Nem Sempre É Feliz Como Dizem...
10 O Final.. nem sempre é como dizem...
Notas iniciais
JIN
Sieg havia me deixado em casa e fora ajudar Mari na estação, tomei um banho e liguei a TV, estava tudo perfeito, principalmente agora que a azulada ia embora, eu sei que Sieg a deixou pra ficar comigo, mas eu ainda tinha ciúme e me sentia melhor sabendo que ela iria embora.
Ouvi alguém bater na porta e fui atender.
– Olá Jin – Disse Azin com aquele sorriso imundo no rosto.
– Voltou pra apanhar mais Azin? –
– Ora, ora o tomate está nervoso – Disse ele sorrindo.
– Escuta aqui – O segurei pela camisa – Daquela vez eu impedi que o Sieg acabasse te matando, mas eu, diferente dele, sei me controlar e não me importaria de bater só um pouquinho nessa sua cara.
– Deveria ficar nervoso com outras coisas Jin, com o Sieg mesmo por exemplo – Disse ele ainda sorrindo.
– Por que está dizendo isto? – Perguntei o soltando.
Ele se afastou um pouco.
– Bom, sabe o que a Mari disse a ele hoje mais cedo? – Perguntou ele.
Como diabos ele sabia da conversa do Sieg com a Mari, será que ele ainda andava nos seguindo e tirando aquelas fotos?
– Como sabe que a Mari veio falar com o Sieg? – perguntei com a voz ríspida.
Ele soltou uma gargalhada e se aproximou.
– Simples, meu caro amigo, porque fui eu quem disse para ela fazer aquilo – Respondeu ele.
– C-como assim? Por quê? – eu estava ficando confuso com aquilo tudo.
– Você á mais burro que parece não é Jin? Não se lembra mesmo? – Perguntou ele.
– Me lembrar? Do que está falando? Diga logo e pare com esses joguinhos! –
– O Dio disse que vocês pagariam.. Nós só usamos a Mari para atrair o Sieg até lá – Disse ele.
– Atrair o Sieg? Por quê? O que Dio pretende fazer? – Segurei ele novamente por causa do nervosismo.
– Dio não me disse o que pretende fazer Jin, e eu não te diria se eu tivesse me contado, mas eu confio nele para agir sem esse conhecimento –
Peguei o celular e liguei para Sieg mas só dava fora de área.
– Droga, não funciona – reclamei.
– Acha mesmo que o atrairíamos para um lugar aonde você pudesse avisá-lo? Dio pensou nisto Jin, estamos sempre um passo a frente – Disse ele sorrindo.
Eu estava realmente preocupado então corri até o ponto de ônibus, por sorte o ônibus para a estação estava parado no ponto então subi, percebi que Azin subiu também, fui até o fundo para ficar próximo a saída e Azin me seguiu.
– Por que está vindo também? – Perguntei
–Acha que eu perderia a vingança do Dio? – Disse ele sorrindo.
Assim que chegamos percebi que o local estava bem vazio, acredito que por ser um pouco tarde, corri para a plataforma de embarque do metro para o Norte e então pude ver Sieg observando o trem sair. Corri até ele.
– SIEG! – Gritei fazendo com que ele se virasse para mim.
Assim que o alcancei e percebi que ele estava bem comecei a olhar em volta para ver se achava Dio, percebi que Azin estava parado encostado num pilar nos observando e indicou pro lado com a cabeça. Olhei e percebi que um trem estava chegando à outra plataforma. Assim que parou Dio saiu apontando uma arma para nós.
– Di-Dio – gaguejei com medo.
Sieg não tinha o visto ainda, mas assim que me ouviu olhou para o lado e me puxou pra perto.
– Dio! O que pensa que está fazendo? – perguntou Sieg.
Dio se aproximou mais rindo, algumas pessoas que estavam passando saíram correndo em direção a saída.
– Não é obvio Sieghart? – Disse Dio.
Azin se aproximou dele correndo.
– Dio o que é isto? O que esta fazendo? – Perguntou ele parecendo assustado também.
– Ora Azin vamos lá, você consegue ver – Disse Dio.
– Está indo longe de mais Dio! – Disse Azin parecendo meio desesperado.
– Se quiser pode ir embora, não faz diferença – Respondeu Dio. Alias, você me dizendo que estou indo longe de mais? Que moral tem pra me dizer isto? Você ia fazer que ele fosse expulso – Disse Dio soltando uma gargalhada que o fez parecer estar possuído.
– Dio, por favor, se acalme e escute o Azin, você está indo longe de mais, as pessoas o viram com a arma, logo a policia estará aqui e – CALA A BOCA! – gritou Dio interrompendo Sieg.
– EU NÃO TENHO NADA A PERDER! SABE POR QUE? PORQUE VOCÊ ME TIROU TUDO QUE EU TINHA! – Gritava Dio sorrindo.
– E-ele está louco – Disse Azin se afastando um pouco de Dio.
– Do que está falando Dio? O que eu tirei de você?! – perguntou Sieg me segurando pelo pulso.
– Meu orgulho, mas isto é o menos importante, você me tirou a pessoa que eu amava! Por sua culpa ela não está mais comigo! – Respondeu Dio.
– Ainda não estou entendendo Dio, de quem está falando? – perguntou Sieg tentando manter a calma.
– REY!!!!! Por sua culpa ela me deixou, por ter me ouvido concordar com os planos do Azin para te expulsar! Mas nada disso importa agora Sieg – Dio agora apontava a arma para mim – Pois eu irei tirar de você a pessoa que você ama!!!!! – Gritou Dio antes que eu pudesse ouvir a arma disparando.
Fechei os olhos por um instante esperando que a dor viesse de alguma parte do meu corpo, mas ela não veio, assim que abri os olhos percebi o porquê, e aquilo fez com que meu peito doesse da mesma forma que uma bala faria.
Sieg havia entrado na minha frente e tinha sido atingido um pouco abaixo do pescoço, a bala não chegou a atravessa-lo, mas ele caiu. Um desespero tomou conta de mim, me abaixei e o virei para ver como ele estava. Ele olhou para mim e depois me examinou com uma das mãos.
– Parece que você esta bem não é? – Perguntou ele.
Não consegui segurar o choro, ele estava preocupado comigo após ser baleado em meu lugar.
– Por que fez isto? – As lagrimas corriam pelo meu rosto.
Ele sorriu.
– Porque eu amo você Jin –
Olhei para o lado para ver se alguém podia me ajudar. Azin estava paralisado olhando para o nada e Dio estava ajoelhado no chão segurando a arma chorando e rindo ao mesmo tempo, ele estava completamente louco. Gritei chamando por ajuda, mas ninguém apareceu. Sieg tossiu e assim que me virei para ele percebi que sangue saia de sua boca mas ele ainda estava sorrindo olhando para mim.
– Não, não, não! Sieg aguenta firme, eu vou ligar pra ambulância e eles vão te ajudar- Peguei meu celular mas Sieg colocou sua mão sobre a minha.
– Você não vai conseguir Jin, não tem... como entrar em contato... com ninguém aqui debaixo – Disse ele muito ofegante.
Joguei o celular para o lado e coloquei as mãos sobre o ferimento para tentar conter o sangue.
– Mesmo nessa... Situação... Você cuida de mim – Disse ele sorrindo e tossindo as vezes.
– Para de falar! – gritei desesperado.
Ele colocou uma das mãos no meu rosto.
– Desculpa Jin, eu não pude... ficar com você – Disse ele.
– CALA A BOCA! – Gritei novamente – Para de falar! Por favor, para – eu mal conseguia falar com aquela dor que estava sentindo por vê-lo daquele jeito.
– Não adianta Jin, parece que você vai ter que continuar... Sem mim — Eu te amo Jin – Disse ele começando a fechar os olhos.
O beijei e pude sentir o gosto do sangue em minha boca.
– Eu também te amo Sieg, mas, por favor, fica comigo, não me deixa, não vou conseguir sem você... Por favor – Não sabia mais o que fazer.
– Não se preocupe Jin, eu sempre.... vou estar com você – Disse ele antes de fechar os olhos por completo.
– SIEG! SIEG! SIEEEEEG!!! – Gritei mas ele não demonstrava nenhum tipo de reação. – Não! Por favor, não!!!!!! – O abracei chorando.
A policia chegou e algemaram Dio que se quer reagiu, foram até Azin também e poucos instantes depois os paramédicos chegaram, acredito que alguém tenha avisado que ouviu o tiro e da possibilidade de haver algum ferido, eles vieram até mim e me pediram para me afastar.
– NÃO! POR QUE NÃO CHEGARAM ANTES?! – Gritei ainda abraçado ao Sieg.
Um dos paramédicos me segurou pelo braço e então senti uma picada, meu corpo foi ficando pesado, eles tinham aplicado algo em mim, provavelmente algo para me apagar. Apertei Sieg com mais força e o chamei mais uma vez.
– Sieg... Acorda.. Por favor... Eu te amo.. – Ele não se mexeu e então tudo ficou escuro.
Acordei numa maca no hospital da capital com Amy do meu lado.
– Cadê ele?! Onde ele está? Cadê o Sieg – tentei me levantar mas não pude porque estava preso na maca.
Amy me olhou com tristeza.
– Amy, por favor, onde ele está? Me leva até ele! – Comecei a chorar de novo.
Amy se aproximou um pouco e colocou a mão sobre a minha.
– Jin se acalma, por favor – Disse ela.
– Então me deixa ver como ele está – Pedi quase implorando.
– Você não pode Jin – Respondeu ela antes de uma lagrima descer do seu olho esquerdo.
– Por que não Amy? Por favor, eu amo o Sieg –
Ela me abraçou.
– Jin, ele se foi – Aquelas palavras chegaram até mim como uma lança me atravessando bem no meio do peito.
Não consegui mostrar qualquer reação, Amy então me soltou e saiu do quarto. Naquele momento o meu coração parecia ter sido cortado ao meio por um punhal, a pessoa que eu mais amava no mundo, a primeira pessoa que eu pude dizer que amava de verdade, a pessoa que me fazia me sentir bem só por estar com ela, estava morta. Eu só conseguia pensar no rosto dele naquele mesmo dia mais cedo enquanto estávamos em casa. Se eu não tivesse o deixado ir, ele ainda estaria comigo, era tudo culpa minha, Dio só se vingou dele por minha culpa. Fiquei pensando em tudo o que passamos até que Amy voltou com um policial. Eles me disseram que Dio tinha sido preso assim como Azin que foi considerado cúmplice e que Mari assim que soube o que Dio havia feito se entregou para policia e também fora presa. Acho que a intenção da Amy era fazer com que eu me sentisse melhor.
– Isto é o certo, mas não traz ele de volta – Respondi assim que ela terminou de falar.
– Jin, você não pode ficar assim – Disse Amy.
– Não me diga que eu não posso ficar assim porque você não faz ideia do que estou sentindo! – Disse com a voz mais alta do que pretendia.
– Jin, por favor, eu sou sua amiga, a família do Sieg esta arrumando tudo para o velório, querem enterra-lo ainda hoje, não gostaria de estar lá também? – Disse Amy segurando minha mão.
Ela tinha razão, eu não podia mudar o que havia acontecido, e queria vê-lo por uma ultima vez, então concordei que não faria nada de inesperado e Amy disse aos médicos que podiam me soltar. Fomos até a casa do Sieg. Havia um carro a mais no quintal, assim que entramos vimos um casal parado na sala abraçados e o Kuro estava deitado logo aos pés da mulher.
– Você! Era você que estava com ele não é – Disse uma mulher de aparentemente uns quarenta anos que acreditei que fosse a mãe dele.
– S-Sim – Respondi esperando que ela fosse descontar toda a raiva de ter perdido o filho sobre mim, entretanto ela me abraçou.
– Ele sempre falava de você sabia, de como você o deixava feliz quando estava com ele, ele queria nos apresentar para você na semana que vem – Disse ela me apertando e chorando.
Não sabia o que fazer. A única coisa que consegui fazer foi abraça-la e chorar.
– Como está se sentindo garoto? – Perguntou um homem também com aparentemente uns quarenta anos, devia ser o pai dele.
A mulher me soltou e então o homem se aproximou.
– Sabe, nunca pensei que o Sieg que era tão famoso com as garotas fosse acabar com outro rapaz – Disse ele.
Eu o entendia, acho que ninguém nunca espera que o filho faça essas coisas, não me importaria se ele dissesse que não concordava com o nosso relacionamento.
– Mas se ele estava feliz com você – Disse ele pondo uma das mãos no meu ombro – Quem sou eu para dizer algo? – Ele sorriu mesmo naquela situação o que me fez ficar feliz, mas ao mesmo tempo muito triste, por saber que eu e Sieg poderiamos ser felizes juntos. Conversamos um pouco e então o celular do homem tocou. Kuro veio até mim e eu o peguei, a mulher sorriu tentando parecer pelo menos um pouco feliz.
– Eles disseram que já podemos ir – Disse o homem desligando o celular.
– Vem conosco Jin? – perguntou a mulher.
– Se eu puder.. – Respondi.
Ela colocou o braço ao redor dos meus ombros.
– Jin, você é a pessoa que meu filho amava, é parte da nossa família – Disse ela sorrindo.
Fomos até o carro e Amy veio conosco.
Eu nunca havia se quer visto nenhuma das pessoas que estavam presente no velório, a maioria estava vestida com ternos e vestidos pretos, o que me fez lembrar que eu ainda estava com a camisa da universidade, mas eu realmente não estava nenhum pouco importado com aquilo agora. Assim que entrei pude ver que no meio da sala estava o caixão com vários arranjos de flores dos lados. A dor no meu peito crescia a medida que eu me aproximava. Assim que cheguei ao lado do caixão e pude vê-lo ali, não pude conter o choro. Ele estava ali, como se dormindo e a qualquer momento fosse se levantar e dizer algo como “ Então você não se aguentou e veio me ver dormindo não é Jin?” Esperei que isso fosse acontecer mas ele não se moveu, o sorriso de sempre não estava mas em seu rosto, ele só estava deitado, sem qualquer expressão. Naquele momento quis estar morto também, quis que a bala tivesse pego em mim. Algumas das pessoas começaram a me olhar, eu me abaixei colocando a mão sobre as mãos dele e o beijei na testa.
– Eu sempre vou amar você Sieg –
Vieram me dizer que o caixão seria fechado, assim que colocaram a tampa varias pessoas começaram a chorar, e para mim foi como se tampassem o Sol, senti que eu já não tinha algo que me mantivesse vivo, acompanhamos o caixão até o cemitério, vimos quando enterraram e quando colocaram a lápide com a frase “ Admita, você esta olhando para a lapide da pessoa mais bonita desse lugar. Eu sei”. Aquilo era realmente a cara dele, ficamos todos ali por algum tempo até que uma chuva começou a cair, as pessoas começaram a ir embora deixando uma flor para ele. Logo só estavam os pais dele, Amy e eu.
– Nós precisamos ir, ainda temos que resolver o que fazer com as coisas da casa, quando puder, passe por lá, gostaríamos que nos ajudasse – Disse a mãe de Sieg se aproximando e me abraçando.
– Tudo bem, gostaria muito de ajuda-los... – Respondi.
– Acho que é melhor que você fique com esse aqui – Disse o pai de Sieg segurando o Kuro no colo.
Aproximei-me e peguei o Kuro.
– Vou cuidar bem dele – Respondi
– Não se esqueça Jin, você é parte da nossa família, pode sempre contar conosco se precisar – Disse a mãe, abraçando o marido e indo em direção ao carro.
Eles se foram então eu me aproximei mais da lapide e me abaixei, a toquei, era gelada, assim como as mãos dele, algumas lagrimas caíram dos meus olhos.
– Jin, ele fez o que fez para te proteger – Disse Amy tocando meu ombro.
Levantei ainda olhando para a lápide.
– Ele queria que você vivesse, mesmo que isso custasse a vida dele Jin, ele te amava – Disse ela.
Me virei para ela.
– Não precisa me dizer que ele me amava Amy, eu sei disso e também sei que ele deu a vida dele para que eu pudesse viver. Mas a verdade é que sem ele aqui, eu não quero mais viver.. – Sai do cemitério andando pela chuva sem um destino, com a esperança de que enquanto andava fosse ouvir ele me chamando... Mas não aconteceu, eu estava sozinho...
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