Nem Tão Óbvio Assim
13 Conto. Não conto. Conto.
Notas iniciais
De forma que minha caneca ainda está à salvo~
Na dúvida, faça uma demonstração geométrica :3
As cortinas não se abriram.
Fecharam-se.
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Saco... Procurar Near... Quase cuspiu no chão o desgosto por tal pensamento.
Andava arrastando os pés pelo corredor mais parecendo um dos alunos mal-educados, minto, abusado, daquele lugar do que um digno e honroso monitor.
Mas bem, quem poderia culpá-lo?
Depois de passar em três salas de brinquedo, aquelas nas quais o pequeno-gênio costumava se alocar e não ver nem pista nem peça perdida do mesmo, ele já estava perdendo a paciência.
Afinal, onde mais Near se dignaria a estar?
Pensava e praguejava, janela por janela, quando algo afinal lhe chamou a atenção.
Acre.
Perdeu um dois segundos tentando lembrar-se de onde era aquele cheiro, mas o alarme soando o ajudou e os pés ainda fizeram o favor de empurrá-lo, jogá-lo, numa corrida mais instintiva do que racional.
Aquele cheiro, inconfundível.
De queimado.
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Mello levantou-se de um salto da cama.
– Você ouviu?
Desnecessário. Matt também estava de pé, já, olhando pra frente sem olhar para nada, como se tentando enxergar um som.
– É o alarme, não é?
Os dois pararam, enquanto o som distante parecia aumentar, seguindo corredor por corredor, as sirenes acordando aos poucos, crescendo até explodirem sobre seus ouvidos.
Alarme de incêndio.
Pelo tempo que a sequência levou para atingir o quarto, não deveria ser longe.
Mello correu para a porta, testando a maçaneta, como se não lembrasse que estava trancada.
Socou a madeira lisa e sem expressão.
Sem resposta.
Gritou, chamando alguém pelos vãos da porta. Podia não ser nada sério.
Mas quem em sã consciência ficaria tranquilo num quarto com o agudo rubro dos alarmes berrando ao seu redor?
Matt parecia nervoso e inútil, esfregando os cabelos com os dedos crispados.
Contou.
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Certo... Isso não era exatamente parte do plano.
Mas não pode pensar em muito mais do que isso.
Ao menos, já fizera tudo ao seu alcance...
Caiu, a inconsciência só deixando abertura para um último arrependimento.
De que deveria ter ouvido Matt.
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–ABRE ESSA PORRA! NÃO TÃO OUVINDO O ALARME NÃO?!
Torcia. Para que ao menos alguém passasse por ali.
Porque aí, ao menos teria a certeza de que a evacuação começara.
Mas nada vinha.
Quais as opções? Todos mortos? Não, exagero.
Alarme falso? Improvável, posto que ainda estava ligado.
As chamas estariam obstruindo a passagem do corredor? Dolorosamente provável.
Parou de bater, na tentativa estúpida de tentar captar algo por baixo da sirene desesperada.
Nada.
Ah, claro. Já deveria ser hora do almoço... O corredor estava vazio...
Só restara... Eles.
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Contou de novo mexendo nos cabelos, nervoso.
– Mello! Os grampos! Onde você largou os grampos?!
Viu os olhos do loiro se abrirem como se repentinamente tudo fizesse sentido.
Direto do bolso da calça negra veio um daqueles grampos que ele usara ainda outro dia para arrombar certa porta de certo banheiro.
Suas mãos não tremiam.
Suspirou de alívio quando viu a porta se abrindo.
Sentia o calor subindo e envolvendo a mansão, o suor já escorrendo pela nuca enquanto a fumaça negra lhe irritava os olhos.
Alguma coisa dera errado.
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Graças ao sistema de alarme, pode definir onde o incêndio começara mais facilmente, mas isso não lhe era consolo.
A porta da enfermaria era lambida pelas chamas quentes.
Tossia compulsivamente, a fuligem se agarrando em sua traqueia.
Berrou, perguntando se tinha alguém ali.
Chamou, de novo, mais forte.
Ninguém respondeu.
Bateu na testa, sentindo-se imbecil.
Era um imbecil.
Sacou uma espécie de Walkie-talk do bolso e, depois de alguns botões, pode ouvir a voz de Roger soando pelos alto-falantes, repetindo a mensagem que passara.
Correu. Precisavam evacuar a mansão.
E se esqueceu.
Que ainda não encontrara Near.
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– Anda Matt!
Gritavam consigo. Ele acordou, os olhos virados para além do corredor.
Sentiu uma mão se fechando em seu pulso e quase caiu, por pura inércia, quando foi violentamente puxado.
– NÃO, MELLO, PERA!
– PERA O CARALHO! A gente tem que sair daqui!
Mordeu o lábio, contrariado.
Conto.
Não conto.
Conto.
Não conto.
– Fala logo porra!
Respira.
Contou.
– Eu dei sonífero pro Near! Hoje de manhã mais cedo, imaginei que a gente fosse acabar na sala do Roger, de castigo. O plano era que ele fingisse uma doença e fosse pra enfermaria! Eu ia dar um jeito de você acabar indo parar lá também, mas precisava que a gente estivesse preso e vigiado, senão você se recusaria a ir e esconderia qualquer coisa que sofresse e precisava garantir que não iria atrás dele até que tudo estivesse pronto e aí dei meu isqueiro pra ele e ele disse que ia dar o sinal e espantar o monitor para que eu fizesse tudo antes, mas depois o cara ia voltar e o Roger ia chamar ele e...
Um soco.
Muito do bem dado, por sinal.
Sentiu-se pressionado na parede, as mãos fechadas contra seu pescoço.
Tremendo.
– Onde ele está?
Matt quase sentiu vontade de chorar.
Quase, mesmo.
– Eu não sei...
Outro soco. Mais doido.
– Vocês... Vocês...
Mas Mello apenas abanou a cabeça, como se o absurdo daquilo tudo fosse demais para ser posto assim, em palavras. Largou o ruivo de qualquer jeito.
E saiu correndo.
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A voz veio chiada pelo aparelhinho.
– Não, não encontrei o Near. Sinal dele aí?
Apertou o botão enquanto corria conferindo os quartos.
– Não. Nada.
Apertou, rodando uma maçaneta.
– Se ele aparecer, me avise.
Soltou, esperando.
– Certo. Aliás, Mello e Matt também não apareceram.
Bateu na testa. De novo.
A voz insistiu.
– Não era você que deveria estar de guarda deles?
Sacou a chave do quarto do bolso, ignorando todas as portas ainda fechadas pelas quais passou e estava para virar uma esquina quando caiu pra trás, atropelado.
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Depois, aqueles dois iriam lhe explicar tudo.
Muito bem explicado.
Arriscava, se guiando pela direção na qual supunha ter ouvido antes o grito do alarme.
O maxilar estava tensionado e todo o corpo encharcado de suor. Os olhos ardiam mais do que se disporia a admitir.
Estava difícil enxergar, difícil respirar, difícil pensar.
Logo, todas as desculpas são mais do que devidas para ter simplesmente continuado a correr direto no monitor que lhe apareceu.
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– Mello! Graças aos céus! Onde está o Matt?! — Se levantou, puxando o loiro junto pelo braço — olha, a gente tem que sair logo!
Mello puxou-se de volta, irritado.
Reconhecia o incompetente que, por sinal, deveria estar na porta de seu quarto.
– Onde o incêndio começou?
– Hã? Na enfermaria, acho, mas isso não interessa, a gente tem que ir e-- MELLO!
Tarde demais, só viu o vulto negro disparado, refazendo seus passos.
Ia correr atrás. Ia sim.
Mas a voz chiada ordenou, de dentro do seu bolso.
– Escuta. Os Bombeiros chegaram. Matt tá com a gente. Cadê o Mello?
– Correu pra enfermaria. Vou atrás dele.
Alguém xingou do outro lado da conexão.
E ele também.
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Certo.
Aquilo foi suicídio. Apenas o primeiro indício da séria tendência que Mello nem sabia que possuía.
Talvez desconfiasse.
Ao menos, teve ainda a decência de se enfiar debaixo de um chuveiro o suficiente para acabar ensopado antes de lançar-se nas chamas. Sorte que o monitor saiu abrindo todas as portas, senão teria conseguido mais do que um cabelo chamuscado naquela empreitada.
Gritou.
Caído sobre a cama da enfermaria, Near, desacordado. Uma bacia de água estava tombada, a umidade que impregnara os lençóis o mantinha a salvo, mas a fumaça sufocava.
Deveria ter se lembrado de amarrar um lenço no rosto, ou coisa parecida, mas ali, contentou-se em puxar a gola da camiseta preta e cada vez menos encharcada.
Tentou encontrar uma pia ou mangueira que fosse, para poder tentar passar novamente pelas chamas, mas o fogo já obstruira todos os seus meios de salvação. Xingou com gosto, o suor escorrendo por todo o corpo enquanto sentia-se cada vez menos lúcido, uma tonteira de calor com fumaça tomando posse de seus sentidos.
Passou a mão na testa, jogando a franja, chamuscada, pra trás.
Sentiu-se um idiota por ter entrado ali. Tentou gritar, chamar a atenção de alguém, mas tudo se tornara mais difícil.
Praguejou, olhando feio para as chamas que dançavam a sua volta, indiferentes e brilhantes.
Sentia-se cansado.
Olhou para Near, adormecido na cama já quase seca. Seu rosto estava vermelho. Não corado. Vermelho mesmo, suado e inerte.
Piscou e sentiu que o mundo se apagou por alguns segundos.
Tentou manter-se acordado, precisava! Precisava fazer algo!
Mas... Sequer conseguia manter mais a gola erguida, aspirando e cuspindo golfadas inteiras de fumaça negra e densa, cheia de fuligem, queimando-o por dentro.
Cambaleou.
Ainda não era aquele Mello que um dia resistiria a uma explosão que ele mesmo detonara.
Naquele instante, só conseguiu arrastar os pés para mais perto da cama.
Piscou.
Caiu, as pernas ainda moles no chão.
Piscou. Demorou mais pra voltar.
Near estava ali, ao seu lado.
Piscou.
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E nada.
Notas finais
E desculpas, também, à ela. Pois fiquei quase uma semana insistentemente pedindo-lhe que fizesse a betagem xD
Peço as mais sinceras desculpas pela demora, mas entre provas, viagem, provas, testes e Pandora Hearts (pelo qual me reapaixonei), não houve jeito.
Grata a todos pela leitura e pela paciência,
Kalhens.
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