Neko...?!

2 Viver como cão e gato.


Notas iniciais
Viver como cão e gato: Viver ás turras, em constante conflito.
Embora alguns discordem, esse tipo de convivência não é tão necesariamente ruim como se faz parecer... Digo, para quem observa de fora.

Eu ainda estava em choque, assimilando todo aquele excesso de informações jogadas na minha mente em tão pouco tempo, e tentando buscar alguma razão naquilo tudo quando sinto algo macio deslizando pelo meu braço.

- Mas o que... – Olhei para o lado vendo uma cauda preta e levemente felpuda.

Eu queria acreditar que não estava ficando louco. Mas tava difícil.

- Você espera mesmo que eu acredite que você é o Kanda?- Comentei erguendo uma sobrancelha.

Sério, aquilo era muito absurdo.

- Mas você é burro, heim? – Retrucou, me fazendo parar um pouco para reparar na sua voz.

E parecia muito com o miado daquele gato.

- Ah qual é... Você deve ser algum cosplayer, sei lá, um muito bom mesmo. E deve ter acontecido algo ontem e... – Acabei parando no meio da frase com o olhar psicopata que ele me mandou.

Ok, agora estou muito tentado a acreditar.

- Tá legal, então me diga algo que só aquele gato maluco poderia saber e... AIAIAIAIAIAAI!!! SOLTAAAAAA!!!!! – Berrei desesperado quando ele mordeu minha mão parecendo um Rottweiler.

Esquece, ele é o Kanda.

- Bem... – Começou lambendo uma das mãos enquanto eu me encolhia assustado no canto da cama. Aquele infeliz quase arrancou minha mão. – Você dança macarena quando está bêbado, e depois fica rebolando que nem uma vadia, e depois fica cantando com uma vozinha aguda,e depois fica fazendo coisas esquisitas com o sofá, e depois...

- Tá tá, já chega. Eu acredito em você. – Falei vermelho imaginando o que mais eu não tinha feito ontem.

- Tch.

- Mas... Er... O que você é... Exatamente? E, a Road sabe? – Comecei a perguntar, colocando os pensamentos no lugar enquanto ele permanecia deitado, balançando a cauda de um lado para o outro.

- Eu sei que eu não sou uma pessoa, e nem um gato. E sim, a mamãe sabe sim. – Falou simplesmente, lambendo a outra mão.

Sorri bobo. Ele ficava tão fofinho chamando a Road de “mamãe”...

- E de onde você veio? – Perguntei interessado.

- De marte. – Respondeu cínico, me olhando de lado. – O que? Acha mesmo que só por que descobriu sobre mim eu vou fazer um dossiê da minha vida pra você?– Indagou arrogante – Não seja estúpido!

Sem sombra de dúvida. Só podia ser o endemoniado do Kanda.

- Então dá pra explicar pelo menos o que aconteceu ontem? – Perguntei tentando me manter paciente.

-Você bebeu que nem um alcoólatra, jogou uma câmera no aquário, deu uns pegas no abajur, gritou uns palavrões na varanda, fez mais um monte de coisas esquisitas e depois me agarrou e ficou dançando valsa de um lado para o outro, subiu as escadas e capotou. – Resumiu indiferente me lançando um olhar rancoroso quando falou da valsa.

- E por que você está... Er... Assim? – Perguntei finalmente apontando para o fato de que ele completamente pelado, apenas com a coleira.

- Ô retardado, você já viu gato usar roupa? – Respondeu “educadamente”.

- Ah... Entendi. – Respondi meio sem graça, parando para reparar na situação. – Então... Já que você esta assim, é melhor eu procurar algo pra você vestir... – Murmurei me levantando e vendo que eu estava do mesmo jeito de ontem, até com os sapatos.

- Tch que saco. Por que sempre que eu tô nessa forma vocês ficam enchendo o saco com isso? Quando eu sou um gato ninguém se incomoda. – Resmungou irritado, se levantando do jeito que estava e indo em direção a porta.

- Hey, onde vai? – Perguntei em meio caminha ao closet.

- Tenho roupas na mala. – Respondeu saindo sem me dirigir o olhar, virando apenas uma das orelhas.

- É melhor eu ir atrás da Lenalee... – Comentei indo em direção a porta também, mas antes que eu pisasse fora do quarto, Kanda se materializou do nada e se jogou em cima de mim, me prendendo no chão com um braço de cada lado do corpo e as garras afiadas suavemente pousadas sobre meus pulsos.

- Não, você não vai. – Respondeu em tom travesso, aproximando o rosto perigosamente do meu.

Me pergunto se ele tinha alguma noção do que tava fazendo.

- P-Porque? – Respondi nervoso enquanto ele chegava mais perto.

- Por que... — Aproximou a boca do meu ouvido, fazendo seus caninos levemente mais acentuados roçarem na minha orelha – Tá na hora do almoço e eu estou com fome. – Respondeu por fim, saindo de cima de mim e sumindo pelo corredor.

Respirei fundo.

Essa com certeza será uma longa semana...

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Depois do almoço, Kanda já estava devidamente vestido e deitado no sofá assistindo a segunda parte do seu documentário sobre Serial Killers. Segundo ele, iria permanecer na sua forma “humana” (ou seja lá o que aquilo fosse), já que não tinha mais necessidade de ficar fingindo e também estava com preguiça demais para isso. Parecia que o álcool o havia feito perder o controle de sua transformação e por isso havia acordado assim.

Enquanto ele levava sua vida de gato preguiçoso calmamente, eu tentava ligar para Lenalee ou descobrir onde ela estava para esclarecer a situação. Mesmo que nós não tivéssemos um relacionamento amoroso, nós nos respeitávamos, e por isso não tínhamos outros parceiros (não que o outro soubesse, pelo menos), então eu imaginava o quão brava ela estava.

Já devia fazer uma hora, e eu já tinha ligado para todos os meus amigos e todas as amigas dela, e pelo que eu soube, ela tinha ido passar uns dias na casa do irmão mais velho dizendo apenas que nos tínhamos tido uma discussão boba, mas não queria me ver por enquanto.

Suspirei pela milésima vez no dia. Aquilo ia me dar muita dor de cabeça ainda...

- Oe, você. – Olhei para trás vendo Kanda apoiado nas costas do sofá, olhando para mim com as orelhas em pé e uma cara de quem dormiu até agora.

- O que é? – Respondi tentando não ser mal educado.

- Eu quero leite. – Engraçado como ele nem se importava em pedir descentemente.

- Vai buscar.

Gato preguiçoso!

- Não sei onde fica.

- Na geladeira.

- O que é uma geladeira? – Perguntou pendendo a cabeça levemente de lado.

Admito, ele ficava muito bonitinho fazendo aquilo.

- Como você sabe o que é um abajur e não sabe o que é uma geladeira? – Indaguei revoltado.

- Não sabendo.

Suspirei pesadamente apontando para o eletrodoméstico.

- Aquilo é uma geladeira. Agora se vira que eu tô ocupado. — Respondi me virando e tentando achar o número do Komui, mas parece que sempre que você precisa de uma coisa ela some.

Sem mais nenhuma palavra, Kanda saiu em direção a cozinha.

Em menos de um minuto ele volta completamente ensopado de leite e com a jarra presa na cabeça.

Não agüentei.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAAAAAA – Ri que nem um maníaco, derrubando o celular e me dobrando no chão de tanto rir.

- hmhfmhhhhuhummmf! – Ele tentou falar, mas todo o som foi abafado pela jarra, só me fazendo rir mais ainda com a cena.

- HAHAHAHHAHAHAHAHA!!! – Continuei rindo enquanto ele tentava tirar o troço da cabeça.

- HHHMMMFF!!!HUMPFHUMPFHUMHUMPF! – Protestou irritado e eu entendi menos ainda.

- HAHAHAHAHAHAAA... AIAIAIAIAIII!!! PARA COM ISSO! EU VOU AJUDAR!- Parei de rir com muito custo quando ele começou a me chutar puto da vida.

- Ok, vejamos... Se segure na mesa. – Expliquei, indo para o outro lado da mesa da cozinha e começando a puxar.

Depois de uns dez minutos apanhando para a jarra, um barulho de vácuo *pop* ecoou alto pela cozinha e eu quase bati na pia com a jarra na mão.

- Nyuuu... Eu tô surdo... – Comentou com uma carinha desolada, apertando as duas orelhinhas de gato. – E a culpa é TODA SUA SEU MALDITO! – Berrou completamente irado de uma hora para outra, pulando para cima da mesa com o olhar mais psicótico que eu já vi.

- AAAAHHHH TEM UM GATO MALUCO ATRÁS DE MIM!!! – Sai correndo para a sala, com ele na minha cola.

Mal avancei uns três metros e senti suas garras nas minhas costas.

- EU VOU TE ESFOLAR!! – Praticamente rosnou, me derrubando no chão e me atacando com mais uma série de arranhões brutais.

- AAAAHHHHH!!! ISSO DÓI CACETE! – Protestei virando de frente e tentando imobilizá-lo, mas ele mordeu minha mão.

- VOU TE MATAR FILHO DA PUTA!!! – Continuou arranhando meu peito agora, enquanto eu tentava tirá-lo de cima de mim com a mão que ele não estava mordendo.

Saímos rolando pelo chão engalfinhados, até que eu achei uma abertura nos seus ataques e consegui puxar sua cauda.

- MEEEEOOOWWW!!!! – Miou assustado, se arrepiando inteiro e pulando para trás, me dando a chance de imobilizá-lo contra o chão.

- Sshhhh.... Quietinho agora... – Sussurrei em sua orelha, fazendo-a se agitar.

Ah... Então alguém aqui é sensível na orelha...

-ME LARGA! – Protestou se debatendo embaixo de mim.

- Não. – Respondi com um sorriso malvado assoprando na sua orelha logo em seguida, sentindo-o se arrepiar contra minha pele, já que ele tinha simplesmente destruído minha camisa com aqueles arranhões.

- EU VOU ARRANCAR A SUA CABEÇA E DEP... Awnnn... P-Pare com isso... – Mordisquei levemente a ponta da sua orelha, vendo-o praticamente semicerrar os olhos, se debatendo bem mais devagar agora, com o rosto completamente corado.

- Se você não se comportar, eu vou continuar mordendo sua orelha. – Ameacei, fazendo-o me lançar um olhar indignado.

- Eu deveria te denunciar a sociedade protetora dos animais, sabia? – Respondeu emburrado.

- Vou interpretar isso como um: “Sim, vou ser um gatinho obediente a partir de agora”. — Falei com um sorriso de canto, me levantando do chão com ele nos meus braços e começando a subir as escadas.

- O que pensa que está fazendo? – Perguntou ainda emburrado enquanto segurava as orelhinhas por precaução.

- Vou te dar um banho, você está coberto de leite. – Respondi simplesmente. – Ou pretende se lamber ao invés disso? – Perguntei sacana.

- Algo contra? – Replicou erguendo uma sobrancelha.

- Você não conseguiria se lamber inteiro de qualquer maneira. – Dei de ombros abrindo a porta do banheiro.

- Consigo sim. Quer ver? – Ele encarou o que eu disse como uma provocação, se retorcendo nos meus braços e começando a lamber a própria coxa.

O que não seria problema se a cena não fosse extremamente erótica.

- K-Kanda já chega, não? – Murmurei ridiculamente nervoso.

- Por quê...? – Indagou ainda com a língua no joelho, me olhando pelo canto do olho.

Não Allen, você não está ficando excitando com um adolescente com orelhas e cauda de gato, personalidade irritante e que você supostamente deveria estar tomando conta como se fosse uma babá.

Mal passei um dia com Kanda e sinto que preciso de um psiquiatra.

- Então... – Comecei enchendo a banheira – Você não tem medo de água, tem? – Perguntei colocando-o no chão.

- Você que vai passar a ter depois que eu te afogar. – Respondeu insolente como sempre, tirando a roupa sem a mínima vergonha na cara e entrando na banheira.

Me pergunto como a Road não enlouqueceu ainda, levando em conta o tempo em que ela convive com essa criatura. Mas como ela também não é lá muito normal...

- Precisa de ajuda? – Perguntei tentando eliminar os pensamentos impróprios da minha cabeça.

- Não. – Respondeu distraído sem me dirigir o olhar, brincando com a cauda na água.

- Ok. – Respirei aliviado, saindo do banheiro antes que cometesse alguma insanidade.

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Depois de tomar um banho e fazer uns curativos, afinal eu estava completamente arranhado por causa daquele gato bipolar e surtado, comecei a arrumar a bagunça que ele tinha feito na cozinha. E por falar no diabo, ele ainda não tinha saído do banho.

Será que tinha acontecido alguma coisa?

Fui em direção ao banheiro e quando abri a porta quase infarto.

O banheiro estava completamente tomado por espuma. Parecia até que havia um monstro gigante lá dentro.

- Como diabos você fez isso? – Perguntei tão pasmo que não sabia se ficava impressionado ou irritado.

- Ah, e você jura que eu sei. – Sua voz soou do meio de toda aquela espuma e eu a segui para encontrá-lo.

- Kanda? – Chamei tateando a área perto da banheira em busca daquele gato maluco até encontrar algo peludo. – Kanda? É você?

- Se você puxar meu rabo de novo, eu juro que te mato. — Respondeu mal humorado.

Continuei segurando sua cauda, para não perdê-lo no meio da espuma , e sai procurando a ducha da banheira. Assim que a encontrei, sai molhando toda a área próxima, para dissolver a espuma, até encontrá-lo.

- Meow! – Miou surpreso quando a água fria caiu sobre sua cabeça, tremendo um pouco e fazendo uma carinha fofa que acabou com toda a minha vontade de esganá-lo.

Sério, ele joga muito baixo.

- Você é inacreditável, sabia? – Comentei balançando a cabeça negativamente enquanto enxaguava o cabelo do moreno.

Me sentei na borda da banheira, massageando sua cabeça para ajudar a tirar o shampoo dos seus longos cabelos escuros, depois deixando-os escorrer até pouco abaixo da cintura e começando a trabalhar nas suas orelhas, com cuidado para não deixar entrar água no seu ouvido.

Kanda apenas continuava brincando de fazer redemoinhos na água com a cauda enquanto tinha o olhar perdido, como se estivesse devaneando. Fiquei o fitando de perto, percebendo algumas coisas como quanto seus olhos eram vibrantes, até que ele ergueu as orelhas de repente fazendo algumas gotas água respingarem em mim.

- O telefone vai tocar. – Anunciou voltando a abaixar as orelhas, e antes que eu dissesse algo o telefone realmente tocou.

- As ondas de telefone causam interferência, eu só ouvi. – Explicou apontando para as orelhas, respondendo ao meu olhar pasmo.

- Ok, eu volto logo.

Corri até meu quarto e atendi o telefone. Era Lavi querendo saber o que aconteceu entre mim e...

Ah meu deus! Eu fiquei tão distraído com o Kanda que esqueci completamente da Lenalee!

Desviei do assunto e acabei pedindo para que ele viesse me encontrar aqui em casa amanhã e desliguei o celular. Suspirei. Eu devo ser o pior noivo do mundo.

Fui até o banheiro do corredor e me livrei de toda aquela espuma com um aspirador de pó (sim, a coisa tava tensa assim), para então descer para a sala encontrando Kanda no sofá, assistindo um documentário sobre tipos de pistolas, e usando somente uma camisa longa de mangas compridas que ficava mais ou menos no meio das suas coxas.

Esse infeliz faz de sacanagem.

Desviei o olhar para o meu aquário, que ficava perto da porta e... Espera um segundo...

- Kanda, onde estão os meus peixinhos dourados? – Perguntei em um tom realmente sério dessa vez.

- Juro que não fui eu. – Respondeu na maior cara de pau, empurrando o que sobrou de um deles para debaixo do sofá.

Ah seu bastardo maldito...

Vai ter volta.

Notas finais
E ai, quem gostou?
Será que Neko...?! merece recomendação? (eu estou obcecada com isso ultmamente, disfarça tá?)
Sério, me acabei escrevendo esse cap ( podem aguardar muito mais ataques bipolares por ai...), espero que tenham se divertido tanto quanto eu.
Até os reviews!
Kissu~