Nem Tudo É De Primeira

16 Nem Tudo É De Primeira


Notas iniciais
Heeeeey! Consegui arranjar um PC para escrever esse cap! Ufa! Aqui temos um pouco do cotidiano do Percy na escola e sua interação com seus amigos! Esperam que gostem!

“Penny, você sabia que você está espetacularmente linda hoje?” Disse Dean sorrindo no que Percy presumiu fosse o sorriso sedutor do outro garoto. “Sabe, de um modo radiante como o sol.”

Viu Penny sorrir e revirar os olhos, terminando de guardar o seu material na mochila. “A resposta é não.” Respondeu ela.

Percy escondeu um sorrio enquanto via Dean reagir com uma pose chocada e ofendida. “Você acha que eu estou dizendo isso porque vou te pedir algo?! Estou ofendidíssimo!”

“Ahãm. Então você não ia me pedir para te ajudar no relatório de biologia porque você dormiu no vídeo de hoje?”

O jovem mortal abriu a boca para responder uma resposta que provavelmente não ajudaria a aumentar o QI de ninguém quando se ouviu um guincho agudo de algum lugar a esquerda deles, que lembrava vagamente a palavra Linda, e de repente Dean foi lançado para o outro lado da mesa onde estava sentado e Lina McCoy surgiu agarrada a Penny pela cintura loucamente. “Meu Deus, Meu Deus, que deusa linda e maravilhosa e deliciosa é essa que eu achei aqui na terra!” Gritou a garota menor, apertando o rosto contra a barriga da namorada, de modo que sua voz saiu abafada.

“Lina!” Exclamou a ruiva surpresa, corando de leve.

Percy praticamente conseguia ver os coraçõezinhos subindo acima da cabeça da morena no chão e não conteve o riso enquanto se entortava para o lado, a procura de Dean. “Ei, tá tudo bem ai?”

Uma cabeça cor de areia surgiu e o jogador de futebol voltou a pular a mesa, caindo atrás de Lina. Ignorando a pergunta do filho do deus do mar, o outro rapaz se lançou sobre as pernas da garota ajoelhada e a agarrou pelo tornozelo, arrancando-lhe o tênis num movimento único. Lina imediatamente soltou em pé, se virando para Dean. “Devolve meu tênis, Wilson.” Rosnou.

“É rude empurrar as pessoas para que elas caiam de cima da mesa, McCoy.” Retrucou o jovem mortal, segurando o objeto acima da sua cabeça e há pelo menor meio metro de distancia da morena.

“É rude tampar a visão da minha namorada maravilhosa com essa tua cara feia” Replicou Lina, estalando os dedos em ziguezague.

Ouve um “ôôôôh!” coletivo dos que ainda estavam na sala, enquanto Dean recuava com a boca aberta numa expressão ultrajante. “Ora sua alpinista de formigueiro!”

“Como se atreve, sua girafa malnutrida?!”

Percy segurou o riso enquanto esticava a mão para Penny, que prontamente a aceitou num sorrio alegre e os dois saíram da sala de aula, ignorando a briga e xingamentos dos que ficaram para trás. Era só mais um dia na escola.

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*

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“Ué, cadê os outros dois?” Indagou Nathan, a bandeja presa entre seu braço esquerdo e seu quadril.

Percy olhou para o amigo com um sorriso de lado, enquanto largava a mochila na mesa do refeitório junto de Penny. “É sua irmã. Você tem uma chance.”

“Dean?”

“Dez pontos para Corvinal.”

Nathan riu uma vez pelo nariz, balançando de leve a cabeça fazendo os dreadlocks loiros voarem. “Bom, eu vou indo pegar comida porque se a gente esperar pelos dois, só iremos comer amanhã.” Falou e então ergueu o polegar para Penny, que retribuiu o comprimento, antes de se afastar em direção a fila de comida.

Percy se sentou no banco, apoiando os braços em cima da mesa e se virou para Penny que examinava a pilha de livros que estavam ao lado da mochila de Nathan. “O que ele está lendo hoje, nossa enciclopédia humana?”

“Madame Bonary.” Respondeu a ruiva, uma expressão impressionada no rosto. Então ela franziu de leve o cenho e puxou o livro em questão para mais perto, examinando com mais cuidado. Logo a garota soltou uma risada descrente e maravilhada e ergueu o livro para Percy ver. “Está em francês. Nathan está lendo a versão original.”

“O quê?!” Exclamou e pegou o objeto em suas mãos. Abriu em uma página qualquer e tentou ler e se descobriu incapaz de compreender uma palavra sequer. “Não. Não, eu me recuso a acreditar que Nathan saiba francês. Ele já fala latim, japonês, italiano e mandarim, sem falar de libra. Eu mal sei inglês direito!” Disse completamente indignado, erguendo os olhos da pagina indecifrável para a ruiva. Penny havia erguido outro livro para si. “O que é isso?” Indagou suspeitosamente.

A garota tentou segurar o riso. “É um dicionário de francês. Eu acho que Nathan está aprendendo sozinho, porque tem um livro aqui que, se o meu francês ainda não enferrujou, está dizendo Língua Francesa Vol.1, mas a nossa escola não tem francês no currículo.”

Percy congelou, Madame Bonary ainda em suas mãos e uma expressão de pura descrença em seu rosto.

Então Nathan se sentou na sua frente, colocando a bandeja terrivelmente saudável e verde em cima da mesa com cuidado e Percy dirigiu seu olhar afiado para ele. O mais novo não pareceu notar de primeira os amigos o encarando, apenas casualmente começou a temperar sua salada cantarolando uma musica dos Beatles, então tirou o garfo de plástico branco do pacote, espetou num bocado de folhas e enfiou na boca. E foi só nesse momento que ele finalmente ergueu os olhos, ainda cantarolando a musica, e viu Percy o encarando intensamente.

O jovem de quinze anos congelou por um segundo e então engoliu a comida na sua boca. “O que foi?” Perguntou confuso.

Percy muito metodicamente soltou o livro em cima da mesa.

E saiu.

De longe ouviu Penny começar a gargalhar ao mesmo tempo em que Nathan repetia a pergunta, ainda mais confuso. “O que foi?”

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*

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Isso era tão injusto! Como era possível que existissem pessoas tão inteligentes assim no mundo enquanto tinham pessoas como Percy que não conseguiam tirar um C+ sem quase vender a alma para o diabo, além do pacote bônus da dislexia e déficit de atenção (embora isso não tivesse nada haver com ser inteligente e sim com o fato dele ter DNA de um deus grego em seu cromossomo, mas quem estava monitorando?). Era no mínimo injusto e, além de tudo, desiquilibrado, porque com certeza tinha mais pessoas burras do que inteligentes no mundo – e Percy estava começando a ver o problema.

Quero dizer, se 50% da inteligência de um grupo X ficava sobre um único individuo enquanto que o que restava era dividida pelo restante N dos membros, a densidade da inteligência ficava completamente desproporcional! Pura lógica matemática, cara. Além desse fator, outra-

“Vai querer macarrão ou não?”

Percy piscou os olhos, acordando da sua reflexão. Olhou para cima, para o homem da cantina com uma expressão mortalmente entediada e então olhou para a comida em questão. “O molho não deveria ser vermelho? E, hum, liquido?” Indagou sem pensar direito. Viu o homem semicerrar os olhos e enfiar a concha dentro da panela de um modo definitivo. Sorriu amarelo e respondeu rapidamente, empurrando a bandeja para o lado. “Não, muito obrigado.”

Tentou se focar em pegar comida de verdade, deixando suas reflexões matemáticas de lado por um momento, mais preocupado em não morrer intoxicado. Estava começando a entender porque a maioria dos seus amigos da escola eram vegetarianos – a sessão das saladas era a única que não parecia ser altamente venenosa.

Com um suspiro doloroso, Percy parou na frente dos vegetais. Era isso ou nada, aparentemente. Estava tudo bem, não era como se sua mãe ou Grover fossem saber disso, então ele poderia manter seus hábitos carnívoros fora daquela cantina em paz.

Pegou a concha do vinagrete e encheu uma medida friamente calculada e então a colocou cuidadosamente no prato, o mais longe possível da sua carne assada. Fez o exato mesmo processo com as folhas de alface e as fatias de tomate e levou apenas cinco minutos para decifrar o que você supostamente põem para temperar salada. Então arrastou o prato até o caixa e o pôs sobre a balança.

A mulher do outro lado – Sra. Mary Watson, uma senhora muito legal que já o arranjara um bolo de chocolate ou dois na surdina no passado – mascando ruidosamente um chiclete, olhou do prato para Percy e de Percy para o prato no mínimo umas três vezes. Então riu uma vez, balançando a cabeça devagar enquanto anotava o preço. “Até tu, Sr. Jackson?”

Cruzou os braços. “Eu acho que já estava na hora de melhorar minha dieta, sabe como é que é, né?”

“Sei. Ou talvez seja o cozinheiro novo, que acha que cozinhar é só tacar tudo junto no triturador.” A mulher replicou, rindo de novo, e lhe entregou o papel da conta. “Aqui está. Pagamento no final do mês?”

“Sempre.” Respondeu, pegando a conta e assinando. Então devolveu o papelzinho e pegou sua bandeja, se preparando para sair. “Bye, Mary.”

A caixa sorriu e fez um movimento vago de despedida francesa, respondendo e deixando seu sotaque voltar momentaneamente. “Au revoir, jeune.”

Sorriu e se virou. No final, francês até que era legal.

Nico surgiu na sua frente.

“Di immortales!” Gritou dois oitavos mais agudo do que sua voz normal, saltando de susto e quase derrubando tudo que estava na sua bandeja na sua cara. Seus pés escorregaram no piso liso e teria caído no chão se não fosse por Nico segurando-o na hora certa.

Aprimorou-se, olhando para o outro semideus num misto dos resquícios do seu susto e uma leve irritação. “Realmente, desnecessário, Nico.”

“Desculpe.” Respondeu rapidamente o menor, recuando as mãos. “Eu só... eu não tive intenção de te assustar.”

“Sei. Você adora pegar um cara desprevenido, isso sim.” Replicou, arrumando sua bandeja.

Nico bufou, perdendo a compostura arrependida. “É, esse sou.”

Olhou para o outro semideus e sentiu sua irritação evaporar, um sorriso de lado substituindo-a. “E ai, o que devo a honra da sua presença?”

O filho de Hades o olhou meio de lado, examinando sua expressão. “Olha, eu só... eu meio que... eu vim te entregar isso.” Respondeu e deslizou uma mão para dentro do bolso da sua jaqueta para pegar algo.

Foi então que Percy realizou o que estava vendo.

Nico estava usando a sua jaqueta.

Um sorriso que ele absolutamente não conseguiu controlar aflorou no seu rosto e ele se adiantou para cutucar com o seu cotovelo o menor. “Gostou, huh?”

O filho do deus dos mortos o olhou confuso, sem entender de primeira. Então Percy ainda sorrindo apontou com a cabeça o tronco do menor e o mesmo seguiu com os olhos. Por um segundo inteiro Nico ainda não pareceu entender.

Mas então ele compreendeu e corou violentamente, a pele normalmente pálida ficando imediatamente vermelha feito um pimentão. “Não é- não é nada disso! E-eu só, eu meio que não tinha o que- eu só queria experimentar e eu-“ O mais novo gaguejou furiosamente, as palavras saindo velozmente e se misturando enquanto que ele fuçava constrangido com a jaqueta. O sorriso de Percy ganhou um ar divertido e se possível Nico corou mais ainda ao ver isso. “Olha! Eu só- você esqueceu isso, toma!”

De repente o menor tirou algo do bolso e o empurrou com violência contra o seu peito, o rosto se escondendo por de trás da franja longa. O filho do deus do mar recuou com um “uff!” de dor e falta de ar, sua mão livre indo automaticamente para o seu peito. “Hey, não precisa da viole-“ Olhou para o que estava agora segurando.

Seu corpo inteiro congelou de choque.

“Ela saiu extremamente chateado da caixa hoje de manhã.” Murmurou Nico na sua frente.

Percy continuou a encarar o objeto em sua mão.

“Talvez ela ainda esteja meio ranzinza.”

Pisco uma vez.

“Percy?”

Arquejou impetuosamente, horrorizado consigo mesmo. Imediatamente soltou a bandeja na mesa ao lado e trouxe a caixinha de Sacha com ambas as mãos para perto do rosto. “Eu tinha me esquecido completamente de você! Me desculpe!”

Sacha não saiu.

“É sério, eu sinto muito! Eu sinto muito mesmo! De verdade, eu sinto muito! Sacha, me perdoa! Eu-“

“Percy, você vai esmagar a caixa!”

De repente duas mãos menores se sobrepuseram sobre as suas, tentando aliviar a pressão que estava fazendo sobre o objeto. Ergueu os olhos para Nico, que encarava o objeto em suas mãos com cuidado. “Lembra o que eu disse? Animus são criaturas agitadas, você deve se acalmar para poder conviver com elas.” O menor gentilmente guiou para que suas palmas ficassem voltadas para cima, com a caixa de Sacha em cima de ambas. “É só dizer uma vez, com toda a honestidade, que ela vai te ouvir.” O filho de Hades ergueu então seus olhos castanhos e olhar dos dois se encontraram.

Sem quebrar o contato visual, ergueu o objeto para mais perto e falou suavemente, honestamente para ele. “Me desculpe.”

Nico sorriu de leve.

Um brilho verde iluminou a caixa branca e Sacha saiu lentamente. Mas mesmo assim não conseguiu desviar os olhos do outro semideus, uma sensação estranha rondando o seu interior. E então sentiu o contato frio do seu peixe de nevoa no seu polegar e como num filme sem som, mil e uma imagens invadiram a sua mente.

Todas de momentos aleatórios dele com Nico.

Os dois no morro, uma manticora e Bianca com eles, enquanto Percy tentava furiosamente chamar ajuda. No Acampamento Meio-Sangue, conversando antes dos Jogos de Guerra. Uma partida bizarra de Mitomagia que até hoje ele não entendeu. No refeitório, dois olhos escuros e jovens depositando toda uma confiança e fé em si, uma promessa que ele jamais deveria ter feito antes dele fugir a Pegasus dali. Na floresta, após o final de uma longa batalha, com uma estatua de brinquedo de Hades e um conselho que ele deveria ter seguido ele mesmo: “Às vezes, é bom ser criança.” Logo depois, na sua própria casa, um bolo azul de aniversario sendo dividido entre os dois. Então o alivio avassalador ao ver que Nico, apesar de fraco e inconsciente, ainda estava vivo dentro daquele vaso, os sons da luta dos sete escolhidos ecoando ao seu redor. Duas semanas depois do final da luta contra Gaia, no seu chalé, um abraço de conforto para os dois. Ou depois, de novo na sua casa, dessa vez biscoitos azuis em vez de um bolo. Nico vindo visita-lo na escola. No Acampamento, com o DS substituto e a Sra. O´Leary. No seu aniversário. Na cabine de Hades, apenas os dois e um sofá vermelho, com o fogo de Héstia queimando ao lado.

Seu coração pareceu aumentar de volume de repente. Não de velocidade. Mas de volume, batucando contra os seus ouvidos. E ele conseguia senti-lo contra sua caixa torácica, marcado, forte. T-tum, t-tum, t-tum, t-tum.

Que... estranho.

Então de repente Nico recuou as mãos das suas, rápido como se tivesse sido queimado. A franja longa caiu por sobre seus olhos e mesmo assim havia um indiscutível tom vermelho em sua pele que dessa vez não o fez sorrir, se por tudo o fez sentir um calor subir pelo seu próprio pescoço. O menor recuou um passo vacilante, ainda sem encara-lo. “E-eu, eu- tenho que ir.” Murmurou rapidamente, a voz instável e então ele se virou e se jogou em dois passos rápidos na sombra mais próxima, sumindo completamente.

Percy desceu suas mãos devagar, encarando onde segundos atrás estava Nico.

Sem pensar, deslizou uma palma por cima do seu peito. Sentiu o seu coração batendo estável, mas forte, muito mais forte do que o normal.

Olhou para baixo.

Pensando bem, levando em conta a posição que Sacha adotou quando deitou na sua mão, ela também deve ter tocado na mão de Nico.

Que... estranho.

Notas finais
Pequeno, eu sei, maaaass... hehehehehehe, Percy, Percy, Percy, sabe de nada mesmo shuashausaush XD Bom, espero que tenham gostado! Até! P.S: Eu pretendo responder todos os comentarios do cap anterior assim que eu tiver tempo, me desculpem pela demora, feriadões são complicados para a minha vida virtual TT.TT