Notas iniciais
Olá, Pessoal!
Aqui estou eu com mais uma one! Tive essa ideia baseada em um trabalho de história. Este consistia em fazer uma redação retratando a travessia do negro africanos até o Brasil. Eu modifiquei um pouco e o resultado foi esse! Espero que goste.
Texto meramente fictício, personagem narrador nunca chegou a existir. Que fique claro!
Boa leitura...

Ouço o ranger da madeira. O sol me cega por instantes, e o calor percorre meu corpo enquanto sou arrastado para o mercado. Os brancos nos seguem de perto. Eles riem de nós, gritam o valor que cada vale, e no fim, um dele irá nos comprar.

Esta é uma terra estranha. O calor lembra minha amada terra, mas suas construções não são nada parecidas com as nossas. Suas vestes são um pouco pesadas, apesar do clima, e muitas são adornados de joias e espécimes de ouro. Entre eles também existem negros, embora estes carregassem coisas pesadas e levassem chibatadas a cada erro cometido.

Será esse meu destino?

Lembro-me exatamente da noite em que nos pegaram. Estávamos em uma cerimônia em homenagem a Oxalá. Os brancos já chegaram atirando contra nós. Mataram nosso chefe e nos prenderam aos postes de madeira. Não podíamos correr e não nos alimentaram naquela noite.

Ao nascer do sol, fomos levados em direção ao imenso barco atracado no litoral. Era uma das maiores construções já vista por mim. Suas várias velas tremulavam com o vento e a água parecia se dividir ao redor dele. Embora aquele barco tivesse beleza, ele foi nosso sofrimento por dias.

Nossa alimentação era precária e nos “aposentos” também. Embora aquilo não pudesse ser considerado de um lugar. Era apenas a parte baixa do navio destinada a nós, negros. Passamos dias no escuro, e apertados uns contras os outros. Alguns morreram durante à viagem.

Não podia culpá-los. Nossa alimentação era escassa, não havia higiene e nosso sofrimento era grande. Talvez a morte fosse uma bela forma de partir daquele mundo sombrio. Não sei como consegui sobreviver. Minha dor e saudade são tão grandes como este grande navio em que fiquei. Não vi mais meus parentes e meus amigos.

Separaram-me de meus iguais. Tomaram-me a vida.

Hoje trabalho no campo. Sendo submisso ao meu senhor, comprador e superior. Há muitos de nós. Lutamos pela justiça, lutamos pelo amor, lutamos pela liberdade. Mas o Branco não se importa. Sua obsessão pela nossa força de trabalho é extremamente grande. Sua razão é pouca. Diferenciam-se de nós apenas por uma cor, e não veem que todos somos seres iguais.

Sua falta de razão era tanta que perdíamos nosso nome e nossa identidade. Éramos comprados apenas por estar em perfeito estado, mas eu sabia que esse estado não duraria tempo o suficiente para ver novas gerações. Gerações de negros fadados ao sofrimento, ao preconceito e a falta de razão.

Quero fugir, mas sei que não há motivo algum para tal. Irei morrer em breve. Apenas trinta anos, mas meu corpo já é velho, meu espírito já é velho. O esforço envelhece, os brancos nos envelhecem. Os brancos nos dizimaram, os brancos nos destruíram.

Os brancos nos escravizaram!

Notas finais
E ai? Gostaram? Espero de coração que tenham gostado e reflitam um pouco sobre a mensagem que a história quer passar! Vejo vocês em outra história!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!