Neighbors
11 Capítulo 11
Damon POV.
Estávamos sentados no sofá nos enchendo de pipoca vendo um filme de merda romântico e sem graça na TV. Elena estava completamente absorta no filme, e eu nela. O tempo que ela passava olhando para TV, eu passava olhando para seu rosto infantil e tentando descobrir que tipo de coisa era aquela que sentia quando estava perto dela. E, até onde eu sabia, ela se sentia da mesma forma, pelo menos foi o que ela disse enquanto dormia. Que gostava de ficar comigo e que eu era chato. Normal.
-Aí, está esfrianndo – Elena resmungou abraçando o próprio corpo.
-Já quer ir deitar?
-Que horas tem? –ela me respondeu com outra pergunta.
-Hm – olhei para meu relógio de pulso – dez para as onze.
-É bom – soltou um suspiro.
-Vou arrumar sua cama – disse me pondo de pé.
-Não sou aleijada.
-Mas é visita.
-Ah, por favor – ela revirou os olhos. Parecia ter cinco anos quando fazia isso.
-Vou pegar minhas coisas e trazer para cá...
-Como é que é? – ela me interrompeu.
-O que?
-Você vai dormir no sofá?
-Vou.
-Por quê?
-Só tem dois quartos Elena, o meu e o da Tina, você dorme na cama e eu durmo aqui no sofá – expliquei tentando manter a calma.
-Então eu durmo no sofá – ela começou a bater o pé.
-Nem pensar – por que ela tinha que ser tão teimosa? Que saco.
-Eu sou visita, eu que tenho que dormir aqui.
-Não, você fica no meu quarto e eu durmo aqui. – disse com certa autoridade – além do mais você está com frio, aqui pega mais vento.
-E você vai ficar com frio?
-Não sinto frio.
-Você vai ficar doente – Elena arqueou uma sobrancelha.
-Não interessa você não vai dormir aqui.
-E nem você.
-Hã?
-A cama é grande... – ela mordeu o lábio. – Nós podemos dormir lá – ela enfatizou o nós. Ah puta merda...
-Não se importa?
-Eu que deveria perguntar de você não se importa – ela cerrou os lábios.
-Não eu não me importo – revirei os olhos.
-Então ta. – ela disse e abaixou a cabeça.
-Er... Vou arrumar lá em cima – disse e a deixei sozinha na sala.
Subi as escadas pulando de dois em dois degraus. Entrei em meu quarto e puxei a colcha da cama. Peguei mais um cobertor no armário e joguei em cima da cama. E era só, estava tudo arrumado. O céu nublado indicava que cairia uma chuva pesada, então sem mais, puxei a enorme cortina até ela cobrisse todas as janelas. Olhei para trás e percebi Elena encostada na porta em silêncio.
-A TV está fora do ar.
-Quer que eu vá arrumar? – perguntei.
-É o mal tempo – ela se sentou na cama — não precisa, e além do mais estou cansada – terminou a frase com um bocejo.
-Cadê a Sophie?
-Em baixo da cama – ela riu. O som de sua risada me despertava coisas primitivas e gays. Ela se abaixou e pegou a gatinha no colo.
-Vou lá apagar as luzes.
-Já apaguei.
-Obrigada.
Disse e fui até a porta a fechando. Não queria nem imaginar o quanto isso daria Tina para pensar, eu trancado no quarto com Elena, pelo amor de Deus, somos melhores amigos. Sophie havia deitado entre os dois travesseiros, sorri e me deitei do lado em que Elena havia deitado mais cedo, o travesseiro ainda tinha seu cheiro, inalei o perfume maravilhoso. Ela se deitou ao meu lado com certa distancia e com uma expressão tensa. Apaguei a luz do abajur e então a escuridão foi plantada.
-O que foi? – perguntei.
-N-Nada – ela gaguejou.
-Você esta bem?
-Aham – ela fungou.
-Você está chorando? – o choque tomou conta de minha voz.
-Não – sua voz soou um pouco mais forte. Era uma merda não ver seu rosto para poder ler suas emoções sempre estampadas em seus olhos.
-O que foi Elena?
-Só estou cansada e com frio – ouvi seus dentes baterem. Wow. A temperatura caiu muito.
-Quer outra coberta?
-Não precisa – ela se encolheu se enrolando no cobertor.
-Claro que precisa caralho – acendi a luz e levantei da cama já indo em direção do guarda roupas. Peguei uma colcha grande e grossa e joguei em cima dela deixando só sua cabeça de fora. – Está melhor?
-Obrigada – ela sussurrou. Deitei-me de novo e apaguei a luz me enrolando na coberta.
-Boa noite – murmurei.
-Boa noite – tinha um sorriso na sua voz.
Encarei o teto sem nenhum vestígio de sono, nem quinze minutos haviam se passado e Elena já estava dormindo. Estava frio, muito frio, o que era estranho e fora de época. Ouvi o barulho de gotas de chuva contra o vidro, um clarão de um relâmpago seguido de um trovão. Porra já estava difícil eu conseguir dormir, daquele jeito seria impossível. Sophie se agitou e subiu em cima de mim para esconder do barulho. Outro clarão seguido de um estrondo se procedeu e Elena se mexeu ao meu lado. De primeira achei que ela tivesse acordada, mas ela continuou a se mexer sem dizer nada e acabou por deitar em cima de meu braço. Sorri no escuro e comecei a acariciar seus cabelos sentindo sua respiração em meu peito nu. Ela resmungou alguma coisa inconsciente e se mexeu de novo, dessa fez passou o braço a minha volta e deitou na base de meu pescoço. Sophie me arranhou e deitou no meio do cabelo de Elena. Assim que teve outro clarão, pousei a mão sobre seus ouvidos para que ela não ouvisse o estrondo que o seguia para não se mexer. Afaguei sua bochecha e passei meu outro braço a sua volta, a prendendo a mim.
-Damon – ela disse num sussurro.
-Estou aqui – disse a soltando instantaneamente. Mas ela não respondeu e me chamou outra vez.
Ela estava dormindo. Falando o meu nome dormindo. Mais uma vez. Sonhando comigo. Mais uma vez. Uma alegria cresceu dentro de mim fazendo quase que meu peito explodir. Meu coração batia num ritmo que chegava a ser constrangedor. Abri um sorriso involuntariamente e passei meus braços a sua volta de novo.
-Hmm... Não – ela se mexeu. Ah não, não se mexe meu anjo. Seus braços me abraçavam apertado. – Não vai embora – ela choramingou dormindo. – Eu... Eu te amo. – seus braços me apertaram com mais força e ela enterrou a cabeça em meu pescoço.
Eu te amo. Ela acabou de dizer que me ama. Ela me ama. Comecei a sentir minha respiração se descontrolar. Porra, ela me ama. Foda-se que nos nós conhecemos a pouco tempo. Eu nunca me senti em relação a ninguém, nunca me apaixonei desse jeito por ninguém e pela primeira vez — mais uma vez — esse sentimento era recíproco. Meus ossos viraram borracha lembrando de suas palavras. A chuva diminuía do lado de fora e com elas os relâmpagos e trovões também. Não queria dormir, queria ficar acordado e ouvir cada palavra que ela dissesse durante a noite, mas, no entanto uma onda de cansaço – e felicidade – me inundou repentinamente.
-Eu também te amo meu anjo – sussurrei e fechei os olhos dormindo um sono leve, feliz demais para qualquer tipo de sonho.
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