Nem Tão Óbvio Assim
4 Estranho. Estranho. Talvez nem tanto.
Notas iniciais
A partir deste capítulo, as cenas se dão alguns dias antes daquel na sala do Roger.
Narração.
Na dúvida, leia de novo~
Estava quente. Muito quente.
Um enorme bicho de pelúcia vermelho estava sobre si, e ele não conseguia livrar-se.
Por mais que tentasse, ele simplesmente não saia de cima!
Foi quando percebeu que provavelmente era um gato. Gigante. Mas um gato.
Deveria ser, o bicho até ronronava!
Foi quando acordou.
– Matt, sai de cima de mim!- explodiu, jogando o amigo pra fora de sua cama.
– Ai, seu cavalo! Tinha que fazer isso?- uma voz veio. Do chão.
– Eu disse que você podia dormir comigo. Não em mim!
– Ah, mas tava tãaao bom....
– Fale por você, eu estou todo suado. Você é quente pra cacete!
– Rawr, eu sei...
Mello revirou os olhos, pegando uma roupa para trocar, já se dirigindo ao banheiro.
Precisava de um banho. Urgente. Com água bem gelada, de preferência.
Matt coçava a cabeça, sentado no chão. Também estava com calor.
Mas...
Sorriu.
Compensava.
Desceram juntos para tomar café da manhã, Mello com os cabelos ainda úmidos.
Riam e conversavam. Falavam bobagens e se batiam.
Eram apenas dois amigos. Eram ainda dois moleques.
E ele também estava ali. Já subindo da cozinha para uma sala qualquer onde pudesse ficar com seus brinquedos.
Às vezes, Mello nem o via, tão absorto que estava em conversar com Matt.
Mas tudo bem.
Doía menos. Doía mais.
Mas os olhos se cruzaram.
Não os olhos profundos de ódio, conhecidos.
Mas um par de orbes verdes.
E ele nunca reparara no quão verdes estes eram antes.
Podia senti-las em si, indo de cima à baixo, apenas para voltar todo o caminho e parar em seus próprios olhos.
Ganhou um sorriso, antes de Matt bater no ombro de Mello, os lábios ainda naquela estranha curvatura.
E sentiu um calor.
Intimidador, tinha que admitir.
Mesmo quando os dois estavam já fora de vista, ainda sentia alguma coisa queimar dentro de si.
E não era bom.
.
– Hey, Linda.
– Hum? O que foi, Mello?
– Você viu o Matt por ai?
– Ah, eu o vi falando com o Near há uns...Dez ou quinze minutos, lá no primeiro andar.
-...Tá.
E saiu andando.
Descia as escadas enquanto a mente tentava digerir o que lhe fora passado.
Não que o fato fosse inédito.
Na verdade, sentia que o problema era exatamente esse.
Nada pessoal, o que Matt fazia não era da sua conta. Ele podia falar com quem quisesse, claro...
...Certo, hipocrisia pra que?
‘’Nada pessoal’’ era seu rabo.
Apertou o passo, pisoteando sem muita misericórdia para com os tapetes que vestiam o corredor do primeiro andar.
– Xiiiu, alguém vai te ouvir- um sussurro, apenas. Mas aquele sussurro que já cansara de ouvir.
Estranho.
Diminuiu a velocidade, aproximando-se em silêncio da sala de onde supunha vir o som.
Com cuidado, olhou pela porta, entreaberta.
Estranho.
Parecia vazia.
– Apenas me responda, Matt.
Uma risada.
Abriu um pouco mais a porta, até que os viu.
Ou melhor, o viu.
As costas de Matt, estando este voltado para uma parede.
Near, sequer enxergava.
- Por favor, Near. Vai ter que se esforçar mais do que isso.
– E você pretende o que? Que eu fique te agarrando em público?
- Eu particularmente não me incomodo. Mas se preferir, a gente pode se agarrar só no seu quarto mesmo...
Braços se ergueram, num movimento que ele mais adivinhava do que via.
Ou melhor.
Que não pretendia ver.
– MATT, CADÊ VOCÊ, DROGA!?
Berrou ao acaso, no meio do corredor.
Por um instante, realmente quis simplesmente invadir a sala, arrombando a porta já aberta com toda a fúria que a cena merecia.
Logo viu um ruivo correndo em sua direção.
– ‘Tá me procurando?
Um sorriso estúpido estampado.
Por um instante...
– Tô te procurando há horas, droga!
– E o que você quer?
– E-eu... Porra, custei tanto a te achar que eu até esqueci! Onde você se enfiou, afinal?
E Matt fez força para não rir.
Por um maldito instante...
– Eu fui na sala de jogos procurar um cartucho. Mas que seja, ‘tá a fim de uma partidinha de Mortal Kombat?
– Pode ser...
Por um instante, não soube.
Mas, naquele instante, teve medo.
.
.
Estavam deitados.
Dois olhavam para cima.
Um olhava para o lado.
Separados.
Era noite já. Alta até.
E os três acordados, mesmo sem saber.
Estava tudo escuro.
Se fosse dizer que olhava, então Mello olhava apenas para suas próprias pálpebras. Os olhos fechados, fingia que fingia dormir.
E a cena daquela tarde se repetia incessantemente.
Irritantemente.
Near olhava para o teto, para onde um dado era lançado, apenas para cair. Sequer conferia os resultados. Limitava-se a tentar organizar em sua mente tudo o que acontecera naquela tarde.
Matt, claro, também olhava. Ainda que não visse.
Mas, mesmo no escuro do quarto pesado, adivinhava os contornos já tão conhecidos do outro.
Reprimiu um suspiro.
Talvez, a idéia não fosse tão absurda.
Quem sabe, até dessem certo.
Mas...Não ainda.
– Mello?
Nenhuma resposta veio. Mas pode ouvir o sonzinho de um corpo em atrito com os lençóis.
Ai, ai.
– Mello, eu sei que você está acordado. Você é péssimo nisso.
– O que você quer?
– Não consigo dormir...
– Problema seu.
– Por favor, será que eu...
– Não.
Foi mais ríspido do que esperara.
– Eu nem pedi ainda.
– Você não pode dormir aqui.
– Mas, ontem você deixou....
– Tá calor pra cacete, Matt. Vai contar carneirinhos, ou qualquer outra porra dessas.
– Você está coberto até a cabeça, seu mentiroso.
Pode ouvir um grosso cobertor sendo lançado no chão.
– Agora vira e dorme, porra.
...
– Meeeeello...
– Me deixa dormir cacete!
– Você está bravo comigo?
– Não.
Seco.
– Então... Posso deitar com você?
– NÃO!
Notas finais
Certo. Agora a reescrita dos capítulos está me dando um pouco mais de trabalho, posto que as mudanças estão aumentando.
É um problema ter que mudar os rumos, mas querer manter quase tudo igual...
Posso acabar demorando um pouco mais a partir de agora.
Agradecimentos à todas que leram e deixaram seus lindos e deliciosos reviews~
E ficam os mesmos avisos de sempre.
Aaaté,
Kalhens.
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