Nem Tão Doce Primevera

4 Nem tudo é o que parece


*POV. ANALU*

O resto da semana passou vagarosamente e sem maiores acontecimentos. Eu deliberadamente evitava o Lysandre entre os intervalos das aulas e ficava cada fez mais angustiada com tudo o que estava sentido, a verdade é que me sentia extremamente exposta junto a ele e também não havia lhe mostrado a minha melhor cara, deixei traspassar a minha angústia e no momento não acho que ele precise de algo a mais para pensar. Afinal ele estava mergulhado nos seus próprios problemas dentro de seu precioso mundo no qual eu não fazia parte... ao menos não como eu queria.

Eu havia pensando muito nos últimos dias, depois de observá-lo de longe, estava certa de que o melhor a fazer era contar a verdade mesmo sentindo a eminente rejeição, do que adiantava me esconder se eu não conseguia mas agir normalmente perto dele? Eu falaria a verdade, estava certa disso, mas a grande questão era quando o faria? E isso me incomodou durante todo o fim de semana.

Na segunda-feira acordei ao som terrivelmente irritante de meu despertador, “Céus como eu queira mais cinco minutos”. Me levantei, realizei a higiene diária matinal e me arrumei para o colégio um vestido acinturado de pontas assimétricas, arrumei o cabelo em um rabo de cavalo alto e simples, não estava espetacularmente animada para as aulas havia dormido mal na noite passada, me sentia cansada demais, chateada demais e aliviada de menos, ou seja, apenas um dia comum. Resolvi pegar um ônibus até o colégio, assim evitar encontrar alguém pelo caminho, chegando lá andei distraidamente pelos corredores em direção aos armários e não percebi o que estava a minha frente até bater forte e cair sentada no meio do corredor. Pronto o dia perfeito.

— Cuidado garota!! tenha mais atenção.

— Gentil com sempre em Castiel? — respondi visivelmente afetada.

Como se tudo não pudesse ficar mais constrangedor eu havia esbarrado justamente no Castiel que estava parado conversando com o Lysandre no corredor, o Lysandre cordialmente me estendeu a mão para me ajudar a levantar. Enquanto repreendia a atitude do Castiel com o olhar.

— Consegue se levantar?

— Sim. Está tudo bem... eu que estava meio distraída.

— Não tinha notado. — Castiel respondeu em tom de zombaria.

— Não seja assim Cast. — Respondi sorrindo e o chamando pelo apelido que não o agradava muito. Enquanto Lysandre apenas parecia avaliar a situação o que me deixou ainda mais desconfortável.

— Bom eu já vou indo tenho que pegar alguns livros no armário. — Disse me distanciando dos dois com o rosto vermelho de vergonha.

Segui para a sala. Sentei mais ao fundo junto a Viollete, que me cumprimentou com um sorriso tímido. A aula seguia bem arrastada, me distraia com facilidade enquanto fazia anotações em meu caderno que nada tinham a ver com a aula. Quando enfim o sinal ecoou pela sala, carteiras foram empurradas e materiais guardados agilmente para o almoço, com exceção de mim que continuava fazendo hora para organizar os livros.

— Analu vamos almoçar no jardim hoje, o que acha? — Alexy me perguntava animadamente enquanto me esperava na porta da sala. — A Rosa já foi buscar alguns sanduíches.

— Talvez não seja má ideia....

— Claro que não é! Venha vamos colocar um sorriso neste rosto e falar de alguns caras bonitos — Disse entrelaçando nossos braços e me levando sala a fora.

— Eii... Você tá legal?! - Rosa disse fazendo sinal para que me sentasse ao seu lado em um dos bancos do jardim — Você parecia fora de ar durante a aula

— Claro que eu não estou legal. Eu meio que me sinto invisível.

— Não diga isso. — Alexy rebateu com um tom magoado fingindo um beicinho _ Sabe que amamos você.

Não pude conter um leve riso. _ Sim eu sei, estou apenas um pouco para baixo o.k?... Só tentando me sintonizar novamente ao ambiente, as aulas... As pessoas. — finalizei com um leve suspiro.

Se acalme Analu, você voltou a pouco, logo logo entra no ritmo novamente.... Sem contar que não podemos deixar de lado os seus encontros repentinos com o nosso querido esquecidinho e seu amigo bad boy.

Olhei para ela sem conseguir esconder o meu descontentamento com o seu comentário.

— Não brinque assim Rosa, não hoje, por favor... Afinal ele não vê as coisas assim, nunca viu.... Ele não consegue imaginar, não entende... — olhei para os meus amigos que me observavam sem compreender muito de minhas falas desconexas... —_ Nem mesmo vocês entendem...

— Então explique!!!. — Disseram em uníssono.

— Eu não sei o que deu em, mim... Derrepente esse sentimento foi se tornando cada vez mais forte, incontrolável... E ao mesmo tempo inalcançável... Não havia lugar para mim... Além de uma ótima amiga...

— Você não estaria falando do Lysandre, estaria? - Foi o Alexy que perguntou timidamente, já consciente da resposta.

Olhei desamparada para eles, abri inutilmente a boca sem conseguir emitir um som e por fim apenas acenei com a cabeça em sinal afirmativo.

— A querida. — A voz de Rosalya parecia embalada de pesar.

— Eu... E-eu realmente gosto dele, quer dizer eu não sei o que deveria fazer.

— Analu... Eu acho que você deveria ser um pouco mais direta... O Lysandre não é o mais rápido nesse assunto, sabe falar para ele e evitar esse tipo de mal entendido não seria ruim. E eu acho que formariam um casal fabuloso.

— Isso não daria certo Rosa.

— Porque não ?! Esse é o seu problema sabia você desiste antes mesmo de tentar.

Ouvi-la dizer aquilo, a sua falta de percepção sobre os sentimentos do Lysandre e de meus próprios sentimentos, senti minha visão embasar gradativamente e um grito que estava entalado na minha garganta finalmente tomou forma.

— Isso nunca daria certo, porque ele só tem olhos para você!!!!!

Antes que eu percebe-se eu estava ali em pé gritando como uma criança. Rosa e Alexy me olhavam assustados e depois trocavam olhares como se não soubessem o que fazer. Eu sabia que a Rosa não tinha culpa, na verdade ninguém tinha culpa de nada.

— Não adiantaria nada... Porque ele está afim de você, eu não consegui falar para ele antes... Eu não sabia como e então eu assisti ele se interessar e ficar cada vez mais fascinado com você. O que eu poderia fazer?!??

— Analu... nós não faziamos ideia.

— É claro que não Alexy. Mas sério gente não quero falar disso, não quero falar de nada agora, sei lá me sinto um pouco tonta... e-eu vejo vocês na aula. o.k?

— Analu... Espere....

Sai do pátio, antes mesmo de Rosa completar a frase. Me sentida desnorteada, minha visão cada vez mais embasada, tomada por uma mistura de sentimentos e culpa decidi ir para o porão, queria apenas ficar sozinha. Mas qual não foi minha surpresa ao chegar lá e dar de cara com o Castiel em sua costumeira nuvem de fumaça e sua guitarra a tira colo. Ele se assustou com a minha presença e apagou o cigarro o mais rápido possível pensando ser um dos professores, até perceber tardiamente que se tratava de mim.

— É apenas você garota?! Que droga pensei que ficaria encrencado.

— Sempre tão cordial Castiel.

Ele se levantou e se aproximou de mim. — Você já teve respostas mais criativas.... Espere você estava chorando?!?!

Só então me dei conta de que meu rosto ainda estava vermelho e meus olhos marejados. — Não seja estúpido, isso é culpa dessa fumaça, você ainda será pego um dia, sabe disso né? Sinceramente eu já vou indo....

Me virei bruscamente em direção a saída a fim de evitar mais perguntas, mas fui puxada para trás pelas mãos firmes do Castiel que me traziam para junto dele, fiquei ali parada, sem ação diante dessa atitude, ele ainda me encarava em busca de respostas segurando meu pulso de forma firme.

Como eu disse, você já me deu respostas mais criativas garota. Isso é por conta dele não é? Ultimamente tudo tem sido por conta dele.

Ao ouvi-lo dizer isso, agitei instintivamente o meu braço afim de me libertar de suas mãos. — Isso não tem nada haver com você... Então não se envolva.

— Você está certa... Não tenho nada com isso, na verdade prefiro não me envolver, mais se ele é incapaz de perceber alguma coisa, saiba que eu por outro lado lhe daria toda a minha atenção. — Ele disse se aproximando novamente de mim e me lançando um olhar que eu não consegui decifrar. O que deu nesse garoto afinal?

Não acredito que vá brincar uma hora dessas Castiel. A algumas horas atrás você bancou o rebelde sem causa comigo e agora isso. Decida-se por favor. — Respondi a sua investida. — Não pode ficar sério ao menos uma vez?

— É claro que fiquei irritado. Tudo agora é sobre ele.

— O que isso deveria significar...?

— Significa que pelo visto cheguei em uma hora inapropriada. — A voz firme do Lysandre traspassou pelo porão. — Não sabia que tinham esse tipo de relação.

Eu o olhei sem ação, não sabia o que responder diante disso. E antes que conseguisse formular uma resposta o Castiel tomou a frente.

— E não temos ESSE TIPO de relação, eu estava apenas me divertindo um pouco enquanto você não chegava para o ensaio, é sempre muito bom deixar a Analu sem resposta. — Ele disse dando de ombros e se virando de costas para mim.

Eu fiquei perplexa sem saber o que dizer ou fazer e apenas me virei indo em direção a porta o mais rápido possível.

— Analu espere, me desculpe pelo comportamento inapropriado do Castiel, ele as vezes passa dos limites.

— Está tudo bem Lysandre, não é você que deve assumir pelas atitudes dele.

— Bem nesse caso sim, não gosto quando ele haje dessa forma, ainda mais com uma amiga nossa.

Eu teria ficado ali encantada com essa nova expressão de zelo que ele me mostrava, se não fosse novamente assombrada por essa palavra: AMIGA, eu sempre sou isso para ele, uma ótima e especial amiga.

— Eu não pude deixar de ouvir... O Castiel se referia a alguém não é? Uma paixão ainda reclusa suponho? Sabe que pode contar comigo não sabe? Afinal somos amigos.

— Não.

— Perdão? Não? exatamente a que se refere esse Não Analu?

— Isso. Olha Lysandre estou um pouco confusa, cansada... Precisamos conversar, mais não será agora... Por favor não agora.

Reuni minhas últimas forças daquela tarde para lhe dizer isso, não poderia lhe dizer nada nessa situação tão sem sentido, mas não poderia negar, muitas coisas deveriam ser ditas, pois eu não aguentaria mais guardar tudo para mim.