Nem Tudo É Para Sempre!
27 Cartas e o começo de tudo.
Notas iniciais
Voltei antes do eu esperava!
O capitulo de hoje está bem grandinho e cheio de descobertas novas.
Boa leitura!
POV Annie.
Eu estava no Central Park e estava muito frio, quase nevando para falar a verdade. Acho que aquele ano foi um dos poucos em que nevou. Eu sentia falta da neve.
Eu estava em frente a um lago, um dos poucos que não havia congelado por causa do frio. Eu segurava um pedaço de pão e jogava para os patinhos que ali nadavam. Aquele foi um dia inesquecível. Foi o dia em que conheci Percy.
Sabe aquela sensação que temos quando alguém está olhando para você faz um tempo?! Pois é, foi exatamente essa a sensação que eu tive quando conheci Percy e estava tendo de novo no sonho. Sim, eu estou em um daqueles sonhos em que você sabe que está sonhando.
Eu estava parada e quando tive essa sensação olhei para o meu lado direito e encontrei os olhos mais verdes do mundo. Eram mais verdes que duas bolinhas de gude. Eram muito bonitos e brilhavam muito. O menininho dono daqueles olhos ficou me encarando de um jeito bem estranho. Ele parecia ser um menino bem legal.
Como se alguma coisa magica tivesse acontecido nos começamos a rir um para o outro e então eu sai correndo em sua direção o peguei pela mão e o levei até o lago onde eu estava e começamos a jogar pão para os patos. Foi assim que nossa amizade começou. Nossos pais não entenderam nada no começo, mas aceitaram muito bem o nosso contado. Depois daquele dia nos encontrávamos quase sempre no mesmo lago, até mesmo quando o inverno acabou e a primavera veio. E os anos passaram assim.
Tínhamos cinco anos quando tudo isso começou.
Acordei com o barulho do relógio.
Olhei para o lado e constatei que estava atrasada para pegar o meu hospede. Eu já havia arrumado tudo aqui em casa para recebe-lo. Estava apenas um pouco receosa por receber alguém que eu não via a anos e que da ultima vez que vi estava metido com bebidas e drogas, mas de acordo com a carta que havia recebido parece que ele havia mudado, porém precisava da minha ajuda. Eu não negaria isso a ele. Levantei e fui tomar um banho quente.
Assim que sai do banho coloquei uma calça jeans e uma blusa quentinha de moletom e um cachecol. O tempo aqui em Nova York estava mudando bastante agora que o outono estava na metade. Peguei minhas chaves e minha bolsa, dei mais uma olhada nas minhas coisas e sai para pegar meu carro e o meu hospede que estaria me esperando em frente ao Central Park.
Dirigi por mais ou menos 30 minutos já que o transito não estava muito a meu favor. Quando cheguei no lugar marcado demorei um pouco para reconhecer o meu hospede. Ele estava diferente, bem diferente. E quando digo diferente não quero dizer feio e sim muito, muito bonito e gostoso.
Sai do carro e me dirigi até ele que ainda não tinha me visto. Quando parei atrás dele notei que ele era muito mais alto que eu. Cutuquei a suas costas e quando ele se virou para mim abriu um grande sorriso e me abraçou.
– Annie, quanto tempo! – Eu praticamente desapareci no meio daqueles braços enormes.
– Muito tempo mesmo Luke. – Eu estava quase, quase feliz por estar abraçando ele.
– Desculpa ter falado com você de ultima hora e desculpa por pedir a você, sei que não mereço tudo isso. – Ele parecia realmente triste enquanto desabafava comigo
– É... Você não merecia mesmo, mas as pessoas mudam e eu estou disposta a acreditar que você mudou. – Sorri minimamente- Mas caso você queira adiantar todo esse processo de confiança e de acreditar que você mudou, você pode cozinhar para mim e lavar a roupa. Juro que não me importo.
Rimos juntos.
– Tudo bem, eu faço o que você mandar, desde que eu posso ter um lugar temporário para morar. – Ele pegou as suas malas, que eram poucas, e foi em direção ao meu carro.
Assim que estava tudo dentro entramos e fomos de novo para o meu apartamento. Eu tinha que falar sobre as regras da casa agora.
– Olha Luke, eu não quero dar uma de velha nem nada, mas eu tenho algumas regras quanto a você morar comigo. – Olhei para o lado e o vi balando a cabeça – Bem, em primeiro lugar, durante a semana eu não fico no apartamento já que tenho que trabalhar e só chego tarde, então se você puder manter tudo em ordem eu seria grata. E nada de levar amigos para lá também. Aos fins de semana você é livre para fazer o que bem entender, assim como o resto da semana e se quiser sair comigo não farei objeções. E a regra mais importante é que você procure um emprego ok?! Não estou falando isso por que quero ver você ir embora logo, estou falando isso por que quero que você siga a sua vida e faça aquilo que gosta entendeu?!
– Sim senhora! Mais alguma coisa que eu deva saber, ou é só isso?! – Ele parecia não se importar com as regras.
– Não, acho que é só isso, se eu lembrar de algumas coisa eu te aviso.
O resto do percurso foi silencioso.
Caso você esteja se perguntando: "o que caralhos o Luke está fazendo ai?", pois bem, eu irei dizer. Há mais ou menos uma semana, eu recebi uma carta dele dizendo que ele havia sido mandado embora da empresa em que trabalhava. Sim, pasmem, ele virou um publicitário. Fez até faculdade. Ao que parece, depois que ele voltou para os Estados Unidos e desapareceu ele resolveu botar jeito na sua vida e decidiu ir para a faculdade. Ele se formou como um dos melhores alunos e conseguiu um ótimo emprego.
Porém, a empresa em que ele trabalhava não gostava mais dos seus serviços e o mandou embora a mais ou menos dois meses. Desde então ele não conseguiu arranjar outro emprego e precisa se mudar, só que ele não tinha dinheiro suficiente para comprar nada aqui em Nova York, então ele ficou sabendo que eu havia voltado e me mandou a carta. Quando respondi perguntei por que ele não pedia ajuda para os primos dele, Nico e Bianca, e ele me disse que ele não estava pronto para falar com eles, principalmente depois de ter sumido e sem ter dado noticias todos esses anos.
Pensei muito sobre o assunto e por fim aceitei ajudá-lo. Na carta ele também me pedia desculpas por tudo que havia feito e que sabia que não merecia a minha ajuda, mas ele não sabia a quem recorrer mais. Não tinha como não aceita-lo.
Quando chegamos ao meu prédio pegamos o elevador e fomos até o meu apartamento. Quando cheguei na porta, tirei uma das chaves extras que ficavam embaixo do extintor de incêndio e dei para ele.
– Essa fica com você, para o caso de precisar sair ou algo do gênero. – Fiquei segurando a chave por um tempo – Eu estou confiando muito em você Luke e espero que não me desaponte.
– Relaxa Annie, eu disse que havia mudado e mudei mesmo. Pode confiar em mim. – Ele falava muito sério. Tão sério como nunca havia falado antes.
Acreditei em suas palavras e lhe entreguei a chave. Assim que entramos Luke soltou um assobio.
– Uaaall Annie, você conseguiu mesmo tudo o que queria. Caramba que lugar legal – Ele parecia encantado.
– Obrigado Luke, eu também gosto muito daqui. – segui para a sala e deixei minha bolsa em cima do sofá.
Luke ficou rondando pela sala olhando cada mínimo detalhe do apartamento. O chamei quando fui lhe mostrar o seu quarto.
– O quarto é aqui no final do corredor, o meu fica logo ali na frente e o banheiro e a esquerda. – Fui andando em direção aos eu novo quarto – Eu coloquei um cama e alguns armários, não é nada muito luxuoso, mas acho que dá para o gasto.
Luke entrou e ficou olhando ao redor. Sorriu e me abraçou mais uma vez.
– Está ótimo Annie, muito obrigado mesmo. – ele colocou suas coisas em cima da cama e depois saiu do quarto me acompanhando até a cozinha.
– Está com fome? – perguntei enquanto procurava algo na geladeira.
– Um pouco, mas não precisa se preocupar – ele ficou em silencio por um tempo – Eu gostei do que fez com o seu cabelo, combina com você ele desse tamanho.
Olhei para ele e vi que ele estava sério mais uma vez.
– Obrigada. Também gostei do corte mais curto do seu cabelo e da barba por fazer, deixa você sexy. – Fiquei um pouco vermelha – Você mudou bastante.
– Obrigado por falar que sou sexy. NO fundo eu sabia que você sempre pensou isso. – Rimos um pouco. – Sério Annie, eu não estou com fome, pare de procurar alguma coisa na geladeira.
Desisti da geladeira.
–Ok! Almoçamos mais tarde então.
Ficamos conversando por um bom tempo. Uma conversa casual, cada um atualizando o outro sobre suas novas vidas. Ele não disse quando pretendia contar para os outros que estava aqui e eu não perguntei também. A conversa estava ótima até que ele resolveu perguntar algo bem delicado.
– E você e o Percy como estão? – A pergunta parecia inocente.
Quando estava prestes a responder o interfone tocou.
– Um minuto Luke. – Sai correndo para atender ao interfone dando graças a Deus por isso.
Cheguei a sala e o atendi.
– Annabeth Chase. – Atendi de forma séria.
– Bom dia senhorita Chase, aqui é o Pablo e eu gostaria de saber se eu poderia deixar subir um entregador de flores. Ele disse que é uma entrega especial para a senhorita.
– Pergunte para ele de quem são, por favor. – Eu tinha quase certeza que as flores eram do Nico.
– Um minuto senhorita. — esperei alguns segundos- Ele disse que não tem nome e que a encomenda foi feita por telefone e o pagamento foi feito pela internet. Ele disse que tem uma carta também.
Como eu não tinha muito o que fazer e estava curiosa para saber o que tinha na carta resolvi receber as flores.
– Pode mandar subir Pablo. Obrigada.
– Sim senhorita.
Desliguei logo em seguida e fui abrir a porta do apartamento para receber as flores. Ouvi a porta do elevador abrindo e olhei para o lado. Quase cai no chão. Era o buque de flores mais lindo do muito, com as minhas flores favoritas. Rosas colombianas e copos de leite. Só que não era qualquer rosa colombiana, eram rosas lilases. Um
buque cheinho delas.
Eu estava quase babando e se o entregador não tivesse pigarreado eu teria continuado olhando de boca aberta para as flores.
– Senhorita você pode assinar aqui, por favor? – Ele me estendeu uma prancheta.
– Si... Sim, claro. – Peguei a prancheta e assinei. Ele me entregou as flores e eu lhe entreguei a prancheta – Obrigada.
Virei de costas para ele e entrei no meu apartamento batendo a porta atrás de mim e me encostando nela. O cheiro do buque era perfeito, quase inebriante. Fiquei cheirando e sorrindo para as flores como se fosse uma drogada. Lembrei-me da carta e fui ler. Com certeza o Nico havia se superado com essas flores.
Comecei a ler a carta e fiquei ainda mais chocada quando percebi que era um trecho de uma das minhas autoras favoritas. A carta estava mais ou menos assim.
"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer.
Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar.
Não me deem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra sempre.".
Clarice Lispector
Um dia espero poder lhe dizer quem sou.
Era apenas isso que tinha na carta. Fiquei lendo e relendo por vários minutos o meu trecho predileto da Clarice Lispector. Poderia ter ficado lá por mais tempo, mas meu momento foi interrompido por Luke.
– Uaal, que flores lindas. Quem mandou? – Luke chegava mais perto e pode sentir os cheiro delas – Minha nossa! Sério, quem te mandou isso?
– Eu não sei. – Fiquei olhando bobamente para a última linha tentando descobrir quem havia me mandado.
– Deve ser alguém que gosta muito de você, por que essas flores são muito caras. — Luke pegou o buque das minhas mãos e o levou embora.
– Hey, aonde você vai com ele? – Sai correndo atrás dele.
– Calma Annie, eu só vou colocar ele em um vaso com água para as flores não morrerem tão rápido. – Ele pegou um vaso e encheu de água.
– Ah! Obrigada!
Voltei para a sala e deitei no tapete e fiquei lendo e relendo aquela carta, pensando quem poder tê-la mandado. Não sei quanto tempo fiquei lá, só sei que quando olhei no relógio já era quase duas horas e eu estava morrendo de fome.
– LUKEEE! – Gritei para que ele me ouvisse.
– OIIII! – ele respondeu acho que do quarto dele.
– VOCÊ ESTÁ COM FOME?
– MORRENDO!
– VAMOS COMER ENTÃO?!
– COM CERTEZA!
Menos de dois minutos depois Luke estava parado na minha frente me estendendo a mão para me ajudar a levantar. Aceitei a sua mão e então levantei, peguei minha bolsa e fomos almoçar. Em nenhum momento o cheiro das flores e o que estava escrito na carta deixaram a minha mente.
Já havíamos almoçado e agora estávamos tomando café. Riamos das nossas lembranças e estava sendo muito divertido passar o dia com o Luke. Ele havia mudado mesmo. Estávamos rindo de mais uma lembrança idiota quando de repente ouço uma voz familiar me chamar.
– Annie?!
Quando olho para trás dou de cara com o Nico.
– Nico?! O que você está fazendo aqui? – Ele ainda não havia visto o Luke.
– Vim comprar alguns doces para mim e para Bianca. E você o que está fazendo aqui? – foi então que ele viu o Luke e ficou chocado.
– Eu vim tomar café com o Luke. Ele está morando comigo. – Falei sem pensar, o que acredito ter piorado a situação.
– Morando com você? Por que esse traste está morando com você? Melhor, o que ele está fazendo aqui? – Nico estava com raiva.
– Não precisa falar assim com a Annie, ela está sendo muito legal me recebendo depois de tantos anos. – Luke se manifestou, mas acho que deveria ter ficado quieto.
– Não fala comigo seu idiota.
– Nico, que tal você ir embora e depois conversamos sobre isso? – ele continuou me olhando feio- Ótimo, então nos vamos.
Levantei, peguei minha bolsa e fui embora, seguida por Luke.
– Desculpa por isso Annie... – Luke tentou se desculpar.
– Relaxa Luke, eu é que deveria pedir desculpas por contar pra ele que você está morando comigo.
– Tudo bem, o único problema é que daqui a pouco todos eles vão ficar sabendo.
– É eu sei! Sinto muito por isso, sei que você não queria reencontrar com eles agora. – eu estava realmente arrependida.
– Não se preocupe Annie... – mais uns minutos em silêncio – Você vai sair hoje a noite?
– Eu não sei ainda, acho que sim. Talvez eu vá ao Central Park dar uma volta por que?- Eu estava realmente curiosa.
– Por que eu vou precisar sair e não queria te deixar sozinha. Só isso.
– Luke, eu estava sozinha até antes de você chegar, não se preocupe com isso. – Sorri por causa da preocupação dele.
– Eu sei, mas agora é diferente, mas tudo bem. – ele ficou em silencio – Eu não sei a hora que eu volto, eu preciso resolver uns assuntos.
– Que assuntos posso sabe? – isso não estava me cheirando muito bem.
– Eu preciso me encontrar com um amigo que também é publicitário, ele tem ótimos contatos e prometeu me ajudar. – Ele parecia feliz ao me dar a noticia.
– Mas que coisa boa Luke. Boa sorte então hoje a noite.
– Obrigada Annie.
E asism se seguiu o nosso fim de tarde e começo de noite. Conversamos mais um tempo, até que nos separamos para irmos aos nossos passeios.
POV Percy.
Eu estava deitado fazia umas duas horas. Continuava pensando o que eu poderia fazer para conseguir ter a Annie de volta. Queria que ela soubesse que eu mudei. Queria que ela me aceitasse e voltasse a gostar de mim. Ok, eu estava muito depressivo, precisa sair um pouco para pensar, para refrescar a minha mente.
Resolvi ir até o Central Park andar um pouco. Eu adorava aquele lugar e com esse tempo um pouco mais frio e de noite ainda, ele ficava quase mágico. Pensamentos um pouco estranhos esses, mas tudo bem.
Levantei, coloquei um tênis e um moletom preto e sai para as ruas agitadas de Nova York. O caminho até o parque foi tranquilo, sem muitas revelações. Foi apenas quando cheguei na entrada dele que tive um puta surpresa.
– Percy?
– Annie?
Perguntamos ao mesmo tempo.
– O que está fazendo aqui? – mais uma vez ao mesmo tempo.
– Eu vim andar no parque para pensar um pouco – isso já estava ficando assustador. Respondemos a mesma coisa e ao mesmo tempo.
Depois disso um silêncio se instalou entre nós. Não sabia ao certo o que fazer, então fiz a primeira coisa que me passou pela cabeça.
– Você quer andar comigo? Não precisamos conversar, apenas caminhar juntos. O que acha? – Perguntei olhando para ela.
– Tudo bem, mas cada um fica na sua ok?! – ela parecia bem séria em sua pergunta.
– Tudo bem.
Entramos no parque e seguimos caminhando. O silêncio não durou muito. Não por que eu fui fraco e falei com ela e sim por que ela puxou assunto comigo e um assunto levou a outro até que estávamos conversando sem parar havia horas.
– Você lembra daquela vez em que nós prendemos o Billy no banheiro para ver se ele perdia o medo da loira do banheiro? – Nossos assuntos eram voltados ao passado.
– Qual Billy? O Joe? – Ela fazia uma cara estranha.
– Não, o Joe era legal. O Billy Clarck. – Falei como se fosse a coisa mais obvia do mundo. (n/a: não sei da onde tirei esses nomes.).
– Nosssaaaa! Foi muito engraçado aquele dia. Eu me lembro até hoje do grito do Billy dizendo que a loira estava indo na direção dele. Acho que ele não gostava de mim por causa disso. Achava que eu era a loira do banheiro. – Rimos com o comentário dela.
– Eu achei que você era. – Falei sem pensar.
– Você estava bêbado, não conta! – ela riu um pouco – Além do mais, a loira do banheiro deve ser feia.
– Sim, você definitivamente não é a loira do banheiro. – Olhei para ela e sorri. Ela me retribuiu o sorriso.
Quando chegamos perto de um parquinho de crianças Annie saiu correndo e foi até o balanço.
– Vem Percy. Vamos competir. – Ela sentou no balanço e começou a se balançar.
Sai correndo e sentei ao seu lado fazendo o mesmo que ela.
– Quem pular e ficar em pé ganha... – Não sabia o que apostar.
– Ganha uma ida ao cinema do outro. – Annie complementou.
Ficamos no balançando por um tempo até que Annie começou a contar.
– Um.
– Dois. – Falei antes dela.
– Três! – Falamos e pulamos ao mesmo tempo.
Tudo foi muito rápido. Uma hora eu estava pulando e na outra não estava mais. Olhei para baixo e vi que tinha caído em pé. Olhei para o lado e constatei que Annie estava caída no chão rindo.
– Há! Ganhei! Você me deve uma ida ao cinema! – Falei me sentindo muito foda.
– Não devo não! – então do nada ela passa a perna em mim e me derruba – Está empatado.
Comi um pouco de areia e fiquei um pouco perdido. Quando me recuperei rolei para o lado rindo e acabei ficando em cima dela.
– Sim, está empatado. Cada um paga a sua pipoca o que acha? – Perguntei rindo e tirando alguns cabelos de seu rosto.
– Perfeito. – Ela ficou me olhando e sorrindo.
Nos encaramos por alguns segundos e a distancia entre nós parecia aumentar cada vez mais. Não suportando tal ideia me inclinei para a frente e a beijei. No começo achei que ela me rejeitaria, mas não foi o que aconteceu. Ela me recebeu da melhor forma possível. Ela me beijava de um jeito que fazia todo o meu corpo se arrepiar, fazia com que meu coração desparece e a minha boca pedisse por mais. Eu estava começando a ficar sem ar e quando ameacei me soltar dela ela prendeu a suas pernas em volta da minha cintura e passou os braços pelo meu pescoço me impedindo de sair. Não me importei. Continuei a beija-la. Não como antes, parecia diferente, parecia o nosso primeiro beijo de verdade. Não sei explicar.
Passei uma mão por seus cabelos e entrelacei alguns fios entre os meus dedos. Cada vez mais seu corpo ficava mais quente e o meu mais arrepiado. Quando não estava aguentando mais me soltei.
Nós dois estávamos ofegantes. Ficamos nos olhando por um tempo e então eu me sentei, tomando consciência do que havíamos acabado de fazer. Passei a mão pelos meus cabelos e então levantei. Estendi uma mão para ela e a ajudei a levantar. Ela parecia tão constrangida quanto eu. Continuamos andando e não tocamos mais no assunto.
Ficamos andando em silêncio por um tempo, mas não era desconfortável, apenas "pensante" digamos assim. Chegamos em um lugar onde precisávamos escolher qual direção tomar. Esquerda ou direita. Eu sabia aonde daria caso nos escolhêssemos a direita e era exatamente para lá que Annie estava indo.
– Não Annie, vamos pela esquerda, é melhor! – A puxei pela mão.
– Tem certeza? – Ela parecia realmente em dúvida.
– Tenho sim! – Continuei puxando ela pela mão até que ela me acompanhou.
Não reparei que estávamos de mãos dadas ainda até que ela fez menção de soltar. Não me importei, as coisas já estavam bem estranhas entre nós dois.
Continuamos andando por uns cinco minutos até que chegamos na saída do parque. Olhei para ela e ela me olhou de volta. Sorrimos um para o outro e sem nos despedirmos nem nada viramos cada um para um lado e seguimos em frente. Como se nada tivesse realmente acontecido.
Voltei para a casa um pouco mais relaxado do que me sentia antes, estava um pouco mais calmo também. Quase nas nuvens. Pensando sobre o caminho que não tomamos no parque. Pensando para onde ele nos levaria, pensando que eu gostaria de voltar lá um dia e que talvez voltasse se tudo desse certo. Aquele caminho levava para onde tudo começou, levava para o lago em que conheci Annie.
Quando cheguei em casa fui direto dormir. Nessa noite sonhei com lagos, flores, sorrisos infantis e anjos da guarda.
Looking out from underneath,
Fractured moonlight on the sea
Reflections still look the same to me,
As before I went under
And it's peaceful in the deep,
Cathedral where you cannot breathe,
No need to pray, no need to speak
Now I am under
And it's breaking over me,
A thousand miles onto the seabed,
Found the place to rest my head
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
And the arms of the ocean are carrying me,
And all this devotion was rushing out of me,
And the crashes are heaven, for a sinner like me,
The arms of the ocean deliver me
Though the pressure's hard to take,
It's the only way I can escape,
It seems a heavy choice to make,
Now I am under
And it's breaking over me,
A thousand miles down to the seabed,
Found the place to rest my head
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
And the arms of the ocean are carrying me,
And all this devotion was rushing out of me,
And the crashes are heaven, for a sinner like me,
The arms of the ocean deliver me
And it's over,
And I'm going under,
But I'm not giving up!
I'm just giving in
Oh, slipping underneath
Oh, so cold, but so sweet
In the arms of the ocean, so sweet and so cold,
And all this devotion I never knew at all,
And the crashes are heaven, for a sinner released,
And the arms of the ocean,
Deliver me
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
Deliver me
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
Deliver me
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
Never let me go, never let me go
And it's over,
And I'm going under,
But I'm not giving up!
I'm just giving in
Oh, slipping underneath
Oh, so cold, but so sweet
POV Annie.
Essa noite eu não sonhei com nada então me sentia mais disposta quando levantei. Fui até a cozinha para tomar café e fiquei surpresa com a mesa de café da manhã e com Luke sentado ali na mesa.
– Meu Deus, foi você que fez tudo isso? – Perguntei me sentando a sua frente.
– Foi! Espero que esteja tudo do jeito que você gosta! – Ele sorriu para mim e continuou a ler o seu jornal.
– Tenho certeza que está! – Comecei a comer lentamente – Então, como foi ontem com o seu amigo?
– Foi tudo ótimo! Ele me deu o telefone de um cara, mas não sei se vou ligar. – Ele parecia um pouco triste.
– Por que não? Não é um bom emprego? – estava realmente curiosa.
– Na verdade o emprego é ótimo, mas é na Califórnia... Eu precisaria me mudar para lá. Mudar para o outro lado do país. – Ele parecia realmente chateado.
– E qual o problema disso? É uma grande oportunidade pra você Luke! – Eu tentava incentiva-lo.
– Eu sei, mas eu acabei de chegar, não queria partir imediatamente. Não quero dar mais motivos para não gostarem de mim. – Ele abaixou a cabeça e fingiu que voltou a ler.
– Acho que você não deveria se preocupar com o que o Nico pensa de você Luke. Você mudou e é isso que importa, ele não teve a chance de perceber isso e por isso está te julgando. Eu percebi que você mudou e sei que se você for embora vai ser por uma boa causa, vai ser o melhor para você. Assim como foi o melhor para mim mudar quando eu era mais nova. – fiquei um tempo pensando – Acho que você deveria ligar e ver no que dá.
–Obrigado Annie! De verdade. Vou pensar sobre isso. – Ele me lançou um sorriso sincero e então voltou para a sua leitura.
– De nada! – Voltei ao meu café da manhã.
Assim que acabei de comer o interfone tocou mais uma vez eu praticamente saí correndo para atender.
– Pablo? – Eu não estava com saco para formalidades.
– Sim senhorita Chase, tem um homem querendo entregar um pacote bem grande para a senhorita.
– Ele sabe de quem é? – Eu estava quase pulando de curiosidade.
– Não senhorita Chase!
– Ok, pode mandar ele subir.
Esperei o entregar chegar, abri a porta, assinei o papel e peguei o embrulho. Ele era pesado e em cima vinha escrito: Cuidado, pode quebrar. Coloquei a caixa no chão e tirei a carta que estava grudada na parte de cima da caixa. Li a carta antes de abrir o pacote. Nela havia o trecho de um dos meus livros favoritos.
"Nossas línguas se apaixonaram loucamente e se casaram e se mudaram para Paris.
Depois de garantir que compensei todos os anos anteriores de seca de beijos digo: — Acho que, se não pararmos de nos beijar, o mundo vai explodir.
– Acho que sim...
[...]
– E violinistas?
– Diga você...
– Hmm, deixe-me pensar... – dessa vez sou eu quem corre o dedo pelo rosto dele- Grosseiros, e enfadonhos, e claro, sem talento- morre de rir – Ainda não acabei. Mas compensam tudo isso, pois são tão apaixonados...
– Ah meu Deus- sussurra, estendendo a mão e pega meu pescoço, traz ,meus lábios para perto dos dele – Vamos fazer esse maldito mundo explodir dessa vez.
E é isso que fazemos."
Espero que tenha gostado de seu presente
Com carinho,
Alguém que te admira.
Fiquei relendo a carta por mais um bom tempo até que decidi abrir a caixa. Confesso que fiquei chocada quando a abri e encontrei um violão novinho em folha, de melhor qualidade e com tudo o que poderia imaginar e de um preto tão reluzente que se você olhasse por muito tempo seu olho começava a doer.
Tirei o violão da caixa e passei os dedos pelas cordas. O som produzido foi quase divino e celestial. Eu estava encantada com ele. Sem pensar duas vezes comecei a tocar uma das primeiras músicas que passou pela minha cabeça e que me fez lembrar da minha infância junto com todos os meus outros amigos. Logo em seguida Luke chegou e me acompanhou na música. Era incrível como aquele violão deixava as notas mais fluidas e gostosas de se ouvir.
– Eu adoro essa música. – Em determinado momento Luke disse.
– Eu também, faz eu lembrar de quando éramos mais novos. – Disse sorrindo para ele.
– Sim, é exatamente isso! – Depois de um tempo ele olhou para mim – Eu queria poder ver todos eles de novo.
– E por que não? Semana que vem vamos todos a praia o que acha? Aproveitamos que o tempo ainda não está tão ruim assim. – Olhei para ele sorrindo.
– Não sei não Annie...
– Ora, por que não?! Vai ser muito bom, vamos! Por favor! – Como ele ainda fazia uma cara de que iria negar, resolvi apelar- Se você não for eu não deixo mais você morar aqui comigo!
– Meu Deus Annie! Ok, eu vou! – Ele fez um bico para mim e logo depois deu risada e então voltamos a cantar.
Ficamos assim o resto da manhã. Tocando e conversando e planejando nossa ida à praia. E eu fiquei pensando sobre as palavras na carta e sobre o presente. Foram perfeitas... Eu precisa saber quem era essa pessoa.
In the night, in the beat city light,
We steal ourselves away and hold on tight
You were there,
Yeah, we were all there,
Too young, too smart,
Too much for this one town
When we'd get so high we got lost coming down
When we were kids in the street,
Kids in the street
When we were kids in the street,
Just kids in the street
Remember when we...
We used to laugh, we used to cry,
Live and die by the forty-five
Take me back, I'll go there
Who could stop us, and who would care?
Always keep to the kids in the street
We were dreams, we were American Graffiti scenes
No war, no peace, no hope, no means, just us
And the songs with the words we'd sing wrong,
We'd drive until that jealous sun fell down
Just to wash ourselves in the moonlight summer sounds
When we were kids in the street,
Kids in the street
When we were kids in the street,
Just kids in the street
Remember when we...
We used to laugh, we used to cry,
Live and die by the forty-five
Take me back, I'll go there
Who could stop us, and who would care?
Always keep to the kids in the street
And we never felt so alive
And we'd dance all night under the sky
We'd live, we'd breath, we'd die
When the world stood still for you and I
Just you and I
Candles burn, 'cuz the world will always turn
I'll burn both ends until my fire's out
Lost in the darkness I can still scream out
We used to laugh, we used to cry,
Say goodbye to I-35
Take me back, down a dirty road,
Where it went we didn't care to know
A glory night is a story saved
Mark the chapter, but turn the page
Always keep to kids in the street
When we were kids in the street,
Just kids in the street
Notas finais
Quem será que está escrevendo as cartas para ela? Quem você acham que é? Pra mim isso tem muita cara do Nico não!?
Espero que tenham gostado!
Lembrando que só volto semana que vem!
Obrigada mais uma vez pela carinho e pelos comentarios.
Ahh e eu já comecei a escrever o ultimo capitulo! Está emocionante!
Bitocaaaaaaaaaass! Até a proxima meus delicias! *O*
Fale com o autor