Nem Tão Óbvio Assim
14 Agora? Agora nada
Notas iniciais
Mas eu tenho bons motivos. Ou teria se, estudando durante três dias seguidos minha nota na prova tivesse AO MENOS sido boa.
Mas isso não vem ao caso.
Na dúvida, manda mensagem pra Konan :3
Ou leia de novo, sei lá.
Sentia-se zonzo. Dormente.
Mas principalmente, gelado.
Olhou para os lados, a curiosidade superando a irritação que a claridade ofuscante trazia.
Branco. Tudo ao redor era perfeitamente branco.
Ao menos, tinha a certeza de não estar morto.
Porque, sinceramente, seria uma decepção descobrir que existe dor-de-cabeça pós-morte.
Tentou mexer os membros e descobriu que todos lhe respondiam satisfatoriamente bem.
Fechou os olhos, se preparando para uma nova investigação.
- Não ouse dormir de novo!
Abriu os olhos em reflexo.
Rápido demais.
Recurvou-se, esfregando os olhos irritados com a mão.
- Mello?
Sem dúvidas. Não conseguia ainda focalizar o cabelo, que estava completamente descabelado.
Nem o rosto irritado, cheio de curativos desnecessários.
Alias, nem mesmo a roupa branca de hospital era mais do que um vulto rodeado de pontos luminosos e ofuscantes.
Mas, certamente, era ele.
- Eu achei que fosse ficar dormindo para sempre! — resmungava mais para si mesmo, mas não escondendo a satisfação em ter quem o ouvisse.
- O que... – abria e fechava as pálpebras, as coisas finalmente entrando em foco. Tentava lembrar porque estava num lugar daqueles, e porque sentia tanta dor de cabeça. Ah.- Mello, o que houve com você?
- Culpa sua!- deixou-se gritar, tensionando todo o corpo , contendo-se.
Near estava disposto a apostar que ele já fora repreendido- e possivelmente- ameaçado algumas vezes pelas enfermeiras do, provável, hospital.
- Não me lembro de ter feito isso em você.
- Foi você quem começou aquele incêndio estúpido, não foi?- O tom de voz saia mais baixo. Era quase cômico.
- Ah...
- Exatamente! — continuava seu tom de resmungo, parecendo um velho chato. — porque você fez aquilo? O que você pretendia causando aquele incêndio, Near?
Tomou alguns fios de cabelo, enrolando-os entre os dedos.
- Foi um acidente...
Viu sua frase cortada. Duplamente, alias. Primeiro, pela gesticulação mal-contida e irritada de Mello. Segundo, pela voz cada vez menos controlada do mesmo.
- Matt já me contou do plano de vocês. Seus idiotas! Mas nem ele não pensava que você fosse seguir algo tão imbecil! Quais eram as chances do incêndio funcionar?!
- Não, mas eu...
- Mas nada, porra! Você arriscou sua vida e poderia ter destruído o orfanato por uma ideia daquele ruivo imbecil! E pra que? Ele me contou todo o plano e eu ainda não me conformo que vocês tenham feito algo tão... Tão...!
E a gesticulação continuava, tensa e pesada, presa. Estava quase encontrando uma palavra adequada para exprimir toda a sua indignação.
Mas não teve tempo.
Uma almofada dura o acertou de mau jeito nas costas (supunha que o alvo fosse seu rosto).
O efeito foi instantâneo.
Há duvidas se por ter sido tão bruscamente interrompido, por ter sido bruscamente interrompido por um travesseiro fazendo as vezes de projétil, ou por ter sido interrompido por um travesseiro atirado por Near.
Enfim, funcionou.
- Mello, fique quieto um instante e me escute! Eu não causei o incêndio, foi um acidente. — E prosseguiu, atropelando as palavras mal formadas de Mello — eu rachei o isqueiro sem querer, e o líquido se espalhou pelo lençol. O joguei debaixo da cama e tentei acender uma chama com fósforos, que o Matt também tinha me dado — admito que não fosse genial, mas minha mente estava meio embaralhada por sono — mas o fósforo caiu em cima do lençol. Por conta do líquido, o fogo se alastrou muito rápido e eu, como já disse, estava muito sonolento para reagir. Achei melhor ficar quieto. Por mais que o orfanato não tenha um sistema de combate a incêndio razoável, os alarmes são bem eficientes. Minhas chances de sobrevivências seriam maiores em cima da cama molhada.
Um loiro estupefato o encarava. Apenas.
- O fogo não deve ter chegado a sair da enfermaria, mas, para você ter queimaduras tão evidentes, deve tê-lo atravessado, ou coisa que o valha. Logo, o único imprudente aqui foi você, como sempre.
Certo, agora era um loiro emburrado que o encarava. E feio.
- Entendeu?
- Entendi, entendi. Mas isso não faz de você menos irresponsável! E também não torna a ideia de vocês menos patética.
Reparou. Que Mello já estava plenamente descontrolado. A voz subia e descia, em ênfases e desprezos que respingavam de sua face.
Finalmente. Agora sim, podia começar de verdade.
- Bom — comentou, recurvando-se no travesseiro não muito cômodo — não dá pra dizer que não tenha dado certo. Você está aqui, afinal.
Silêncio. Um daqueles bem contrariados, que se colocam ali na cena só para ocupar o espaço das palavras que alguém se recusa a dizer.
- Você disse que Matt te contou tudo.
Um daqueles, que é divertido ficar tentando quebrar e vê-lo rir, deliciado, com as palavras desengonçadas que se forçavam a lhe preencher.
-... Contou.
- Por acaso, ele me deu algum tipo de sonífero?
- Deu.
Near acenou a cabeça, como se aquilo explicasse tudo.
Até adivinhava os motivos que levaram o ruivo àquela curiosa decisão. Entendia.
Agora estava perfeitamente acordado e definitivamente nada sentimental ou vulnerável.
Enfim, sentia-se perfeitamente como si mesmo.
Infelizmente.
- Realmente... O plano dele, melhor, as ideias dele eram sempre extravagantes. Acho que estava se divertindo com a gente.
- Bom, você os levava todos adiante, não adianta ficar tentando colocar a culpa no Matt.
- Ah, sim. Mas é que eu também achava divertido às vezes. Era como um jogo.
Mello sentiu vontade de se dar uma na cara, ou na cara dos dois.
É melhor na cara dos dois. Estava cercado dessas pessoas irritantes viciadas em jogos, porcaria!
Pensando assim, Matt e Near até que tinham bastante em comum...
- Hunf. Bem, que bom que se divertiram bastante, porque agora acabou! Podem fazer o que quiserem, eu já sei de tudo e não mais me envolver nisso!
- É, acabou. Por sinal, eu venci.
- Venceu como?
- Você está aqui, lembra?
Seu prêmio: O olhar mais fulminante que Mello jamais dera para alguém.
- Eu só te esperei acordar para que você me explicasse o que faltava desse plano imbecil!
- Digo aqui no hospital. Você tentou me salvar.
Mordeu os próprios dentes, contrariado. Não é como se pudesse dizer que faria aquilo por qualquer um, que era contra sua natureza deixar pessoas simplesmente morrerem ou se arriscar em atos altruístas.
Definitivamente.
Mas conseguiu sorrir, um daqueles sorrisos odiosamente maliciosos, irritantes.
Faltava só a barra de chocolate sendo quebrada no canto da boca.
- Eu faria o mesmo se fosse o Matt. Como pode dizer que foi você quem venceu?
Pode parecer estranho, mas Near também sabia sorrir.
- Tem razão. Mas isso não significa muito.
- Como assim?
- Não era o Matt ali.
- E daí? Isso não muda o que eu acabei de lhe perguntar.
- Seria esperado que você tentasse salvar Matt. Ele é seu colega de quarto. É seu amigo. Eu sou apenas seu rival, alguém a quem você declara seu ódio com uma freqüência quase monótona, Na verdade, seria até mesmo uma vantagem para você se eu morresse num acidente.
Dentes crispados, o maxilar tenso e os lábios repuxados. A face da indignação.
Mas curiosamente, não saiu gritando nem quebrando nem nenhuma dessas reações histéricas.
Curiosamente? Nem tanto. Near o conhecia bem demais para tal pensamento.
- É. Talvez eu devesse ter te deixado morrer, como você mesmo sugere.
- Eu não morreria, já falamos sobre isso. E, de todo modo, você não deixaria.
Um. Dois.
- É. Talvez não.
O sorriso. Continuava lá. Desafiando a palidez daqueles lábios e de toda aquela face, na qual o curvar sutil assomava tão... Mal.
- E agora? — arriscou.
- Agora o que, Mello? – Deu mais algumas voltas nos fios entre seus dedos, apenas dando mais força ao cachinho que se formara durante a conversa.
- O que vai fazer? — Pressionou.
- Sobre o quê? – Se limitava a olhar a imensidão branca que era seu lençol. Adivinhava a postura de Mello. Contrariado e curioso. Os braços cruzados.
Do seu lado.
- Seu plano imbecil. Você disse que venceu, então suponho que tenha chego ao final. O que vão fazer agora?
- Nada.
Notas finais
''E ai?''
''Por mim pode postar''
''Mas tá bom?''
''Bom. Eu só não senti nada, mesmo sendo um capítulo chave e tals''
''ENTÃO NÃO DÁ PRA POSTAR!''
Obrigada a Konan, pela betagem~
No fim, postei do jeito que tava mesmo. É que só depois lembrei que cortei o capítulo em dois.
Eventualmente, dará sentido.
Enfim. Desculpem a demora!
Mas ai está.
Grata a todos que ainda leem,
Kalhens.
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