Nem Mais Uma Palavra
4 A Lenda do Pôr do Sol
Notas iniciais
1 — Matilhas
Havia duas matilhas: a de lobos brancos e a de lobos pretos.
A matilha branca tinha o dever de espalhar a luz, formando assim o dia.
A matilha preta levava escuridão, formando a noite.
As matilhas nunca se cruzavam, mas em um dia onde a noite já jazia, um lobo branco, chamado Yang, se distanciou do amanhecer encontrando uma loba preta, Yin, que estava seguindo o caminho contrário da noite. Era a primeira vez que encontravam um lobo de outra matilha.
Quando se aproximaram, o mundo parou e formou-se o pôr do sol, o equilíbrio do dia e da noite.
2- Dias Nublados
Eles tiveram de se distanciar para seguir o dia e a noite, mas sempre se encontravam no — agora criado — pôr do sol.
Sentiam como se tivessem sido destinados a criar aquela união, para manter o equilíbrio.
Quando as matilhas tiveram conhecimento da união tentaram separá-los, porque para eles aquilo era errado, eram inimigos, aquilo não existia, eles temiam o surgimento do desequilíbrio.
Mas não sabiam que, ao separá-los, o desequilíbrio que nunca se fez presente surgiu, formando os dias nublados e tristes.
Segundo a lenda, um dia Yin e Yang se encontrariam, mas o dualismo foi quebrado, o destino silenciado.
3- Mistério
Os dois decidiram manter seus encontros secretos, mantendo seu amor alimentado e o equilíbrio do mundo.
Eles amavam-se tanto que suas almas transformaram-se em energias complementares.
Agora, havia um pouco da noite em Yin, e havia um pouco do dia em Yang, mas havia pôr do sol nos dois.
As matilhas seguiram seus rumos, não interferindo mais na união, para que assim o desequilíbrio não retornasse.
Com este mistério dos opostos, Yin e Yang se complementam até hoje. No bem e no mal; no claro e escuro; no silêncio e som; no calor e no frio. E nunca ficam separados.
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