Nem Tudo É De Primeira

1 Nem Tudo É De Primeira


Notas iniciais
Olá, caros leitores, se vcs leram todos os meus avisos, então não tenho mais o que dizer, a não ser aproveitem o que meus sentimentos e dos meus amigos fãs de Percy Jackson me obrigaram a criar!

"Leva na brincadeira, não me leve a mal. Nem tudo é de primeira, nem tudo é banal. Uma vida só é perfeita quando chega no final." Túlio Dek & Paulo Miklos

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Quando Percy contou que queria ser professor, ele sentiu que se fosse outra ocasião, as pessoas teriam rido.

Não rido com malicia ou maldade, porque ninguém para quem ele compartilhou esse desejo seria mala a esse ponto, mas talvez rido pela ironia da situação e teriam dado um comentário simples como: “Professor? Cadê o menino que odiava estudar?” e Percy teria rido junto, porque ele entendia a ironia do seu sonho.

Mas não fazia muito tempo e as pessoas ainda lembravam-se com clareza.

As pessoas ainda olhavam para ele como se ele fosse algo quebradiço. Talvez ele fosse, na época. Ele ainda sentia os cacos cutucando seu peito, mas a diferença agora é que Percy havia aprendido a recolher os pedaços. Se perguntassem, ele diria que ainda dói (e que ele sabe que vai doer por muito tempo), mas que pelo menos ele não está ferindo mais ninguém, por conta dos cacos a sua volta.

Assim como um corte profundo, ele cobriu seus ferimentos com uma atadura ao em vez de continuar causando aflição nas pessoas. E tomava pílulas de alegrias momentâneas para lidar com a dor.

Mas se perguntassem, ele diria que ainda dói.

Ele preferia que as pessoas tivessem rido, na verdade.

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“Professor?”

“É”

Grover o encarou, piscando os olhos vermelhos e inchados de choro, e Percy se perguntou se seu estado estava tão lamentável quando ao do seu melhor amigo. O sátiro sustentou seu olhar por alguns segundos, os castanhos-nozes gentis e cansados, faltando com pedaços de seu brilho de sempre. Quando ele suspirou e trouxe a sua flauta, aquela flauta aos lábios e um som lindo e triste e confortador foi soprado, Percy entendeu que ele estava muito pior que Grover.

Tudo o que pensou, entretanto, foi como seu melhor amigo havia melhorado na flauta nas ultimas semanas.

Ou talvez fosse somente ele, dando mais valor ao que tinha. Tártaro ou não, Percy havia aprendido sua lição.

“Você toca bem”

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Quiron estava na cadeira de rodas. Havia quebrado uma das suas pernas na batalha e ferido as outras três.

De todas as pessoas com quem Percy falou sobre isso, ele foi o que mais pareceu chegar perto de chorar e o que mais chegou perto de sorrir de verdade também. Não foi planejado, não foi de proposito. As palavras simplesmente saíram quando ele se viu acumulando um silencio de quase vinte minutos desde o Olá que deu quando chegou à ala medica do acampamento.

O rosto marcado pelo tempo e os olhos de mil anos voltaram a ter um brilho momentâneo e Percy reconheceu um repuxar leve na bochecha do centauro que ele sempre vira antes do mais velho sorrir. Mas dessa vez, a coisa acabou ali.

“É uma ótima escolha.” Quiron falou, pondo gentilmente as mãos sobre seus ombros. “Se quiser uma recomendação, tenho influencia em varias escolas”.

Percy não teve forças para tentar sorrir. Em vez disso, apenas acenou.

“Obrigado”

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Hazel, sendo o doce de pessoa de sempre, apenas o abraçou depois que ele pateticamente terminou sua explicação embaralhada sobre o porquê dele estar pesquisando Lecionar na biblioteca do acampamento. A única biblioteca do Acampamento Meio-Sangue, o único lugar além do gabinete lacrado de Quiron que havia livros e que era tecnicamente fechado para uso público. Ou pelo menos para aqueles que não eram filhos de Atena.

A jovem de olhos dourados estava passando pelo local apenas, e ela não teria visto nada se Percy não fosse o tipo de cara que quando entra num recinto acha que a porta fecha magicamente atrás de si. Então ela simplesmente viu a cena alienígena que era Percy Jackson tentando ler e não tirou uma foto para chantageá-lo ou mesmo o provocou sobre estudar.

A dama de chocolate apenas entrou com o ouro de seus olhos banhados em lagrimas, agachou-se diante de si e quando o filho do mar terminou de gaguejar seus motivos, ela o abraçou com força.

Percy ainda sentia-se separado do corpo demais, inútil demais, pesado demais para achar a força para retribuir, então só ficou em silêncio e sentiu o cheiro adocicado dos cabelos encaracolados.

Depois de algum tempo, a jovem de outro tempo recuou e ocupou sua bochecha com a mão macia e conseguiu puxa-lo até uma altura razoável para ela, porque mesmo ele sentado e ela agachada Percy continuava alto, e o beijou na testa.

Sem dizer nada, os olhos de ouro derretido o encararam com todo um livro de palavras e significados antes dela se virar e ir embora.

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Frank nunca fora seu exemplo de delicadeza. Ele tinha em toda sua natureza algo inerente de seu Pai, o Deus da Guerra, uma aura que sempre fazia os olhos das pessoas virarem automaticamente em sua direção nas batalhas (apesar disso ter mais prejudicado do que ajudado o garoto nos seus meses no Acampamento Júpiter). Mesmo que o descendente de chinês tivesse uma das personalidades mais pacificas que Percy já havia encontrado.

Além do mais, depois de tudo aquilo o jovem canadense havia ganhado a tal benção de Marte e possuía agora um corpo que descartava a palavra desengonçado da descrição das pessoas, mesmo que Frank ainda fosse atrapalhado ao ponto do engraçado.

Mas Percy nunca fora bom em decifrar as pessoas, então talvez ele não devesse ter surpreendido tanto quando o sino-canadense apareceu na sua frente antes de qualquer um do grupo. Quando ainda era muito cedo e os cacos de vidro estavam espalhados a sua volta como uma armadilha para quem ousasse se aproximar e expondo tudo com aflição e dor e tristeza – do exato tipo que ninguém quer ficar perto para ver.

Frank apenas surgiu da beirada da caverna do oráculo vazia no momento (porque até Rachel estava pondo a mão na massa para ajudar enquanto ele estava ali) e andou com a delicadeza de alguém que já havia pisado nesse terreno para sentar-se ao seu lado. Não falou e nem perguntou nada quando Percy simplesmente soltou que queria ser professor. O silêncio se arrastou até a luz do sol sumir.

E Percy nunca foi tão grato antes.

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Ele não conhecia muito bem a Piper, mas já salvara e fora salvo por ela várias vezes naquelas últimas semanas. E quando você luta lado a lado com alguém para salvar seu pescoço e o pescoço do mundo, isso meio que ajuda a trazer um sentimento de amizade e coletividade quase instantâneo. Então, podia-se dizer que Percy confiava nela para proteger suas costas numa luta.

Mas mesmo assim, a convivência social deles não era muito grande. Não era o tipo de amizade que os permitia conversar sobre qualquer coisa ou ficar em completo silêncio sem formar gelo. Eles podiam rir e contar uma piada, mas eventualmente um dos dois ia embora do lugar.

Mas Percy confiava nela.

Então quando Piper invadiu seu dormitório depois do seu terceiro dia sem comer ou dormir, com uma bandeja na mão, uma ordem para que todo mundo do lado de fora continuasse do lado de fora e o mandou levantar, comer e depois tirar um cochilo de doze horas, Percy o fez sem questionar.

Ele sabia que não era por causa do charme, porque Piper já havia dito que não usava o charme em seus amigos e Percy confiava nela para manter sua palavra.

Foi por isso que confiou a ela seu desejo de ensinar. Os olhos multicoloridos o olharam por um segundo gentil e profundo e foi somente ai que Percy conseguiu dormir.

Algum tempo depois ele perguntou a Piper se o charme dela se estendia ao olhar.

Ela disse que não.

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Quando Percy abriu a porta com dedos trêmulos e uma mochila quase vazia nas costas, ele imediatamente abriu os braços. No segundo seguinte, Sally Jackson o engolfou no maior, mais forte e mais macio abraço do mundo e o cheiro absoluto dos seus cookies de chocolate azuis impregnou o ar.

Ele ouviu-a chorar enquanto ela o abraçava com uma força digna de Ares e Percy se sentia o pior filho do mundo por ter feito-a passar por tudo isso, de novo e de novo, e ainda por cima ter tido o egoísmo de querer esperar uma semana para vir para casa, só porque ele não queria que a única pessoa que ele jamais se permitiria decepcionar o visse naquele estado miserável.

No final, não conseguiu. Mergulhou o rosto naquele ombro carregado com a vida e chorou como fez poucos dias atrás.

“Oi, mãe.” Murmurou e fechou os olhos, sentindo as lagrimas queimarem como lava.

“Bem vindo, filho.” Aquela voz macia de uma mulher forte e vulnerável, cheia de penas macias e cacos doloridos. “Bem vindo de volta.”

E Percy se lembrou de quando tinha nove anos e olhava para aquela mulher como se ela fosse à única coisa certa e imortal da vida, como se mesmo se o mundo acabasse ela ainda estaria ali com ele, eternamente ao seu lado. Lembrou-se da época em que os braços de sua mãe eram o lugar mais seguro e protegido do universo, onde nada poderia atingi-lo.

E quase sete anos depois, Percy sentiu-se assim mais uma vez.

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Leo e Percy se encontraram por acidente, pelo menos para Percy foi, mas pelo modo como o presente de Leo já estava perfeitamente preparado nas suas mãos inquietas, o jovem filho do deus mar suspeitou alguns dias depois que nada havia de acaso naquele encontro.

Leo, em ambientes sociais, era até mais desconfortável do que o próprio Percy. Fechado em uma muralha que o moreno já vira em milhões de outros semideuses, o latino só havia aberto os seus cadeados algumas poucas vezes para Percy e ele vira o suficiente para entender que por trás das piadas de mau gosto ou das brincadeiras às vezes cruéis havia um castelo de cartas tão frágil ao mundo quanto o de qualquer outro.

E Leo já havia sido atacado por dentro. Alguém já havia quase desmoronado aquele castelo de cartas.

O jovem não o encarou direito nos olhos quando estendeu o embrulho e não falou nada enquanto ia embora. Percy observou a figura menor ir sumindo pelo meio das arvores, talvez em direção a tal caverna secreta do Chalé de Hesfesto, antes de abrir o pacote pequeno.

Era o anel de Frederick Chase, inteiro e sem as marcas de fogo e batidas, brilhando de polido com a sua prata mostrando a frase “Amor eterno como a sabedoria” perfeitamente.

Depois de duas horas, Percy deslizou o circulo prateado em sua corrente, deixando no meio de suas contas de argila.

Da próxima vez que se encontrou com Leo, ele pediu desculpas e contou que queria ser professor. O jovem latino acenou uma vez e soltou uma piada sobre escolas.

Foi à primeira vez naquele mês que Percy conseguiu sorrir sem precisar forçar.

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Jason era um cara pragmático demais a maior parte do tempo e certinho demais para o gosto de Percy, mas ele tinha que admitir que o loiro era uma boa pessoa até a ultima fibra. Líder de outro tipo, longe demais da realidade do filho do deus mar e altruísta demais para que Percy fosse seu amigo de cara.

Ele se voluntariou como saco de pancadas para si.

Não foi diretamente falando, mas o moreno já havia lutado com e contra (infelizmente) Jason e ele sabia o quão bom de briga o filho de Júpiter era. Além do fato do loiro não ser do tipo que tolera injustiça.

Então quando Jason chegou ao seu lado daquele modo silencioso de sempre e plantou um firme soco no seu rosto, mandando-o uns bons dois metros de onde estava, e simplesmente encarou quando Percy o olhou atordoado, o moreno suspeitou naquela mesma tarde o que o outro semideus estava fazendo. Mas na hora, quando os olhos azuis ganharam repentinamente (falsamente) um tom desdenhoso fazendo sua raiva furar a redoma de auto piedade e, consequentemente, fazendo o moreno pular com ferocidade em cima do filho do céu, Percy não pensou muito nos motivos. Só fez o que queria fazer a muito tempo.

Extravasar aquela bolha de sentimentos de dentro de si.

Depois de uma luta de duas horas, Percy desistiu e se jogou no chão. Jason, com um olho machucado e cortes por todo o corpo, apenas sentou ao seu lado e colocou uma mão em seu ombro. Quando a coisa toda acabou, o moreno olhou para o domínio do pai de seu amigo e contou o que queria ser no futuro.

“Qual matéria você quer lecionar?”

“História”

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Nico foi uma historia totalmente diferente.

Primeiro porque Percy nunca contou ao garoto mais novo sobre o assunto. Não porque não queria e nem porque queria também, mas simplesmente porque o outro nunca lhe deu a chance.

Depois da batalha, depois de tudo, o filho de Hades simplesmente sumiu por quase três semanas para os deuses sabe aonde e não mandou nenhuma noticia. Parte de Percy – a parte que não estava inútil de dor e luto, a parte que não lutava dia após dia para mantê-lo de pé e funcional, a parte que não estava se esforçando com cada fibra restante de seu ser para ajudar seus amigos a reconstruir o mundo – essa pequena, mas também significativa parte (porque ele havia aprendido sua lição sobre valor) se preocupou com Nico.

Todo mundo no mundo lida com a dor e a perda de um modo pessoal. Percy, infelizmente, já havia visto em primeira mão o modo de Nico de lidar com o sofrimento, porque afinal ele havia ajudado a causa-lo. Independente de Bianca ser ou não ser sua culpa (ele que deveria ter morrido naquele dia), ele tinha uma mão na dor daquele menino solitário – não o entendam mal, Percy sabia que outros também tinham e ele não era tão arrogante ao ponto de achar que ele sozinho carregava a culpa.

Mas mesmo assim.

A sua parte era pior pessoalmente, porque ele via agora com clareza o quão facilmente ele poderia tê-lo evitado.

E o quão hipócrita ele foi em causa-lo.

Se havia uma coisa que o Tártaro havia o ensinado foi o quanto ele era igual aos deuses. Percy podia vestir a capa de herói, de vitima dos deuses e acusar o quanto quiser os seres imortais de serem cruéis e manipuladores, de usarem os outros para seus próprios propósitos e só enxergarem o próprio umbigo, mas agora ele tinha que admitir não ser melhor do que eles. Assim como os deuses que ele olhou com repugnância tantas vezes, ele fazia e dizia o que era necessário para trazer aqueles que ele precisava do seu lado para depois, após a vitória, descarta-los sem um segundo pensamento.

Talvez não com malicia, talvez não por maldade, mas sim por pura e simples indiferença. Uma pessoa que não era importante para si era esquecida com um dar de ombros e um já tive o suficiente por hoje, mesmo se ela tivesse salvado sua vida, mesmo se ele tivesse destruído a dela.

Lealdade era o seu defeito mortal, um defeito mortal perigoso e egoísta – a própria Atenas havia lhe dito isso uma vez e somente agora ele via as implicâncias disso. Ele era leal demais ao seu mundo e não media esforços para protegê-lo, mesmo que isso significasse destruir outros mundos.

Doía pensar nisso, mas Percy agora via o quão verdadeira àquilo era, porque ele já havia feito isso antes.

Então ele jurou que iria melhorar.

E é por isso que quando Nico apareceu do nada ao seu lado, às duas da manhã, dentro da sua cabine, Percy não se irritou com sua aparição sem aviso, não brigou por causa da longa ausência (uma culpa como uma flecha de dor se revirou dentro de si, quebrando pela primeira vez aquele buraco negro dentro do seu peito que sugava tudo o que ele deveria sentir, o suficiente para ele deixar de ser egoísta por um segundo). Percy se ergueu da cama e se sentou.

Não estava dormindo mesmo.

Nico o encarou hesitante por debaixo dos cabelos negros, bagunçados e cheios de pó, assim como o resto do seu corpo. Estava mais pálido do que o normal, com os olhos avermelhados e cansados delineados por profundas olheiras. Sua roupa era a mesma de três semanas atrás e estava amassada e rasgada em vários lugares. Juntando isso com o cheiro de enxofre que quase todo mundo já associava com o filho de Hades confirmou suas suspeitas de que o outro garoto tinha ido se refugiar no lugar de sempre: na terra dos mortos.

Talvez devesse entristecê-lo pensar que Nico preferia a companhia dos mortos para se consolar do que a dos vivos, mas Percy conseguia simpatizar. Às vezes a vida sufoca demais.

(e os vivos te machucam demais. Criaturas cheias de bordas, bordas quebradas e rachadas, como cacos de vidro.)

(a chama de culpa ganhou vida o suficiente para lutar contra o buraco negro e fez Percy se ergueu da cama. Mas ainda não conseguia falar.)

O garoto de outro tempo o olhou e abriu a boca para dizer algo, mas as palavras não saíram. Ele desviou os olhos negros para o chão e abraçou a si mesmo. O moreno esperou, observando silenciosamente o menino mais novo mudar o peso de perna, ainda lutando para achar o que queria falar. Entretanto, quando pela terceira vez Nico desviou o olhar e engoliu em seco, talvez reescrevendo pela quinta vez o que ia dizer, Percy ouviu uma voz que costumava ser sua consciência murmurar: a culpa é sua.

(dor, culpa, dor, culpa, dor, culpa, dor, culpa, dor, culpa, dor, culpa,

ele queria respirar)

Sem dizer nada, deu um passo para frente e abraçou o filho de Hades.

Sentiu o corpo consideravelmente menor e mais baixo ficar imediatamente tenso, surpreso, e não se importou.

Depois de alguns segundos confusos, hesitantes, as mãos magras pararam nas laterais da sua camiseta.

Percy não reagiu.

Mais alguns momentos depois, as pequenas mãos deslizaram devagar e incertas até pararem nas suas costas.

Próprio Percy puxou o menor para mais perto, gentilmente.

(dor, culpa, dor, culpa, culpa, dor, culpa, culpa, culpa...)

Como se isso tivesse lhe mostrado que as barreiras da amizade masculina haviam sido temporariamente desligadas, Nico finalmente o abraçou de verdade, os dedos trêmulos fechando-se com força na camiseta laranja do acampamento que usava. O garoto então encostou a testa contra seu peito e chorou silenciosamente.

Percy deixou e se por um milagre não chorou também, foi apenas porque sabia que se começasse agora, não conseguiria parar mais. Ele havia decidido que ia ser melhor e isso envolvia em ser mais forte para os que precisavam.

Afinal, ele não era o único que havia perdido naquela vitória.

Notas finais
Sabia que isso era para ser um one-shot? Só que minha musa inspiradora me agarrou e não me largou e quando eu vi eu já tinha escrito umas quarenta paginas e toda uma historia de começo meio e fim.Quero dizer, começo e meio porque fim provavelmente vai demorar.Bom, cometem o que acharam! Devo continuar, devo melhorar minha escrita, devo parar porque sou escrota, devo continuar porque vcs curtiram a historia mesmo eu sendo escrota, devo continuar porque vcs me curtiram mesmo a historia sendo escrota? Heim? Heim? Comentem, quero saber o que vcs acharam!