Neighbors

1 Capítulo 1


A tarde caía e eu ainda andava de um lado para o outro em meu quarto – fizera isso o dia inteiro. Essa seria minha ultima noite na minha tão adorada casa, e mal havia chegado, estava visitando meus tios e tias que moravam na minha terra natal, Sófia, na Bulgária. Estava cansada da viajem e mesmo assim não teria tempo para descansar. Deixaria Toronto pela manhã, rumo a Atlanta, onde eu moraria pelos próximos quatro anos que cursaria faculdade em um pequeno apartamento no grandioso centro da metrópole.

Juntei minhas roupas que restavam no armário e as coloquei na mala que não fora desarrumada da viagem, afinal, não faziam 4hrs que estava em casa, e só teria mais dez para terminar de arrumar as coisas e descansar um pouco. Terminando com a mala, tomei um demorado banho e caí na cama, colocando meu celular para despertar precisamente às 5hrs da manhã, não passados muitos minutos, já havia me rendido ao sono e cansaço, sem sonhar ou ao menos, me mover.

Acordei no primeiro toque do estridente despertador, ansiosa. Não me demorei no banho e tomei um rápido café na cafeteria que ficava na esquina de minha casa. Assim que retornei a casa, chamei um táxi enquanto aguardava minha mãe que me acompanharia até o aeroporto.

Aquele seria um grande dia.

Minha mãe me levou ao aeroporto ás 7hrs em ponto. O céu estava de um azul lindo nascer de dia, repleto de nuvens brancas, a brisa era refrescante. Fazia 21°C, uma temperatura agradável e um tanto fora de época. Usava minha blusa preferida, com mangas curtas e de um tom de cinza claro, meus cabelos estavam domados em uma trança embutida. Minha bagagem de mão era um livro e meus queridos e amados fones de ouvido.

- Se cuida – minha mãe disse e passou os braços a minha volta; retribuí o abraço em silêncio.

A viagem seria longa. Não sabia ao certo quantas horas ficaria trancafiada dentro de um avião. Detesto avião, simplesmente tenho pânico e outras coisinhas mais. Pensar na duração da viajem não ajudaria em nada. Sentei no assento que dava para a janela e coloquei os fones no ouvido, comecei a ler meu exemplar surrado de “Jogos Vorazes” vendo a cidade linda e esparramada ficar para trás numa fração de segundos.

O dia se arrastava e me deixava entediada, já havia lido mais da metade do livro e não se passava do meio dia. Selecionei músicas lentas em meu iPod e fechei os olhos, pretendendo aproveitar o tempo para descansar, o que não funcionou muito. Passei todo trajeto acordada, ouvindo músicas pelas quais eu nem lembrava que existiam. No final eu já estava faminta, a comida do avião era horrível e eu fiz de tudo para evitar, comeria assim que desembarcasse, não morria por ficar com fome por algumas horas – horas que faziam de tudo para não passar, pareciam estar testando minha paciência e minha resistência.

Por fim, finalmente, finalmente cheguei. Era fim de tarde, o clima era úmido e quente, o vento soprava jogando os fios soltos de minha trança em meu rosto. Sorri enquanto desembarcava do avião e caminhei até o terminal. Depois de todas as etapas e chatices saí para comer na cidade movimentada. Era muita novidade, muita informação e ao mesmo tempo tudo um pouco igual. Não tinha nada ali que não tivesse em Toronto, mas de certa forma era diferente. Acabei por entrar no McDonalds, sem querer demorar – até por que, meu apartamento ficava do outro lado da cidade e não ficaria zanzando com uma mala enorme e pesada. De primeira pensei em alugar um carro, mas não fazia a menor idéia de onde encontraria uma locadora, teria que ir de táxi. E assim fiz, vinte minutos de transito e buzinas e eu estava na minha nova residência. Entrei no elevador com minha mala e suspirei. Minha mudança chegara na ultima semana, tudo que eu precisava já estava lá, arrumado por mim mesma antes da viajem à Bulgária. Abri a porta fazendo um pouco mais de barulho que deveria e joguei minha mala no chão, desabando no confortável sofá branco que comprara especialmente para combinar com a charmosa parede de pedra colonial no lado sul do hall de entrada. Encarei o teto e depois a porta aberta. Eu tinha de me acostumar com ser mais cuidadosa e fazer menos barulho, tinha pesso0as morando do lado, em cima, e embaixo de mim. Respirei e me levantei, andando até a porta do único quarto — que ficava a direita do único banheiro — deixei minha bolsa lá e voltei para fechar a porta. E encontrei enormes lindos olhos azuis me encarando.

-Olá – a voz rouca masculina disse enquanto simulava uma batida na porta com um meio sorriso no rosto.

-Oi? – respondi insegura atordoada por sua beleza.

-Você é a nova moradora? – ele fez uma pergunta que me parecia óbvio. Apenas assenti. – É bom te conhecer, sou Damon, seu vizinho – o moreno alto apontou para porta ao lado da minha e depois estendeu a mão para mim, sorri involuntariamente e o cumprimentei.

-O prazer é meu – dei uma pausa – Elena. – disse enquanto ele beijava as costas de minha mão direita.

-Bem vinda cidade – Damon disse ainda sorrindo – Se eu soubesse cozinhar, teria trago algo para você – ele mexeu no cabelo – E bom, como eu não trouxe nada, vim te convidar para conhecer a cidade, ouvi dizer que você não é daqui.

-Verdade, mas, hm, desculpa, agora não dá – eu realmente queria conhecer a cidade – e precisava, mas estava morta de cansaço e tinha muita coisa para arrumar.

-Não pretendia te levar agora, até por que deve estar cansada da viajem e deve querer arrumar suas coisas, eu entendendo – ele deu uma pausa – quem sabe outra hora, talvez amanhã... – Pensei por um minuto. Eu não conhecia absolutamente nada da cidade ainda, precisava me encontrar e saber onde achar as coisas, e ele me parecia legal, fora que não via mau nenhum em ir com ele.

-Amanhã – sorri sem graça – pode ser.

-Então, te pego as 9hrs Elena.

-Combinado.

-Até amanhã – ele disse e eu acenei brevemente e fechei a porta.

Em seguida levei minha mala até o quarto e comecei a desfazê-la com uma lerdeza exagerada, as gavetas de madeira clara cheiravam a novo, mesmo já guardando algumas roupas que havia trago junto com a mudança. Depois de uma hora sentada no chão do quarto todas as roupas estavam arrumadas em seus devidos lugares – e eu sabia que a organização só duraria uma semana, no máximo. Assim que me levantei caminhei até a cozinha e chequei o que havia na dispensa. Biscoitos e massas. Teria de fazer compras, concluí enquanto ligava a geladeira e os outros eletrodomésticos à tomada, isso é, assim que eu descobrisse onde encontrar um supermercado. Tirei a poeira que se acumulou por cima dos móveis com um pano úmido, deixando tudo em ordem. Terminei exatamente as 20hrs e resolvi ligar para a minha mãe e dizer que havia chegado bem.

Me arrependi da ligação já no banho, quase meia hora depois, cansada de responder as mesmas perguntas a cada 2 segundos. Lavei meus cabelos com meu xampu preferido da Victoria Srecret, o cheiro familiar de morango e champanhe me ajudava a relaxar e descontrair os músculos. Depois vesti minha camisola preferida, confortável e sem mangas, num tom de rosa bebê. Deitei na cama às 23hrs colocando o relógio de meu celular para despertar às 8hrs, assim teria uma hora antes de meu vizinho prestativo – e lindo – me chamar para conhecer minha nova cidade.

Acordei assustada com o barulho de meu celular, o coração batendo em um ritmo desesperador. Respirei e deixei que meus batimentos voltassem ao normal antes de levantar. Tomei um longo banho na tentativa fracassada de me fazer acordar, assim que saí comi dos biscoitos de chocolate que havia na dispensa e fui me arrumar. Vesti um short não muito curto – não muito grande também – jeans claro e coloquei minha blusa preta sem mangas, calçando minhas sapatilhas douradas que combinavam perfeitamente com os detalhes de minha bolsa. Mal havia eu terminado de me aprontar e escutei o barulho da campanhinha. Suspirei e caminhei até a porta.