Neighbors
8 Capítulo 8
–Posso te fazer uma pergunta?
–Hm?
–Sem você me levar mal?
–Hm? – ergui uma sobrancelha.
–E sem você me dizer não? – Damon revezava em olhar para o transito e olhar para mim.
–Hm?
–Sábado, eu tenho um trabalho com um fotógrafo... – ele começou e passou a mão por seu cabelo. Mordia meus dedos esperando ele acabar de falar. – em Jacksonville.
Wow.
– E...?
–Eu queria que você fosse comigo – sua voz era suave e extremamente sedutora. Puta merda, como eu iria dizer não?
E como eu iria dizer sim? Quer dizer, eu o conhecia a menos de uma semana, por mais que tenha sido amizade instantânea acho que seria um pouco exagerado. Por outro lado, acho que seria um ótimo jeito de nos conhecermos melhor, afinal ele era a única pessoa que eu conhecia no estado e, do jeito que sou uma pessoa fechada, isso demoraria a mudar. Franzi o cenho. Hm, não era uma má idéia. Mas não queria dizer que era uma boa idéia. Podia ver Damon avaliando minha expressão por minha visão periférica enquanto pensava em minha resposta. Logo na segunda começaria minhas aulas, e indo sábado, talvez não ele não pretenda voltar antes disso, e não perderia meu primeiro dia na faculdade – por mais que quisesse isso -, no way.
–Não sei – mordi o lábio ainda pensando. Eu queria ir.
–Por favor, não quero ter que atravessar o estado sozinho – ele fez um biquinho.
Awn como ele conseguia ser tão fofo?
–Não sei Damon, — suspirei – tenho aula na segunda.
–Domingo à noite já estaremos de volta.
–Hm – assim sim.
Por um momento imaginei o escândalo que Isobel faria se soubesse que eu estava prestes atravessar o estado com um homem que eu mal conhecia. Mães, sempre tendo reações exageradas. Bom, ela não precisava saber...
–E aí? Vai me dar a honra de sua companhia?
Não pude deixar de sorrir.
–Não sei.
–Ah Elena, por favor!
–Ta bom, eu vou – revirei os olhos.
–Sério? – Damon abriu meu sorriso preferido.
–Sério.
–Mesmo?
–Mesmo.
–Sério mesmo?
–Se você continuar com isso, eu não vou a lugar nenhum. – disse entre dentes. Ele riu como resposta.
–Ok. – pausa – Hm, eu tenho uma casa de praia lá, então não precisa se preocupar com Hotel e etc.
–Ah.
Claro, ele tinha dinheiro. – e eu não fazia idéia do quanto. Pouco não era, pois é.
Eu não tinha roupas de banho, ah puta merda. Gemi ao pensar em ter que voltar no shopping e andar por horas gastando mais do que devia.
–O que foi?
–Não sei se tenho roupas adequadas par- ele me interrompeu.
–Não começa.
–É sério. – resmunguei. – Não acho que eu tenha roupas para ir a praia e...
–Por favor, não ponha obstáculos. Eu realmente quero que você vá.
–Eu não estou dizendo que não vou – expliquei. – Só...
–Só está arrumando uma desculpa para em cima da hora não ir – ele cerrou os lábios.
–Eu vou, ok? – mordi o lábio.
Ele revirou os olhos.
Olhei para a janela; já estávamos entrando na garagem. Como sempre, o tempo corria quando estava com ele. Suspirei alisando a ponta de meus cabelos. Damon estacionou sua Ferrari na vaga de sempre. Hesitei ao sair do carro, ele me encarava com um meio sorriso sugestivo.
–Que foi? – perguntei num sussurro.
–Nada. – suspira – Pretendo sair daqui às 3hrs da madrugada. Tem algum problema para você?
Imagina, eu adoro acordar de madrugada. Uau. Não poderia estar mais grata a ele por ter que acordar àquela hora. – pensei com ironia.
Claro que tem problema porra. Odeio acordar cedo.
–Não, estarei pronta – dei um meio sorriso.
–Você pode dormir no carro, ou quando chegar lá... São só 5hrs de viajem.
Só 5hrs.
Só.
–E você? Não vai ficar cansado?
–Estou acostumado a não dormir, Elena.
Acostumado a não dormir? Fazendo o que? – minha mente pervertida fez perguntas silenciosas.
Arqueei uma sobrancelha, meu rosto cheio de perguntas – não as pervertidas.
–Tenho insônia, é muito raro eu conseguir dormir por mais de duas horas em uma noite.
–Ah.
Subimos – usando as escadas, depois de muito implorar – em silêncio. Depois de uma rápida despedida pude finalmente entrar em meu apartamento. Sophie me recebeu com miados na porta. A pequena felina ronronava se enroscando em meus pés.
–Oi bebê – disse e a peguei no colo. – Sentiu minha falta? – ela miou.
Fui até a dispensa e peguei um pouco de sua comida, vendo que o pote onde que havia deixado cheio, não tinha mais nem um grão. Sophie devorou a comida e depois bebeu uma grande quantidade de água. Eu estava sentada no sofá a observando. Tão linda e tão pequena. Assim que terminou, se espreguiçou e veio em minha direção, arranhando o sofá.
–Não pode – disse de maneira carinhosa a pegando mais uma vez e a colocando do meu lado. Acariciei os pelos da gata até que ela dormisse. Olhei para o relógio na parede da cozinha, não se passavam das 17hrs e eu estava morrendo de sono. Bocejei involuntariamente e decidir tomar um banho para lavar meus cabelos – de novo. Assim que o fiz, arrumei a casa pela segunda vez na semana, entediada. Terminei a tarde assistindo filmes ruins na TV, uma coisa que eu raramente fazia. Entediada, resolvi arrumar a bolsa para viajem. Separei as roupas mais leves que tinha que eu ainda considerava descente. Fiquei totalmente aliviada quando percebi que ainda tinha biquínis que davam em mim. Separei dois dos melhores – em minha opinião – e joguei em cima da cama decidindo por fim qual bolsa levaria.
Havia uma coisa que nós não havíamos pensado.
E Sophie?
Voltei na sala e peguei meu celular em minha bolsa que tinha usado mais cedo. Ligo ou não ligo? Perguntei a mim mesma.
Ah pelo amor de Deus! Eu tinha que saber o que iríamos fazer com a minha/nossa gata. Mordi o lábio e respirei fundo, assim disquei o número que já havia decorado por mais que raramente tivesse que usá-lo.
–Oi meu anjo – Damon atendeu no primeiro toque.
Meu anjo? Corei. Pelo menos ele não poderia ver.
–Er, oi – murmurei. – Tenho uma pergunta sobre a viajem.
–Se não for para dizer que você não vai, pode perguntar – sua voz no telefone era incrivelmente irresistível, meu Deus.
–E Sophie?
–Eu já tinha pensado nisso, bom, amanhã vou levá-la no veterinário para tomar as vacinas que não necessárias, e sim, ela vai com a gente – sabia que ele estava sorrindo apenas pelo tom de sua voz.
–Então está tudo certo.
–Você disse que precisava ir comprar roupas... Quer que eu te leve no shopping amanhã?
–Não, er, obrigada – sussurrei – Descobri que tenho tudo que precisava.
–Ótimo, vou pegar a Sophie dez para meio dia – ele deu uma pausa – é muito cedo para você?
–Talvez – eu ri.
–É?!
–Sim, é cedo.
–Acorde mesmo assim folgada, você tem que acostumar a acordar cedo, por que, pelo que eu me lembre, segunda começam suas aulas.
–Não precisa me lembrar – cerrei os dentes. Gr... estava pegando o gostinho pela folga.
–Sim, preciso – ele riu – Bom, então te acordo antes do meio dia amanhã, ok?
–Ok – suspirei.
–Tchau.
–Tchau – desliguei o celular e voltei ao quarto.
Coloquei minhas mudas de roupa cuidadosamente em minha bolsa, uma das maiores que eu tinha. Chequei a bateria de meu celular e o coloquei para carregar. Ainda eram 21hrs, mas já era tarde o suficiente para dormir. Penteei meu cabelo duas vezes e me troquei para dormir. Sophie ainda dormia no sofá e resolvi colocá-la no chão com medo de que ela se machucasse se tentasse descer. Deitei na cama e adormeci instantaneamente.
–Acorda coisa – fui descoberta radicalmente e obrigada a acordar assustada.
–Oi – murmurei e bocejando ao mesmo tempo. Franzi o cenho. – Como você entrou?
–Você deixou a porta a aberta, tsk, tsk – Damon balançou a cabeça em desaprovação.
–Deixei? – coloquei o travesseiro na cara tapando a luz do sol.
–Não é perigoso, mas pode ser bem inconveniente – ele riu.
–Percebi – gemi.
–Já são meio dia e vinte – pausa – Eu disse que estaria aqui dez para meio dia. Sabe quanto tempo eu fiquei na porta?
–Hm?
–Nem dois minutos, saí entrando, também me atrasei. – ele riu descarado.
–E se sentiu no direito de me acordar – resmunguei.
Por um minuto pensei. Eu durmo sem sutiã. Meu pijama é transparente. Estou descoberta. Puta que pariu.
Puxei a coberta de volta ruborizada. Tirei o travesseiro da cara lentamente esperando que meus olhos de adaptassem a claridade.
–Levanta, anda – senti suas mãos na coberta de novo e lhe dei uma tapa na mão em defesa.
–Ai filha da puta!
–Não mete minha mãe nisso – o repreendi.
–Ok – ele ergueu as mãos como quem se desculpava – Levanta, anda, você ainda tem que arrumar as coisas para amanhã...
–Já está tudo arrumado – apontei para a bolsa em cima de minha mesinha de cabeceira.
A surpresa passou por seu rosto.
–Já?
–Aham.
–Então você vai mesmo? – seus olhos brilhavam.
–Sim – bocejei.
Damon praticamente pulou em cima de mim e me abraçou apertado, minhas bochechas arderam em cor.
–Achei que você ia me dar um desculpa em cima da hora e não iria – ele disse ainda me abraçando.
–Eu disse que ia – dei uma risadinha histérica, meu coração saltando em meu peito.
–Eu sei – ele sorriu e beijou meu cabelo – e realmente estou feliz que você esteja indo comigo. – Damon se afastou lentamente. Não, não volta aqui...
–Bom, estou indo levar a Sophie então... Quer alguma coisa da rua?
–Hmm, te atrapalharia ir ao mercado comprar algo para eu fazer no almoço?
–Claro que não. O que você precisa?
–Não sei, hmm, compra... Carne para bife – fiz uma careta.
–Carne?!
–É.
–Que eu saiba você não come carne – seu tom era irônico.
–Já disse que faço umas exceções de vez em quando – ergui uma sobrancelha.
–Hmm, ta bom então – ele passou a mão em seu cabelo. – Daqui a meia hora estou de volta.
–Ok.
Esperei que ele saísse para poder levantar se correr o risco de passar mais vergonha. Escovei meus dentes preguiçosamente e depois tomei um banho quente e demorado, aproveitando a água em meus músculos. Penteei os cabelos e os prendi em um rabo de cavalo mal feito. Em seguida, voltei ao meu quarto e me vesti com um de meus vestidos preferidos, florido e sem mangas. Arrumei minha cama sem a menor vontade e me vi sem nada para fazer.
Acabei sentada na frente da TV mais uma vez enquanto aguardava Damon voltar com minha Sophie. Lixei minhas unhas comidas e quebradas tentando manter minha mente ocupada. Olhei para o relógio, despreocupada e fechei a cara. Já tinha mais de meia hora e ele já devia estar aqui. Procurei meu celular por toda a sala até lembrar que havia o colocado para carregar no quarto. Assim que tomei a decisão de ligar para ter noticias, Damon abriu a porta na maior cara de pau do mundo com um sorriso lindo no rosto.
–Já era sem tempo! – revirei os olhos e retribuí seu sorriso.
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