Neko...?!

5 1# Segunda-feira. Neko executivo.


Notas iniciais
Como citei no cap passado, teremos seis especiais que serão o que rolou de segunda a sábado por que eu odeio começar um cap com " uma semana depois...", então ai vai.
Divirtam-se~

Entrei no carro me sentindo estranhamente feliz, mas culpado por não ter tido uma conversa descente com Kanda ontem à noite. De qualquer jeito eu não tinha escolha, eu trabalhava no turno da manhã às segundas feiras e não podia ficar esperando que ele tivesse a boa vontade de aparecer.

Sim, por que nos passamos a tarde juntos, e quando eu me levantei para fazer o jantar ele voltou a forma de gato e... Sumiu.

Comecei a dirigir sem ficar puto com o transito caótico dessa hora a manhã pela primeira vez na vida. Como eu poderia me irritar com qualquer outra coisa quando minha mente estava tão inacreditavelmente dominada por pensamentos em relação aquele gato?

Mesmo ele tendo basicamente fugido da raia quando chegou a hora de encarar a realidade, as memórias de ontem a tarde estavam tão claras na minha cabeça que era quase como se eu pudesse ver diante dos meus olhos o rosto corado de Kanda, com aquela expressão envergonhada incomparavelmente adorável quando eu resolvi beijá-lo de volta; quase como se eu pudesse sentir suas mãozinhas tímidas passeando pelo meu corpo ou sua língua inexperiente se envolvendo com a minha em uma dança intensa e prazerosa...

Ok, é melhor eu parar antes que termine batendo o carro.

A primeira coisa que eu tinha hoje pela manhã, era uma reunião para apresentar a proposta de uma campanha publicitária para uma cliente importantíssima. E eu só não estava uma pilha de nervos por causa dos efeitos calmantes de um certo gatinho estressado. Ok, certo que nos não fizemos nada demais – até porque eu não quero assustá-lo – mas eu me sentia como se tivesse acordado de uma das melhores noites da minha vida mesmo sem ter dormido quase nada.

Entrei na sala de reuniões acompanhado de Tikky, que estava calmo e relaxado como sempre, e Lavi , que estava quase roendo as unhas dos pés. Afinal, a mulher que nos esperava era ninguém mais ninguém menos do que Cloud Nine, conhecida como dama de ferro, e por ter um gosto extremamente difícil de agradar.

E durante a reunião, bem... Digamos apenas que as coisas estavam indo de mal a pior. Ela passou a reunião inteira fazendo críticas deveras ofensivas a nossa proposta, e parecia disposta a ouvir o final dela apenas para criticar a nossa idéia ainda mais. No geral, a mulher era chata de doer, mal humorada e facilmente irritável por motivos que não me faziam sentido algum. Me lembrava até um certo alguém... E como por sacanagem do destino, no momento em que eu abro a maleta para tirar os papéis do contrato lá esta... Kanda em sua forma de gato, dormindo tranqüilamente em cima dos documentos.

Mas como...?

- Allen você ta bem? – Indagou Lavi percebendo como eu empalideci de repente.

Ai meu deus, como eu faço pra tirar esse gato daí sem que ninguém perceba? E pra completar, os documentos que eu precisava estavam no fundo da pasta, então não dava para simplesmente puxar.

- Algum problema? – Perguntou a loira com cara de poucos amigos, me fazendo suar frio.

Fiquei mais um segundo respirando fundo, e vendo que não tinha maneira de sair daquela situação, simplesmente abri a maleta tentando parecer o mais natural possível, como se fosse mega normal trazer um gato para o trabalho (onde aliás a entrada de animais é proibida), e comecei a procurar o documento sem acordar o bichano.

- Mas o que é isso? – Ela começou séria, e com um tom de irritação que fez um calafrio correr pelo meu corpo. Ferrou. – Que tipo de irresponsável traz um animal para uma reunião?! – Indagou me lançando um olhar fulminante.

- Er... É meu bichinho de pelúcia da sorte! – Sabe quando você tenta resolver uma situação e só piora? Meu caso.

- Oh, mesmo? Animais de pelúcia respiram? Muito engraçado senhor Walker, por acaso você se considera competente o bastante para ocupar um cargo de importância de uma empresa desse porte com esse tipo de comportamento?! – Continuou parecendo estressada (ou louca, nem a Lenalee nos seus piores dias de TPM era assim, e olha que ela me jogava sapatos quanto tava irritada).

E quando já estava tudo fodido, a coisa ainda conseguiu ficar pior.

Kanda levantou a cabeça, analisando a situação por um momento, e andou até a Sra. Cloud Louca Nine derrubando uma xícara de café em cima da mesma, que se levantou de imediato parecendo irada.

- Mas quem esse gato pensa que é?! – Praticamente berrou emanando uma aura maligna que fez o Lavi se esconder atrás da cadeira.

- Er senhora... – Tentei amenizar a situação (mesmo achando que foi mais do que merecido para aquela chata).

Mas como Kanda era Kanda e a palavra “quieto” não parecia existir em sua cabeça, ele mostrou a língua a mulher e depois chiou arrepiando os pelos da coluna.

- Você esta me desafiando?! – Indagou parecendo altamente ultrajada, encarando o pequeno gato a sua frente com uma expressão ainda pior que a anterior.

Kanda, você tem coragem.

- Meow!

- Tá querendo perder a vida, felino estúpido? – Praticamente rosnou, aproximando o rosto de Kanda que lhe mostrou os caninos afiados.

- Meeeeeoooow... – Miou em um tom arrastado e completamente psicopata como se dissesse que quem iria morrer era ela (e eu não duvidava nem um pouco).

E quando eu pensei que teria que interferir, a aura maligna em torno da loira desaparece e ela puxa Kanda para um abraço apertado.

- KAWAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!

... Quê?

Todos na sala, que estavam apreensivos com a reação da mulher de repente ficaram sem reação nenhuma.

Passei uns bons segundos com cara de idiota, assim como todos os presentes, observando-a abraçar e beijar o gatinho como se fosse mesmo um bicho de pelúcia.

Só pude chegar a duas conclusões, primeira, ela deveria estar no hospício e não na presidência de uma empresa, e segunda, se não parasse de agarrar meu Kanda nos próximos segundos eu iria arremessá-la pela janela.

- Vocês sabem por que eu nunca me casei? – Começou depois de parar com o surtinho, fazendo carinho entre as orelhas do gato. – Por que nunca encontrei nenhum homem com metade da coragem desse bichinho. – Concluiu deixando Kanda sobre a mesa e vestindo o sobretudo. E de repente o mau humor dela me pareceu explicável: Mal comida. Simples assim. – Então, eu vou dar essa chance as vocês. A proposta ate que é... Decente. Quero os documentos na minha casa até ás oito. – Falou por fim, dando um beijo no topo da cabeça do gato e saindo da sala junto com sua equipe.

Nos encaramos por um momento antes de respirarmos aliviados. Me joguei de qualquer jeito na cadeira, tomando um susto quando Kanda mudou de forma em cima da mesa e saltou para o meu colo.

- H-Hey...

- O Tio sabe. – Respondeu a minha pergunta incompleta dando de ombros.

Ah, então Road é a mamãe, e Tikky o tio? Isso é que é ver as coisas de um ângulo estranho.

Respirei aliviado (segunda vez em menos de cinco minutos) cobrindo-o com o sobretudo que eu usava enquanto ele se aninhava melhor no meu colo, brincando com a minha gravata.

- Pensei que você o odiasse. – Comentou Tikky se aproximando e fazendo um rápido cafuné entre as orelhas de Kanda.

Desnecessário dizer que se a resposta tivesse demorado mais de um segundo eu teria pirado.

- Er... Talvez... Eu tenha me enganado. – Murmurou o pequeno quase inaudivelmente, corando até a raiz dos cabelos.

- Kawaii... – Cantarolou Lavi morrendo de hemorragia nasal enquanto fotografava Kanda com o celular.

Percebendo o olhar assassino que eu mandava na direção do ruivo, Tikky tomou o celular do pervertido, jogando-o na minha direção e o arrastou para fora da sala murmurando algo sobre ir no banheiro se livrar de todo aquele sangue.

- Tikky e o coelho, heim? – Comentou Kanda com um olhar um tanto quanto... Mal intencionado.

- O que tem eles? – Perguntei sem entender.

- Você é cego ou é burro? Eu sinto o cheiro dos feromônios deles daqui. – Exclamou agitando as orelhinhas.

- Oh nossa... Nunca nem desconfiei. – Murmurei completamente surpreso. – Mas você parece feliz com isso. – Comentei fazendo-o parar de brincar com a minha gravata e focar o olhar no chão.

- Tikky pode não demonstrar, mas no fundo é bem solitário. Ele precisava de um cachorro. – Explicou brevemente me fazendo encarar-lo com cara de bobo, admirando sua capacidade de perceber as pessoas.

- Um cachorro? – Indaguei com um risinho. – Não seria um coelho?

- Ele precisa de alguém para abanar o rabo pra ele de vez em quando. — Falou mastigando a minha gravata com uma carinha tão fofa que eu nem tive coragem de reclamar.

- E você? Abanaria o rabo pra mim? – Perguntei sorrindo sacana e logo senti cinco garrinhas afiadas se encravando na minha perna, causando uma dor aguda.

- Você tem muito pouco amor a vida sabia? – Praticamente rosnou parecendo puto da vida. – Se você que um troço que babe, vá buscar a bolinha e pule em cima de você, compre um canino estúpido e não me enche! – Continuou ainda mais mal humorado, me lançando um olhar de gelar o sangue.

- Hey! Não quis dizer isso... – Me corrigi beijando suavemente sua orelhinha esquerda e o abraçando mais forte – Eu só queria saber se você seria feliz, estando ao meu lado... Sempre. – Sussurrei baixinho sentindo meu rosto corar um pouco enquanto ele ria divertido.

- Não estaria aqui se não quisesse sua companhia... Baka. – Respondeu com um sorrisinho de canto, se sentando no meu colo com uma perna de cada lado e mordiscando suavemente meu lábio inferior.

Sem pensar duas vezes, agarrei seus quadris, o puxando para mais perto, mas antes que meus lábios tocassem os seus ele abaixou o rosto rapidamente, me fazendo beijar sua testa.

- Kanda... Tudo bem? – Perguntei fazendo um leve carinho no seu cabelo, o deixando a vontade para encarar o chão por um momento já que ele parecia extremamente embaraçado com alguma coisa.

- Você... – Começou, mas parou de repente como se estivesse sem coragem para continuar.

- Eu...? – Incentivei-o a continuar, tentando me abaixar para ver sua expressão, o que só o fez esconder o rosto no meu pescoço.

- Seu cheiro... Me deixa quente também... – Comentou roçando o nariz no meu pescoço de um jeito que me arrepiou até o último fio de cabelo.

- Não era isso que ia perguntar. – Tentei usar um tom sério, mas o toque da sua pele na minha não me dava concentração para tal.

- Ontem... A Lenalee te atacou. – Começou suspirando, fazendo sua respiração quente bater no meu ouvido, causando uma nova onde de arrepios.

Santo autocontrole...

- Sim, continue. – Falei fazendo um carinho leve nas suas orelhinhas.

- E... Eu também te ataquei. Só que eu não corri. – Concluiu me fazendo finalmente entender o que o estava perturbando.

- Foi por isso que fugiu ontem? Achou que eu somente terminei o que você começou, é isso? – Indaguei e ele apenas encolheu levemente os ombros. – Quem cala consente Kanda... – Sussurrei com a boca colada no seu ouvido, fazendo-o se remexer inquieto no meu colo.

Passei um dos braços em torno da sua cintura, colando seu corpo no meu, e com a mão livre comecei a passar o indicador suavemente sobre a pele da sua coxa, causando-lhe um lento, porém intenso, arrepio, que o fez se encolher mais ainda contra o meu peito.

Na minha época de faculdade eu tive vários relacionamentos, tanto com homens quanto com mulheres, e ao final de cada um deles cheguei a mesma conclusão: Minha vida “amorosa” é uma merda. Não sirvo para isso e ponto. Por isso que eu havia aceitado me casar com a Lenalee, como seriamos sempre amigos e por sermos casados não nos envolveríamos com mais ninguém, eu não tinha que me preocupar com mais nenhuma frustração futura.

Acontece que todos, absolutamente todos, os relacionamentos que eu já tive, e que antes eu classificara como “normais” ou “bonzinhos até” foram para a única categoria de “sem sal” depois de uma única tarde com Kanda.

Ninguém nunca me fizera ficar fora de controle com apenas um toque, ninguém nunca ocupara meus pensamentos por mais de uma noite, e ninguém nunca causara tantos pensamentos pervertidos na minha cabeça em tão pouco tempo.

As sensações que eu julgava intensas após uma noite de sexo enlouquecedor nos alojamentos da faculdade não chegavam aos pés da eletricidade que percorria meu corpo pelo simples fato de Kanda estar respirando no meu pescoço.

Mas... Como explicar isso para aquele gato maluco se nem eu entendo?

- Isso te esquenta Yuu? – Sussurrei ainda com a boca colada na sua orelhinha sensível, subindo minha mão que estava em sua coxa até sua cintura, acariciando apenas levemente. – Se meu toque te faz se sentir assim, você nem imagina o que o seu faz comigo... – Continuei substituindo o toque leve por um forte e possessivo, puxando-o contra mim com uma mão e erguendo seu rosto corado na minha direção com a outra.

- O q-que está fa-fazendo...? – Murmurou parecendo assustado com a minha mudança súbita de atitude.

- Atacando você. – Respondi direto antes de entrelaçar uma de minhas mãos no seu cabelo e puxá-lo para um beijo intenso de tirar o fôlego.

Roubei seus lábios de maneira sedenta, fazendo-o recuar no começo e depois ir se soltando gradativamente, na medida em que se acostumava com a sensação, e logo eu já sentia suas garrinhas atacando levemente meu pescoço, seus quadris ainda mais colados aos meus enquanto ele passava as pernas em volta da minha cintura...

Não muito tempo depois, eu já o sentia cada vez mais entregue ao beijo, relaxando em meus braços, arfando adoravelmente quando minhas mãos acariciavam algum ponto sensível do seu corpo e inconscientemente me levando as raias da loucura com as breves mordidinhas em meu lábio combinadas com o roçar do seu corpo no meu e os movimentos tímidos porém prazerosos das suas mãozinhas travessas.

Parei o beijo relutantemente quando me lembrei que Kanda precisava respirar, sem conseguir evitar sorrir de canto ao vê-lo arfar pesadamente como se tivesse corrido uma maratona. Não que eu estivesse muito diferente.

Fiquei observando-o por um momento, apreciando o quanto seu rosto corado junto com o cabelo bagunçado e os lábios avermelhados e entreabertos o deixavam insanamente provocante. E tudo isso adicionado ao olhar nublado de desejo das suas orbes intensas, era praticamente um convite a perdição.

Mas como Kanda é Kanda, e provocar sem ter noção do que esta causando era o que ele fazia de melhor, a criatura ainda se inclina levemente sobre mim, fazendo seus longos cabelos acariciarem suavemente meu rosto, e sussurra bem ao pé do ouvido:

- Você... Definitivamente... Deveria me atacar mais vezes.

Ah, com todo o prazer...

Notas finais
Muah-ha-ha-ha-ha... O Allen-chan ainda perde o juízo daqui para o final da fic.
Gostaria de agradecer a Nicky Yume, Lolla Van Gryme, EverumKamily Kun, Nanda Chan e Azurichan pelas recomendações. Amei cada uma delas.
Para o próximo cap prometo apenas um ruivo bem ferrado.
Até mais~
Kissu