Nem Tudo É De Primeira

23 Nem Tudo É De Primeira


Notas iniciais
Olááááááááá!!! Isso mesmo! Eu não morri, nem fui abduzida por ETs, só sequestrada pela vida de uma vestibulanda (e não, isso não são lagrimas de desespero e depressão, dois mosquitos voaram simultaneamente nos meus olhos) Espero que curtam o capítulo depois desse ridículo longo tempo Aviso de linguajar forte por parte de Lina.

Ele estava no telefone com a própria garota, recusando mais um convite de festa, quando de repente a porta do seu quarto foi violentamente chutada. Tão violentamente que ela bateu contra a parede e a maçaneta afundou contra o concreto, deixando uma marca circular perfeita para gerações futuras especularem.

E então uma Lina McCoy segurando o celular entre dedos cerrados surgiu no batente, com uma expressão absolutamente furiosa que Percy instintivamente procurou Contracorrente no seu bolso.

“L-Lina?”

A adolescente guardou o celular no bolso da jeans que usava num movimento calmo, um momento antes dela subitamente se aproximar de si em dois passos rápidos e quando Percy piscou, sua amiga estava a poucos centímetros de si, com o dedo fino apontado bem no seu rosto e a expressão retorcida de fúria. Era a primeira vez desde que a conhecera que Percy via sua amiga irritada e a visão não era engraçada, como teria imagina pelo fato da morena ter pouco menos do que 1,60 de altura. Houve um nó absoluto de medo no seu estômago que o fez começar a suar frio e ele entendeu de verdade, pela primeira vez, que altura realmente não é documento porque apesar de Lina bater no seu peito, Percy estava recuando de qualquer forma.

Então ele viu a garota puxar o fôlego e Oh, merda.

“Você!” Ela gritou. Seus ouvidos estouraram e Percy encolheu. O dedo no seu peito se enfincou feito uma adaga. “Seu pedaço de merda mal comido, eu já ´tô cheia! Ou você para com toda essa putaria agora mesmo ou eu juro por Deus que eu vou! E pode ter certeza de que você. Não. Quer. Ver como eu lido com as coisas que me deixam putas, ouviu bem seu arrombado de esquina? Fique sabendo que eu sou meia judia e minha mãe me ensinou muito bem como circuncisar um homem sem anestesia e eu posso nunca ter feito antes, mas eu não tenho medo de tentar.”

E então, bem quando Percy achou que ia fraturar a coluna de tanto se apertar contra sua mesa, Lina se afastou e cruzou os braços. Toda a fúria da garota pareceu recuar e se concentrar no seu rosto, de modo que mesmo que ela não estivesse nem ao menos com as sobrancelhas franzidas, Percy sentiu que estava pisando em cascas de ovos quando se ajeitou devagar, engolindo em seco.

“O... o que-?”

“Se eu fosse você, eu faria o que ela mandou.” Falou Nathan, surgindo do corredor e fechando a porta na cara dos curiosos que haviam escutado o berro de Lina. Quando ele se virou, sua expressão estava consideravelmente mais calma do que da irmã, mas havia um toque de irritação em seus olhos que Percy nunca havia visto. O loiro sentou-se na cama de Dean e jogou os óculos de sol no colchão. “Então, vai nos contar ou não?”

Percy trocou o peso de pé, alternando o olhar de Lina para Nathan nervosamente. “Contar o que?”

“O que é que tem feito você esconder seu rabo arrombado aqui esse tempo todo!” A morena praticamente latiu para ele, a expressão de ferro.

Percy então sentiu o chão sumir sobre seus pés, o sangue sumindo do seu rosto.

Pigarrou e desviou o olhar, entrando silenciosamente em pânico. “Não é nada.”

“O caranho que é nada.” Cuspiu Lina, sem se mover.

Não respondeu.

Houve uma pausa breve de menos de cinco segundos antes dele sentir uma mão pequena, mas forte, agarrar a gola da sua camiseta e então puxa-lo, obrigando-o a voltar para frente. Foi apenas a clara consciência de que era um aliado fazendo isso que impediu seus anos de luta tomarem a rédea da situação e Percy apenas arregalou os olhos. Lina estava mais uma vez diante de si, a expressão começando a rachar em sua fúria. “Você vai ficar quieto, porra!? Você fica trancando dentro do quarto, ignorando todo mundo com essa cara de cachorro chutado e quando eu finalmente consigo falar com você, você cala a boca!? Desembucha logo, caralho!”

Era verdade o que ela dizia e talvez por isso mesmo a raiva se acendeu. Agarrou o pulso fino que o prendia e devolveu o olhar furioso da amiga “Eu já disse que não é nada!” Gritou.

“E eu já disse que eu sei que você tá mentindo.”

“Eu não estou mentindo!”

“Você tá sim, porra! Qualquer um com olhos vê isso!”

Percy deslizou uma mão pelo cabelo, sentindo-se frustrado. “São meus problemas, não seus. Apenas- me deixem em paz!” Retrucou, irritado, cansado e num movimento rápido se soltou da mão da morena, que cambaleou para trás. Ele viu os olhos castanhos se arregalarem com uma magoa nova – de traição e a culpa o arranhou por dentro, mas ele ignorou.

Ele não queria mais sentir essas coisas. Não podiam simplesmente deixa-lo em paz?

“Não.”

Piscou, chocado por um segundo e então se virou para Nathan.

O garoto o encarou frio e firme nos olhos, parecendo determinado a esquecer que ele tinha pouco mais do que 15 anos e não tinha o direito de parecer tão maduro assim. Ele sentiu pinicar dentro de si o treinamento de Lupa. Exponha os dentes, intimide o concorrente. Mostre quem manda. Respirou fundo pelo nariz e se manteve parado.

Nathan se ergueu da cama e parou ao lado da irmã. “Não vamos te deixar em paz, Percy.” Falou calmamente, pondo as mãos nos bolsos do short. “E quer saber porque? Porquê da última vez que eu chequei, nós éramos amigos. E eu sinto muito se você decidiu mudar esse status nessas últimas semanas, mas seu pedido vai ser totalmente ignorado.”

Percy estava mudo.

(Foi um pouco como levar um tapa violento no rosto e de repente se sentir sem chão, restando-lhe apenas encarar o que estava diante dos seus olhos, enquanto seu cérebro lutava para processar os acontecimentos.)

(Fugindo de novo?)

De repente uma onda ardente de vergonha o atingiu, enchendo e o humilhando de dentro para fora e Percy se encontrou com os olhos no chão, sem coragem de encarar os outros dois. Apesar de todos os monstros contra o qual ele havia lutado, ele não conseguia erguer a cabeça e encarar sua própria mentira se desfazendo. Se acovardando, escondendo-se com o rabo entre as pernas e a lamber suas próprias feridas.

Cometendo os mesmos erros, de novo e de novo.

Era verdade que ele se sentia sufocado de tudo e que as coisas só pareciam se empilhar em cima de si. Mas isso desculpava seu medo de soltar o peso – sua única ligação com o que havia perdido, aterrorizado de tentar seguir em frente e espantando qualquer um que tentasse ajuda-lo?

Você já segurou o peso dos céus, falou uma voz suave dentro de si que ele conhecia bem, você realmente acha que teria aguentado sozinho, cabeça de alga?

Percy grunhiu e escondeu o rosto nas mãos. Pela milésima vez, ele chegou à conclusão que ele era o pior tipo de pessoa do mundo. O tipo que ele costumava julgar.

Houve um movimento ao seu redor e então ele sentiu dois corpos sentarem ao seu lado na mesa e um braço pequeno abraça-lo pela cintura. “... Ariel?” Lina murmurou do seu ombro.

Suspirou fundo uma vez e então deixou as mãos deslizarem do seu rosto. Uma pausa.

“Esse continua sendo um apelido horrível.”

“Claro que é. Esse é o objetivo dos apelidos.”

“Não reclama que esse nem é o pior que ela pode fazer.”

Além do mais, pensou com seus botões, encarando o teto do seu quarto e sentindo os irmãos conversarem ao seu redor, quem melhor do que Lina e Nathan para entender sobre luto e recomeços inesperados?

“É uma longa história.”

*

Quando terminou de contar, Lina assoviou e disse. “Wow, você fudeu legal.”

Percy gemeu contra o travesseiro na qual tinha afundado a cara fazia uns dez minutos. “É, valeu Lina, isso ajudou muito.”

A garota riu e ele a sentiu o escalar até o outro lado da cama, onde ela podia se encostar-se à parede. Espiou com o canto do olho e viu Lina sorrir para ele sinceramente, a cabeça apoiado na mão. “Você pediu para sermos honestos.”

“É uma cortesia ao menos hesitar.”

“Ei, eu não disse que você é uma pessoa horrível, só disse que você fudeu legal.” Sentiu o colchão mexer quando sua amiga girou e parou ombro a ombro consigo, cutucando-o com o cotovelo até que ele saltasse para longe e a encarasse ligeiramente rabugento. Ela só riu. “Todo mundo já fudeu, tá fudendo ou vai fuder legal alguma vez na vida, Percy. Não dá para evitar e se desse, a vida seria muito sem graça, não acha?”

Suspirou fundo para a outra e se jogou no travesseiro de novo, só que dessa vez de barriga para cima, encarando o teto sem graça do seu quarto. Grunhiu irritado com o nada e escondeu os olhos na dobra do cotovelo, ignorando as cutucadas de Lina.

Ouviu Nathan falar do outro lado do quarto, maduro como sua irmã mais velha jamais se deu o trabalho de ser. “O que ela quer dizer, Percy, é que todo mundo erra. A diferença é em como você vai consertar o seu erro.”

Riu uma vez, um som vazio. “E isso tem concerto?”

“Nada é completamente irreparável.” Falou o loiro.

Percy sentiu alguma coisa dentro dele simplesmente se romper e se ergueu da cama num movimento repentino, a raiva e a náusea e o desgosto por si mesmo fazendo seu interior revirar e seu sangue correr frio por suas veias. Chutou o pé da sua cama, sua fúria explodindo no golpe e ouviu o crack! da madeira quebrando. Então, quando seu peito continuou pulsando nojodesimesmonojonojodesimesmonojo por todo o seu sistema, o filho do mar encostou o rosto no joelho e rodeou sua cabeça com os braços.

Sua respiração era descompassada e ele queria sumir da face da terra naquele exato momento.

“Isso não- eu usei ele! Ele- ele tem só quinze anos e aquele provavelmente foi o primeiro beijo dele e eu simplesmente-” Ele se lembrou de como a dor foi cedendo, foi sumindo lentamente conforme Nico o beijava daquela maneira desesperada e delicada e como ele simplesmente se jogou naquela breve paz. Ele se lembrou da sensação da língua do italiano roçando na sua e como aquilo trouxe uma explosão de calor e como foi à primeira vez em tanto tempo que ele se sentiu bem de verdade. Ele quis mais daquilo, queria que aquela sensação de não dor continuasse, então ele simplesmente continuou sem pensar.

Percy suspirou fundo, enfincando suas unhas contra seu próprio couro cabeludo com força. “Eu sou uma pessoa horrível.”

Houve um breve silencio na qual ninguém disse nada e isso, se possível, o fez se sentir ainda pior. Uma dor nova e ao mesmo tempo velha surgiu no seu peito e se instalou ao lado da sua outra ferida, fazendo seu peito doer mais ainda.

Bem quando estava considerando sair para caminhar (ou senão ele quebraria outro móvel) Lina falou enquanto pulava sentado ao seu lado. “Percy, tem certeza que é tão terrível assim?”

O filho do deus do mar ergueu a cabeça e a encarou incrédulo, choque que atravessou o seu corpo inteiro como estática fazendo-se visível em sua expressão quase que mortificada. “O que?”

A jovem ergueu os braços ao lado do corpo num gesto de paz, a expressão estranhamente tranquila. “Calminha ai, tigrão. O que eu quero dizer é que ‘usar’ é uma palavra forte. Você não disse que o Nico te beijou primeiro?”

Percy franziu as sobrancelhas para a amiga. “E o que isso tem haver?”

“Bem, pelo modo como você contou, você correspondeu porque era bom e te fez sentir melhor, não é? Talvez tenha sido só isso.”

Seu cenho se franziu mais ainda enquanto encarava a amiga, sem entender. “Esse é o exato X da questão aqui, Lina.”

“Não, Percy, eu acho que a Lina está certa.” Nathan falou, sentando ereto na outra cama. O loiro o olhou e a sua careta provavelmente traduziu o quanto daquilo ele estava entendendo e o quanto ele não estava gostando da direção que o assunto estava tomando, porque o outro garoto estalou a língua pensativo. “Hmn, tente ver as coisas desse ângulo: você disse que tudo isso aconteceu no dia que... hm, completou um ano do falecimento da sua namorada. Certo?”

Houve uma pulsação dolorida e Percy apenas acenou.

Nathan pigarrou ligeiramente desconfortável, mas continuou. “Do jeito que eu vejo, tudo isso se diz respeito mais a você do que qualquer outra coisa. Tipo, cara, é o seu luto. O que mais importa aqui é, realmente, como você se sente.”

Percy se lembrou da sua conversa com Grover e ao ouvir o mesmo discurso, só que nesse contexto, o deixou confuso. Franziu o cenho. “Não é só eu que-”

“Não, eu sei que não é só você que está sofrendo. Mas o que eu estou querendo dizer é importante destacar que essa confusão se diz respeito mais a você e aos seus próprios sentimentos do que qualquer outra pessoa.”

Ele sentiu que estava perdendo alguma coisa. Ele sabia que, no assunto luto, era importante considerar seus próprios sentimentos e não simplesmente empurrar as coisas para o lado. Todo filme e livro da criação falava isso. E, mesmo assim, ele havia feito o exato oposto e era essa a razão do problema todo. Então, de novo, ele sentia que estava perdendo alguma coisa. Olhou sem compreender de Nathan para Lina e de Lina para Nathan várias vezes. “...E?”

Foi Lina que respondeu, com o sorriso característico cheio de humor. “Percy, nessa uma hora e meia que nós estamos sentados aqui conversando, você só falou do Nico.”

Ele encarou. Abriu a boca para falar. Um, dois, três, quatro segundos passaram e nada saiu, então ele achou que era uma boa ideia fecha-la de novo. Foi o que ele fez. O problema disso é que isso o deixou parado, sem o que fazer, diante de duas pessoas que pareciam cada vez mais insuportavelmente presunçosas e divertidas.

Ele teve um momento de hiperconsciência de que seus lábios estavam secos e que ele teria que expor sua língua para molha-los. Constrangedor.

“Huh, acho que é verdade.” Falou por fim. Lina e Nathan e entreolharam, os dois com um brilho suspeito nos olhos. Percy se sentia nervoso por motivos além da sua compreensão e ele se pegou limpando suas palmas suadas na sua jeans. Deuses, o que estava acontecendo aqui? Nem um minuto atrás ele estava sentindo-se cansando e deprimido e agora era como se estivesse tendo aquela conversa constrangedora sobre sexo com a sua mãe tudo de novo. “Mas considerando tudo, o Nico merece-”

“Percy, antes de você continuar, eu quero que você faça uma coisa.” Lina o interrompeu e havia um absoluto ar ardil ao redor dela que o fez semicerrar os olhos de suspeita.

“O que?”

“Eu quero que você pense sobre o beijo, mas só no beijo. Sem os sentimentos do momento, sem a culpa, sem o contexto. Pense somente e solenemente no beijo e como ele foi.”

Percy a olhou sobressaltado. “O que?! Por quê?”

A mortal fez um movimento de dispensa com as mãos, como se o motivo não importasse e o olhou seriamente. “Só faça isso. Por um momento.”

Pestanejou. Olhou para Nathan, que não disse nada e apenas fez um gesto de incentivo.

Olhando de um amigo para o outro, o filho do mar tentou fazer o que Lina havia pedido, ainda que sentindo-se estranho com os dois o observando-o cuidadosamente. Desviou os olhos para o chão e começou a resgatar os acontecimentos de 1ª de Dezembro.

A memória, a primeiro momento, era como um choque elétrico de um fio descampado. Inesperado e dolorido e seu primeiro impulso foi querer deixar de lado e pensar em algo menos perigoso. Mas não só a presença de Lina e Nathan ali ao seu lado, como o fato de que era esse tipo de atitude que o trouxe nessa confusão de agora, que o impediu de desistir.

A dor e a agonia do dia (ainda presentes no seu peito mesmo agora) ele empurrou para o lado o melhor que pode e então tentou se focar somente ne presença de Nico.

Foi surpreendentemente fácil seguir em frente depois disso.

A memória do filho de Hades era o próprio ponto de onde as coisas ficavam turvas e anestesiadas – indolores. E com uma facilidade suave ele invocou a sensação brusca e morna de quando Nico pareceu surgir do nada, esmagando-o entre braços magros. E dedos magros tremendo contra seu rosto e lábios macios de repente frenéticos sobre sua pele. Trouxe mais uma vez a sua não surpresa, o modo como não recuou quando sentiu o outro semideus o beijar, ao contrário, se inclinou por mais e o gosto de café e canela da boca de Nico.

E lembrou-se do olhar de Nico quando Percy se afastou e de como isso fez todo o seu ser se arrepiar por diversos motivos que naquela hora ele não entendeu e de como tudo o que ele queria era se abaixar mais uma vez e beijar aqueles lábios macios de novo, e de novo, e de novo. E lembrou-se do quão confuso aquilo o fez ficar, mas que não importava no momento porque era tudo tão...

De repente seu rosto pegou fogo e o quarto parecia estar vinte graus mais quente do antes e ele só pode arregalar seus olhos para seus próprios pensamentos, sangue bombeando em seus ouvidos e seu coração querendo bater a si mesmo para fora do seu peito.

“Wow, wow, wow, o que–” Respirou, sem ar.

“Ah, exatamente como havíamos previsto.”

Se virou para Lina e Nathan, chocado além das palavras. “O-o que- o que-”

“Percy.” A jovem mortal sorriu, brilhante e carinhosa e seu irmão espelhava quase identicamente a expressão. Usando o indicador, ela batucou contra a sua própria têmpora. “Use a cabeça. Como dizem, às vezes 1+1 é realmente 2.”

Ele piscou e então as peças finalmente se encaixaram dentro de si, alguns dos pedaços já remendados se juntando a outros menores e isolados que Percy nunca pensou em considerar dar atenção e então a coisa inchou dentro do seu peito como um balão de ar quente, expandindo e expandindo até ocupar tudo.

Estourou.

Ah.

“Ah.”

“Percy?”

Ergue os olhos do chão e encarou os rostos curiosos e sorridentes de Lina e Nathan e falou. “Eu... estou me apaixonando por Nico di Angelo.”

Notas finais
Passível de revisão e mudanças!