Nem Tão Óbvio Assim

7 AH! Ah? É Guerra!


Notas iniciais
Foco no Near.
Mas narrativa.
Na dúvida, rolem no chão até que as coisas comecem a fazer sentido.
Ou, então, só leia de novo mesmo ♥

O fio de tensão não fora cortado, ou sequer esquecido. Na verdade, se em algum momento a intromissão do ruivo dera a impressão de ter melhorado a situação, é porque os fatos ainda não foram vistos com a devida atenção.

O que antes de estendia apenas de uma ponta à outra tomara ares de triângulo. Ou será que o terceiro se colocava exatamente entre os dois?

Não que alguém se interesse pelas comparações lógico/geométricas...

Ao menos, não quando dois pares de olhos- os primeiros, duros, tão azuis quanto os segundos, risonhos, eram verdes-,se encontravam daquela maneira.

Como bônus à cena, dois pontos negros, que limitavam-se a observar e tentar compreender.

– Nossa, isso foi cruel, Mello. E baixo. Quem visse assim, até acharia que você está falando sério...

– E eu não estou?- riu, debochado- Eu vi você, Matt. Aliais, só você. Do jeito que estava prensando ele na parede, parecia até que estava o comendo. Se duvidar, tava mesmo.

– Por que tão bravo? O que eu faço ou deixo de fazer por ai nunca te incomodou.

E nenhum deles parecia muito a fim de se lembrar que tinha um Near logo ali, no chão, vendo toda a discussão cada vez mais inflamada.

Não que ele se importasse, na verdade.

– Nunca me incomodou aonde, Matt? Você é o cara mais irritante que eu conheço! Você fuma, esconde as carteiras de cigarro debaixo da cama, e acha que essa porra não empesteia o quarto inteiro! Você é incapaz de diferenciar uma barra de chocolates da outra, e fica jogando essa porcaria de Super Mario com o volume máximo. ESSA-MÚSICA-É-UM-SACO!- Desabafou, quase caindo no amigo enquanto falava.

– Vê se te enxerga, Mello! Não é você que tem que ficar ouvindo ‘’ah, eu não sou o número um’’ pra lá ‘’ah, o near é um idiota’’, pra cá. Cresce, seu loiro retardado! Vê se usa todo o açúcar do chocolate que você come, e queima pensando em algo que preste só pra variar! Tú acha que eu não me canso de ouvir sempre a mesma coisa? Tú acha que eu não canso de acordar todos os dias e ver que você, seu idiota incapaz, continua na mesma? Quer saber, você tem razão, você é um ‘’número dois’’, seu chocólotra de merda!

Os olhos se estreitaram.

Quando... Quando foi que a briga acabou ali?

Melhor. Aonde fora parar o começo?

– Ah, então é assim? Pois você nem ouse pedir para ir comigo para a cama de novo, bastardo!

Near chegou mesmo a arregalar os olhos com aquela frase de (agora que lhe ocorrera) duplo sentido.

– E quem disse que eu quero continuar dormindo com você, seu cavalo?- Matt ainda berrou, mas o outro saira da sala, sem sequer olhar para trás.

O ruivo ficou lá, bufando.

Um segundo.

Dois.

Cerrou os punhos e saiu correndo, quase derrapando, em direção à porta.

– Mas o que... Está acontecendo....?- Near se questionava.

Pois é, ele ainda estava lá, mesmo que ninguém parecesse se importar.

Ele realmente achara que tinha entendido mas, agora...

Ocupava-se em tentar encontrar uma ordem, uma lógica. Algo que lhe permitisse juntar todas as peças até então concedidas, formando uma cena compreensível e aceitável.

A única explicação seria que Matt lhe aceitara.

Mas...Isso estaria errado. Se fosse assim, não teria feito aquilo ontem. Sem esforço retomava a sensação de suas costas na parede antes sentir...

Não, não seus lábios tomados.

Mas sim invadidos.

Aproximou-se da porta a tempo de ver Matt tomar impulso.

As coisas estavam definitivamente confusas mas...

... Uma voadora?

Sim, a primeira coisa que seus olhos atentos viram quando pos a cabeça para fora da porta fora um ruivo, em pleno corredor, usando aqueles seus óculos característicos, aplicando uma voadora mal-sucedida num loiro que caira por puro susto.

‘Cê ta ficando muito bem louco!?- Foi tudo o que Mello conseguiu gritar, antes que Matt se recobrasse da queda, pulando sobre si, prensando-o no chão.

– Só pra te avisar, Merocchi– o ruivo sussurrou perigoso, num tom um tanto quanto alto- se é assim que você quer, assim será, e sem direito à defesa.

E sob o olhar pasmo daqueles que passavam, inocentemente, pelo corredor, ele apoderou-se dos fios loiros, erguendo a cabeça para batê-la com força num baque surdo, no chão, erguendo-se em seguida, imediatamente, e fugindo.

E ele ainda estava lá assistindo.

Ok, as coisas estavam realmente estranhas.

.

.

Estava sozinho em seu quarto, como de costume. Cinco robôs de diferentes cores e tamanhos voavam pelos céus alternadamente, com direito a efeitos sonoros.

Era assim que ele costumava pensar.

Toc-toc

Mas... Aquele som não fazia parte de sua brincadeira. Lançou um olhar desconfiado à porta, sem levantar-se do tapete. O toque de recolher há muito já tocara, e mesmo que não tivesse...

– Near, sou eu, Matt- e... por mais que não fosse bom em adivinhar sentimentos, poderia jurar encontrar um tom quase digno de piedade, moldado em pura resignação.

Toc-toc

Não conseguiu evitar de franzir a testa, enquanto girava a maçaneta, lentamente, tendo ainda aquele novo fator à adicionar em sua confusa equação: Um Matt parado a sua frente com uma mochila um tanto quanto estufada e uma expressão curiosamente séria.

- Certo. Agora não dá mais tempo para arrependimentos, Near. Você sequer começou, mas eu não pretendo parar- acrescentou, pontuando suas palavras enquanto fechava a porta atrás de si- Mas vou dormir com você a partir de hoje. Prometo que vou me...comportar- acrescentou, o brilho travesso iluminando a face ainda arrasada.

- Aliais. Acho que vamos ter que fazer algumas alterações, sabe.

- No quê?

- Pra começar- insinuou, tomando o rosto de Near em suas mãos- vou ser legal e te ensinar a beijar direito.

Alguns minutos antes.

E eram só os dois ali naquele quarto. Ele jazia, silencioso, sob um dos travesseiros.

O loiro sorriu, num rosto que era inteiro vingança.

Um grosso dicionário de alemão foi erguido, e ele sentiu todo o peso daquelas páginas em capa dura, com um prazer sádico.

Antes que pudesse pensar, jogou a vitima no chão, só isso já motivo suficiente de trauma. Mas ainda não era o bastante!

Ninguém pode ver os seus últimos momentos, antes que o livro caísse, estrondoso e eficaz, sobre seu corpo, sempre tão resistente, agora deliciosamente frágil.

Mello deixou a arma lá, e saiu da cena, quase gargalhando.

Ah, aquilo era bom. Muito bom.

Sua cabeça ainda doía pela pancada que Matt lhe dera, e agora pudera cumprir sua vingança onde mais doía no ruivo.

Um grito de pavor foi ouvido por todo o orfanato, e além até.

Assassino!- Matt berrava, com os restos de seu companheiro nas mãos- Mello, seu assassino miserável!

E foi assim que um inocente Game Boy Color pagou pela rixa entre os dois.

Ah, mas aquilo não ia ficar assim.

Decidido, Matt ergueu-se, recomposto das lágrimas.

Agora sim, estava disposto a fazer aquela besteira.

Porque, se era guerra,

Que fosse.

Notas finais
Ficam os avisos de sempre.
E um sincero ''obrigada'' a todos que leram~~
Aaaté,
Kalhens.