Neighbors
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Ok, agora eu precisava desesperadamente parar de chorar. Respirei fundo e sentei-me na calçada em frente o hotel. Já eram dez para seis, o que significava que eu só tinha mais uma hora para pegar as coisas e voltar para o aeroporto. Tentei reunir coragem o suficiente para levantar mais meu corpo se negava a responder meus impulsos.
Quando finalmente consegui me colocar de pé, praticamente me arrastei para dentro da recepção do hotel. Ignorei o elevador e subi os seis lances de escadas preguiçosamente. Hesitei ao abrir a porta do quarto, não sabia exatamente o que dizer sobre minha decisão de voltar.
Quando abri a porta, deparei-me com a suíte vazia exceto por Sophie. Mordi o lábio e sem pensar muito coloquei todas as coisas restantes em minha mala. Ajeitei as coisas de Sophie e vesti um casaco antes de colocar a felina em sua gaiola. Respirei fundo mais uma vez e preparei-me para sair. Um dos funcionários do hotel me ajudou a carregar a bagagem até a rua, onde rapidamente consegui um táxi. Peguei meu celular no bolso o desliguei só pretendendo o ligar quando estivesse de volta, mesmo que isso fosse causar um ataque de nervos em minha mãe
Chegando no aeroporto, coloquei meu cérebro para funcionar de um jeito que só fizesse coisas lógicas, e que por um longo período de tempo eu não pensasse nos meus sentimentos. Quando dei por mim, já estava dentro do avião em pleno vôo com Sophie dormindo em meu colo. A noite por cima das nuvens estava estrelada e mais bonita impossível. Olhei no relógio dentro do avião. Já se passavam da meia noite, dei um sorriso fraco.
-Feliz ano novo Sophie – a felina ronronava em meu colo.
Encostei minha cabeça na janela e deixei as lágrimas rolarem novamente. Cada parte do meu corpo implorava para que eu arrumasse um jeito de voltar atrás, e uma parte pequena de meu cérebro discutia comigo sobre o porquê de pelo menos não ter esperado o ano novo na cidade luz, ver a queima de fogos na Torre Eiffel e derivados. Não seria uma coisa ruim, até porque foi o que me levou a escolher a Europa como destino de nossa viajem, porém não agüentaria ficar ao lado dele numa data tão grandiosa depois de saber que ele estava beijando outra mulher no mesmo dia.
Funguei e puxei a manta que estava dobrada sobre o banco sobre mim. Encolhi-me e fechei os olhos deixando meus pensamentos criarem imagens felizes que banissem coisas dolorosas de minha mente. Não sei se não vi o tempo passar, ou se apenas dormi, mas o que fez com que eu abrisse os olhos outra vez foi uma voz extremamente irritante informando que o avião já iria pousar. Rapidamente prendi Sophie em sua gaiola e coloquei o sinto de segurança.
Já no saguão de desembarque, me encontrei num lugar praticamente vazio. Liguei meu celular enquanto caminhava carregando minhas malas para a porta do aeroporto. 114 chamadas não atendidas de Damon. Gelei. Reprimi minha vontade de ligar passando para a próxima mensagem. 47 chamadas não atendidas e minha mãe. Ok, eu estava morta. Ajustei o relógio rapidamente para fuso horário correto e depois chequei que horas seriam na Bulgária. 4hrs da manhã em Nova York, 1hr da tarde em Sófia. Preparei-me mentalmente para ouvir uma bronca e cliquei em discar.
-Elena? – Isobel atendeu no primeiro toque.
-Oi – dei um pigarro.
-Porque você desligou o celular? Eu estava tentando falar com você... – pausa – Ah não responde – ela riu. – Para você ter dormido até essa hora as coisas estão mais do que certas, inclusive, feliz ano novo.
-Hm, não mãe. Eu desliguei o celular porque eu estava no avião. – engoli saliva. – E para sua informação, aqui são exatamente 4hrs da manhã. – pausa – Feliz ano novo para você também.
-4hrs da manhã?! Onde vocês estão?
-Nós não estávamos em lugar nenhum – franzi o cenho. – Damon está em Londres, eu acabei de chegar em Nova York.
-Eu não acredito – sua voz foi sumindo. – Eu achei que vocês fossem se entender, e...
-Não foi por causa daquilo mãe, — suspirei – e se você quer saber, pode dormir sossegada, eu não estou grávida.
-Você quer me contar o que aconteceu?
-Mãe – resmunguei – Se eu disser que não?
-Eu vou entender meu amor, — ela deu uma risada – estou voltando hoje à noite. No fim de semana eu vou aí te visitar, ok?
-Eu realmente preciso – admiti com a voz chorosa.
-Ah Elena, não chora, depois eu a gente conversa. – Isobel pareceu falar com alguém ao seu redor – Você já tem algum lugar para ficar?
-Não, vou dormir em algum hotel e depois vou procurar um apartamento pelo centro – admiti.
-Ok, seu pai disse que vai pagar o aluguel do seu apartamento e que não é para você se procurar.
-Não quero falir seu marido mãe – eu ri sem graça.
-Elena quando eu disse seu pai, eu quis dizer o John.
-Como é que é?! – minha voz soou aguda demais.
-Longa história, que explicaria minha visita mais cedo ou mais tarde. Porém, sim, Alaric vai pagar sua diária no hotel que você ficar, é só dizer depois em quanto ficou.
-Não precisa.
-Precisa sim, você não vai gastar seu dinheiro que você juntou a sua vida inteira com isso, em Atlanta eu deixava mais aí não.
-Ah que seja – dei de ombros – antes de vocês saírem daí me liguem, ok?
-Ok meu anjo, vai resolver sua vida.
-Tudo bem – suspirei – te amo.
-Eu também – a ouvi dizer e desliguei.
Pedi informação a um dos seguranças do aeroporto que me deram as intrusões para chegar em um dos hotéis mais próximos. Agradeci e entrei em um dos táxis que estavam parados próximos a calçada. Em questão de cinco minutos estava no hotel. Pelas ruas se via pessoas comemorando o ano novo, voltando para as casas bêbadas e luzes brilhando e ainda alguns fogos de artifício. Bem vinda a cidade que nunca dorme, disse mentalmente para mim mesma e me permiti sorrir por um breve momento.
Fiz o que tinha que ser feito na recepção do hotel e depois acompanhei uma das funcionárias até ela me mostrar meu quarto. Dei-lhe um sorriso como agradecimento e bati a porta atrás de mim. Soltei Sophie da gaiola para gatos, em seguida arrumei a comida da felina e olhei a minha volta. O silêncio do quarto era doloroso.
Já pressentindo que iria chorar, fui tomar uma ducha. Quando saí coloquei meu pijama de moletom que ainda não havia usado e me dirigi para a enorme cama que se encontrava no meio do quarto. Sentei na beirada e Sophie logo pulou para me fazer companhia, assumindo o lugar ao meu lado. Quando fui pegar meu celular, notei que estava vibrando.
Olhei para o visor aceso sentido um nó se formar em minha garganta. Damon. Minhas mãos tremiam em meu colo de nervoso. Mordi meu lábio e peguei o telefone.
-Oi – murmurei.
-Posso saber onde você está?
-Hm, não.
-Elena eu perdi o vôo por causa de você, eu fiquei até meio dia esperando você no aeroporto, e desde que eu cheguei a Londres eu ainda não te vi.
-Não é por acaso isso – engoli seco.
-Por favor, — eu o interrompi.
-Damon – ele não me deixou falar.
-Eu saí do quarto por quinze minutos para refrescar a cabeça e quando voltei suas coisas e Sophie tinham sumido, eu passei a virada do ano tentando falar com você perdendo a queima de fogos mais linda do mundo.
-Olha, eu realmente sinto muito – hesitei em dizer. – achei que tivesse ido dar as boas notícias para Charlotte.
-Você sente muito? É isso que você vai me dizer? – riu com deboche – Você some, eu viro a madrugada te procurando e você diz que sente muito? E se você quer saber...
-Eu não quero saber de nada.
-Mas eu quero, onde você está? – pausa – Você está bem? O que aconteceu?
-Estou longe, obrigada. – reduzi minha voz a um sussurro – Estou bem, fisicamente falando, emocionalmente já não sei de nada e eu me recuso a te responder o que aconteceu.
-Eu pedi desculpas, não era minha intenção, Elena, por favor – sua voz era agoniada – Longe? O quão longe? Eu quero conversar com você.
-Suas desculpas não vão mudar o que aconteceu, e bom, vai lá com ela Damon, deixa que me virar, sozinha, vá ser feliz. – funguei – Longe é longe e não vou deixar de dormir para conversar com você sobre algo que não deve ser conversado – franzi o cenho devido a confusão de minha frase.
-O que? Vai passar a tarde inteira dormindo?
-Não – fechei os olhos tentando não deixar as lágrimas transbordarem – Para sua informação, são exatamente 4 e 41 da manhã aqui em Nova York, e se você me permite eu quero dormir.
-Nova York?! – a mesma reação de Isobel. – Elena...
-Não começa, por favor, não torna isso mais difícil para mim do que já está sendo.
-Achei que estava sendo fácil, porque não demorou quinze minutos para você ir embora e me deixar sozinho na nossa viajem de despedida.
-Isso significa exatamente o contrário, se fosse fácil, eu teria ficado, teria passado o ano novo sob a Torrei Eiffel e depois viria embora, no entanto, preferi passar a virada do ano dentro de um avião cruzando o atlântico sozinha.
-Eu não queria que você tivesse ido embora.
-Não vamos falar sobre isso, Damon – implorei. – Você já sabe onde eu estou, sabe que estou bem, se era só isso que você queria saber, eu queria ir dormir.
-Posso fazer uma pergunta?
-Já fez.
-Entendeu o que eu quis dizer.
-Pergunte.
-Existe alguma possibilidade de...
-Não – minhas lágrimas banharam meu rosto.
-Não?
-Não – sussurrei.
-Essa é sua resposta final?
-Damon, eu disse que essa é a única coisa que eu nunca perdoaria. – minha voz soou embargada – Não quero ouvir suas desculpas para a sua situação, eu disse quando eu me abri com você e contei sobre o que tinha acontecido com a minha mãe, pelo que eu me lembre você me disse que nunca deixaria isso acontecer, e bem, olha como estamos.
-Ah.
-E eu tenho que admitir que nunca me decepcionei tanto na minha vida – chorei.
-Eu juro que vou conseguir concertar isso – e ele também estava chorando.
-Se você quiser me fazer um favor, não tente – funguei.
-Mas...
-Damon se você ainda sente alguma coisa por mim, não tente concertar isso. – respira- Se você me conhece e lembra da época em que eu confiava em você – usar o verbo no passado me causou uma sensação horrível – você lembra exatamente sobre o que eu disse sobre traição então por favor, não tente concertar isso.
-Eu não trai você! Elena – sua voz falhava.
-Não – ri sem nenhum humor – você só beijou outra mulher que por acaso é sua ex.
-Mas,
-Mas nada, chega – sequei minhas lágrimas.
-Então você não vai me perdoar?
-Não – force-me a dizer.
-E é assim que vamos terminar?
-Já terminamos.
-Ok – seu suspiro foi quase inaudível.
-Tchau. – murmurei.
-Tchau – disse de mesmo modo – Ah sim, feliz ano novo.
-Para você também – e depois o telefone ficou mudo.
Deitei na cama e deixei que as lágrimas molhassem minha blusa. Uma dor cresceu por meu peito obrigando-me a sentar, abracei meu travesseiro e gritei com todo o ar de meu pulmão. O som abafado fez eco em meus ouvidos. Cravei minhas unhas no colchão reprimindo a vontade de jogar tudo que estava no quarto no chão. Minha garganta doía e junto com ela minha cabeça, Sophie estava inquieta ao meu lado, seus enormes olhos azuis estava arregalados mostrando como a felina estava assustada. Deitei e a puxei para perto, abracei minha única companhia e continuei a encarar o nada enquanto as lágrimas escorriam por meu rosto até que finalmente, finalmente apaguei num sono merecido e conturbado.
Fale com o autor