Nem Tão Óbvio Assim
10 Ridículo. Humilhante. Perfeito.
Notas iniciais
Narração.
Na dúvida, olhem para a fic atentamente até se convencerem de que faz sentido.
Sabe, aquela poderia até mesmo ser uma cena engraçada.
Quer dizer, tapinha entre homens, coisa digna de Drag Queens divas, com direito a salto alto e mão na cintura, com uma saída bem rebolativa depois.
Mas, provavelmente, Near não pensava assim com o rosto ardido e vermelho ainda virado e Mello o encarando do alto com as mãos baixas e tensas ao lado do corpo.
Receber um soco de um homem nunca é agradável, mas...
Um tapa?
Humilhante, realmente.
Não só para quem deu, que se coloca naquela posição já antes discutida, como para quem recebe, que acaba com as marcas dos dedos firmes no próprio rosto.
Vergonhoso.
- Satisfeito, Mello? — Permitiu-se perguntar.
Não é como se fosse a primeira vez em que sofria violência por parte do loiro.
Mas normalmente não passava muito de uma grossa linha avermelhada no pescoço, denunciando colarinhos puxados com brusquidão.
Ou alguma dor mais aguda no couro cabeludo de fios puxado pra trás.
Mas aquilo....
Era... Amargo?
Não.
Ridículo.
- Me responde logo. Ou será que o Matt te proibiu de falar?
- Você já tem sua resposta, não tem?
Dentes trincados à mostra, Mello parecia mais um bicho do que uma pessoa razoável.
E depois de tudo, é tentador concordar com tal impressão.
Near o encarava, seus olhos tão perfeitamente negros sem um único brilho que arriscasse sair, a vermelhidão maculando o rosto impassível.
Ácido.
- É uma vadiazinha mesmo... Podia ao menos tentar negar. Não que fosse ajudar nessa sua dignidade de merda.
- Não vejo sentido em ficar tentando negar o que é verdade.
Era um blefe, de certo modo.
Mas, diante daquele loiro desgovernado...
Incompatível, incoerente.
Acabou exagerando.
Mello tentava encontrar palavras, gestos, ações, qualquer porcaria.
Mas elas simplesmente lhe deram as costas, deixando sua mente vazia e leve demais para conseguir refrear as mãos ansiosas.
O colarinho foi puxado.
Apenas mais uma marca se sobrepondo as demais.
Olhou fundo naqueles poços negros e nojentos, vazios, tentando encontrar alguma coisa.
Mas notou.
Near estava tão vazio quanto ele próprio.
Segurou o gesto, por alguns segundos, a cena estranha e imóvel, estática.
Dignou-se apenas a empurrá-lo para trás, sequer sentindo prazer no som da carne em claro impacto com o chão, o banco de madeira caindo junto por sobre uma perna.
Mais uma.
- Bom proveito.
E saiu.
Mas sem direito à rebolada ou mãozinha na cintura.
Porque, no momento em que os olhos se cruzaram, toda a comicidade que ainda poderia haver no ridículo da cena se desfez.
É.
Agora, era pra valer.
Uma garota qualquer ainda teve a decência inútil de ir acudir o Near que sequer se esforçava para separar suas pernas das da cadeirinha vagabunda, vez que o agressor estava suficientemente distante.
Algo foi dito sobre avisar Roger.
Alguma insinuação imbecil sobre providências, enfermaria, gelo, punição.
Mas todos receberam apenas um “estou bem, obrigado”.
E ele também saiu.
Certo.
Poderia até estar sendo usado.
Mas isso jamais significaria que não participaria do jogo.
A porta do quarto foi aberta, apenas para dar de cara com um Matt jogado em sua cama, os cabelos ainda meio úmidos esbanjando pouco caso enquanto uma musiquinha eletrônica se repetia cansativa pelo recinto.
Ganhou uma expressão de surpresa assim que entrou.
- Matt, eu sei que você tem algum plano em mente... — Cortou logo as parcas demonstrações de piedade, afastando as mãos que tentavam tocar na marca dos dedos — Mas isso não me interessa.
Um olhar desconfiado.
Não pela descoberta do plano, claro.
Na verdade, até que contava com isso.
- O que quer dizer?
- Não me interessa seu plano, nem seus objetivos, mas eu suspeito quem seja seu alvo.
Matt apenas o encarava, esperando pela conclusão do raciocínio.
Antecipando-a.
- Só me diga o que precisamos fazer.
Não pode deixar de abrir um sorriso, misturado com surpresa, mas cheio de uma deliciosa sensação de vitória.
Agora sim.
Notas finais
E uma reverência para a Senhorita Konan, com sua sempre adorável, sensata e broxante betagem ♥
Ficam os avisos de sempre,
Kalhens.
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