Nem Tão Doce Primevera

11 O que nos trouxe ate aqui


*POV LYSANDRE*

Ela nunca saiu tão rapidamente da classe, provavelmente queira evitar perguntas ou comentários de nossos colegas, pois de todos os poemas o dela foi o que mais se destacou, pelas palavras e tema abordado. Sai a sua procura assim que consegui me desvincular de Castiel que estava ansioso para remarcar o nosso ensaio da tarde, ele me inventou uma desculpa estranha demais ate para o seu conceito, mas entendi o que ele queria fazer, ele estava sutilmente me liberando de nosso compromisso para que assim eu não me preocupasse com o tempo.

Por fim quando eu a encontre na estufa entre os lírios que tanto pareciam lhe agradar, ela se assustou com a minha chegada e se virou rapidamente para saída passando por mim de cabeça baixa como se eu não estivesse ali.

Analu espere. — A segui pelo jardim e mesmo chamando por seu nome não obtinha resposta. — Por favor, não fuja de mim.

Ela parou subitamente e se virou para mim. _ Não fugir de você? Tenho tentado fazer isso a duas semanas e não parece adiantar muito. No momento não estou fugindo, só não quero que me veja assim... então decidi me retirar.

— Você sabe que dar um outro nome ou sua própria definição não muda o fato de que isso é uma fuga, certo?

— E você ao menos sabe que está sendo injusto Lysandre?

Sua voz saia baixa, quase inaudível e bem diferente do tom animado e altivo que me acostumara a ouvir, sua cabeça ainda estava baixa, olhando fixamente para o gramado tornando quase impossível ver o seu rosto entre as longas mechas negras de seu cabelo.

— Eu entendo que esteja constrangida pelo poema, mas você já não me viu bem pior que isso? E devo confessar que em extrema desvantagem. Vamos lá, olhe para mim. — Antes que me desse conta eu já estava a sua frente estendendo minha mão e acariciando levemente o seu cabelo. Ao meu toque Analu recuou e enfim me olhou confusa, seus olhos marejados e já um pouco inchados não sabiam se focavam em mim ou no chão novamente.

— Lysandre, você não devia fazer isso. Por favor, apenas não o faça.

— Isso Analu? Isso se refere a te tocar, ou ao fato de querer de ajudar?

Os dois... Isso se refere aos dois, sabe assim você torna mais difícil. Eu realmente estou tentando sabe, tentando seguir, conservar você apenas como amigo, mas a verdade é que gosto de você Lysandre e não vou negar que o que um simples toque para você, significa bem mais que isso para mim.

— Eu sinto muito Analu... Por não entender como se sente. Mesmo que eu tente, parece que continuo falhando com você.

Ela sorriu para mim, não com o seu sorriso caloroso habitual, mas um sorriso triste de auto defesa. Um riso condescendente de quem sabia que tudo aquilo era inevitável.

— Não sinta muita, isso não é sua culpa sabe? E nem minha, não podemos culpar ninguém por isso.

Essa pequena frase me lembrou do motivo que me levará até ali. Foi o mesmo que eu havia dito a Rosalya dias atrás. A frase que inutilmente tentava internalizar em mim para que tudo passa-se mais rápido.

— Aquele poema... O poema que você leu na classe era sobre mim? — Ela sorriu de lado e pude perceber o quanto a minha pergunta pareceu pretensiosa diante do momento.

— Não, aquele poema não era sobre você. - Ouvi-la dizer isso me causou um desconforto que não sei como explicar, de certa forma parte de mim ficará animado com essa possibilidade.

Aquele poema era sobre mim... De como me sinto em relação a você. — Suas bochechas coraram quase de imediato. _ Você estava certo sobre mim, romances combinam comigo, mais do que gosto de admitir na verdade, Eu vou indo não quero ficar mais constrangida do que já estou.

Algo em mim não suportou a ideia de vê-la ir embora daquele jeito. Segurei suavemente sua mão, ignorando o pedido que ela havia feito momentos antes. E em minha mente apenas uma palavra parecia existir.

— Porque?

— Oi? Não entendi Lysandre.

— Porque logo eu? Porque entre tantos colegas, tantos garotos você escolheu a mim.

Não conseguia imaginar que expressão estava mostrando a ela, sua resposta me deixou extremamente encabulado a naturalidade com que conseguia falar isso para mim, mesmo estando tão nervosa a ponto de sentir sua mão trêmula entre a minha.

— Eu acho que não fiz isso direto, quero dizer me confessar a você... Não devo ter feito se ainda me pergunta algo assim. Então, eu lhe faço uma proposta: eu lhe respondo apropriadamente a essa pergunta, mas antes o que acha de fazermos uma promessa? Algo para nos mesmo... Na verdade bem mais para mim.

Eu apenas assenti discretamente para ela, não ousaria falar nada diante do olhar determinado que ela dirigia a mim, avaliando cuidadosamente a situação. Ela enfim respirou fundo e prosseguiu.

Sei que não pode corresponder ao que sinto Lysandre, mas só quero que escute mais uma vez o que tenho a lhe dizer, não precisa falar nada o.k? Depois disso eu irei embora daqui e farei o possível para voltarmos a ser apenas dois amigos entediados com a vida colegial e com seus próprios conflitos, é isso que devemos prometer você entende?

De imediato compreendi porque aquela promessa era bem mais necessária para ela do que seria realmente para mim.

— Eu gosto de você Lysandre, estaria mentindo se disse-se que sei quando isso começou ou porque justo você, a única coisa que sei é que quando dei por mim eu já lhe admirava cada vez mais e tinha cada vez menos coragem de lhe olhar nos olhos com medo que percebesse alguma coisa. Eu só observava cada uma de suas nuances possíveis, seus olhares, sua voz seus gestos e então eu fui gradativa e constantemente transportada ao seu mundo, desejando cada vez mais ficar ali, desejado lhe ver cada vez mais feliz.

Ela parou para tomar um pouco de ar e avaliar através de minha postura até onde poderia ir.

—Mais não sei dizer porque justamente você entre todos os outros, na verdade me perguntava constantemente o mesmo sabe? E no final das contas eu só consigo pensar em como não ser você... Porque no final do meu dia era apenas a sua face estampada em meus pensamentos... Então como não seria você? Como não me apaixonaria pelo seu riso comedido, ou por sua sutileza com os detalhes, como não me apaixonaria por seus gestos protetores com aqueles que lhe são importantes ou ate mesmo pelos seus breves momentos de descontentarão. Simplesmente só poderia ser você.

— Eu... Analu... eu simplesmente.

— Ei, se esqueceu do que eu disse, não precisa me dizer nada o.k? já fui devidamente rejeitada por você na biblioteca, não preciso e nem quero que faça isso novamente. — Ela docemente colocou a mão sobre minha face e fui incapaz de reagir ao gesto. _ Mas espero que agora entenda ... Bem talvez eu enfim deva partir... nos vemos Lysandre.

Mas uma vez a cena se repetia, quantas vezes eu já não vivenciará aquilo com ela, quantas foram as vezes em que a deixei partir incapaz de dizer uma só palavra? Sentia um gosto amargo em minha boca e o peso de meu peito parecia maior do que eu conseguia suportar, mais uma vez eu a deixei sair sem se quer dizer uma palavra e dessa vez quanto mais aquela silhueta se distanciava, mais eu tinha certeza de que não ouviria aquelas palavras novamente, ao menos não dela, não assim, e talvez por estar tão autoconsciente nesse momento me tornei incapaz de segurar um teimosa lágrima que a muito eu não permitirá cair e ainda sim me questionava o porque.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.