O recesso do colégio não parecia ter fim, justo quando eu preferia não ficar em casa para não ser surpreendido pela chegada da Rosalya ou pelas longas conversar dos dois ao telefone, eu sempre inventava uma desculpa para ficar até mais tarde na casa do Castiel, que não se importava em perguntar o porquê dessa minha atitude, apesar dele saber, afinal nos tornamos amigos rapidamente e nos entendíamos bem, então eu poderia imaginar que se alguém percebeu os meus sentimentos pela Rosalya esse alguém era ele.

Passei algumas tarde no parque também e pude ver de longe a Analu, mas achei melhor não conversar com ela, eu sabia que não tinha sido legal, mas ainda não queria me desculpar porque simplesmente não queria falar sobre isso, a única coisa que tentava fazer era ser o mais sensato possível e não pensar na Rosalya.

Quando as aulas finalmente voltaram, qual não foi a minha surpresa ao ver a Analu entrando em nossa sala, até então eu acreditava que ela não retornaria ao colégio, pois o motivo de sua viagem tinha sido justamente esse: procurar por bons colégios e organizar a sua mudança para casa de seus tios.

Alguns dos nossos colegas como a Iris, o Kentin, a Rosalya e Alexy ficaram empolgados quando ela entrou na sala, outros completamente indiferentes como o Castiel, bem eu... Eu fui tomado por um pânico repentino por me lembrar de como ela tinha me visto quando chegou... Eu por um descuido deixei trasbordar minha frustração aquele dia deixando claro que havia algum tipo de sentimento por Rosalya, como fui tolo, agora eu só podia torcer para que ela não comenta-se sobre isso com a Rosa e com mais ninguém.

Durante a troca de salas eu olhava de longe para ela, quando nossos olhos se encontraram pela primeira vez ela sorriu docemente para mim e me cumprimentou com um aceno da cabeça, mas não tive tempo de falar com ela porque estava sempre acompanhada pela Rosa e pelo Alexy, eu não sabia como agir.

— Cara não acha que está olhando de mais? Castiel me disse com tom de deboche

Eu não estou olhando demais... Estou apenas curioso, pelo motivo de sua volta.

— A sim é verdade, ela sumiu um pouco antes do recesso e a Peggy saiu anunciando que ela estava de mudança, vai ver foi só mais uma das noticias furadas da nossa jornalista.

Eu o olhei surpreso. Isso sim é uma novidade, você informado sobre os seus colegas de classe, logo você que nem pareceu dar importância quando ela saiu e muito menos agora que ela voltou.

Ele me respondeu com aquele sorriso meio de lado

Isso não é verdade cara, eu sempre sei de tudo! E se quer saber minha opinião prefiro quando ela está aqui, as coisas ficam bem mais agitadas ... E bem a Analu é uma das poucas que eu posso conversar aqui sem que fique com medo de mim. ele interrompeu sua própria fala, enquanto analisava a nossa colega.

— Ela até parece mais atraente agora, um pouco antes de sair ela estava tão distante e retraída, parecia chateada com algo, na verdade não me lembrava também de vê-la sorrir tanto assim. Eu demorei um pouco para assimilar o que ele tinha dito e por um momento ri aliviado.

Meu caro quase todas as garotas aqui tem medo de você.Ele deu de ombros.

— Faz parte do meu charme. — E saiu em direção ao corredor

De fato não podia discordar dele, Analu foi transferida para o colégio um pouco depois de mim, mas eramos bem diferentes ela sempre muita comunicativa e curiosa fez amizades bem rápido, inclusive comigo que nunca havia entendido porque ela se mostrava tão disposta em nossas conversas, mesmo quando eu estava tão distante

e bem fisicamente falando ela era sim bem atraente, belas curvas, que pareciam se destacar bem melhor em seu jeans e camiseta básica do que em seu vestido solto, seus cabelos negros agora soltos, porém ainda um tanto desarrumados pareciam combinar e acentuar o seu rosto, mais o que me chamava atenção eram os seus olhos profundos que pareciam atentos a tudo.

Ela era linda sim e ainda sim um mistério, pois a única coisa que eu conseguia lembrar era de sua resposta a dias atrás " Acredite eu já tentei, eu tentei sufocar esse sentimento uma vez e não adiantou." o que poderia ter acontecido? na verdade o termo seria quem... quem deixou ela assim.

Quando dei por mim percebi que Rosalya e Alexy foram sozinhos em direção a cantina e pensei que talvez agora fosse a hora de me desculpar pelo meu pequeno rompante e é claro pedir que não comenta-se sobre ele com ninguém, caminhei durante um tempo pelos corredores procurando por ela, até que me lembrei do clube de jardinagem aparentemente o seu lugar preferido no colégio, então porque não tentar na estufa?

Caminhei em passos largos em direção ao pátio do colégio, não queria me encontrar com mais ninguém para evitar explicações. E quando cheguei lá estava ela, sentada embaixo de uma árvore com o olhar distante que segundo o Castiel já havia sumido... bem talvez ele não soubesse de tudo. Eu me aproximei.

— É bom vê-la de novo.

— Olá Lysandre.— Ela me respondeu sorrindo, aparentemente tentando se recompor e se mostrar animada. — Já se sente mais disposto para conversar?

— Sinto muito pelo modo como falei aquilo, sei que não foi muito gentil da minha parte.

— Tudo bem eu até que mereci por ser tão indiscreta, mas a minha pergunta é sincera você está melhor? não parecia nada bem aquele dia.

Sobre isso.... poderia não contar para ninguém, eu preferia que não houvessem comentários sobre isso por aqui.... Sei que você não deve estar entendendo direito.

Não a muito a entender na verdade. Ela me respondeu. Você claramente estava chateado com alguma coisa e eu interrompi o seu momento, então não se preocupe eu não falarei sobre isso com ninguém.

Eu agradeceria, principalmente com a Rosalya. Eu desviei o meu olhar do dela. — Não quero que ela comente coisas desnecessárias ao meu irmão. Eu oficialmente me sentia um idiota, porque falar sobre isso.

— Sinto muito. — Foi a resposta que ouvi de Analu, com a voz um tanto vacilante Ela me contou sobre o namoro... eu realmente sinto muito Lysandre.

Ouvi-lá dizer aquilo foi doloroso, provavelmente por eu não ter conversado ainda com ninguém, eu senti um pressão enorme em minha cabeça e minha visão ficando cada vez mais turva coloquei a mão sobre o meu rosto tentando esconder a minha expressão, e foi então que senti o toque suave em meu braço pensei que ela me diria algo, mas ela apenas ficou ali ao meu lado respeitando o que quer que eu estivesse sentindo.

O clima não estava tão diferente do dia em que eles começaram a namorar as flores ainda exibiam sua beleza, dançando nas árvores ao sopro da doce brisa primaveril como se tudo estivesse bem. Eu nunca pensei que detestaria tanto essa sensação.