Neighbors

13 Capítulo 13


O sol se escondia entres as nuvens deixando o dia abafado e nublado. Damon dirigia rápido demais pela estrada deserta, o vento vindo da janela aberta fazia meu cabelo solto cobrir meus olhos e me cegarem. O som estava alto tocando músicas de rádios aleatórias quando passávamos por alguma cidade. Sophie estava deitada no banco traseiro do carro dormindo – a única coisa que ela sabia fazer. Já estávamos na altura de Dublin, pegando a I-16 W a toda velocidade.

–Maroon 5! – praticamente pulei quando She Will Be Loved começou a tocar.

–Você também gosta? – ele sorriu torto.

Assenti e depois disse:

–She Will Be Loved é minha preferida – abri um sorriso largo.

–A minha também – Damon pareceu surpreso. Comecei a cantar ignorando sua presença. Era uma sensação boa, soltar a voz com o rosto ao vento sentindo a velocidade. Fechei meus olhos apreciando a sensação sem parar de cantar. Quando abri os olhos Damon me encarava.

–Sua voz é linda – disse maravilhado. Parei de cantar instantaneamente ficando ruborizada. Olhei para minhas mãos em meu colo para disfarçar minha vergonha. – Ah não para!

Balancei a cabeça negativamente.

–Poxa – ele fez um biquinho. – Canta, por favor.

–Não – sussurrei.

Tap on my window knock on my door, I want to make you feel beautiful…– ele começou a cantar. Eu não sabia se ele estava desafinando de propósito ou se ele realmente não sabia absolutamente nada sobre música.

–Para, pelo amor de Deus! – eu ri. – Não estraga a música.

–Então canta – ele implorou. Revirei os olhos e continuei cantando sem fazer nenhum contado visual.

–Você canta tão bem – ele disse surpreso quando a música terminou. Corei fortemente. – Você quer parar de ficar com vergonha sempre que eu te elogiar?

–Não estou acostumada a receber elogios – admiti.

–Por quê?!

–Por que ninguém me elogia?! – dã! Pergunta idiota, resposta idiota e desnecessária.

–Por onde começar? Hm... – pausa — Você é inteligente – ele começou a contar nos dedos. Minhas bochechas começaram a ficar vermelhas outra vez. – Uma ótima cozinheira – riu – uma ótima amiga, é engraçada, carinhosa, ah já disse que é uma ótima cozinheira? – eu ri. – Tem milhares de talentos, e fala fluentemente três línguas! – Damon exclamou me fazendo corar ainda mais – Tem uma voz perfeita e é a mulher mais linda que eu já conheci – Damon abriu um sorriso tímido e depositou um beijo doce nas costas de minha mão. Não consegui dizer nada.

E naquele momento tudo fez sentido para mim. Sim, eu era apaixonada por ele de todas as maneiras possíveis. Não só por que ele tinha lindos olhos, mas por que ele me tratava bem. Fazia eu me sentir bem. Sendo gentil o tempo todo, me fazendo elogios, demonstrando afeto, me fazendo sonhar com ele, me deixando com pernas bambas e me fazendo corar a cada segundo. Aquilo era amor. Foda-se, se era ou não cedo para dizer isso. Ninguém nunca disse que eu era linda, que eu tinha uma voz bonita ou se quer dormiu comigo sem ter segundas intenções – nem com nenhuma intenção. Damon era o tipo de homem que eu sempre sonhei em conhecer, me apaixonar, namorar, casar, ter filhos e passar o resto da minha vida. Espontâneo, que me fizesse rir, que se importasse comigo, que cuidasse de mim, que me desse um abraço quando eu precisasse e ao mesmo tempo, aquele que quebraria as regras às vezes... Aquele me amaria. E quando eu achei que isso estava o mais distante possível de acontecer ele apareceu na minha porta, se oferecendo para me mostrar a cidade. Quem diria que mudando de país, deixando toda uma vida para trás, indo para um lugar enorme sem conhecer absolutamente nada nem ninguém eu encontraria a pessoa com quem eu me apaixonaria perdidamente. Conheceria a pessoa que em dois dias aprenderia minhas manias e roubaria meu coração. Sinceramente acreditava que essas coisas só aconteciam em filmes e livros, no entanto, ali estava eu, sentada no carro dele, atravessando o estado com um sorriso idiota e apaixonado no rosto.

–Você está quieta – ele soltou minha mão gentilmente e interrompeu minha linha de pensamentos.

–Estava pensando – murmurei.

–Em?

O quanto eu te amo.

–Muitas coisas – arqueei uma sobrancelha e mantive meu tom de voz.

–Está com fome?

Sacudi a cabeça negativamente.

–Mesmo?

–Aham.

–Posso fazer uma coisa? – ele perguntou mordendo o lábio. Puta merda eu queria fazer aquilo. Morder o lábio dele. Ah...

–Hm? – ergui uma sobrancelha. Damon encostou o carro e tirou seu cinto de segurança. Ele me encarou de um jeito diferente como se esperasse que eu tomasse alguma atitude. Eu o fitei, sem dizer nada.

Damon se aproximou lentamente de mim e com a ponta de seu dedo tocou meu lábio fazendo meus batimentos cardíacos se acelerarem. Ele continuava a se aproximar acariciando meu rosto entre suas mãos. Levantei meus olhos e encontrei os dele olhando intensamente para mim. Arrepiei-me completamente quando senti sua respiração meu rosto, meus lábios se abriram involuntariamente. Ele pegou uma mexa de meu cabelo e a colocou atrás de minha orelha, e acariciou minha face e meu pescoço por todo o caminho e então percebi que seus olhos não estavam mais olhando nos meus; eles olhavam meus lábios. Senti-me insegura quando finalmente percebi o que ele queria, mas fui incapaz de me afastar. Damon roçou seu nariz no meu e bem delicadamente beijou meu lábio inferior. Fechei meus olhos sentindo meu sangue pulsar por todo o meu corpo me fazendo tremer. Outra vez ele me deu um leve beijo sobre os lábios, sua mão direita em meu queixo me puxando para mais perto, a outra em minha nuca fazendo meus cabelos se eriçarem. Seu perfume invadiu minhas narinas me convidando e prolongando o momento, pousei minha mão seu rosto e colei meus lábios nos dele. Sua língua pediu passagem e logo concedi. Nossas línguas namoravam lentamente de uma maneira doce e irresistível. Sem quebrar o beijo, Damon passou desceu a mão para minha cintura e depois a subiu lentamente acariciando minhas costas sem passar dos limites. Aprofundei o beijo o tornando mais urgente, como se fosse uma necessidade, minhas mãos tremiam e meu coração batia em um ritmo que não parecia ser possível, as palmas de minhas mãos soavam me deixado ligeiramente constrangida. Seus lábios deixaram os meus e eu abri os olhos. Ele me encarava, os olhos azuis em chamas. Damon beijou minha testa e passou a mão por minha bochecha corada.

–Eu precisava fazer isso – ele disse também ruborizado.

Sorri e passei a mão por seu rosto. Suspirei e soltei o cinto me jogando em seus braços e o beijando novamente. Dessa vez foi breve e calmo, porém com o dobro de doçura. Damon acariciou meu cabelo suavemente e depois beijou meu queixo.

–Desculpa – mordi o lábio ofegante.

Ele piscou e depois sorriu. Fiquei perplexa com a minha própria reação. Puta merda, o que nos acabamos de fazer?

Passei o resto do caminho em silêncio, olhando para todos os lados possíveis, menos para ele. Quando chegamos ao prédio, mal trocamos um “até amanhã” antes de irmos cada um para ser apartamento. Sophie foi direto para minha cama, escalando por minha colcha. Tomei um banho demorando demais debaixo d’água pensando nos acontecimentos do dia. Fui até a cozinha e comi um dos biscoitos agitada demais para fazer algo mais elaborado. Arrumei minha bolsa para meu primeiro dia de aula e a chequei duas vezes antes de ir arrumar a comida de minha felina. Limpei sua caixa de areia já limpa e lavei o banheiro desnecessariamente apenas para manter a mente ocupada. Desfiz minha bolsa e notei que havia deixado meu livro com Damon. Porra! Que ótimo! Com que cara eu ia pedir aquele livro de volta? Ainda mais depois do que aconteceu hoje no carro.

Não que eu não tenha gostado, mas era complicado. Fui muito repentino – e perfeito. Toquei meus lábios e fechei os olhos me lembrando da sensação de ter seus lábios colados nos meus, de sentir o cheio exalado por seu pescoço, de sentir sua mão acariciando minha bochecha... Oh, Deus.

Suspirei e coloquei de pé, decidida ligar para minha mãe. Ainda era cedo e eu não queria fazer o uso inadequado de remédios outra vez.

–Elena! – ela atendeu no segundo toque.

–Mãe – murmurei.

–Como andam as coisas?

–Ótimas – disse animada demais e mordi o lábio – e por aí?

–Aqui também – ela riu – você parece animada. Aconteceu alguma coisa?

–Hm?

–Eu te conheço melhor que ninguém minha filha, o que aconteceu? – disse ela docemente.

Resolvi contar da viajem – sem beijo.

–Você deve estar maluca! – ela berrou em meu ouvido. Reação típica de Isobel.

–Mãe ele é meu amigo...

–Eu sei, mas podia não ser!

–Eu sei disso – eu realmente era maluca. Mas eu confio em Damon.

–Fora isso, você está bem?

–Sim – sorri ao telefone.

–Tudo pronto para as aulas amanhã?

–Acabei de arrumar tudo – bocejei.

–Vá dormir meu amor, amanhã a gente se fala.

–Tudo bem, te amo – disse e beijei o telefone.

–Também meu anjo.

Coloquei o telefone sobre minha mesa de cabeceira e deitei na cama, exausta – não exausta o suficiente para não sonhar com lindos olhos azuis em chamas me intimidando.