Nem Tão Óbvio Assim

8 POR QUÊ? ONDE? COM QUEM?


Notas iniciais
Near.
Mello.
Matt.
E, na dúvida, já sabem o que fazer :3


Sentia-se esmagado.

Não havia espaço para seus pulmões trabalharem.

Sua respiração tornava-se cada vez mais ofegante, confundindo-se entre gemidos de protesto, impotentes.

Sentia seus cabelos úmidos, e já nem sabia mais se pelo esforço em libertar-se ou pelo calor que o cercava. Um bafo quente em específico o incomodava mais, bem em seu pescoço.

Foi quando, afinal, abriu os olhos.

Suspirou, de novo, tentando compensar um pouco o ar que lhe faltara a pouco.

Sinceramente...

– Matt... Matt...- tentava acordá-lo, de novo!

Pois é, como não tinha colega de quarto, dispunha de apenas uma cama, ainda que bem espaçosa.

Chegara a cogitar dormir no chão mesmo, e largar Matt lá na sua cama.

Não só pela mania do ruivo de ficar lhe agarrando dormindo.

Mas também pelas lembranças do mesmo hábito, enquanto acordado.

Ao longo da noite, fora abraçado por trás (adormeceram cada um virado para um lado oposto) pelo menos umas quatro vezes! Sentia-se como um... Um bicho de pelúcia!

Isso sem contar o que Matt tentara (e por vezes conseguira) antes de acabarem naquela constrangedora situação.

– Só mais um pouquinho, seu chato...- Matt gemeu, preguiçosamente, e Near sentiu-se ainda mais apertado, tendo o outro a audácia de aconchegar-se, afagando o rosto no pescoço tão alvo, já desnudo, até!

Estava realmente quente ali...

E agora, já perdera o sono.

Olhou para os braços que lhe enlaçavam, firmes demais para o seu gosto.

Bem... Talvez não fosse tão ruim assim.


.


Deixava o calor lhe envolver por completo, sentindo um prazer irritante naquilo.

Mal-criado, abriu a água no máximo, num rompante, deixando de bom grado que a onda fria chocasse-se com a cabeça, com um arrepio.

É, talvez tivesse dormido mal.

É, talvez tivesse acordado às cinco da manhã, de um maldito sábado, completamente sem sono.

É, talvez tivesse ficado um tempão olhando PARA A MALDITA PORTA ESPERANDO QUE UM IDIOTA ENTRASSE! E, SIM, DROGA, ELE ESTAVA COM ÂNSIAS DE IR ATRAS DELE, NÃO CONSEGUINDO PENSAR EM MAIS NADA!

Socou a parede úmida, desligando o chuveiro com raiva.

A-aquele maldito!

Bateu a própria testa com fúria nos azulejos.

E ELE MESMO NÃO PASSAVA DE UM IDIOTA POR FICAR SE PREOCUPANDO!

Arrancou a toalha do suporte, esfregando-a com uma rudez desnecessária nos cabelos, e saiu andando.

Destrancou a porta, abrindo-a com força, fazendo com que batesse estrondosamente na parede.

Sim, ele estava com raiva mesmo, algo contra?

Ah, mas aquilo não ia ficar assim... E que fique claro o tom maníaco, beirando a psicose, que escorre, não pela frase.

Nem pela suposta ''ameaça''.

Mas, sim, pela certeza.

E, dramaticamente, jogou a toalha em cima da cama, sequer importando-se com seu estado... Nu.

Estava sozinho afinal.

DESGRAÇADO!


.

– O Mello também tem mania de andar pelado pelo quarto, sabia?

Encarava Near com suas íris luminosas, e alguém não exageraria em dizer que pareciam as de um gato.

Ali estava ele, com a pele intocada e pálida. Um rosto inexpressivo, no máximo contrariado por ter sido pego assim.

Assim, sem camisa.

A ponto de tirar as calças.

– Oh, não pare por mim, Near- Matt disse, sorridente, virando-se e espreguiçando-se, mas sem nunca desgrudar os olhos daquele corpo tão... ‘’virgem’’! É, não conseguira pensar em nenhuma definição melhor.

– Não vi que você já tinha acordado- respondeu puxando as calças, como se quisesse ter a certeza de que estavam bem firmes.

Hehe, talvez estivesse acordado desde que o pequeno conseguira sair da cama.

Talvez, quem sabe, tivesse assistido o caminho de cada botão, ansiosamente até.

E talvez tivesse continuado a fingir dormir, para não desperdiçar o showzinho, botão por botão, gesto por gesto.

Mas ninguém precisa saber, certo?

– Vai tomar banho?- perguntou vendo Near, ainda de calças, entrando no banheiro.

Recebeu um singelo maneio de cabeça, e até que aquilo era muito!

Deitou-se de barriga pra cima, lembrando-se de Mello. Ele também tomava banho pelas manhãs.... E talvez Matt também fingisse dormir às vezes, quando o loiro estava bravo e saia jogando as roupas pelo quarto mesmo...

Espreguiçou-se, planejando seus passos para aquele dia.

Hum... Talvez devesse ter lembrado Near de levar uma muda roupa consigo para o banheiro...

Hum.... Não.


.

Descera para o café da manhã, afinal. Matt preferira ficar no quarto mesmo.

Near não sabia se aquilo era exatamente uma boa idéia, mas que podia fazer?

’Como eu conheço o Mello, aposto que dormiu mal, e acordou cedo. Provavelmente, com fome. Você já viu ele destruindo as barras de chocolate quando fica nervoso, né? Enfim, acho melhor não vê-lo ainda e...’’ Near foi atingido por um sorriso terrivelmente sincero, inesperado.

A conclusão ali, em aberto. Não muito difícil de ler.

De certo modo, sentia-se usado.

Quer dizer, tudo, tudo era um jogo. E a vida dividia-se entre aqueles que conseguiam vencer e os que acabavam perdendo.

Ele gostava de jogar. Gostava de poder usar peças e manipulá-las.

E, afinal, tinha Matt...

Ou será que Matt o tinha...?

Enrolou um cachinho nos cabelos.


Como esperado, o refeitório estava praticamente vazio. Eram ainda seis da manhã, afinal.

De modo que foi fácil comprovar a tese de Matt.

Entre os pouquíssimos rostos sonolentos, uma ‘aura maligna’’-expressão estranha, já que não se pode, de todo modo, ver uma ‘’aura’’, mas ainda assim adequada-destacava-se.

Desnecessário dizer quem era.

Quase deitado na mesa.

Mexendo o mingau de chocolate com uma velocidade ridícula.

Duas colheres entortadas ao lado.

Um pão completamente esmigalhado.

E uma cara de Mello mesmo.

...Matt fizera bem em ficar no quarto.

Notas finais
Até ontem, eu achava que com uma boa dose de organização, conseguiria ao menos uma hora por dia para fanfics e fics.
Agora, estou pensando se consigo levar faculdade com três horas de sono por dia.
É.
MAS AINDA ESTOU AQUI *rebola*
Ao menos a parte do meu cérebro que desistiu dessa vida de calouro...
ENFIM!
Ficam os avisos de sempre~
Grata,
Kalhens.