Neighbors
15 Capítulo 15
Notas iniciais
–Que horas posso te pegar amanhã? – Damon perguntou já dentro do elevador. Eu nem lembrava de sua presença mais.
–Não sei — murmurei.
–Você não quer ir? – ele fechou a cara.
–Não – disse seca.
–Então por que disse que iria? – Que ótimo dia para ele vir cheio de “por quês” para cima mim.
–Como eu já disse, não tenho nada melhor para fazer.
–Eu achei que tínhamos superado isso – ele revirou os olhos.
–Primeiro eu quero saber o que, depois a gente supera – disse com a voz mais áspera que consegui e entrei para o meu apartamento batendo a porta com força. Fui diretamente para o meu quarto e coloquei meu pijama sem me dar o trabalho de tomar uma ducha, estava exausta e não queria chorar outra vez. Sophie – que havia triplicado de tamanho nesses três meses – subiu na cama e se enroscou do meu lado não me permitindo que eu me sinta tão sozinha.
Os primeiros raios de sol me acordaram e me senti como se tivesse sido espancada. Meu corpo inteiro doía e minha cabeça latejava. Levantei e fui direto tomar um banho. Tomei um remédio para dor de cabeça e voltei para cama. Quando o relógio indicou que já se passavam das dez, resolvi me arrumar para a droga de almoço com Damon. Vesti um vestido delicado bege e salmão claro com minhas sapatilhas preferidas. Soltei meus cabelos e os escovei deixando-os com as pontas enroladas para quebrar a rotina. Passei uma maquiagem leve e resolvi que não levaria nada – nem dinheiro, nem celular, nem nenhum documento. Sai do quarto já decidida em ir chamar Damon em seu apartamento.
Bati em sua porta e esperei. Nada. Toquei a campainha e esperei. Nada. Porra, ele tava de putaria com a minha cara, não é possível. Abri a porta e me deparei com um apartamento de cabeça para baixo.
–Damon? –chamei. Não houve resposta. Seu apartamento era exatamente igual ao meu, então não foi difícil achar as coisas. A porta do banheiro estava aberta, ninguém lá dentro. Ninguém na sala, nem na cozinha. Fui até seu quarto e sem hesitar abri a porta e fiquei chocada.
Damon dormia praticamente nu levemente coberto por um fino lençol, suas bochechas extremamente vermelhas. Mas não era isso que havia me deixado chocada.
Havia fotos em todos os lugares. Fotos minhas. Andando, falando, com Sophie, comendo, sorrindo, respirando, na praia, na casa de praia, no carro, no parque... E depois uma pequena seqüência de fotos nossas juntos. Senti meu queixo cair. Ah meu Deus. O porta-retrato com beira de um material dourado tinha a maior foto. A foto que ele havia pedido minha permissão para tirar no dia do passei ao parque. Em baixo, havia escrito em caneta meu nome a data. Senti toda minha raiva sumir em meio segundo. Andei devagar e sentei na beirada da cama tentando não acordá-lo. Passei a mão por seu rosto de maneira carinhosa. Cacete ele estava quente! Ele era quente, pelo amor de Deus, mas não era isso que eu estava falando. Ele estava com febre – com muita febre, aliás.
–Damon? – chamei outra vez. Ele gemeu e continuou dormindo. Revirei os olhos reprimindo uma risada. Beijei sua testa depois de pensar duas vezes. Ele abriu os olhos lentamente e me encarou parecendo confuso.
–Elena? – sua voz era rouca.
–Você está bem?
–Você está tão linda – ele disse maravilhado. Desviei meu olhar corando fortemente. Era para eu estar com raiva dele porra. – Não sei, estou com frio — ele reclamou.
–Você está com febre – cerrei os lábios. – Tomou algum remédio?
–Não.
–Devia – balancei a cabeça negativamente.
–Que remédio?
Fiquei séria.
–Toma algum para resfriado e volta para cama – ergui uma sobrancelha usando meu tom autoritário.
–Desculpa – ele resmungou.
–Por?
–Eu te chamei para ir almoçar, e não vou poder ir.
–Você está doente, e eu nem queria ir – revirei os olhos. Ele fechou a cara.
–Ainda está com raiva de mim? – Damon se sentou na cama abraçando seu próprio travesseiro.
–Sim e não – suspirei. Ele me encarou com uma expressão carente.
–Sim ou não?
–Eu devia estar – disse me sentindo uma idiota.
–Posso pedir uma coisa? – ele murmurou corando.
–Hm?
–Quero um abraço – ele fez um biquinho. Não agüentei e sorri sentindo seus braços a minha volta – Senti sua falta sua chata.
–Eu também – ri deitando a cabeça em seu ombro. – Você está fervendo – mudei de assunto.
–Estou tão mal assim?
–Ao que parece – assenti. – Vai tomar um banho, ajuda a melhorar.
–Eu ainda quero te levar para almoçar.
–Sem chances – dei um sorriso duro.
–Ah é um desperdício ninguém te ver com esse vestido usando o cabelo desse jeito parecendo uma boneca – ele resmungou.
–Damon! – ri sem graça. Puta merda, isso não era para ser desse jeito, e eu ainda era para estar com raiva.
–Vou tomar banho – ele riu e se colocou de pé.
–Vou em casa trocar de roupa e volto para ver se você fez o que eu mandei. – franzi o cenho.
–Espera que eu vou com você – pausa – ficar lá. – arqueei uma sobrancelha. – Eu disse que ia almoçar com você.
–Ah sim – eu ri – e vai me explorar.
–Não, pensei em pedir algo para a gente comer.
–Se quiser eu posso fazer.
–Hoje não.
–Tudo bem – suspirei e me joguei em sua cama deitando em seu travesseiro. O perfume dele era viciava mais que qualquer droga. Assim que ele não estava mais em meu capo de visão abracei seu travesseiro e inalei o perfume fechando os olhos. Ah! Que sensação boa. Deixei meus pés para fora da cama para que minhas sapatilhas não sujassem seu lençol branco. Estiquei os braços na cama soltando outro suspiro pesado. Ri sozinha encarando o teto. O som de minha risada me assombrou por um minuto. Há quanto tempo eu não ria de verdade?
Fiquei deitada na cama sem perceber o tempo passar, perdida em pensamentos sem sentido. Mal havia percebido que Damon estava na porta me encarando apenas enrolado na toalha.
–Eu queria me trocar – ele riu.
–Fique a vontade – disse sem me levantar apenas colocando o travesseiro na minha cara.
–Posso confiar? – ele riu.
–Aham – mordi o lábio.
–Se quiser me ver nu é só pedir – Damon deu uma gargalhada.
–Eu não pediria — disse tirando o travesseiro da cara e erguendo uma sobrancelha.
Não olhe para lá. Não olhe para lá. Não olhe para lá.
Puta merda como era grande.
–Sua tarada!
–Ah que isso – comecei a rir ficando completamente vermelha. – Só queria confirmar minhas hipóteses.
–Que hipóteses? – ele ficou sério.
–O tamanho do pé é o tamanho do pênis – eu ri.
–E?
–Seu pé é enorme – ri alto. Damon ficou boquiaberto e completamente vermelho.
–Eu vou fingir que não ouvi isso – ele balançou a cabeça começando a vestir sua bermuda jeans. Sim, sem cueca. Mordi o lábio reprimindo outra risada.
–E eu vou fingir que não vi que você não colocou uma cueca – ri alto.
–Eu nunca uso cueca bobinha – ele abriu um sorriso malicioso.
–Que falta de higiene – franzi o cenho.
–Não – ele riu – Só é mais confortável. – O encarei séria – O que? Vai dizer que nunca ficou sem calcinha?
–Não que eu me lembre.
–Você precisa aprender a ser feliz – ele sacudiu a cabeça – Nem sem sutiã?
–Estou sem sutiã – mordi o lábio. Ele corou.
–Hmm – ele fechou as pernas e vestiu sua blusa, rápido. Ele estava excitado pelo que eu falei. Caralho. Tive uma crise de risos.
–Por que homens são tão fracos?
–Hã?
–Você está de pau duro por que eu disse que estou sem sutiã – não me agüentei e comecei a rir outra vez.
–Mulheres que são fracas – ele se defendeu – mal lêem sobre sexo e já ficam molhadinhas. Ah, inclusive, seu livro ainda está comigo.
–Que livro?
–Cinquenta Tons de Cinza.
–Ah!
–Aposto como você ficou molhadinha lendo – ele riu. Corei. – Estou mentindo?
Não respondi.
–Não estou dizendo! – ele riu – Deve ter sonhos eróticos com esse tal Christian até hoje.
–Imagino que você guarde meu livro no banheiro seu punhetero – sorri com deboche.
–Não correria esse risco de danificar seu livro – ele riu – Está na primeira gaveta – ele apontou para sua mesinha de cabeceira. Rapidamente levantei da cama e peguei.
–Irônico você guardar ele junto com camisinhas.
–Foi o lugar mais seguro que eu achei.
–Aham, sei – revirei os olhos.
–Está revirando os olhos para mim Elena?
–Vai me bater? – arqueei uma sobrancelha – Ah, espera aí, eu não assinei contrato nenhum.
–Nem a Anastasia.
–Não sou sua submissa – revirei os olhos de novo. Tive a sensação de que ele fosse falar alguma coisa, mas permaneceu quieto. – Tomou o remédio? – perguntei mudando subitamente o assunto.
–Não tenho remédios aqui – ele mordeu o lábio.
–Como você sobreviveu esses três meses sem mim?
–Não sei – ele riu.
–Eu tenho.
–Imaginei.
–Já está pronto?
–Aham.
–Vamos – sorri.
–Chegando lá a gente pede comida – pausa. – Japonesa.
–Ah porra – fechei a cara.
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