Nem Tudo São Rosas
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A menina pequena andava saltitando alegremente ao meu lado. A ideia de uma boa refeição parece ter animado ela. Na verdade, tudo parecia animar aquela garotinha.
—Como sempre bastante animada, não é Ophelia?-
—Claro! Mas isso é ruim?- Falou ela aparentando ficar um pouco confusa.
—Não, isso é ótimo! Na realidade, é sempre muito bom ficar ao lado de pessoas animadas.- Ela retribuiu meu comentário com um sorriso, e eu abri o meu para ser recíproco. Ela era tão nova, e parecia tão inocente. Não tinha como não gostar dela, apesar dela não parar de falar.
Ela falou do pai, de como ele se dedicava ao trabalho, de como eles eram ligados. (O que me fez pensar no meu avô e na questão do meu pai de verdade não ter aparecido em minha vida.) Ela falou com detalhes como foi que descobriu ser uma semideusa, e como foi o percurso dela até o "acampamento mágico."
—... Foi tão legal quando todo mundo se juntou pra ver a gente chegar. Nunca tinha sido recebida por tanta gente junta assim.-
—Que bom que você gostou da recepção Ophelha, todos os novos campistas são recebidos assim. É o nosso jeito de dizer "olá " e de fazer com que os calouros se sintam em casa.- Falei tentando acompanhar a animação da pequena.
—Isso é bem legal. Por sinal, pode me chamar de Op. Todo mundo me chama assim.-
—Ok Ophel... Digo, Op!- Rimos com minha pequena confusão. Estávamos andando até o "refeitório", onde cada chalé tinha a sua mesa. Como sempre, a mesa 11 era a mais superlotada. O conselheiro provavelmente ja estaria organizando a fila com os campistas do mesmo, sempre por ordem de chegada no acampamento, para irem disputar seus lugares a mesa do grande banquete que seria servido. Qualquer refeição no acampamento era sempre um grande banquete.
—Acho que não vão ligar se nós dois chegarmos antes na mesa do que os outros, certo?-
—Não sei, você esta aqui a mas tempo Dex, quem tem de saber disso é você.- Sorri novamente, dessa vez com a esperteza da menina. O conselheiro não ficaria irritado com isso, ele sempre foi muito tranquilo com nós campistas, principalmente os que não tinham sido proclamados. Mas seria interessante mostrar para a Op como funcionava a organização dos que estavam no "cafofo do tio Hermes."
Antes que eu tivesse qualquer iniciativa, Op apontou para frente e eu avistei a enorme filha que seguia um tanto desordeira pelo gramado. Outras filas seguiam por caminhos próximos. Algumas menores que outras, mas nenhuma batia a nossa em questão de números. La no final, avistei uma garota com semblante serio, talvez um pouco pensativa, cachos pesados e sedosos e ela nos fitava com um olhar, que nais parecia um pedido para que nós fossemos até ela.
—Podíamos seguir com Sophie e os outros até as mesas não é? Afinal o pessoal já está próximo.-
—Sim sim! E também ela só conhece, tipo mesmo, mesmo a gente.-
—Comparando com a proximidade que ela tem com os outros... É, mesmo, mesmo, só a gente.- Ri novamente. Pelo visto meus momentos perto de Op seriam regidos de risos.
Assim que se aproximaram, eu coloquei Op na frente de Sophia e segui atrás delas. Quando chegamos, separei dois lugares perto das grandes extremidades de madeira forradas com um pano branco em listras roxas e depois me sentei perto delas. Alguns de meus amigos se sentaram próximos de nós e aos poucos fomos nos organizando em lugares. Posso até usar a palavra "organização" mas nada comparado aos filhos de Athena que chegavam em classe, todos muito formais e se sentavam sem alvoroço em suas cadeiras cativas. Todos com olhos cinzentos e profundos, como se quisessem desvendar todos os mistérios daquilo que eles encarassem. Era até engraçado ver um filho de Athena comer. Eles olhavam para a comida como se quisessem dizer "O senhor pão anda muito misterioso, pois eu irei desvendar o que anda acontecendo com o senhor... Talvez o senhor fermento tenha lhe causado um desgosto tremendo... E por sinal, ainda temos que fitar a senhora bebida levemente gaseificada e saber o porque de ser tão leve, com todo esse teor de açúcar..."
—Meninas, eu geralmente não vou no fundo da fila, só pra constar! Ela é organizada por ordem de chegada aqui. Então das próximas vezes, vamos ter que ficar brevemente separados.-
—Nossa que dramático você, Dexter.- Falou Diana, uma das indeterminadas. -Ele é assim mesmo, se acostumem.-
—Eu gosto dele assim!- exclamou Op
—Você parece cansada, dormiu bem?- continuou Diana, só que dessa vez para Sophie.
—Sim, até que dormi, mas preferia ter dormido mais.-
—Pelo visto, você gosta de dormir então?- perguntei curioso.
—Está entre meus passatempos preferidos. Mas também gosto de...- e ela foi bruscamente interrompida por Op.
—Lutar com espadas!-
—Hey! Quem disse que eu gosto de lutar com espadas?-
—Ue, mas você luta tão bem.-
—Mas isso não quer dizer nada.- Falou Sophie encarando seriamente Op. Não parecia brava, tinha uma certa ternura debaixo daquela seriedade.
—Mas olha uma coisa Sophie, o fator de você lutar bem pode significar um dom nato! Geralmente alguns semideuses ja nascem com boas habilidades para luta. Principalmente se isso é coisa "de pai ou mãe." Mas como de qualquer forma, somos heróis, é do nosso sangue ter uma inclinação para as artes da luta.-
—Serio isso? Interessante...-
—Super sério!-
—Nunca me vi como uma heroína.- Falou pensativa. Percebi um sorriso de canto de boca se formar rapidamente em seus lábios. Isso me deixou contente, afinal ela desde ontem tinha uma postura bastante tímida, um pouco fechada. Agora parecia um pouco mais a vontade. Talvez ela tenha ficado mais reclusa, daquele jeito por conta de Amanda e a sua trupe da beleza maligna. Atrás de nós, o chalé de Ares fazia barulhos (não só por meio da fala, mas de outras formas menos agradáveis que fogem do que uma pessoa educada faria.)
Logan, me fitava com seus olhos azuis profundos. Cruzava os bracos e deixava os músculos mas desenhados em sua camisa do acampamento, que em seu corpo musculoso parecia mais uma Babylook. Desviei os olhos antes que arrumasse algum tipo de discussão com ele novamente. Quiron e o senhor D chegaram ao local por último e se sentaram em suas mesas. Bem, Quiron na verdade ficou de pé ao lado do senhor D, que parecia como sempre, muito desconfortável de estar ali.
—Bom dia campistas. Primeiramente peço que todos se arrumem em seus respectivos lugares!-
O saguão ficou todo em silêncio. Apesar de Deus do vinho, e de uma aparência não muito amedrontadora, Dionísio conseguia de alguma forma impor respeito. Ele segurou sua taça de bronze e ergueu. Quiron fez o mesmo e logo em seguida todos os campistas começaram a repetir o gesto em seu costume rotineiro.
—Suco de morango com uma pitada de hortelã.- eu disse para a taça que encheu de um liquido espumante rosado, com um aroma delicioso. Op esbugalhou os olhos ao ver a minha taça encher sozinha, e Sophie arqueou uma das sobrancelhas, e de um jeito bem sutil demonstrou também sua surpresa com aquilo.
—Realmente, esse acampamento é mágico !-
Op parecia encantada, e pelo olhar dela, que ela desviava do meu suco para mim, já até sabia o que ela queria.
—É só dizer o que você quer beber e a traça trás.-
A garotinha olhou para a sua taça e começou falar mais de 15 bebidas, uma atrás da outra, dando um espaço de tempo entre cada uma. Logo depois o copo começou a conjurar uma após a outra, fazendo o liquido dentro dele mudar de cor e densidade a todo momento.
—Vai com calma Op!- Falou Sophie tentando controlar a explosão de animação da menina.
—Op, tudo bem, eu também achei isso o máximo quando cheguei aqui. Por sinal, prazer meninas, me chamo Cleiton, mas todos me chamam de "Brazily" aqui porque eu sou brasileiro. — falou o garoto de pele bronzeada e cabelo bem curto ao meu lado.
—Você devia tentar também.- Agora ele se dirigindo para Sophie, que segurou o recipiente e o fitou por alguns segundos. Ela murmurou algo que eu entendi como "Refresco de não sei o que..." e um liquido cor dourada surgiu. Todos nós erguemos as taças e ouvimos Quiron falar.
—Aos Deuses!-
E todos repetiram -Aos Deuses!-
As ninfas ja estavam próximas as mesas com enormes bandejas cheias de pães, frios, patês, geleias, morangos e outros frutos, algumas fatias de carnes, ovos, bacon e outras coisas mais. Antes delas entrarem o senhor D., tomou a palavra mas uma vez.
—Sem muito o que dizer hoje, alem de tornar a avisa-los para não se esquecerem das atividades de hoje. Gostaria de pedir ao Chalé de Afrodite que diminuam a quantidade de perfume, porque os sátiros não param de espirrar com o "cheiro de flor artificial." Ao chalé de Apolo que por favor não tornem a exceder no horário com as músicas e somente isso.- Quando toda ja se preparavam para encher seus pratos ele voltou a falar. -Ah! Já ia me esquecendo! Temos duas novas campistas, por favor, levantem-se. Ophila e Sophia, não é? Qual o sobrenome delas mesmo Quiron?-
E as duas se entreolharam, uma parecendo muito animada com a ideia de poder se apresentar mais uma vez e a outra provavelmente nenhum pouco a vontade com isso.
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