem tirar os olhos do Homem que continua se balançado na cadeira.
“Ele é um TEA!”
Eles se assustam com a voz que surge da porta, mas, logo a reconhecem.
— Jen, o que está fazendo por aqui? – Beckett vai de encontro à garota acariciando sua barriga que já está bem aparente.
— Na verdade vim com o Tom e decidi dar um oi para vocês e verificar a história do Castle. – ela dá uma risada sabendo da palhaçada do primo.
— E o que quis dizer com TEA? – Ryan está curioso
— Na verdade é Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) referem-se a um grupo de transtornos caracterizados por um espectro compartilhado de prejuízos qualitativos na interação social, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados. Os TEAs, como são conhecidos, apresentam uma ampla gama de severidade e prejuízos, sendo frequentemente a causa de deficiência grave, representando um grande problema de segurança e saúde pública. – Como sempre ela fala sem respirar e acaba confundindo as pessoas.
— Isso quer dizer que...???
— Que ele é um autista em um grau elevadíssimo.
— Se você diz que ele tem um “prejuízo qualitativo na interação social”, ele não teria reagido com agressividade quando eu falei com ele? – Beckett está bem confusa.
— Na verdade, nem todos tem a mesma reação. Observe os movimentos retilíneos que ele está fazendo com os dedos sobre a mesa. Este é um movimento bem característico, a repetição e padronização.
— E como você sabe tudo isso? – Pergunta Ryan.
— Tenho lido bastante coisa por causa do Anthonny! – Ela olha para Beckett sorrindo.
— É um menino! – Beckett a abraça novamente.
— É sim, acabamos de saber.
— Castle vai cair para trás. Não deixe te fazer mudar de ideia e colocar o nome de Cosmo.
— Não Beckett, — ela ri – Esse nome fica para o seu filho. Já é uma escolha dele. – dão mais risada – Já vou indo, estou muito cansada hoje.
— Eu vou interrogar o nosso TEA. Mais tarde passamos lá.
Tory chega com a ficha do suspeito e Beckett, junto com um dos Guardas, vai para a sala de interrogatório.
— Sr Jimmy Stuart, consegue me compreender?
O homem faz sim com a cabeça, continua se balançando e riscando a mesa com o dedo.
— O que aconteceu na noite passada no Beco da Fábrica, pode se lembrar?
— Não fazer mal! Nada de mal! – Balançando mais rápido. – Nada de Mal! Jim bom! Bom...
Beckett vê que o homem não tem condição de responder a nada, mas, tenta mais uma vez.
— Jimmy, olha para mim. – sua voz era mais firme. – Olha para mim Jimmy. Jimmy é bom, certo? Jimmy sabe o que é mau? Jimmy viu homem mau?
— Jim bom! Quer bom de tudo! Homem bom foi embora! Muito sangue. Jimmy fazer bom...
As coisas estavam ficando sem sentido e Jimmy mais agitado, por isso, Beckett decide parar e falar com Gates.
— Capitão, precisamos de um profissional para nos ajudar neste caso. Jimmy Stuart é Autista em um grau altíssimo, ele tem uma dificuldade enorme de comunicação e sozinha não irei tirar nada dele.
— Vou ver o que consigo, mas, enquanto isso continue as investigações.
— Claro Srª, vou até a Lane descobrir quem é a vítima.
No caminho para o Necrotério Beckett recebe uma ligação de Castle.
“Oi meu amor!” – Ele está bem carinhoso.
— Oi Castle, o que você quer?
“Desculpar-me com você, passei do limite.”
— Falamos disso depois. – Desliga o celular e dá de cara com ele na porta do necrotério com flores nas mãos.
— O que você está fazendo aqui Castle, e com... – Ela dá um suspiro – ...”rosas” e cerejas?! Você sabe que amo rosas e cerejas.
— Por isso que eu as trouxe. Pedidos de desculpas são para isso, agradar a quem decepcionamos.
— Bom, já que está aqui, pode me acompanhar.
Mais uma vez ele consegue o que quer e acaba acompanhando sua amada.
— Olá Lane, o que temos?
Em tom de desaprovação Lane se dirige a Castle e diz:
— Batman, só você mesmo Castle! Pode ficar aqui porque é marido da minha amiga, mas, a primeira palavra que disser eu abro seu tórax.
Com o bisturi na mão direita e a esquerda cheia de sangue, ela olha para Castle que entende o recado e leva as mãos à boca.
— Bem, nossa vítima é Robert Lugs, 32 anos e morreu por causa de uma pancada bem dada na parte posterior do crânio.
— Hora da morte? – Beckett fala e olha para Castle que observa os pertences da vítima apontando para um porta cartões sem emitir um som.
— Entre 16h00minhs e 20h00minhs.
— Faz sentido, Ronald, o garoto que encontrou o corpo disse que foi às 19h30minhs.
Castle já está quase com tendinite de tanto que balança os braços para Beckett ver o que ele encontrou quando Lane o vê.
— O que eu disse Castle?
— Mas, não estou emitindo nenhum som. Você não falou de balançar os braços.
Lane quer mata-lo nitidamente.
— Tem um porta cartões aqui, pode ser uma pista.
Beckett pega o objeto com uma luva e abre. Ela vê alguns cartões e um tem o nome da vítima.
“Robert Lugs
Agente de Negociações Imobiliárias
Corretora Nora Smith
Fone: 5555-2236”
— Corretora Nora Smith! Quer comprar uma casa Rick?
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