Neighbors
10 Capítulo 10
-Sua cara de animação é tanta que está me dando câncer – Damon riu.
-Estou com sono – bocejei.
-Pode dormir meu anjo, são 5hrs viajem, você não precisa ficar acordada o tempo todo.
Meu anjo? Corei.
-Não consigo dormir – disse com a voz embargada.
-Tente – sorriu – Olhe para Sophie, talvez ela te inspire – olhei para a gata em meu colo. Dormia tranqüila usando minha mão de travesseiro. Abri um leve sorriso e encostei a cabeça no banco.
-Quando estivermos quase chegando lá eu te acordo – balancei a cabeça enquanto ele virava na I-75 S e fechei os olhos me rendendo ao sono. Tomar remédios para dormir nem sempre era uma boa idéia.
Acordei em uma enorme cama de casal com a luz fraca em meus olhos. Levantei rapidamente tentando reconhecer o lugar. Era um quarto branco, enorme, sem dúvida alguma caberia dois de meu apartamento ali. O chão de madeira clara combinava com os móveis e com as janelas – enormes, dando de vista para o mar, ocupando toda a parede atrás de mim. Havia uma mesinha de cabeceira do meu lado direito, nela estava meu celular e minha bolsa, juntamente um relógio, que indicava que já se passavam de meio dia e meia. Sophie estava esparramada no travesseiro ao lado do meu, os olhos azuis me encarando com curiosidade. Virei-me para apreciar a paisagem. Era tão lindo. O mar assumia uma coloração esverdeada entrando em contraste com céu, dando para diferenciá-los quando se encontravam no horizonte. A areia era branca e limpa com montinhos de uma vegetação desconhecida. O barulho suave de uma porta se abrindo quebrou meu transe.
-Finalmente alguém acordou!
-Por que você não me acordou? – reclamei.
-Gostei de ficar vendo você dormir. – ele corou.
Ah meu Deus. Seu rosto estava extremamente vermelho destacando seus olhos azuis. Achei que era impossível ele ficar mais perfeito, aí ele abriu um sorriso tímido. Puta merda, como é que se respira mesmo?
-Ah – corei e passei a mão no cabelo. – Que horas você vai tirar as fotos? – perguntei lembrando o motivo que estávamos lá.
-Acabei de voltar.
Uau.
-Dormi tanto assim?
-Sinceramente achei que você estava morta, se não estivesse falando eu teria me preocupado – ele riu.
Ah caralho.
Eu não tinha que me preocupar com isso desde que completei 18 anos e comecei a morar sozinha. E, no entanto, porra, não...
-O que eu disse?
-Nada em especial – ele corou de novo.
Isso explicava tudo. Puta que pariu. Só me faltava essa, expressar meus sentimentos enquanto durmo.
-Ah merda – choraminguei com o rosto em chamas.
-Que foi?
-Estou com medo.
-De que? – Damon perguntou confuso.
-Do que você ouviu, do que eu disse.
-Ah.
-O que eu disse?
-Não me lembro de tudo – não era um assunto confortável, e isso era notável. – Sua mãe vai te matar se souber que você está aqui... Hmm... E você sente falta dela.
-Só isso?
-Que eu me lembre...
Eu sabia que tinha mais. E era desse mais que eu tinha medo.
-Acho que vou tomar um banho – suspirei.
-O banheiro é naquela porta ali – ele apontou para a porta ao lado da parede de espelhos que eu não havia reparado. – Tem uma toalha em cima da pia que deixei para você.
-Obrigada – sorri.
-Coloque seu biquíni, depois nós vamos a praia. – ele piscou para mim.
Assenti e me levantei carregando minha bolsa. Entrei no banheiro e fechei a porta atrás de mim. Respirei fundo e comecei a tirar minha roupa amarrotada. Como o quarto, o banheiro também tinha um tamanho exagerado e uma porta para uma pequena varanda que dava para um jardim e uma piscina – que eu não sabia da existência até agora – nos fundos da casa. Antes de entrar para o banho escovei meus dentes duas vezes com cuidado e depois penteei o cabelo. Coloquei a banheira para encher, temperando a água, enquanto escolhia o biquíni que usaria. Acabei optando pelo lilás e escolhi um vestido branco tomara que caia para jogar por cima. Sem cerimônia, entrei na água e relaxei. Tomei meu banho rápido, mas fiquei enrolando na água por o que me pareceu uma hora. Suspirei e saí da água, me sequei rapidamente e me vesti. Fiz um rabo de cavalo baixo e calcei minhas rasteirinhas. Saí do banheiro e me deparei com o quarto vazio. Hm, ótimo. Para onde eu iria agora? Tentei a primeira porta ao lado do banheiro. Não. Dava para uma varanda igualzinha a do banheiro. A outra dava para um corredor enorme com uma escada no final. Desci as escadas e então estava na sala. Menos mal, pensei comigo mesma. Por que todos os lugares dessa casa tinham que ser tão grandes?
-Achei que tinha morrido afogada na banheira. – a voz de Damon era pura ironia.
-Na verdade quase desci pela descarga – revidei.
-Vem almoçar – ele disse depois que riu.
-Você vez o almoço? – perguntei incrédula.
-Claro – pausa – Que não.
-Ah bom, se esse fosse o caso eu negaria.
-Idiota.
-Damon? – perguntei curiosa.
-Oi.
-Você arrumou a casa toda enquanto eu estava dormindo? – eu não tinha o sono tão pesado assim.
-Não, a Tina mantém tudo arrumado.
-Tina?
-A suposta dona dessa casa – ele abriu um sorriso.
-Achei que a casa fosse sua.
-E é.
-Não entendi – sacudi a cabeça negativamente.
-Presenciei uma cena muito desagradável há mais ou menos dois anos quando vim passar um fim de semana aqui. – Ele me conduzia pela casa enquanto falava – Estava na praia e vi um bando de animais, não, animais não fariam aquilo com a própria mãe, não sei, espancando uma senhora de 50 e poucos anos por ela não ter dinheiro para pagar o aluguei da casa que eles moravam.
Meu queixo caiu.
-E os denunciei para a polícia, e essa senhora, Tina – ele sorriu ao dizer o nome dela –ficou me agradecendo pelo resto do mês. Descobri que ela tinha ido parar em um asilo por não ter uma casa onde pudesse morar, ou ao menos dinheiro para pagar o aluguel de uma, e já que não tinha ninguém para ficar aqui, ofereci a casa para ela, afinal ela precisava de um lugar para ficar e eu alguém que ficasse aqui. Uma semana depois do acontecimento ela se mudou para cá e desde então toma conta de tudo e adora me bajular.
Oh! Eu não acreditara no que eu acabara de ouvir. Então realmente ele era gentil como eu pensei no primeiro dia que eu o conheci, não estava tentando se exibir. Ele se preocupa com os outros. Ele salvou a vida dessa mulher. E foi me mostrar por que gosta de ajudar os outros. E isso tudo só me fazia estar mais apaixonada. Isso era possível?
-Então ela que fez nosso almoço?
-Sim – estávamos na cozinha.
-E cadê ela?
-Foi visitar os filhos na prisão – ele cerrou os lábios.
-Eles ainda estão presos?
-Aham.
-Deveríamos esperar ela voltar para comer.
-Ela já almoçou Elena.
-Ah.
-Inclusive ela ficou muito surpresa por eu estar aqui com uma mulher – ele revirou os olhos. Eu ri. – Gosta de salmão grelhado?
-Aham.
-Que bom. – ele sorriu e puxou a cadeira para eu que me sentasse e depois se sentou ao meu lado.
Sentei-me na areia clara com as pernas cruzadas e comecei a ler meu exemplar de Cinquenta tons de cinza. Estava totalmente absorta na tensão de assina não assina o contrato de submissão e quase matando a Anastasia via pensamento quando Damon me interrompeu.
-É sério que você veio para praia para ficar lendo? – ele ergueu uma sobrancelha e se sentou ao meu lado. Ele estava usando apenas uma sunga vermelha, o que me dava visão privilegiada de todo o seu corpo – menos da melhor parte. Seus cabelos pingavam água salgada e seu rosto já estava vermelho devido a exposição no sol. – Pior, lendo livro erótico – ele caiu na gargalhada.
-Não é um livro erótico! – disse ficando completamente vermelha.
-Ah sim, sei – ele não parou de rir. – Então quer dizer que você adora uma sacanagem diferente?
-O que?! – berrei e dei-lhe uma tapa.
-Ui, ela ficou nervosa é sinal de que é verdade.
-Para porra! – não podia ficar mais desconfortável.
-Ah deixa-me ver – ele pegou o livro e começou a passar as páginas. – “...Mas eu realmente gostaria de comer o seu cu, Anastasia” – ele leu em voz alta – Eu não acredito que você estava lendo isso! – ele riu.
-Me dá meu livro!
-Agora que eu o achei interessante? Nem pensar – ele levantou ainda com o livro na mão. É, eu e meus pensamentos pessimistas, foi só eu pensar que não poderia ficar pior.
-É sério, me dá meu livro. – fiz um biquinho.
-Tudo bem, pega – ele colocou o livro na minha frente. Assim que estendi a mão para pegar ele colocou o livro no chão e me jogou em suas costas como se eu fosse um saco de batatas.
-Aah! – gritei. Ele riu. – Me põem no chão!
-Não estou com vontade – Damon caminhava em direção a água. Ah não.
-Me larga! – balancei minhas pernas tentando me libertar de seus braços. Estar de cabeça para baixo estava me dando dor de cabeça.
-Agora largo – ele disse e praticamente me jogou na água quando uma onda gigantesca nos derrubou.
-Filho duma puta! – disse com todo o cabelo na cara e cheia de areia na boca devido ao caixote.
-Samara! – ele riu e me jogou na água mais uma vez.
-Para – não consegui ficar séria.
-Melhor assim – ele disse tirando o cabelo de meu rosto com a ponta dos dedos. – Seus olhos ficam tão lindos no sol... Meio verdes.
-É – corei. Não consegui dizer mais nada, estava atordoada por sua beleza e proximidade.
-Desculpa – ele riu limpando a areia do meu rosto.
-Agora terei de ir para casa com o vestido molhado – reclamei.
-Ah estou com pena de você, coitadinha, vai ter que atravessar a rua com a roupa molhada.
-Vai se foder Damon – eu ri.
-Está ventando. – ele comentou.
-Estou vendo – revirei os olhos.
-Provável que chova durante a noite.
-Normal – dei de ombros.
-Quer ir embora?
-Agora que estou molhada, estou com frio, se for possível, quero sim.
-Como quiser – ele riu e pegou minha mão de maneira despreocupada o que fez meu coração ter uma reação exagerada como sempre.
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