NejiTen? Sempre! Uma Comédia Romântica
31 À procura da carta
Notas iniciais
—Aqui está o meu dever, pai -disse Neji, entregando a Hizashi, que estava na cozinha, seu caderno.- Posso ir à festa?
—Eu respondo assim que eu terminar de ler o que você escreveu -falou o homem se afastando da panela.- É, parece que você fez direito. Nem doeu, não é mesmo?
—Meu braço tá latejando até agora de tanto escrever. Posso ir?
—Pode sim, mas vamos combinar um horário de chegada, pode ser?
—Tá bom.
—Que horas mesmo você disse que a festa iria começar? Às seis?
—Dez horas!
—Dez horas? Esse é o horário que eu ia mandar você voltar.
—Qual é, pai, vai todo mundo da minha turma. É na casa do Naruto, os pais dele concordaram. Não vai ter bebida nem nada ilícito. O senhor nunca foi jovem? Aposto que já saiu para esses tipos de festas.
—É, mas eu era adolescente e não criança.
—Quem é criança aqui? -perguntou Neji zangado.
—Que eu me lembre, você ainda tem quatorze anos.
—Um adulto praticamente!
—Só na sua mente distorcida. Vamos comer, já está passando da hora do almoço. Você vai para esta festa, mas eu vou deixá-lo e buscá-lo.
—O quê? Eu posso muito bem pegar um ônibus!
—Não tarde da noite. Qual é o problema? Estou me oferecendo para deixá-lo de carro e você prefere ir de ônibus?
—Eu prefiro ter minha liberdade.
—Ninguém aqui está querendo te proibir de nada.
—Mas...
—Assunto encerrado ou não vai ter festa nenhuma. Senta -ordenou ao filho, que obedeceu aborrecido.- Antes de sair, quero levá-lo à um lugar.
—Que lugar?
—Na hora eu lhe digo.
Naquele dia, mais tarde, a festa na casa de Naruto estava bombando. Da esquina dava-se para ver as luzes e ouvir a música. Hizashi dobrou com o seu grande carro na esquina da rua da festa. No banco do passageiro, Neji estava sentado com uma cara nada feliz.
—Pronto, está entregue -disse Hizashi ao filho ao parar em frente à casa de Naruto.
—É, eu notei -disse com a cara emburrada.
—Por que essa cara feia?
—É a única que eu tenho.
—Se não está se sentindo bem, podemos voltar, eu nem queria que você viesse para essa festa de qualquer forma.
—Não, é claro que eu vou ficar.
—Então melhore essa cara.
—É sua culpa!
—Minha? Vamos lá, não seja tão dramático.
—O senhor sabe que eu odeio aquele lugar e mesmo assim me levou lá.
—A última vez que o levei lá, você só tinha quatro anos, achei que já tivesse superado -disse sorrindo.
—Por que esse sorriso no rosto? Eu não achei graça nenhuma -exclamou abrindo a porta do carro.
—Ei, ei, cadê o meu abraço?
—Fala sério -disse Neji com a cara desgostosa.
—Prefere que eu seja agressivo?
—Tá... -disse Neji abraçando o pai.
—Você é chato, sabia? -falou enquanto o filho ainda o abraçava.- Amo você, divirta-se.
—Também te amo, pai, tchau.
—Cuidado!
—Tá bom.
—E não consuma nada ilícito!
—Tchau, vai logo!
—Ei, mocinho, eu ouvi isso.
Dentro da casa, haviam vários jovens, a maioria da sala de aula de Naruto. Neji logo avistou Tenten ao lado de Hinata.
—Oi -disse Tenten beijando o garoto na boca.
—Oi -respondeu secamente.
—Tudo bem? Você está um pouco estranho.
—Tá.
—Não esqueceu de nada, Neji? -indagou Hinata.
—Não que eu saiba, mas pela sua cara de raiva, eu acho que sim.
—Sério que você não se lembra?
—Se eu esqueci, como eu posso me lembrar? Diz logo!
—Combinamos de vir juntos! Tive que vir de ônibus sozinha.
—Ah, foi mesmo. Desculpe, é que o meu pai resolveu vir me deixar de carro. Por que não pediu para o seu vir deixar você?
—Tá brincando? Ele não faz nada por mim e você sabe muito bem disso.
—Essa festa aqui não tá me parecendo muito divertida -disse Neji olhando ao redor.
—E não tá mesmo -confirmou Tenten.- Acho que fomos a tantas festas que acabamos enjoando.
—Cadê o Naruto?
—Se mostrando por aí. Uns primos dele vieram e ele fica se gabando de como conseguiu namorar uma garota como a Sakura. Precisa ver, parece uma grande idiota.
—Eu tive uma ideia.
—Qual?
—Hinata, lembra que na semana passada o seu avô estava esquisito, bom, mais do que o normal?
—Não sei o proquê do "seu" avô, o avô também é seu, mas sim, eu me lembro.
—Enfim, eu estava passando no corredor e ouvir ele no quarto falando sobre uma carta secreta que ninguém poderia saber.
—E?
—"E"? Como você é lerda garota! Tenten?
—Nós iremos até o quarto dele e procuramos pela tal carta -disse a garota de coques.- Parece melhor do que essa festa aqui. E a minha adrenalina sobre toda vez que faço algo proibido. Vamos lá!
—O quê? -disse Hinata.- Vocês dois ficaram malucos? Eu não vou mexer nas coisas do vovô!
—Pois então fica aí sozinha nessa festa sem sal -disse Neji indo embora com Tenten.
—Espera -gritou Hinata, já do lado de fora da casa, correndo atrás de Neji e Tenten.- Eu vou com vocês.
—Ótimo -exclamou Tenten.- Sabe dizer se tem alguém em casa?
—Não, papai, vovô e Hanabi saíram para jantar fora e disseram que só voltariam mais tarde.
—Perfeito, não teremos que distrair ninguém para chegarmos no quarto do velho -disse Neji.
—É -concordou Hinata.- E não chama o vovô de "velho".
—E ele é jovem por acaso?
Os três pegaram um ônibus e em cerca de vinte minutos chegaram na casa de Hiashi. A residência estava totalmente escura.
—Você tá com a chave? -perguntou Tenten à Hinata.
—Estou sim -disse procurando por elas na bolsa.- Aqui estão -falou tirando as chaves e abrindo a porta.
—Vamos logo porque eles podem aparecer à qualquer momento -disse Neji subindo as escadas.
As meninas subiram logo atrás de Neji e os três seguiram para a porta do quarto do velho Hyuga.
—Está trancada -constatou Neji ao tentar girar a maçaneta.
—Ele deve esconder um grande segredo mesmo. Quem tranca a porta do quarto quando não está dentro? -disse Tenten.- Saim da frente, eu sei arrombar portas. Basta ter um clipe.
—Sei -disse Neji em tom debochado.
—Está dizendo que mulheres não conseguem fazer isso? -indagou Tenten indignada.
—Claro que não. Estou dizendo que você não consegue fazer.
—Seu... -disse Tenten boquiaberta, com ódio do namorado.
—Pronto, está aberta -disse Hinata, para a surpresa dos outros dois.
—Quem te viu, quem te vê, Hinata -disse Tenten impressionada.
—Eu disse que as mais quietas são no fundo as mais perigosas.
—Cala a boca, Neji -exclamou Hinata.
—Olha ela, expandindo o vocabulário para expressões feias -provocou Neji.- É feio mandar os outros calarem a boca, seu papai não te ensinou isso?
—Deixa ela em paz, Neji. Vamos logo procurar por essa carta e dá o fora daqui -falou Tenten entrando no quarto.
—Estou começando a achar que essa não foi uma boa ideia -disse Hinata apreensiva na porta, enquanto os outros dois vasculhavam gavetas e armários.
—Cala a boca, Hinata -disse Neji.
—Não me manda calar a boca!
—Olha, é melhor você nos ajudar a procurar essa maldita carta, porque daqui a pouco o velho vai chegar e eu só saio daqui sabendo o conteúdo dela. E lembre-se: foi você quem arrombou a porta do quarto. Não adianta se fazer de santa.
—Mas...
—Mas nada, vem logo!
—Tá bom -disse a garota adentrando no quarto e procurando pela carta na escrivaninha.
—O que é que vocês estão fazendo nesse quarto? -indagou uma voz vinda do corredor, paralisando Neji, Tenten e Hinata.
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